açúcar

A tradição histórica releva a importância do arquipélago madeirense na História do açúcar. Também se insiste na ideia de que a História da Madeira deve ser dividida em ciclos, sendo o segundo, se atendermos a que o primeiro momento foi de afirmação dos cereais, o do açúcar. A ideia de ciclo felizmente que caiu em desuso e hoje, ao nível da História económica, insiste-se apenas no conceito de produto dominante de exportação, o que realmente aconteceu no período inicial do último quartel do século XV e o primeiro da centúria seguinte, com o açúcar. Por outro lado, a cultura da cana sacarina perdura na História da Madeira, não se limitando apenas a este momento inicial, chegando até ao dia de hoje, embora numa situação quase residual e por força da tradição do bolo de mel e da poncha.

Desde sempre se valorizou a importância da cultura da cana sacarina e, de forma especial, o açúcar na História da Madeira a partir da década de noventa do século XX, porém, aconteceu um movimento favorável em termos de investigação, que permitiu uma plena afirmação do tema e a valorização do papel da Madeira, no quadro da História do Açúcar no espaço atlântico. As investigações realizadas nos últimos decénios permitiram não só valorizar a dimensão multissecular da cultura no arquipélago, como também evidenciar a relação que, a partir dela, se estabeleceu com outros espaços insulares [Açores, Canárias, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Santo Domingo e Cuba] e o Brasil. Por outro lado, associado a esta cultura e produto, desenvolveram-se estudos sobre aspetos até então ignorados: a tecnologia, as formas e estruturas sociais que servem de suporte à estrutura produtiva as suas implicações diretas na cultura tradicional e na alimentação. Uma das consequências deste movimento, das ultimas décadas, em prol da divulgação e afirmação da História do Açúcar, foi a valorização do papel da Madeira, no contexto da História e Tecnologia da cana de açúcar no espaço atlântico e da sua plena afirmação no quotidiano ocidental a partir do século XVI.

A bibliografia  sobre  a  temática  é  vasta.  Desde o  século XVIII que se sucedem inúmeros estudos que procuram aclarar a História das culturas da cana sacarina e beterraba, das tecnologias usadas e dos novos processos de transformação do fabrico trazidos pela Química. A incidência desta produção literária tem a ver com o empenho de cada país ou império na produção  e  comércio  de  açúcar.  É  em  língua  inglesa  que encontramos o maior número de publicações, mas também não é desprezível o seu número em alemão e em francês. A maior parte dos que escrevem sobre o tema, mesmo sobre a História,  estão,  de  uma  forma  ou  de  outra,  envolvidos profissionalmente com a cultura e indústria. É no campo da Engenharia Química e  da  Agronomia  que  encontramos  o maior número de estudiosos e de estudos. No domínio da História, sobressaem dois autores, como clássicos da abordagem da matéria. Edmond von Lippmann, químico alemão, publicou, em 1890, um volume que teve várias  edições  (1929,  1934,  1938)  e  uma  tradução  no  Brasil (1941-42). Noel Derr ficou conhecido pela “History of Sugar”, publicada em 1949-50, mas não deverá esquecer-se o contributo no âmbito da química e tecnologia. Para os períodos mais recentes, temos o texto de J. H. Galloway (1989) e os encontros de debate que aconteceram em Motril, desde 1992, e no Funchal, a partir de 2000, que culminaram em 1993 com a criação da Associação Internacional de História e Civilização do Açúcar, com sede no Funchal.

A história  do  açúcar  na  Madeira  confunde-se  com  a  conjuntura  de  expansão  europeia  e  dos primeiros momentos de fulgor económico do arquipélago madeirense. A sua presença é multissecular e deixou rastros evidentes na sociedade madeirense. Dos séculos XV e XVI, ficaram os imponentes monumentos, a pintura e a ourivesaria que os embelezou e que hoje está quase toda no Museu de Arte Sacra. Do século XIX e do primeiro quartel da nossa centúria, perduram ainda a maioria dos engenhos da nova época de retorno da cultura dos canaviais, em que a  cana  se diversificou no  uso  industrial,  sendo  geradora  do  álcool, aguardente e, raras vezes, do açúcar.

A partir do século XV, a Europa entendia os espaços de ocupação no Atlântico pela sua  importância económica em relação aos produtos capazes de ativarem e propiciarem riqueza no sistema de relações de troca do mercado europeu, mediterrânico e nórdico. Os epítetos, como ilhas do pastel, do açúcar ou do vinho, como, por similitude da riqueza gerada pelo açúcar, a ideia de ouro, são a cabal expressão disso. Assim, o ouro das ilhas, associado ao trigo, e o ouro-branco, ao açúcar, foram os elementos ativadores desta ligação e afirmação do mundo insular na economia europeia. Toda esta envolvência insular com o mercado europeu teve como ponto de partida a Madeira, porque a ilha foi pioneira na ocupação e exploração de novas culturas impostas por estes europeus. Além do mais, a ela se deve a sua expansão ao espaço exterior próximo ou longínquo, incluídas as Canárias.

A rota do açúcar, no processo de transmigração do Mediterrâneo para o Atlântico, tem, na Madeira, a principal escala. A cana-de-açúcar iniciou a diáspora atlântica na Madeira. Foi na ilha que a planta se adaptou ao novo ecossistema e deu mostras da sua elevada rendibilidade. Aqui se estabeleceram os primeiros contornos da realidade socioeconómica açucareira, onde jogam papel de destaque a afirmação da escravatura e as inovações tecnológicas, que teve plena afirmação nas Antilhas e Brasil. Também na ilha surgiram os primeiros contornos sociais (a escravatura), técnicos (engenho de água) e político-económicos (trilogia rural) que materializaram a civilização do açúcar.

Acrescente-se, ainda, que a cana-de-açúcar é, de todas as plantas domesticadas pelo Homem, a que mais implicações teve na História da Humanidade. A cana sacarina, pelas especificidades do cultivo, especialização e morosidade do processo de transformação em açúcar, implicou uma vivência particular, assente num específico complexo sociocultural da vida e convivência humana. Ainda hoje são evidentes as transformações operadas na agricultura, técnica, química e siderurgia, por força da cultura da cana sacarina, beterraba e da produção de açúcar, mel, aguardente, álcool e rhum. A chegada ao Atlântico, no século XV, provocou o maior fenómeno migratório, que foi a escravatura de milhões de africanos, e teve repercussões evidentes na cultura literária, musical e lúdica. Foi também no Atlântico que a cultura atingiu a sua plena afirmação económica, assumindo uma posição dominante no sistema de trocas.

Por outro lado, o açúcar é, entre todos os produtos que no Ocidente se atribuiu valor comercial, o que foi alvo de maiores inovações no seu fabrico. No caso do vinho, a tecnologia pouco ou nada mudou desde o tempo dos Romanos até hoje. Ao contrário, várias condicionantes favoreceram a necessidade de permanente  atualização do processo de fabrico do açúcar,  situação  que  se  tornou  mais  clara,  no  século  XVIII,  com  a  concorrência  da beterraba. Mesmo assim, ainda hoje, persistem em alguns recantos do Mundo, na China, Índia ou Brasil, onde a tecnologia da revolução industrial ainda não entrou.

O fabrico do açúcar está condicionado por múltiplos fatores botânicos e químicos. A cana sacarina tem um período útil de vida em que a percentagem de sacarose é mais elevada.  Depois de cortada, a cana tem pouco mais de 48 horas para ser moída e cozida pois, caso contrário, começa a perder sacarose e inicia o processo de fermentação, pelo que, depois, só poderá dar lugar a álcool ou aguardente. Daqui resulta a necessidade de acelerar o fabrico de processamento do produto através de constantes inovações tecnológicas que vão desde o corte ao esmagamento/trituração e cozedura, até que se atinja o desejado produto, o açúcar. Tais condicionantes, definidos pela cultura, implicaram necessariamente o aumento da mão-de-obra, que se fez à custa de escravos africanos.

A cana-de-açúcar não está na origem da escravidão africana mas no processo da sua afirmação, a partir da Madeira. Até aqui, a cultura acontecia em pequenas parcelas onde a maior parte das questões não se colocavam. Mas agora, quando se  avança  para  uma  produção  em  larga  escala,  há necessidade  de  encontrar respostas aos problemas acima referenciados, no sentido de acelerar o ciclo de transformação de forma a tirar-se o maior rendimento em açúcar e, por consequência, o maior lucro. A viragem aconteceu a partir de meados do século XV, na Madeira, e deverá ter implicado mudanças radicais na tecnologia usada para o fabrico do açúcar, como na consolidação da escravatura, primeiro com o recurso aos indígenas das Canárias e, depois, aos negros da Costa da Guiné. É por isso que se assinalam, a partir da Madeira, importantes inovações tecnológicas no sistema de moenda da cana com a generalização do sistema de cilindros. Desta forma, na Ilha, um dos aspetos mais evidentes da revolução tecnológica iniciada no século XV prende-se com a capacidade do europeu em adaptar as técnicas de transformação conhecidas a circunstâncias e às exigências de culturas e produtos tão exigentes como a cana e o açúcar. O tributo foi evidente. Ao vinho, foi-se buscar a prensa, ao azeite e aos cereais, a mó de pedra. Por outro lado, estamos perante uma permuta constante de processos tecnológicos e formas de aproveitamento de diversas fontes de energia. A tração animal, a força motriz do vento e da água foram usados, podendo ser partilhados, em simultâneo, com os cereais e cana sacarina.

Uma maior capacidade na moenda implicava maior disponibilidade de garapa a ser processada para  se  poder  dispor  do  melado  ou  do  açúcar.  Mais garapa e melado implica diferentes formas e técnicas de apressar a cozedura. As dificuldades com a obtenção de lenhas ou os elevados custos do transporte até ao local do engenho conduzem a soluções que, paulatinamente, vão sendo adotadas por todos. Primeiro, reaproveita-se o bagaço da cana e, depois, através de um mecanismo de fornalha única, consegue-se alimentar as cinco caldeiras de cozimento. O sistema ficou conhecido por trem jamaicano, por, segundo alguns, ter tido aí origem, mas, na verdade, temos informação do seu uso, na Madeira e Canárias, no século XVI. Em 1530, Giulio Landi descreve o sistema de fabrico de açúcar com cinco caldeiras agrupadas. Uma situação empurrava a  outra, conduzindo  a soluções cada vez mais avançadas no processo de fabrico do açúcar.

A segunda metade do século XIX foi o momento de aposta definitiva na engenharia açucareira, contribuindo para importantes inovações. O mercado ocidental foi inundado de açúcar de cana e beterraba. O desenvolvimento da indústria de construção de equipamentos para o fabrico de açúcar, seja de  cana  ou  de  beterraba,  aconteceu  em  países  onde  esta  assumia  uma  posição  significativa na economia. A França e a Inglaterra assumiram a posição pioneira no desenvolvimento da tecnologia açucareira.  O Franceses detinham importantes colónias açucareiras nas Antilhas, enquanto os Alemães apostavam forte em Java. Os ingleses surgem por força da sua posição colonial nas Antilhas e Índia e os Estados Unidos da América com New Orleans e, depois o Havai. Cuba foi um dos espaços açucareiros onde mais se inovou em termos tecnológicos. As primeiras décadas do século XIX foram de plena afirmação da ilha, que se transformou em modelo para a indústria açucareira.

Normalmente, associa-se o açúcar à cana sacarina. Foi assim durante muito tempo mas, a partir do século XVIII, isto deixou de o ser, com a possibilidade de fabrico do mesmo a partir da beterraba. Já em 1575, François Olivier de Serres (1539-1619) em “Theatre dell’Agriculture” referia a possibilidade de extrair açúcar da beterraba, mas só em 1745, Frederico O Grande da Prússia ordenou aos químicos que investigassem a forma de retirar sacarose. A beterraba conduziu a inovações na indústria e química do fabrico do açúcar. A nova tecnologia usada desintegrou o sistema de fabrico de açúcar e conduziu a uma transformação do sistema  de  produção  de  açúcar,  com  o  aparecimento  das  fábricas  e  laboratórios.  O sucesso da beterraba deveu-se aos métodos avançados, em termos tecnológicos e químicos, que foram usados para o fabrico do açúcar. O açúcar está ainda disponível numa variedade de frutos, mas sem valor industrial, apenas no sorgo e no acer se conhecem algumas tentativas de sucesso. No arquipélago, fizeram-se algumas tentativas de plantação no Porto Santo e Norte da ilha da Madeira, mas apenas para fabrico de aguardente.

O açúcar  pode  muito  bem  ser  considerado  uma  conquista  dos  mundos  islâmico  e  budista,  tal como o pão e o vinho o são para o cristianismo. O fator religioso foi fundamental na afirmação e divulgação do produto, daqui resultando a sua cada vez maior presença, a partir dos primeiros séculos da nossa era. A cana sacarina (saccharum officinarum) terá sido domesticada há cerca de 12.000 anos na Papua (Nova Guiné). Entre 1500 AC e 500 DC, a cultura espalhou-se pela Polinésia e Melanésia, mas foi na Índia que adquiriu maior importância, entre o século I e VI DC. Foi aí que os europeus tomaram contacto com o produto e cultura, começando o comércio e, depois, o transplante da cultura para os vales dos rios Tigre e Eufrates. Daqui os árabes, que tiveram conhecimento da cultura, levaram-na para o Egipto, Chipre, Sicília, Marrocos e Valência. Foi, no culminar da expansão árabe no Ocidente, que a Madeira serviu de trampolim da cultura para o Atlântico, situação que foi o início da outra fase da História do açúcar, certamente a mais importante.

História

Parece que todos estamos de acordo de que as primeiras socas de cana apareceram na ilha da Madeira por iniciativa do Infante. Nisto corroboram os cronistas que testemunham a ação do Infante nos primórdios da ocupação da ilha. O testemunho de Cadamosto [de 1455] é claro: “E por ser banhada por muitas águas, o dito senhor mandou pôr nesta ilha muitas canas de açúcar, que deram muito  boa  prova”.  Já  quanto  à  origem  da cultura, não  existe  consenso,  podendo-se  apontar  distintas proveniências, como o Algarve, Valência e Sicília. A ideia, defendida, primeiro, por J. Lúcio de Azevedo, mereceu a aprovação de muitos historiadores, nomeadamente algarvios. A historiografia algarvia, baseada em alguns documentos que testemunham a cultura da cana-de açúcar em Quarteira, em terras que pertenciam à coroa, conclui que as socas de cana teriam sido  trazidas daí. Hoje sabemos da importância que teve esta cultura no sul do país.

A ideia dominante é de que as primeiras socas têm origem na Sicília, tal como refere, em finais do século XVI, Gaspar Frutuoso: O Infante Dom Henrique,… mandou a Sicília buscar canas de açúcar para se prantarem na ilha…”. Diferente é, contudo, a opinião de Valentim Fernandes que diz serem de Valência: Ho Iffante mandou a Valença por canas de acucar.”, sendo corroborado pelo Historiador espanhol Antonio Herrera. A favor desta última versão está o facto de um dos primeiros mestres de engenho conhecidos, James Timor, ser daí originário. Em documento de 1478, sabemos que este recebeu carta de privilégio que lhe permitia dispor de embarcações de gávea para o comércio com o reino e outras partes, exceto Castela, sendo a identificação clara: “ valemciano meestre daçuquar na jlha da Madeira ”. Depois, no livro dos estimos de 1494, é referenciado como um dos principais proprietários estrangeiros. Deve ter-se ainda em conta que a costa levantina era, em princípios do século XV, um destacado centro de produção de açúcar e foi a concorrência da Madeira que arrastou à sua crise.

O que sabemos de certeza é que a primeira plantação de canaviais teve lugar no Funchal, num terreno do Infante, conhecido como o Campo do Duque. Daqui os canaviais foram levados para Machico, onde se fabricaram as primeiras 13 arrobas de açúcar, vendidas a cinco cruzados cada arroba. Foi também o Infante,  com  objetivo  de  promover  a  cultura,  que permitiu  que os  povoadores  construíssem engenhos para a laboração do açúcar, sujeitando-se ao pagamento de 1/3 da produção. Temos apenas registo documental do de Diogo Teive, conforme autorização do próprio duque de 1452. Rapidamente se iniciou o comércio de exportação de açúcar, pois como refere, no século XX, Diogo Gomes, os da ilha “fabricam açúcar em tal quantidade que é exportado para as regiões orientais e ocidentais”. E Cadamosto não se enganará no vaticínio que fez: “…pelo que posso perceber, far-se-á deles maior quantidade com o tempo, por ser terra muito própria para isto, pelos seus ares quentes e temperados…”. A segunda metade do século XV foi de incremento da cultura, contribuindo, para isso, os incentivos do senhorio e a grande demanda que o açúcar tinha no mercado europeu.

Na Madeira, a cana sacarina, usufruindo do apoio e proteção do senhorio e coroa, conquistou o espaço ocupado pelas searas, atingindo todo o solo arável da ilha em duas áreas: a vertente meridional (de Machico à Calheta), com um clima quente e abrigada dos alísios, onde os canaviais atingem 400 m de altitude, dominado pelas plantações da capitania de Machico (Porto da Cruz e Faial até Santana), solo em que as condições mesológicas não permitem a cultura além dos 200 metros numa produção idêntica à primeira área. A capitania do Funchal agregava, no seu perímetro,  as melhores terras para a cultura da cana-de-açúcar, ocupando a quase totalidade do espaço da vertente meridional. À de Machico restava apenas uma ínfima área e todo um vasto espaço acidentado impróprio para a cultura, mas uma reserva importante de lenhas e madeiras, necessárias à afirmação da cultura na capitania do Funchal.

A diferenciação da capacidade produtiva na economia açucareira das duas capitanias torna-se mais visível, quando analisamos os dados da produção. Assim, em 1494, do açúcar produzido na ilha apenas 20% é proveniente da capitania de Machico e o sobrante da capitania do Funchal. Em 1520, a primeira atinge 25% e a segunda os 75%. Na capitania do  Funchal,  os  canaviais  distribuíam-se  de  modo  irregular,  de  acordo  com  as condições mesológicas da área. Em 1494, a maior safra situava-se nas partes de fundo, englobando as comarcas da Ribeira Brava, Ponta de Sol e Calheta com 64%, enquanto o Funchal e Câmara de Lobos tinham apenas 16%. Em 1520, não obstante uma ligeira alteração, a diferença mantém-se, pois a primeira surge com 50%, e a segunda apresenta 25%, valor idêntico ao total da capitania de Machico, com 25%. Uma análise em separado das diversas comarcas da capitania do Funchal, na mesma data, evidencia a importância do Funchal em 33%, seguindo-se a Calheta com 27%. As da Ribeira Brava e Ponta de Sol surgem numa posição secundária com 20% cada.

Criadas as condições a nível interno, por meio do incentivo ao investimento de capitais na cultura da cana-de-açúcar e comércio de derivados, do apoio do senhorio, da coroa e da administração local e central, a cana estava em condições de prosperar e de se tornar, por algum tempo, no produto dominante da economia madeirense. O incentivo externo do mercado mediterrânico e nórdico aceleraram o processo expansionista da cultura no solo madeirense. Assim, em meados do século XV, os canaviais são motivo de deslumbramento para Cadamosto e Zurara. O primeiro refere que os açúcares “deram muita prova”, enquanto o segundo dá conta dos “vales todos cheios de açúcar de que aspergiam muito pelo mundo

Na década de trinta do século XVI, consumou-se a crise da economia açucareira e o ilhéu viu-se na necessidade de abandonar os canaviais e de os substituir pelos vinhedos mas  tardou  muito  tempo  até  que  isso  sucedesse  em  definitivo.  Giulio Landi, que visitou  a  ilha  na  década  de  trinta do século XVI,  refere  que  os  madeirenses,  levados  pela ambição da riqueza se dedicam “apenas ao fabrico do açúcar, pois deste tiram maiores proventos”. Por outro lado, o almoxarife Simão Rodrigues dava conta, em 1557, que a colheita do ano anterior havia sido muito fraca. Será a partir desta data que o açúcar perde importância na ilha, em favor de outros produtos, como o vinho.

A crise da economia açucareira madeirense não é apenas resultado da concorrência do açúcar das Canárias, Brasil, Antilhas e S. Tomé, que funcionam como o motor desta viragem, mas deriva, acima de tudo, da conjugação de vários fatores de ordem interna: a exaustão dos solos, a carência de adubagem, a desafeição do solo à cultura e as alterações climáticas que acontecem já por força do desbaste da floresta. A concorrência do açúcar das restantes áreas produtoras do Atlântico, bem como a peste (em 1526) e a falta de mão-de-obra apenas vieram agravar a situação de queda da produção madeirense. A tudo isto acresce, em finais do século XVI, os efeitos do bicho sobre os canaviais, como é testemunhado para os anos de 1593 e 1602. O último quartel do século XVI foi o momento de viragem para culturas de maior rendibilidade, como a vinha.

Nos séculos XVI e XVII, a intervenção das autoridades nesta cultura resultava  apenas  da  necessidade  de garantir ao açúcar da ilha uma posição dominante no mercado interno e a situação concorrencial nos mercados nórdico e mediterrânico. A concorrência do açúcar brasileiro será, por algum tempo, o motivo de discórdia entre os vários interesses em jogo. A incidência das medidas é pontual e resulta do incentivo que a cultura mereceu em finais do século XVI.

No ano de 1600, é bastante evidente a retração da área ocupada pelos canaviais. A média propriedade cede lugar à pequena e, mesmo, de muito pequenas dimensões. A maioria (isto é 89%) produz entre 5 e 50 arrobas, o que demonstra estarmos perante uma cultura vocacionada para suprir as carências  caseiras,  no  fabrico  de  conservas,  doçaria  e  compotas.  Em 1610,  o  bicho  da  cana obrigou ao fecho de muitos engenhos. Até 1640, o movimento descendente agravou-se com a presença, cada vez mais assídua de açúcar brasileiro no porto do Funchal. Em 1643, o número de engenhos existentes era insuficiente para dar vazão à produção dos canaviais. A conjuntura da década de quarenta da centúria seguinte foi marcada por novo incremento da cultura, sem  necessidade  de  recurso  às  medidas  protecionistas,  uma  vez  que  o  mercado  do Nordeste brasileiro se encontrava sob controlo holandês. Fechou-se a rota do açúcar brasileiro. Perante tudo isto, os canaviais voltaram a estar verdejantes na ilha. Mas sucede  que  as  levadas  estavam  abandonadas  e faltavam  engenhos  para  moer  a cana. A intervenção das autoridades vai no sentido de promover a cultura através de uma política de incentivos, materializada nos apoios à reconstrução dos engenhos. O conjunto de medidas culmina em 1688, com a redução dos direitos que oneravam a produção, passando de um quinto para um oitavo.

Nos séculos XVII e XVIII, os poucos canaviais pertencem à área da capitania. As poucos canaviais que persistiram, principalmente em Santa Cruz, havia desaparecido por completo em 1674. Em auto lavrado em câmara, refere-se que a lavoura cessara na vila de Machico, sendo as terras semeadas de trigo, cevada e vinhas. A partir dos livros do oitavo disponíveis, não é fácil estabelecer as principais áreas de produção, uma vez que poucos são aqueles em que está identificada a localidade.

Usufruíram deste apoio o  capitão  Diogo  Guerreiro,  Inácio  de Vasconcelos, António Correa Betencourt e Pedro Betancor Henriques. O progresso continuou no ano imediato, o que justificou a construção de dois novos engenhos. Estávamos perante uma recuperação passageira, uma vez que, na década seguinte, o reaparecimento do açúcar brasileiro no porto do Funchal trouxe de volta a anterior situação.

Em  1658, dá-se novo incentivo à  cultura,  ao tentar reduzir-se os direitos sobre a produção para um oitavo, mas a crise era inevitável. Aos incentivos referenciados acresce o facto de os direitos do quinto do açúcar, entre 1643  e  1675,  não  serem  devidamente  cobrados,  pelo  que,  no  último  ano,  se recomendou  maior  atenção.  Depois,  por  alvará  de  15  de  outubro  de  1688,  a coroa determinou que os direitos que oneravam a produção passassem para um oitavo da colheita, sendo a medida mais uma vez definida como uma forma de promover a cultura.

No período de 1689 a 1766, deparamo-nos com algumas quantidades de açúcar na Ribeira Brava, Funchal, Ponta do Sol, Santa Cruz e Calheta. A situação é totalmente distinta daquela que se viveu nos séculos XV e XVI. Na Calheta, por exemplo, iam longe os tempos áureos da produção açucareira, agora a sua produção eram muito limitados. Assim, entre 1689 e 1705, foram só 29 arrobas e 2 libras.

Por todo o século XVIII, a aposta preferencial foi apenas na vinha, que retirou espaço aos canaviais. Mesmo  assim,  tiveram  continuidade,  uma  vez  que  existem  dados  que  documentam  a  existência  de canaviais e sabe-se que o engenho dos Socorridos se manteve em funcionamento por todo o século XVIII.

No  século  dezoito,  a  cultura  é  conduzida  para  um  plano  secundário,  deixando  de  ter  a  real importância que tivera na economia madeirense. Em 1746, foi dado provimento ao escrivão dos quintos do açúcar da vila da Calheta, a António Dionísio de Oliveira, o que prova que, pelo menos aqui, a cultura ainda se mantinha com dimensão suficiente para a Fazenda Real se preocupar com a arrecadação.

A conjuntura económica de finais do século dezanove trouxe a cultura de regresso à Madeira, como solução para reabilitar a economia que se encontrava profundamente debilitada com a crise do comércio e produção do vinho. A situação, que se manteve até à atualidade, nunca atribuiu ao produto a mesma pujança económica de outrora nas exportações. Os canaviais não desapareceram da ilha, mantendo-se a produção de açúcar em um único engenho até 1826. E o resultado era considerado de excelente qualidade. No ano imediato, Severiano Alberto de Freitas Ferraz insiste junto do Governador, no sentido de se promover a cultura da cana, uma vez que a vinha estava condenada, por falta de escoamento do vinho. Deveria apostar-se nos canaviais, através da isenção de direitos, por um período de dez anos. A  partir  da  década  de  quarenta,  o  panorama  da  agricultura  começa  a  mudar.  Mas, à industria açucareira depara-se um grande handicap, que pautará todo o segundo momento de afirmação, a dificuldade de concorrer em pé de igualdade com as demais regiões. Neste segundo momento de afirmação dos canaviais, podemos estabelecer duas fases distintas. A primeira decorre de 1852 a 1895, culminando com o ataque do fungo conyothurium melasporum em 1882, que levou à quase total destruição  dos  canaviais  da  cana bourbon introduzida  de  Caiena (1847) e Cabo Verde. Para atalhar as dificuldades, importaram-se novos tipos de  cana,  que  se  foram  implantando a partir de   1884.

A década de oitenta foi o momento de plena afirmação dos canaviais. A produção fazia-se em grandes quantidades que dava para o consumo local e o excedente exportava-se para o reino. Ensaiaram-se  as  diversas  variedades,  disponíveis  ao  nível  mundial,  no sentido de se conseguir a recomposição dos canaviais: otaheite da Maurícia (1886), cristalina do Haiti, Elefante e Bambu, Porto Mackay, rajada e yuba do Natal (1897). A maioria não resistiu ao fungo, pelo que se procurou alternativas como a Cheribon e, a partir de 1935, a POJ-2725, 2727, 2878 de Java, considerada uma das melhores variedades, a White Tannada Austrália e a CP-80 da Luisiana. Atualmente, as variedades mais importantes  nos  canaviais  madeirenses  são  a POJ-2725 e NCO-310.

Ao longo do tempo, foram surgindo medidas favoráveis à reafirmação da cultura sacarina. Em 1888,  foi criada uma estação experimental,  coordenada  pelo  Agrónomo Alfredo de Fraga Gomes e, em 1895, estabeleceu-se um conjunto de medidas protecionistas. Daqui resultou a rápida promoção dos canaviais, que assumiram uma posição destacada na ilha. A partir de 1956, a  Estação  Agrária  da Madeira criou viveiros em toda a ilha, de forma a alargar a cultura da cana a todo o espaço arável. Isto surgiu por imposição das câmaras de S. Vicente e Santana  que  haviam  solicitado,  em 1953, ao Ministro do Interior, o restabelecimento  da  cultura  na  vertente  Norte.  O decreto de 1955,  que  alargou  a  área  de  cana, não o contemplou. Contudo, a Junta Geral estabeleceu campos experimentais em ambos os concelhos, no sentido de conhecer as possibilidades da cultura.

A alteração significativa deste processo só sucedeu na viragem para o século XX, quando a cana atingiu cerca de 1000 ha, valor que continua a subir para as 6500ha em 1939. A partir daqui, foi a quebra resultante das medidas restritivas ao fabrico e consumo de aguardente. Na década de quarenta do nosso século, a cana ocupava ainda 34% da área cultivada, mas era já um momento de quebra acentuada da área de cultivo, que na vertente Sul foi paulatinamente substituída pela bananeira. Em 1952, fala-se apenas de 1420 ha, enquanto mais próximo de nós, em 1986, só existem 119,9 ha.  Foi no período de 1910 a 1930 que se atingiu os valores mais elevados, que aproximaram a ilha dos tempos áureos do século XV, apenas em termos de produção e nunca de riqueza. A partir daqui, sucederam-se medidas limitativas da expansão da área dos canaviais, que conduziram inevitavelmente à  desvalorização  na  economia  rural  e  que,  em  certa  medida, favoreceram  a  expansão  da banana, cultura, predominantemente da vertente sul, deixando a agricultura do norte num estado de total abandono, o que abriu as portas a uma desenfreada emigração. Facto inédito foi a tentativa de implantação da cultura no Porto Santo. Primeiro, com a frustrada introdução do sorgo, depois a cana, documentada a partir de 1883. A produção era diminuta, sendo as canas exportadas para o Funchal ou espremidas num engenho movido por bois, ou moinho de vento. Também na Madeira se cultivou o sorgo com a mesma finalidade desde 1856. Temos apenas indicação sobre a produção de sorgo, em 1862, para fabrico de aguardente.

O século XX não foi favorável à plena afirmação da cultura sacarina. Em 1919, o governo declara a intenção de apostar na cultura da vinha, que deverá ocupar o terreno dos canaviais. Já as leis de 1927, 1928, 1934, 1937 atuam no sentido do controlo da produção e comércio de aguardente, conduzindo inexoravelmente a um paulatino abandono da cultura. Em 1928, a superprodução obrigou à limitação da área de cultivo, ficando novas plantações dependentes de licença. Ao mesmo tempo, em 1935, um  decreto  determinava  que  as  terras impróprias para o cultivo da cana deveriam ser abandonadas. Dos 1800 ha de 1915, que produziam 55.000 toneladas, passou-se aos 1420 do ano de 1952. O decréscimo começou nos inícios da Segunda Guerra Mundial, por força da concorrência de outras culturas, como a bananeira e o vime, que se havia tornado mais rentáveis.

A par disso, é de realçar também a insistência das gentes do norte, representadas através dos municípios de S. Vicente e Santana, em pretenderem furar as limitações impostas pelas autoridades para a área de produção de cana, que não acautelavam a vertente devido o baixo teor de sacarose, levando a Junta Geral, em 1955, a contrariar as ordens do Ministério do Interior, ao implantar dois campos experimentais em S. Vicente e Santana. A situação é resultado do facto de a cana ser um complemento importante  da  pecuária  e  um  dos  poucos  meios  de  assegurar  a  subsistência  dos lavradores, tendo em conta a total desvalorização da vinha. Nas décadas de sessenta e setenta, a Junta Geral do Funchal procedeu a estudos de diversas variedades de cana nos postos agrários do Caniçal e Lugar de Baixo, com o intuito de encontrar a que mais se adequava aos solos do arquipélago. Foram as variedades CP.44-101, CP.36-105, POJ.-2725 que se apresentaram com maiores possibilidades de adaptação.

A incidência dos canaviais continua a ocorrer na vertente Sul, tal como o demonstram os valores de produção conhecidos para os anos de 1865 e 1970. No século dezanove, as áreas de produção mais significativa estavam nos concelhos do Funchal e Machico. A mudança do século XX ocorre apenas quanto aos municípios de Ponta de Sol, Calheta e Ribeira Brava. Certamente que a concentração inicial dos engenhos na cidade levou à hegemonia, enquanto na década de sessenta, o efeito dissuasor não se faz sentir, por força da abertura da rede viária, que facilitou o transporte ao engenho do Hinton que deteve o quase monopólio.

No  contexto  da  política  protecionista,  merece  lugar  de  relevo  o  debate  em  torno  da “questão Hinton”, que animou o meio político entre finais do século XIX e princípios do seguinte. Foi sem  dúvida  o  problema  que  mais  apaixonou  a  opinião  pública,  nas  vésperas  e  durante  a República.  Tudo começou em 23 de março de 1879, com a inauguração da Companhia Fabril do Açúcar Madeirense. Era uma fábrica de destilação de aguardente e de fabrico de açúcar sita à Ribeira de S.  João.  Demarcou-se das  demais  com  o  recurso  a  tecnologia  francesa,  usufruindo  dos  inventos patenteados em 1875, pelo Visconde de Canavial. A  polémica  ateou-se  com  o  plágio  por  parte  da  família  Hinton,  da  invenção  do  Visconde Canavial, que havia patenteado, em 1870, um invento que consistia em lançar água sobre o bagaço, o que propiciava um maior aproveitamento do suco da cana. Constava da patente o uso exclusivo pela fábrica de S. João, mas o engenho do Hinton cedo se apressou a copiar o sistema. Com isso, o lesado moveu, em 1884, uma ação civil contra o contrafator. A família Hinton ficou para a História como a autora da inovação, que como sabemos foi comum em vários espaços açucareiros. Em 1902, a fábrica Hinton experimentou um novo sistema em ligação com M. León Naudet, que ficou conhecido como sistema Hinton-Naudet, que consistia em submeter o bagaço a uma circulação forçada num aparelho de difusão, conseguindo-se um ganho de mais 17% e a maior pureza da garapa, evitando as defecadoras. Esta intervenção pioneira é sublinhada por inúmera bibliografia da especialidade. O engenheiro M. Naudet esteve no torreão, nos dias 21 e 22 de junho de 1907, combinando com João  Higino  Ferraz  a  forma  de  montagem  do  sistema  de  difusão,  o  triple  e  o “freitag” (cuite). Todavia, a montagem do novo maquinismo começou apenas em meados de setembro, após a conclusão da safra. Até 1909, o técnico do Hinton manteve correspondência assídua, no sentido de esclarecer pormenores sobre a instalação dos mecanismos. Na sequência disto, João Higino Ferraz deslocou-se a Paris para novo encontro com Naudet e visita às fábricas de açúcar de beterraba.

As medidas, que favoreciam a entrada de melaço, estabelecidas pela lei de 1895, associadas ao decreto de 1903 determinavam a forma de matrícula das fábricas que abriram as portas à concentração. As condições eram de tal modo lesivas que só duas – Hinton e José Júlio Lemos – o conseguiram fazer. As cerca de meia centena de fábricas que existiam na ilha ficaram  numa  situação  periclitante.  O  decreto  de  1897  estabelecia  normas  de  tal  modo  rígidas sobre a forma de construção de alambiques e fábricas de destilação e retificação do álcool que apenas alguns podiam cumprir. A viragem  da  centúria  implicou  com  a  situação  sacarina  da  ilha.  A conjuntura  económica mundial pôs em causa as condições de privilégio conseguidas com a entrada do melaço, por força do aumento do preço e das diferenças cambiais.

Na estratégia de afirmação do engenho do Hinton, foi fundamental o papel de João Higino Ferraz assim como o de Harry Hinton. Em 1903, a  casa  Hinton  apostou  numa  campanha  na  imprensa  local,  servindo-se  do Diário de Noticias e Jornal do Comércio.  A lei sobre o fabrico dos açúcares açorianos e a 24 de novembro de 1904, outra lei dava a machadada final nos concorrentes da casa Hinton, ao estabelecer a referida matrícula por 15 anos. Entretanto, caiu a monarquia e sucedeu a República, que parecia querer fazer ouvidos moucos às regalias conquistadas no anterior regime. Mas rapidamente tudo se recompôs.

As dificuldades do comércio do vinho repercutiam-se no sector, com a diminuição do consumo de álcool, a principal contrapartida das fábricas matriculadas. A primeira década da centúria foi fundamental para a consolidação do engenho do torreão. Os investimentos avultados na modernização, como o novo sistema Hinton-Naudet, obrigaram uma forte investida junto do poder central, no sentido de garantir as regalias para se poder rentabilizar o investimento.

A República não terão sido muito favoráveis os objetivos da família Hinton. Todavia, pelos decretos de 1911 e 1913, conseguiu-se segurar o monopólio do fabrico do açúcar e regalias, na importação de açúcar das colónias. Em 1914, reclamava uma indemnização ao Estado, pelo facto de ter sido aumentando o açúcar bonificado das colónias que entravam no continente. Em 1917, parece que os ânimos haviam serenado e tudo estava bem encaminhado, apostando-se numa nova fábrica. A demanda elevada de álcool prenunciava um período de prosperidade. A prorrogação do contrato nas mesmas condições era de toda a conveniência. Apenas os distúrbios políticos poderiam fazer perigar a situação de privilégio. A 31 de dezembro de 1918, acabava a situação de favorecimento estabelecida por quinze anos. Entretanto, só a 9 de abril do ano seguinte, o Governo interveio, tornando livre a “faculdade de laboração da cana sacarina com destino à produção de açúcar”.

O decreto de 2 de maio define uma nova realidade. Assim, para além da liberalização da produção de açúcar e da isenção de direitos alfandegários de maquinaria para novos ou reforma dos engenhos existentes, estabeleceu-se uma nova política agrícola, promovendo-se a substituição dos canaviais pela vinha. A situação não fez perigar a posição hegemónica da Casa Hinton que se mantinha confortavelmente como o único produtor de açúcar.

Com o Estado Novo, as medidas resultantes dos decretos nº. 14.168, 15.429, 15.831, 16.083 e 16.084 (1928), embora restritivas dos antigos privilégios, favoreceram o Hinton quando impediram a instalação de novas fábricas e determinam o fecho de algumas em funcionamento. O ano de 1928 foi fulcral para a afirmação desta estratégia hegemónica. Desde 1927 que se mediam forças entre os chamados “aguardenteiros” e a casa Hinton. Harry Hinton,  em  Lisboa,  recomenda  nova  campanha  na  imprensa,  valorizando  as  iniciativas  modernizadoras empreendidas pelo engenho. Entretanto, o Governador Civil mantem-se atento à disputa, ouvindo os interesses dos aguardenteiros, procurando reunir apoios, como o de Manuel Pestana Reis, no sentido de apresentar uma proposta de mudança da lei. A isto juntava-se a campanha de Henrique Figueira da Silva. Os adeptos da causa Hinton vão diminuindo, mantendo-se apenas António Pinto Correia.

Harry Hinton, em 1929, com 72 anos de idade, sente-se cansado e aborrecido com todas as contrariedades que lhe acarretam o engenho, fruto do enfrentamento constante com interesses adversos na ilha, dos demais industriais e as mudanças da conjuntura política. A intenção parecia ser a venda da fábrica, mas certamente a pressão do amigo J. Higino Ferraz contribuiu para mudar de opinião. Em 1969, A família Hinton informou o governo da intenção de encerrar a fábrica, acabando com o fabrico de álcool e açúcar que não eram rentáveis. Perante isto, o Governo, através da Direcção Geral das Alfândegas comprometeu-se a compensar as perdas.

Quirino de Jesus [1865-1935], que em momentos anteriores fora um poderoso aliado na estratégia do Hinton, surge, em finais da década de vinte, como um traidor “que não tem outro fim senão vingar-se do Sr. Hinton”. Algo se passara que nos escapa, pois, em princípios do século, havia sido um aliado destacado. O causídico defendera os interesses da empresa, mas rapidamente mudou de opinião, como se constata da correspondência de João Higino Ferraz e do que nos diz o Padre Fernando Augusto da Silva: De acérrimo e entusiático defensor do regime sacarino, como advogado e publicista, do regime sacarino, tornou-se abreve trecho, com igual ardor e convicção, um inimigo declarado do mesmo regime.

O engenho do Hinton, consolidada a posição dominadora do mercado local, manteve-se como a referência da cultura da cana-de-açúcar até que, em 1985, acabou em definitivo o império do açúcar do Hinton. Durante todo o século XX, a fábrica Hinton foi uma referência da cidade e da vida de quase todos os agricultores  madeirenses  que  apostaram  na  cultura  da  cana,  como  meio  para  angariar  uns  magros tostões. A posição de favorecimento que mereceu, desde a Monarquia ao Estado Novo, alimentou inimizades, debates na imprensa e a reprovação de alguns sectores da sociedade. A família Hinton estabeleceu uma estratégia de domínio da indústria açucareira e do álcool, através de  uma  aposta  permanente  na  inovação  tecnológica  capaz  de  esmagar  todos  os  concorrentes, cujas indústrias, a pouco e pouco, foram sendo adquiridas e desmanteladas. O século XX foi o momento da sua plena afirmação na sociedade e economia madeirenses.

De acordo com dados de 1907, o engenho moía cerca de 1/3 da cana da ilha, ficando a restante para os restantes 47 engenhos. Na altura, empregava 230 trabalhadores, tendo ao serviço 10 geradores a vapor Babcook & Wilcox, tendo a maior potência em uso na ilha. Apenas o de José Júlio de Lemos se podia aproximar, mas a longa distância. A capacidade da fábrica aumentou nos anos seguintes, fruto dos favores estabelecidos. Harry Hinton, não satisfeito com o aumento da unidade industrial, atuou no sentido da neutralização das demais através da compra ou arrendamento. Primeiro, adquiriu a antiga fábrica de Severiano Ferraz, na Ponte Nova e, de outras, adquiriu os mecanismos mais importantes. No caso da de José Júlio de Lemos, estabeleceu um contrato de arrendamento de 25 contos anuais, que perdurou até 1919. A necessidade de afirmação levou-o a apostar na renovação tecnológica do engenho do Torreão, sob a superintendência de João Higino Ferraz. As reformas iniciaram-se em dezembro de 1900, com a montagem de cilindros, peças centrífugas e filtros mecânicos de Mamoury. Para os anos imediatos, reservou-se a montagem das turbinas Weston, dos difusores, a caldeira de vapor.

A sociedade que estabeleceu H. Hinton com W. R. Bradsley deve ter favorecido a arrancada definitiva para a hegemonia tecnológica. O aperfeiçoamento tecnológico favoreceu  a  posição  concorrencial  da  fábrica  em  relação  às demais. Em 1929, enquanto a companhia Nova só podia laborar 100 toneladas de cana em 24 horas, a do torreão atingia as 500 toneladas, para conseguir-se, em 1920, as 608 toneladas. As medidas de 1939, que conduziram ao encerramento de 48 fábricas de aguardente em toda a ilha, contribuíram para a tendência monopolísticas da safra da cana sacarina.

A alma do complexo industrial açucareiro da família Hinton, a partir de 1898, era João Higino Ferraz, que assumiu as funções de gerente do engenho, sendo um dos colaboradores diretos de Harry Hinton. A sintonia e empenho de ambos fizeram com que a ilha apresentasse, entre finais da centúria oitocentista e inícios da seguinte, uma posição destacada no sector, atraindo as atenções a nível mundial. João Higino Ferraz afirma-se como o perfeito conhecedor da realidade científica do entorno do engenho. Opina sobre agronomia, assim como sobre mecânica e Química. E mantem-se sempre atualizado sobre as inovações e experiências na Europa, nomeadamente em França. Da sua lista de contactos e conhecimentos, fazem parte personalidades destacadas do mundo da Química e mecânica, com  estudos  publicados.  Assim, para  além  dos  contactos  assíduos  com  Naudet,  refere-nos,  com assiduidade, os estudos Maxime Buisson, M. e. Barbet, M. Saillard, F. Dobler, M. D. Sidersky, Luiz de Castilho, M. h. Bochet, M. Effort, M. Gualet.

O engenho do Hinton acolheu especialistas de todo o mundo, na condição de visitantes, ou como contratados para a execução dos trabalhos especializados. O engenheiro Charles Henry Marsden foi um deles e sabemos que aí trabalhou vários anos. A presença está documentada, pelo menos entre 1918 e 1929. Temos também o engenheiro químico agrícola Maxim Buisson que, em 1902, trabalhava no laboratório. Para o fabrico de açúcar, contratava-se os afamados “cuisieurs” em França, de forma a manter-se as orientações de Naudet. Daí ter sido uma referência na História e Tecnologia do Açúcar,  na primeira metade do século XX.

O Consumo

Parte significativa do açúcar produzido na ilha, e mais tarde importado do Brasil, era usado no fabrico de conservas  e  de  doçaria.  São vários os testamentos denunciadores da mestria dos madeirenses no fabrico destes produtos. Em meados do século quinze, Cadamosto refere a feitura de “muitos doces brancos perfeitíssimos“, enquanto em 1567, Pompeo Arditi dá conta da “conserva de açúcar” que se fazia no Funchal “de óptima qualidade e muita abundância“. E esta tradição perpetuou-se na ilha, para além do fulgor da produção açucareira local pois, segundo Hans Sloane, em 1687, o madeirense produzia “açúcar indispensável aos gastos caseiros e ao fabrico de doces, indo ainda comprá-lo ao Brasil“. Dois anos depois,  John Ovington refere a indústria da conserva de citrinos que se exportava para França. Foram as compotas que mais despertaram a atenção, pois nunca havia visto “coisas tão boas”. A cidra [Citrus medica], o fruto da cidreira, existia em abundância na Ponta de Sol, Ribeira Brava, Machico e Câmara de Lobos (Ribeira dos Socorridos). A indústria manteve-se por todo o século XVII, suportada com o pouco açúcar da produção local ou com as importações dele do Brasil.

O  fabrico de conservas era indústria importante para a sobrevivência de muitas famílias, uma vez que, segundo documento de 1469, ocupava “molheres de boas pesoas e muytos pobres que lavraram os açuquares bayxos em tamtas maneyras de conservas e alfeni e confeitos de que am grandes proveytos que dam remedio a suas vidas e dam grande nome a terra nas partes onde vam…“. A atividade estava vedada aos estrangeiros e mestres de açúcar, uma vez que apenas aos “ vizinhos  e  naturaes  da  ilha ”  era  permitido  fazer  conservas,  alfenim  e  confeitos.

A fama alcançada pela arte da confeitaria está testemunhada na embaixada enviada por Simão Gonçalves da Câmara ao Papa. Segundo Gaspar Frutuoso, compunha-se de “muitos mimos e brincos da ilha de conservas, e o sacro palácio todo feito de assucar, e os cardiais todos feitos de alfenim, dornados a partes, o que lhes dava muita graça, e feitos de estatura de hum homem“.

No fabrico das conservas e doces variados, merecem atenção as freiras do Convento de Santa Clara, da  Encarnação  e  Mercês.  Aliás, em  1687, Hans  Sloane  referia-se  de  forma  elogiosa  aos doces e compotas que comera no Convento de Santa Clara: “nunca vi coisas tão boas“. Segundo Emanuel Ribeiro, os conventos femininos foram os espaços sagrados da doçaria madeirense. Num breve relance pelos livros de receita e despesa do Convento da Encarnação, das Mercês, Misericórdia do Funchal  e Recolhimento do Bom Jesus, constata-se as assíduas despesas com a compra de açúcar da ilha ou do Brasil para o consumo interno.

A Misericórdia do Funchal, para além das  esmolas  que  recebia  em  açúcar  ou  marmelada,  consumia  açúcar  que  comprava.  Do primeiro, tanto se poderia dar aos doentes ou vender para fora. Em 1636, gastaram-se 6.180 réis na compra de 3 arrobas de açúcar para os doces da procissão das Endoenças. Ademais são conhecidas outras despesas na compra de abóbora, ginjas, peras, marmelos para o fabrico de doce. Em 4 de junho de 1700, a Misericórdia do Funchal gastou 101.500 réis na compra de 34 arrobas para o fabrico de doces a serem consumidos ao longo do ano. Para o período de 1694 a 1700, a mesma instituição gastou 634.400 réis na compra de 227 arrobas de açúcar e 14 canadas de mel.

Maiores e mais assíduo foram o consumo de açúcar no Convento da Encarnação, no período de 1671 a 1693. Aí, de acordo com o registo mensal dos gastos com as compras de produtos para a dispensa do convento, pode-se ficar com uma ideia da sazonalidade do consumo  da  doçaria.  No caso  deste  convento , destacam-se  a Quinta-Feira  de  Endoenças  e  o  Natal.  Na última  festividade,  distribuía-se a cada freira, para a Consoada, 8 libras de açúcar. Além disso, parte significativa do açúcar de várias qualidades, era usado para o ” tempero do comer ” e fazer conserva. No total, despenderam-se 190 arrobas de açúcar por estes vinte e dois anos, para um total aproximado  de  seis  dezenas  de  recolhidas.  Ficou célebre  o chamado bolo de mel das freiras da Encarnação que se manteve até a atualidade com a mais importante herança da época açucareira.

Um dos fatores de promoção da indústria ao nível das conservas foi a importância assumida pelo Funchal como porto de escala de abastecimento para a navegação atlântica. Muitas embarcações que aí aportavam tinham como intuito se fornecerem de conservas de citrinos, necessárias à dieta de bordo. Mesmo assim, o consumidor preferencial das conservas e doçaria madeirense era a Casa Real portuguesa. Foi D. Manuel quem divulgou as suas qualidades na Europa. Assim ficaram como o principal presente, dentro e fora do reino, sendo o exemplo seguido por Vasco da Gama, que também ofertou o xeque de Moçambique com conservas da ilha. Os confeiteiros, que fabricavam as conservas, eram pagos pela Fazenda Real. Sabemos que, em 1513, Diogo de Medina recebeu 8$000 réis pelo fabrico de 40 arrobas e conserva para o rei. Já em 1521, Inês Mendes recebeu 92$000 réis por 60 arrobas com o mesmo destino. No período de 1501 a 1561, a Casa Real consumiu 1129 arrobas e 58 barris de açúcar, em conservas e frutas secas.

No processo de fabrico, nomeadamente nas fases da purga e purificação, surgem muitos derivados, que podem ser de novo cozidos para termos açúcar de uma segunda cozedura, ou então usados na alimentação do homem. Com as escumas , poderia alimentar-se alguns animais que estavam ao serviço do engenho, como cavalos e burros. Os meles que escoriam do processo de purificação dos pães, eram de novo cozidos ou então consumidos nessa condição. A primeira indicação que temos na Madeira, relativamente  à fabricação direta de meles para venda sucede em 1928, na exposição agrícola e pecuária que aconteceu no Funchal, onde  Luiz Vogado de Betencourt apresentou o “mel de cana”, do engenho do ribeiro Seco. Este engenho foi um dos promotores desta utilização da cana, situação que ainda mantém na atualidade.

Hoje, é  a  doçaria  que  mantém  ativa  a  cultura  e  as  três  fábricas.  No período do Carnaval e do Natal, popularizado como a festa, o consumo de mel dispara, havendo anos em que a produção não dá para satisfazer as necessidades do consumo caseiro e das pequenas unidades industriais.

Comércio

Na Cristandade Ocidental, o açúcar demorou algum tempo em tornar-se num dos manjares de todos, pois, por muito tempo, foi uma raridade, sendo  usado quase sempre como um medicamento. O açúcar tornou-se num elemento inquestionável na  farmacopeia  ocidental,  como  o  provam  textos  desde  Galeno  a  Hipócrates. A aplicação farmacológica do açúcar, no século XVI, está documentada nas receitas e despesas dos hospitais das misericórdias e esmolas da coroa em açúcar aos hospitais -Todos os Santos em Lisboa (1506), Misericórdias do Funchal (1512) e Ponta Delgada (1515) – e conventos – Guadalupe (1485), Évora (1497), Beja (1500), Aveiro (1502), Coimbra (1510), Vila do Conde (1519). A tradição árabe da dádiva do açúcar e doces conquistou a coroa portuguesa, que não se fez rogada em dádivas, usando parte significativa do açúcar arrecadado na ilha.

A situação do açúcar, como raridade, manteve-se durante muito tempo. Foi só no século XIX que se começou a generalizar o seu consumo. Mesmo assim, ainda continua a estar associado às farmácias e boticas. Proudhon refere que “o açúcar é toda a farmácia do pobre“. Na verdade, o açúcar era um suplemento capaz de suprir a insuficiência calórica. E, se tivermos em conta que o principal problema de sociedade do antigo regime era a desnutrição das populações, resultante da pobreza calórica de dieta alimentar, teremos a explicação para os efeitos benéficos do seu consumo, face a uma dieta pouco variada e, quase só, assente no consumo de pão. A ingestão diária de calorias era inferior a 2000, quando hoje os padrões médios oscilam entre 3000 a 4000. A isto liga-se a constância das crises de subsistência que contribuíram para agravar a situação.

Nas áreas produtoras de açúcar como a Madeira, o consumo de açúcar acabou por adquirir importância desde muito  cedo.  Os chamados desperdícios  da  laboração  do  açúcar, como  escumas,  rescumas,  melaço,  tinham  entre  os  locais  habituais  consumidores. Além disso, o ato de chupar cana, para extrair o suco, que muitos de nós terão gravado na memória, é antigo. Giulio Landi, por volta de 1530, refere ser usual os madeirenses comerem “em jejum canas maduras e frescas e dizem que rejuvenescem para dar sensualidade ao corpo, para refrescar o fígado, para saciar a sede, e para branquear os dentes“. A isto acresce uma receita das mulheres grávidas, consistente em “sopas de pão torrado deitado na última cozedura do suco das canas, cobrindo depois com gemas de ovo“, considerada  como  meio  para  “recuperar  as  forças  perdidas“,  para além de confortar o estômago e intestinos e dar boa disposição ao ventre.

Sem dúvida que o maior consumo do açúcar não foi nos fármacos mas sim nos manjares nobres, sob a forma de doce – alfenim, alféloa-, conservas e casca de fruta. Em qualquer dos casos, a Madeira é o ponto de partida de tudo. A doçaria conventual fez  as  delícias  dos  manjares  reais,  dos  ingleses,  franceses  e flamengos. A tradição do fabrico do alfenim, que hoje se perdeu, fez dos madeirenses  exímios  escultores  do  doce.  Ficou célebre a  embaixada  de Simão Gonçalves da Câmara ao papa Leão X, em 1508. Vasco da Gama levou-o para oferecer ao Samorim de Moçambique. E, pela mesma via da rota da Índia, deverá ter chegado ao Japão onde ainda hoje persiste, sob a designação de “alfeito“.

O princípio fundamental que regeu o movimento de circulação do açúcar madeirense foi a necessidade de suprir as carências dos mercados europeus, em substituição do oriental, cada vez mais de difícil acesso. Foi a conjuntura que impôs a cultura no novo espaço atlântico e ditou as regras. A premência do consumo interno de açúcar é uma exigência tardia, gerada por novos hábitos alimentares ou pelas contingências do mercado do produto. No último caso, assume importância o dispêndio de açúcar na indústria de conservas e casca como resultado da solicitação dos veleiros que demandavam o Funchal. Acresce ainda que a vulgarização do açúcar no quotidiano madeirense derivou da conjuntura do mercado do açúcar em finais do século XV. O aparecimento de novos mercados produtores, como  a  Madeira,  fez  baixar  o  seu preço,  provocando  a  generalização  do  consumo.  A importância que assumiu o açúcar na economia madeirense mede-se pelo facto de ter assumido a função de medida e moeda de troca e pagamento dos mais diversos serviços. Para isso contribuiu, não só a afirmação no quotidiano mas, também, a falta crónica de moeda na ilha.

A safra começava em março mas só em agosto havia disponível para distribuir às conserveiras que fabricavam a casca e conserva. A partir daqui eram mais de trinta dias de árdua tarefa até que o produto estivesse disponível para a exportação. Da existência ou não de açúcar e da sua qualidade dependia a disponibilidade para o fabrico dos derivados, que ativavam o comércio com as praças do Norte da Europa, donde nos províamos de cereais e manufaturas.

No século XVII, a indústria de derivados de açúcar era muito instável, dependendo das possibilidades de oferta de açúcar brasileiro e da procura do produto acabado pelos mercadores europeus. As indústrias da casquinha, conservas de fruta e confeitos mantiveram-se durante muito tempo como uma atividade da economia familiar, não acompanhando a queda da produção de açúcar madeirense, pois à falta dele alimentou-se do importado do Brasil. No decurso do século XVII, a casquinha concorreu  com  o  vinho  nas  exportações,  situando-se,  em  1698,  em  segundo  lugar. Entretanto, a elevada valorização do vinho conduziu para segundo plano e à quase extinção. Em 177 , o Governador refere que a manufatura da casquinha, a principal de todas, estava quase extinta. A crise, que começara na década de setenta, motivou a atenção das autoridades que procuravam reavivar as exportações. Neste contexto surgiu, em 1782, uma proposta de Francisco Xavier Veríssimo e José Rodrigues Pereira, comerciantes do Funchal, pedindo o exclusivo do fabrico da casquinha.

Na Madeira, onde os canaviais assumiam uma desusada importância na economia agrícola, era natural a dominância da doçaria na culinária regional. Na memória de todos, persistem as receitas conventuais, pois que as demais se perderam na voragem do tempo. Nos conventos de Santa Clara, Mercês e da Encarnação a doçaria é uma arte que ocupa, de forma dedicada, muito do tempo das freiras. Os doces faziam-se em momentos festivos para consumo interno ou para retribuir os benfeitores. Das suas mãos saíram os bolos de mel, talhadas, batatada, coscorões, arroz-doce e queijadas. Cada doce tinha a sua época: a batatada  pelo  Natal,  os  coscorões  no  Entrudo,  as  talhadas  na  Páscoa  e  no  dia  de  Nossa  Senhora  da Encarnação.

De entre todos, o bolo de mel persiste e afirma-se como o rei da doçaria madeirense. Em muitas das receitas, junta-se quase sempre uma porção de vinho Madeira. Um das mais conhecidas é a das freiras do Convento da Encarnação. O Bolo de mel domina e perpetua a tradição do açúcar e a arte da doçaria madeirense. É também com vinho Madeira que o mesmo deve ser servido. Aliás, o Vinho Madeira sempre foi uma das melhores iguarias para acompanhar a doçaria regional ou doutras paragens.

A presença do açúcar na culinária é uma constante, quer com as sobremesas, quer como “condimento de comer”. Uma das formas de expressão do consumo do açúcar tem a ver com a presença dos açucareiros  na  dispensa  familiar.  Nas  casas-museus,  que  dispõem  de  coleções  particulares, como é o caso da Quinta das Cruzes e Frederico de Freitas, é possível encontrar algumas peças em prata e porcelana, cujo uso local é difícil de atestar. Alguns são ainda testemunho do açúcar como uma raridade, pelo que se  apresentam com chave.

No século  XIX,  a  doçaria  teve  divulgação  através  das  pastelarias.  Uma das mais  famosas  foi  a Pastelaria Felisberta, criada em 1837. Também ficou célebre a doçaria da panificação Blandy na rua do Hospital Velho. A tradição do chá, dos saraus dançantes deve ter contribuído para uma cada vez maior valorização do doce no quotidiano e um aumento do consumo do açúcar. Nos anos vinte, do século XX, a cidade estava servida de onze confeitarias. Hoje, o único testemunho que resta dessa importante industria do doce madeirense é o bolo de mel. Para o alfenim, manteve-o a tradição dos ex-votos das festas do Espírito Santo na ilha Terceira, único local onde ainda persiste.

Do suco da cana também se pode extrair álcool e aguardente. Acontece que, no primeiro momento de afirmação da cultura da cana sacarina, a utilização foi quase só para o fabrico de açúcar, uma vez que era o que tinha maior procura e a aguardente poderia ser fabricada doutras origens. Já no segundo momento a valorização foi para o álcool e aguardente, quando o mercado mundial se encontrava invadido de açúcar de diversas. Também não deverá esquecer-se que o fabrico da aguardente era um processo menos custoso e moroso.

Desde o século XVI que a Madeira exportava aguardente para o Brasil e Angola, mas o uso na fortificação dos vinhos parece ser mais tardio. As referências são mais frequentes, a partir de meados do século XVIII. Em 1704, W. Bolton refere que se fazia a adição de aguardente de França aos vinhos de exportação, tendo recebido desde Londres 10 pipas. Os mercadores  da  Nova  Inglaterra  e Virgínia eram favoráveis à adição de aguardente. Na correspondência comercial dos mercadores ingleses, é insistente a referência ao efeito benéfico da fortificação dos vinhos com aguardente.

A História  do  alambique  remonta  ao  tempo  dos  Romanos,  mas  foram  os  árabes  que  aperfeiçoaram o mecanismo e o divulgaram na bacia mediterrânica. Em Portugal, está documentado desde o século XVI. Na Madeira,  não sabemos quando surgiu o primeiro mas, de certeza que, no século  XVI,  deveriam  existir,  uma  vez  que  está  documentada  a  exportação  de  aguardente  para Angola e o Brasil. A referência mais antiga a um alambique é de 1667, altura um que o convento de Santa Clara vendeu uma caldeira de cobre de fazer aguardente a Manuel da Fonseca, mercador, por 31$200 réis. Depois disso, só em 1745 surge nova informação sobre um outro alambique que  funcionava no Seixal, no Norte da Madeira. Desde 1777,  temos indicação sobre o trato do vinho da Madeira com aguardente importada de França.

Até 1821, argumentava-se a favor da de França, como meio único e necessário para o trato dos vinhos. Mas, a partir de então, tivemos medidas proibitivas, justificadas pela produção e boa qualidade da aguardente da terra e dos novos alambiques de destilação contínua em funcionamento. O ano de 1821 marca a viragem do domínio do grande comércio das aguardentes de França, sob a alçada dos ingleses, para o  dos  proprietários  de  fábricas  de  destilação  contínua,  interessadas  no  comércio  dos  vinhos  do Norte por meio da destilação, no que certamente se nota um predomínio dos proprietários do Norte em  relação  aos  do  Sul.  A  partir  daqui,  processou-se  uma  momentânea  alteração  das  rotas  da aguardente, via Gibraltar ou Inglaterra, lesando de modo direto os ingleses, a parte mais interessada no negócio. Sucederam-se reclamações, mas iam longe os tempos áureos de 1640 e 1810. A única possibilidade de furar o embargo estava no contrabando. As leis proibitivas, a partir de 1822, foram um incentivo à proliferação das fábricas  de  destilação.  Os alambiques  expandiram-se  rapidamente  no perímetro da cidade e meio rural onde o vinho assumia importância. É o caso da vertente Norte, onde se produziam os vinhos apropriados para a destilação.

A cana continuou a ter como principal destino o fabrico de açúcar, todavia a aguardente e, de forma especial , o álcool assume uma dimensão especial na indústria no decurso da primeira metade do século XX, sendo acompanhado de perto pela aguardente. A situação mudou a partir de 1919 com a limitação do fabrico e consumo da bebida. A situação do álcool, tendo em conta o destino final, vai depender da forma como evoluir a economia vitivinícola. A produção estava reservada ao processo de vinificação, sendo a comercialização feita diretamente entre as empresas e os engenhos matriculados que, em 1927, eram apenas três, com a possibilidade de comercializar 800.000 litros para a vinificação e 376.000 litros para o consumo como aguardente. Em 1909, recomendava-se o uso de 50 litros de álcool em cada pipa de vinho de 500 litros, passando por decreto de 1913 para 55 litros. As fábricas matriculadas poderiam importar melaço com esta finalidade, quando a produção de cana da ilha não chegasse para satisfazer as necessidades locais de açúcar e álcool, usufruindo de uma redução dos direitos de entrada de 30 para 5 réis, como se pode ver pelos decretos de 1903 e 1911. De acordo com o decreto de 1913, todos os viticultores tinham direito a 11% de álcool, calculado a partir do mosto produzido, declarado na alfândega.

A grande oferta de aguardente de cana fez disparar o consumo, em princípios do século XX. Em 1909, a ilha consumia dois milhões de litros de aguardente, sendo as fábricas não matriculadas responsáveis pela disponibilização no mercado de 1.710.400 litros. O excessivo consumo levou a que a Madeira recebesse o epíteto de “ilha da aguardente”, pelo decreto de 1911, que estabeleceu um travão através da expropriação de fábricas e o estabelecimento de um limite para a produção.

O consumo excessivo da aguardente levou o governo a estabelecer um conjunto de medidas, no sentido da limitação, concedendo, em 1928, a distribuição em regime de monopólio, por 25 anos, à Companhia da Aguardente da Madeira. Em 1939, fecharam-se 39 das 48 fábricas em funcionamento. A situação teve reflexos na produção vitivinícola, uma vez que conduziu à proibição de funcionamento dos alambiques para queimar as borras ou os vinhos de inferior qualidade. A companhia faliu e o estado acabou por entregar o comércio do produto aos engenhos  do Hinton  e  às  pequenas  unidades  industriais  que  se  mantiveram  na  Calheta, Machico e Porto da Cruz. Com a criação da Junta Nacional do Vinho, toda a atividade de controlo do álcool para a beneficiação do vinho passou a depender da delegação regional, passando, em 1979, para o Instituto do Vinho da Madeira até 1992, altura em que foi liberalizada a venda por imposição da CEE.

Os mercados do açucar

Do açúcar laborado nos séculos XV e XVI, há que distinguir aquele que pertence aos proprietários de canaviais e engenho e o que é da coroa, por arrecadação do almoxarifado dos quartos ou da Alfândega, resultante dos direitos  que  oneravam  a  produção  (quarto/quinto/oitavo)  e  saída  na  Alfândega  (dízima). Enquanto a cobrança era feita diretamente nas alfândegas do Funchal e Santa Cruz, o primeiro poderia ser recolhido pela estrutura institucional criada para o efeito – o almoxarifado dos quartos (1485-1522) – ou o cargo da anterior. Ainda poderia suceder a arrecadação por contratadores, maioritariamente estrangeiros, que oscilava entre as 18.507 e 31.876 arrobas entre 1497 e 1506.

O açúcar arrecadado pela coroa era usado para cobrir as despesas ordinárias, na carregação direta e vendas aos mercadores e/ou sociedades comerciais. Na primeira despesa, estavam incluídos, a redízima dos capitães, os gastos pessoais do monarca, da Casa Real, as esmolas, para além das despesas com os soldos dos funcionários, do transporte e embalagem do açúcar. A despesa variou entre as 1.070 e 2.114 arrobas, sendo, no período de 1501 a 1537, a média anual de 1622 arrobas. No caso das esmolas,  é de realçar as que se faziam às Misericórdias – Funchal (1512), Ponta Delgada em S. Miguel (1515), Conventos de Todos os Santos em Lisboa (1506 ),  Santa  Maria  de  Guadalupe  (1485),  Jesus  de  Aveiro  (1502)  e  Conceição  de Évora. A par disso, também se regista a utilização temporária dos lucros arrecadados pela Coroa no custeamento dos socorros às praças africanas ou no provimento das armadas. A contrapartida estará na política de ofertas estabelecida por D. Manuel I, que em muito contribuiu para o enriquecimento do património artístico da Madeira. As dádivas da coroa às instituições hospitalares e conventos mantiveram-se mesmo em momentos de dificuldade da produção madeirense no século XVII.

O lavrador, o proprietário do  engenho  serviam-se  também do  produto  da  colheita  para  o pagamento da mão-de-obra assalariada de que necessitavam. Entre 1509 e 1537, há referência a diversos pagamentos em açúcar por serviços prestados na lavoura e laboração do engenho e, mesmo na compra  de  qualquer  manufatura  ou  prestação  de  serviço  artesanal.  Registe-se que a distribuição diversificada dos lucros acumulados por proprietários de canaviais e mercadores de açúcar contribuiu para um manifesto progresso da sociedade madeirense no século dezasseis, com evidentes reflexos no quotidiano e panorama artístico e arquitetónico.

O primeiro açúcar feito em Machico vendeu-se a 2000 réis arroba. Já em 1469, o preço estava em 500 arrobas para o de uma cozedura e 750 para o de duas. Em 1472, temos a notícia de que subira para 1000  réis  a  arroba,  mas  deveria ser  uma  situação  particular  resultante  da  quebra  acentuada  da moeda, pois que, em 1478, regressou à normalidade. O movimento de queda foi uma constante até princípios do século XVI e só a revolução dos preços inverteu a situação, evidente na década de vinte,  nos arquipélagos da Madeira e de Canárias. Em ambos os casos é evidente uma inversão de marcha a partir da década de trinta, que pode ser entendida com a presença concorrencial de açúcar de outras áreas, nomeadamente do continente americano.

A oferta não se resumia ao açúcar branco, pois a ele devem juntar-se os subprodutos, como as escumas, rescumas, mel, remel, mascavado e mel mascavado e depois alguns derivados, como as conservas e casquinha que, em qualquer dos arquipélagos, tiveram grande importância.

O comércio do açúcar destaca-se, no mercado madeirense dos séculos XV e XVI, como o principal animador das trocas com o mercado europeu. Durante mais de um século, a riqueza das gentes da ilha e o fornecimento de bens alimentares e artefatos dependeu do comércio do produto. O mesmo sucedeu nas Canárias, a partir do século XVI. Todavia, a venda e o valor sofreram diversas oscilações, mercê da conjuntura do mercado consumidor e da concorrência dos mercados insulares e americanos. D. Manuel, comprometido com a posição vantajosa dos estrangeiros, mercê dos privilégios que lhes concedera, atuou de modo ambíguo, procurando salvaguardar compromissos e, ao mesmo tempo, atender às solicitações que eram dirigidas. Estabeleceu limitações à residência dos estrangeiros no reino, fazendo-a depender de licenças especiais; quanto à Madeira, definiu a impossibilidade de vizinhança sem licença, ao mesmo tempo que interditava a revenda no mercado local. A câmara, por seu turno, baseada nestas ordenações e no desejo dos moradores, ordenou a saída até setembro de 1480, no que foi impedida pelo  senhor.  Somente  em  1489  se  reconhece  a  utilidade  da  presença  de estrangeiros na ilha, ordenando D. João II a D. Manuel, então Duque de Beja, que os estrangeiros fossem considerados como “naturais e vizinhos de nossos  reinos”.

Os problemas do mercado açucareiro, na década de 90 do século XV, conduziram ao ressurgimento da política xenófoba. Os estrangeiros passaram a dispor de três ou quatro meses, entre abril e meados de setembro, para comerciar os produtos, não podendo dispor de loja nem feitor. D. Manuel, apenas em 1496, reconheceu o prejuízo que as referidas medidas causavam à economia madeirense, afugentando os mercadores, revogando as interdições anteriormente impostas. As facilidades concedidas à estadia dos agentes forasteiros conduziriam à assiduidade da frequência na praça, bem como à fixação e intervenção, de modo acentuado, na estrutura fundiária e administrativa.

O comércio apenas  se  manteve  em  regime  livre  até  1469, altura  em  que  a  baixa  do  preço  veio  condicionar  a  intervenção  do  senhorio,  que  estipulou  o  exclusivo  aos  mercadores de Lisboa. Isto não agradou ao madeirense, habituado que estava a negociar diretamente com os estrangeiros. Mesmo assim, o Infante D. Fernando decidiu , em 1471, estabelecer o monopólio a uma companhia formada por Vicente Gil,  Álvaro  Esteves,  Baptista  Lomelim,  Francisco  Calvo  e Martim  Anes  Boa  Viagem.  Da  decisão  resultou  um  aceso conflito  entre  a  vereação  e  os  referidos  contratadores.

Passados vinte e um anos, a ilha debatia-se ainda com dificuldades no comércio açucareiro, pelo que a coroa retomou em 1488 e 1495 a  pretensão  do  monopólio,  mas  apenas conseguiu impor um conjunto de medidas regulamentadoras da cultura, safra e comércio, que ocorrem em 1490 e 1496. A política, definida no sentido da defesa do rendimento do açúcar, saldou-se num fracasso, pelo que, em 1498, foi tentada uma nova solução, com o estabelecimento de um contingente de cento e vinte mil arrobas para exportação, distribuídas pelas diversas escápulas europeias. Estabilizada a produção e definidos os mercados do açúcar, a economia madeirense não necessitava de tão rigorosa regulamentação, pelo que, em 1499, o monarca acabou com algumas das prerrogativas estipuladas no ano anterior, mantendo-se, no entanto, até 1508, o regime de contrato para venda, quando foi  revogada  a  legislação  anterior,  ficando  o  trato  em  regime  de  total  liberdade.

A partir do contingentamento de 1498, medida tomada pela coroa para defesa do mercado do açúcar madeirense, poderá fazer-se uma ideia dos principais mercados consumidores. As praças do mar do norte dominavam o comércio, recebendo mais de metade das escápulas estabelecidas. A Flandres adquiriu uma posição dominante, o mesmo sucedendo com os portos italianos para o espaço mediterrânico. Se compararmos as escápulas com o açúcar consignado às diversas praças europeias, no período de 1490 e 1550, verifica-se que o roteiro não estava muito aquém da realidade. As únicas diferenças relevantes surgem nas Praças da Turquia, França e Itália, sendo de salientar, na última, um reforço acentuado de posição, que poderá resultar da atuação das cidades italianas como centros de redistribuição no mercado levantino e francês.

Os dados disponíveis para o comércio do açúcar da Madeira evidenciam a constância dos mercados flamengo e italiano. O reino, circunscrito aos portos de Lisboa e Viana do Castelo, surge em terceiro lugar, com apenas 10%. Observe-se que o porto de Viana do Castelo adquiriu, desde 1511, grande importância no circuito e daí com Espanha e Europa nórdica. Aliás, no período de 1581 a 1587, Viana é o único porto do reino mencionado nas exportações de açúcar, mantendo, todavia, uma posição inferior à de 1490-1550. A função redistribuidora dos portos a norte do Douro ficara já evidenciada entre  1535  e  1550,  pois  das  cinquenta  e  seis  embarcações  entradas  no  porto  de Antuérpia com açúcar da Madeira, dezasseis são do norte e apenas uma de Lisboa. Na primeira, 50% são provenientes de Vila do Conde, 31% do Porto e 19% de Viana do Castelo. Aliás, em 1505, o monarca considerava que os naturais da região tinham muito proveito no comércio do açúcar da ilha. Em 1538, o trato era assegurado por um numeroso grupo de grupos de mercadores daí oriundos. Entre eles, estavam Aires Dias, Baltazar Roiz, Diogo Alvares Moutinho e Joham de Azevedo. O mesmo sucedeu nas trocas com o mundo mediterrânico, em que se contava com os entrepostos de Cádis e Barcelona, que surgem no período de 1493 a 1537, com os portos de apoio ao comércio com Génova, Constantinopla, Chios e Águas Mortas.

Os dados da exportação para o período de 1490 a 1550 testemunham a situação. A Flandres surge com 39% e a Itália com 52%. Todavia, é de salientar a posição dominante dos mercadores italianos na condução do açúcar, uma vez que eles foram responsáveis pela saída de 78% do açúcar. No início, foram inúmeras as dificuldades para a presença de estrangeiros. Somente a partir da década de oitenta do século XV, surgiram os primeiros na condição de vizinhos, que se comprometeram com  a  cultura  e  comércio  do  açúcar.  Para a  segunda  metade  do  século  dezasseis,  escasseiam  os dados sobre o comércio do açúcar madeirense. Somente entre 1581 e 1587 temos nova informação.

A ilha exportou 199.300 arrobas de açúcar para o estrangeiro e 4.830 para o porto de Viana do Castelo. A partir de princípios do século XVI, o comércio do açúcar diversifica-se. A Madeira, que na centúria de quatrocentos surgira como o único mercado de produção, debater-se-á, a partir de finais do século, com a concorrência do açúcar das Canárias, de Berbéria, de S. Tomé e, mais tarde, do Brasil e das Antilhas.  A  múltipla  possibilidade  de  escolha,  por  parte  dos  mercadores  e  compradores, condicionou a evolução do comércio açucareiro. Mesmo assim, o açúcar madeirense manteve uma situação preferencial no mercado europeu (Florença, Anvers, Ruão), sendo o mais caro. Talvez devido a esse favoritismo, encontramos, com frequência, referências à escala na Madeira de embarcações que faziam o  comércio  com  as  Canárias,  Berberia  e  S.  Tomé.  A situação  deveria,  de  igual  modo, explicar a venda de açúcar madeirense em Tenerife, no ano de 1505.

O comércio açucareiro na primeira metade do século XVI era dominado na Europa do Norte pelas ilhas e litoral do Atlântico, nomeadamente, entre as primeiras, a Madeira, Tenerife, Gran Canaria e La Palma. Assim, na década de trinta, os navios normandos ocupados neste comércio dirigiam-se preferencialmente à área. Convém anotar que a maioria das embarcações que rumavam a Marrocos,  faziam escala na Madeira à ida e no regresso, o que valorizou a ilha no comércio com a Normandia. A situação dominante do mercado madeirense perdurou nas décadas seguintes, não obstante a forte concorrência da ilha de S. Tomé que se firmou, entre 1536 e 1550, como o principal fornecedor de açúcar à Flandres. Todavia, a posição cimeira da ilha de São Tomé só é patente a partir de 1539.

A Madeira, que até à primeira metade do século dezasseis havia sido um dos principais mercados do açúcar do Atlântico, cedeu o lugar a outros mercados (Canárias, S. Tomé, Brasil e Antilhas). As  rotas  desviam-se  para  novos  mercados,  colocando  a  ilha  numa  posição  difícil.  Os  canaviais foram abandonados na quase totalidade, fazendo perigar a manutenção da importante indústria de conservas e doces. O porto funchalense perdeu a animação que o caraterizara noutras épocas. É, neste contexto, que surge o arquipélago vizinho. O comércio canário, baseado nos mesmos produtos que o madeirense, será um forte concorrente na disputa dos mercados nórdico e mediterrânico. Os produtos dos dois arquipélagos surgem, lado  a  lado,  nas  praças  de  Londres,  Anvers,  Ruão  e Génova. A única vantagem do madeirense resultava de ter sido o primeiro  a  penetrar  com  o  açúcar  e  o  vinho  no  mercado europeu,  ganhando  a  preferência  de  muitos  vendedores  e  consumidores. O  porto  de  Cádis,  importante  praça  comercial  peninsular, funcionou  como  centro  de  redistribuição  e  comércio  no Mediterrâneo.

A conquista  do  mercado  nórdico  é  posterior, mercê  do  forte  enraizamento  do  mercado  no  comércio  e  consumo do açúcar madeirense. A primeira carga de melaço canário enviada a Antuérpia, em 1512, não foi do agrado dos eventuais clientes. Somente a partir da década de trinta, o açúcar canário agradou em pleno ao gosto flamengo, beneficiando, para isso, da quebra do  açúcar  madeirense  e  presença  da  comunidade  flamenga no arquipélago. O trato com as praças nórdicas era assegurado, em parte, pelos portugueses de Vila do Conde, Lisboa e Algarve, que faziam valer a maestria e experiência, adquiridas no trato do açúcar da Madeira. Em síntese, a colónia itálico-flamenga, residente  ou  estante  nas  ilhas  de  Gran  Canaria  e Tenerife, foi o principal elo aos mercados de comércio e consumo do açúcar. Aqui, como na Madeira, ambas as comunidades esqueceram os antagonismos religiosos para se unirem em prol duma causa comum, o comércio do açúcar, repartindo entre si o domínio do mercado açucareiro.

No decurso do século XVIII, a Madeira manteve-se como mercado importador do açúcar brasileiro. Os hábitos ancestrais de consumo e existência de  algumas  industrias  de  conservas  e  casquinha implicaram o movimento de importação, numa altura em que a ilha havia deixado de produzir. Por força disto, as relações comerciais com o Brasil assumem particular significado, ainda que  condicionadas pelo  politica  de  monopólio.  A partir da Baía, Rio de Janeiro, ou Recife chegava o açúcar, farinha de pau e mel. Mesmo depois de reabilitada a cultura da cana, continuou a importar-se açúcar e nomeadamente o melaço, que depois tanto podia ser transformado em açúcar ou álcool para adubar os vinhos. A entrada do melaço estava permitida desde 1858. O regímen sacarino, em 1895, foi uma das formas de compensação às fábricas matriculadas, pela compra da cana a preço elevado e da permissão de entrada do álcool dos Açores e continente. Até 1904, temos informação do registo de 7 fábricas, mas a de W. Hinton assume uma posição hegemónica, com 50% do rateio do melaço a importar, de acordo com o volume de cana adquirida. A fábrica do Torreão importou melaço de diversas proveniências, nomeadamente de Hamburgo, Demerara, Benguela, para fabrico de álcool.

Não obstante, desde 1853, termos os primeiros ensaios da produção de açúcar, só passados dez anos temos notícia das primeiras exportações para o continente e Açores, que representava, todavia, uma percentagem reduzida. Em 1869, temos informação de que o iate português Ligeiro carregou açúcar na Ponta de Sol, com destino a Lisboa. Além disso, sabemos ainda que os métodos usados tornavam o produto muito dispendioso e pouco competitivo, pelo que a persistência da produção só foi conseguida mediante medidas protecionistas. Desta forma, o número de fábricas foi reduzido e acabou por ficar centralizado no engenho do Hinton. Até à primeira Guerra Mundial, a produção foi em crescendo mas sem alcançar as mil e quinhentas toneladas.

A entrada do açúcar madeirense no mercado português do continente e Açores estava isenta de direitos e só para o período de 1870 a 1876 se cobrou 25% do que se lançava sobre o demais açúcar. A suspensão por cinco anos, sendo depois novamente prorrogada por outros cinco, acontece por intervenção dos deputados madeirenses, que reclamavam a abolição da lei de 27 de dezembro de 1870. A de 1903 confirma as regalias, estabelecendo que o açúcar da ilha chegava ao continente isento de direitos. Tais condições favoreceram a entrada do açúcar madeirense no mercado nacional, situação que se alterou em 1926, passando o açúcar e o melaço a serem considerados estrangeiros para efeitos fiscais. Mesmo assim, com tantas regalias, os madeirenses tinham dificuldade em assegurar a venda do seu açúcar, no mercado continental, nomeadamente a partir da década de oitenta marcada por uma tendência muito forte de baixa de preço no mercado mundial. Este conjunto de condições fez com que a principal aposta dos engenhos madeirenses fosse para o fabrico de álcool e aguardente.

O  regime  político  estabelecido  a  partir  de  1926  confirmou  a  hegemonia  da  fábrica  Hinton, dando-lhe a estabilidade necessária para o controle do mercado e garantir o lucro que há tanto tempo reclamava. A fábrica insistiu sempre junto das autoridades nas elevadas perdas da safra, ameaçando  por  diversas  vezes  encerrar  as  portas.  Em, a  situação  era  crítica.  O constante aumento da mão-de-obra e a perda de qualidade da cana reforçou a ameaça, de que resultou o compromisso por  parte  do  Estado  de  os  compensar.  A situação perdurou até  que  a  mudança  de regime e a nova realidade político-económica tornou insustentável a situação. A fábrica do Torreão, perdidas as regalias monopolistas encerrou as portas e a ilha deixou de produzir açúcar, passando a uma situação de dependência do mercado externo, nomeadamente das refinarias do continente.

Direitos

Os produtos de maior rentabilidade económica foram os que mereceram maior atenção, em termos de imposições e controlo. No caso do açúcar foi, inicialmente, onerado o processo de fabrico, cobrando o Infante metade da produção dos que utilizassem as suas alçapremas e um terço do que fosse laborado em engenhos particulares. Entretanto, em 1462, os moradores da ilha referiam que apenas pagavam uma arroba e meia, por mês, de cada alçaprema. Mas, em 1467, o valor a cobrar desceu para um quarto de todos os tipos de açúcares e derivados, lavrados nos engenhos, situação que permaneceu, até 1515, altura em que se quedou em um quinto. A partir de 1675, os lavradores passaram a pagar apenas o oitavo da produção.

A fiscalidade surgiu, assim, como uma dominante na atuação das autoridades do Reino que, por meio de diversos regimentos e lembranças, definiam o quantitativo a lançar e a forma de o arrecadar. Enquanto, na Alfândega, o quantitativo era fixo [dízima de saída], o tributo que onerava os produtores era variável, de acordo com o desenvolvimento da cultura na ilha. Assim, no início, o Infante estabelecera o pagamento de metade do açúcar laborado nas alçapremas que lhe pertenciam, na ilha. Com a permissão dos engenhos particulares, passaram a pagar uma arroba e meia mensal, enquanto as moendas, a água e tração animal, pagavam 1/2 do açúcar laborado. Em 1461, com o Infante D. Fernando, unifor­mizou-se o direito a arrecadar, ficando, em apenas 1/3, o que, de acordo com o regimento de 1467, teria uma arrecadação mais eficaz. A partir daí, o açúcar a arrecadar passaria a ser 1/4 da produção, lançado de acordo com o estimo antecipado feito por dois estimadores eleitos pelos vereadores.

O agravo manifestado pelos madeirenses, em consonância com a conjuntura conturbada de finais do século XV, forçaram D. Manuel a repensar o sistema de tributação do açúcar. Assim, em 1507, o mesmo solicitou, aos madeirenses, um estudo sobre a melhor forma de lançar e arrecadar o mesmo direito. Correspondendo às pretensões dos insulares, o monarca estipulou o lançamento de apenas 1/5 da produção, a vigorar desde 1516 e definiu uma forma adequada de arrecadar com o Almoxarifado do açúcar e de diversas comarcas da ilha.

A forma de arrecadação, definida em 1467 por D. Fernando, mantinha-se em vigor e nela se estabelecia que o açúcar a tribu­tar seria resultado de um estimo feito por dois homens-bons, eleitos trienalmente, em vereação, e que percorriam os canaviais da ilha, fazendo o estimo num livro próprio. O tributo era, seguidamente, arrecadado no engenho na altura da safra. Com D. Manuel, estabeleceu-se, a partir de 1485, nova operação de vistoria dos açúcares – os alealdamentos. Deste modo, pretendia-se confrontar o quantita­tivo produzido com o estimo e verificar a qualidade do produto final. Os alealdadores eram eleitos, anualmente, pelo Senado da Câmara. Concluída a avaliação e vistoria da qualidade do açúcar, procedia-se à recolha que poderia ser feita, mediante co­brança direta ou arrendamento. No primeiro caso, tal encargo estava entregue ao Almoxarifado que, com D. Manuel, assumiu uma estrutura diversa com a criação de cinco comarcas integradas no Almoxarifado do açúcar, centralizado no Funchal.

Os arren­damentos que se realizavam, trienalmente, tiveram vida efémera, mercê dos prejuízos avultados acumulados pelo Almoxarifado e pelos arrendatários, entre 1506 e 1518. Os contratos, neste curto espaço da vigência, foram dominados por mercadores ou sociedades comerciais estrangeiras, nomeadamente italianas. Durante os séculos XVII e XVIII, manteve-se a mesma estrutura de arrecadação dos direitos da Coroa mas, aqui, adaptada à dimensão da cultura. Assim, para cada uma das áreas, era provido um quintador, um para cada uma das antigas Comarcas, isto é, Funchal, Calheta, Ribeira Brava, Ponta de Sol e Santa Cruz. Nas primeiras localidades, era apoiado por um Escrivão. Ambos tinham, de soldo, um moio de trigo cada ano. O provimento destes continuou, no século XVII, mesmo com a produção reduzida ou sem qualquer significado comercial. Na década de cinquenta, não obstante o quinto do açúcar não ter sido cobrado desde 1640, a Fazenda Real estabeleceu o encargo de 80 réis, por cada arroba de açúcar para a fortificação. Desde 1643, não eram quintados os açúcares dos engenhos e, não obstante a insistência para que fosse cobrado, só em 1687, o Provedor da Fazenda conseguiu por, em pregão, os ditos direitos do ano de 1687. Por mandado de 20 de dezembro, de 1686, foi ordenada a extinção, a partir de 30 de Julho, dos quintadores do açúcar de Santa Cruz, Ribeira Brava, Ponta de Sol e Calheta, pelo facto da ilha já não produzir açúcar. Mas cedo se reconheceu o erro de tal medida, uma vez que o açúcar continuou a produzir-se, ainda que em pequenas quantidades. Deste modo, a partir do ano imediato, a arrecadação foi posta em arrematação. Durante o ano de 1687, foi arrematado, por Manuel Vieira Gago, no valor de 285$000 e, em 1688, por João Bettencourt Vilela, por 200$000.

A partir do último ano, os lavradores passaram a pagar apenas o oitavo da produção. Similarmente, durante os anos de 1744 e 1748, encontra-se o provimento de um Escrivão dos quintos para a vila da Calheta, de seu nome, António Dionísio de Oliveira. As dificuldades por que passou a cultura refletiram-se na estrutura administrativa. Assim, em 1676, refere-se que, há trinta anos que não se arrecadava os quintos, por isso se ordenou o confronto dos livros do donativo com os de saída, para se confirmar as ausências ao pagamento. Durante os séculos XVII e XVIII, manteve-se a mesma estrutura de arrecadação dos direitos da Coroa mas, aqui, adaptada à dimensão da cultura. Assim, para cada área, era provida de um quintador, um para cada uma das antigas comarcas, isto é, Funchal, Calheta, Ribeira Brava, Ponta de Sol e Santa Cruz. Nas primeiras localidades, era apoiado por um Escrivão. Por mandado de 20 de Dezembro de 1686, foi ordenada a extinção, a partir de 30 de Julho, dos Quintadores do açúcar de Santa Cruz, Ribeira Brava, Ponta de Sol e Calheta, argumentando-se com  o facto de os mesmos não terem exercício algum por se terem extinguido os emgenhos, e se não fabricarem nessa ilha os tais asucares... Mas cedo se reconhece o erro de tal medida, uma vez que o açúcar continuou a produzir-se, ainda que em pequenas quantidades. No ano seguinte, a arrecadação foi posta em arrematação. Para o ano de 1687, foi arrematado por Manuel Vieira Gago, no valor de 285$000 e, em 1688, por João Bettencourt Vilela, por 200$000. A partir do último ano, os lavradores passaram a pagar apenas o oitavo da produção. Também para os anos de 1746 e 1748, encontrámos o provimento de Escrivão dos quintos para a vila da Calheta, de seu nome, António Dionísio de Oliveira. As dificuldades por que passou a cultura refletiram-se na estrutura administrativa. Assim, em 1675, refere-se que há trinta anos que não se arrecadava os quintos, por isso se ordena o confronto dos livros do donativo com os de saída para se confirmar as ausências ao pagamento.

Na segunda metade do século XIX, a principal preocupação das autoridades consistia em criar incentivos ao retorno da cultura, pelo que foram estabelecidas várias isenções de impostos. Em 1865, isentava-se de direitos a maquinaria e os utensílios necessários para a montagem dos engenhos. Isto permitiu que a cultura voltasse a adquirir importância, produzindo excedentes para exportação. Se, em 1850, qualquer saída de açúcar estava limitada, já em 1870, os mesmos que entrassem no continente, estavam sujeitos a $600 reis a arroba, o equivalente a cerca de 25% daquilo que pagavam os açúcares estrangeiros, medida que foi suspensa, por cinco anos, em 1876 e renovada, sucessivamente, em 1878, 1881, 1885, 1895 e 1903. Isto permitiu que, de uma opção capitular da cultura, para assegurar o consumo inicial, se avançasse para uma nova situação de produção de excedentes cujo escoamento era facilitado no quadro do mercado nacional.

De acordo com a política protecionista e de incentivo à cultura, estabeleceram-se entraves à importação. Assim, com as Leis de 1855, 1858 e 1861, a importação do mel, melaço e melado do Funchal pagava 4$000 reis, por cada cem quilogra­mas, passando para 6$000 reis, em 1880 e 1885. Sucedeu que, a partir do ano seguinte, começaram a sentir-se os efeitos negativos dos fungos que atacaram o canavial, o que levou as autoridades, sob pressão dos armazenistas de vinho, a reivindicar a abolição do imposto municipal que recaía sobre o melaço importado para fabrico de álcool. Na revisão da pauta de 1892, reclamava-se desta situação que só foi atendida no regime sacarino estabelecido em 1895. O melaço importado só podia ser usado para o fabrico de álcool e dependia dos valores da colheita anual, de forma a não prejudicar os lavradores, sendo taxado em 30 reis, ao quilo. Ao mesmo tempo, salvaguardava-se a indústria nacional impondo pesados impostos sobre o álcool e as bebidas estrangeiras.

Em 1903, com a revisão do regime sacarino surgiu, de novo, uma redução substancial nos direitos de importação de melaço, medida contrariada em 1911. O incremento da produção madeirense assim o obrigava. Entretanto, em 1918, o açúcar madeirense entrado no Continente [português] estava isento de qualquer imposto. O Decreto de 1911, que reformulou o regime sacarino, estabeleceu um imposto sobre o fabrico da aguardente, criando-se um fundo gerido pela Junta Agrícola para apoio à agricultura. De acordo com o regulamento do imposto, de 28 de dezembro, de 1928, foram nomeados contadores para procederem à cobrança do imposto nas fábricas. Extinta a Junta, o fundo passou a ser gerido, desde 1919, pela Junta Geral. Todas as fábricas não matriculadas deveriam pagar o imposto de 100 réis, passando a 150 Reis, a partir de 1914. Em 1926, surgiu nova situação de imposto, a onerar o fabrico da aguardente, numa tentativa de travar o consumo excessivo da mesma.

O Decreto de 1895, aqui considerado a Lei que tantos benefícios trouxe à Madeira que havia merecido a aprovação unânime de todos os intervenientes pela comissão da Madeira, havia deixado de ser vantajoso para os industriais do sector. Desde 1897, vinham notando uma diminuição na desvantagem atribuída que se transformou em prejuízo, em 1901, por força do aumento do preço do melaço, do carvão mineral e dos câmbios com que se faziam as transações. Deste modo, J. H. Ferraz, em carta ao Visconde de Idanha, estabeleceu o retrato da situação dos industriais e apelou à necessidade de mudança do imposto que recaía sobre o melaço importado.

Expansão a partir da Madeira

A Madeira afirmou-se no processo da expansão europeia pela singularidade do protagonismo. Vários são os fatores que o propiciaram e que fizeram com que ela fosse, no século XV, uma das peças-chave para a afirmação da hegemonia portuguesa no Novo Mundo. Além disso é considerada a primeira pedra do projeto, que lançou Portugal para os anais da História do oceano que abraça o seu litoral abrupto. O Funchal foi uma encruzilhada de opções e meios que iam ao encontro da Europa em expansão.

Colombo abriu as portas ao Novo Mundo e traçou o rumo da expansão da cana-de-açúcar. A cultura não lhe era alheia, pois o navegador tem no curriculum algumas atividades ligadas ao comércio do açúcar na Madeira. O navegador, antes da relação afetiva ao arquipélago, foi, a exemplo de muitos  genoveses,  mercador  do  açúcar  madeirense.  Em 1478,  ele  encontrava-se  no  Funchal  ao serviço de Paolo di Negro para conduzir a Génova 2400 arrobas a Ludovico Centurione. Com esta viagem e, depois da larga estância do navegador na ilha, Colombo ficou conhecedor da dinâmica e importância do açúcar da Madeira. Em janeiro de 1494, aquando da preparação da segunda viagem, o navegador sugere aos reis católicos o embarque de 50 pipas de mel e 10 caixas de açúcar da Madeira para uso das tripulações, apontando o período que decorre até abril como o melhor momento para o adquirir. A isto podemos somar a passagem do navegador pelo ,no decurso da terceira viagem, em junho de 1498, em que  podemos apontar como muito provável a presença de socas de canas da Madeira na bagagem dos agricultores que o acompanhavam. Neste momento, a cultura dos canaviais havia adquirido o apogeu na ilha, mantendo-se uma importante franja de canaviais ao longo da vertente sul.

A tradição anota que as primeiras socas de cana saíram de La Gomera. Todavia, a cultura encontrava-se aí nesse momento em expansão, enquanto na Madeira estava já consolidada. Note-se que ainda estão por descobrir as razões que conduziram Colombo, no decurso da terceira viagem, a fazer um desvio na sua rota para escalar o Funchal. Na verdade, a Madeira foi a primeira área do Atlântico onde  se  cultivou  a  cana-de-açúcar  que,  depois,  partiu  à  conquista  das  ilhas  (Açores, Canárias, Cabo Verde, S. Tomé e Antilhas) e continente americano. Por isso mesmo, o conhecimento do caso madeirense assume primordial importância no contexto da História e Geografia açucareira dos séculos XV a XVII.

O açúcar da Madeira ganhou fama no mercado europeu. A qualidade diferenciava-o dos demais e fê-lo manter-se como o preferido de muitos consumidores europeus. O aparecimento de açúcar de outras ilhas ou do Novo Mundo veio a gerar uma concorrência desenfreada ganha por aquele que estivesse em condições de ser oferecido ao melhor preço. Um testemunho da realidade surge-nos com Francisco Pyrard de Laval: “Não se fale em França senão no açúcar da Madeira e da ilha de S. Tomé, mas este é uma bagatela em comparação do Brasil, porque na ilha da Madeira não há mais de sete ou oito engenhos a fazer açúcar e quatro ou cinco na de S. Tomé”. E refere que no Brasil laboravam 400 engenhos que rendiam mais de cem mil arrobas vendidas como da Madeira.

O mais significativo da situação do novo mercado produtor de açúcar é que o madeirense lhe está indissociavelmente ligado. Na verdade, a Madeira foi o ponto de partida do açúcar para o Novo Mundo. O solo madeirense confirmou as possibilidades de rentabilização da cultura  através  de uma exploração intensiva e de abertura de novo mercado para o açúcar.

É a partir da Madeira que se produz açúcar em larga escala, o  que veio a condicionar os preços de venda, de forma evidente, nos finais do século XV. Também o íncola foi capaz de agarrar esta opção, tornando-se no obreiro da difusão no mundo Atlântico. A tradição anota que foi a partir da Madeira que o açúcar chegou aos mais diversos recantos do espaço atlântico e que os técnicos madeirenses foram responsáveis pela sua implantação.

O primeiro exemplo está documentado com Rui Gonçalves da Câmara, quando em 1472 comprou a capitania da ilha de S. Miguel. Na expedição de tomada posse da capitania,  fez-se acompanhar de socas de cana da Lombada que, entretanto, vendera a João Esmeraldo e dos operários para a tornar produtiva. Seguiram-se depois outros que corporizaram diversas tentativas frustradas para fazer vingar a cana-de-açúcar nas ilhas de S. Miguel, Santa Maria e Terceira.

Em sentido contrário avançou o açúcar em 1483, quando o Governador D. Pedro de Vera quis tornar produtiva a terra conquistada nas Canárias. Uma vez mais, a Madeira disponibiliza as socas de cana para que aí surgissem os canaviais. Todavia, o mais significativo estará na forte presença portuguesa no processo de conquista e adequação do novo espaço à economia de mercado.

Os portugueses, em especial os Madeirenses, surgem com frequência nas ilhas ligando-se ao processo de arroteamento das terras, como colonos que recebem dadas de terras, na condição de trabalhadores especializados a soldada, ou de operários especializados que constroem os engenhos e os colocam em movimento. No caso de La Palma, refere-se um Leonel Rodrigues, mestre de engenho que ganhou o estatuto em 12 anos de trabalho na Madeira. É de referir também idêntico papel para as ilhas Canárias, na projeção da cultura às colónias castelhanas do novo mundo. Assim, em 1519, Carlos V recomendou ao Governador Lope de Sousa que facilitasse a ida de mestres e oficiais de engenho para as Índias.

O avanço do açúcar para sul ao encontro do habitat que veio gerar o boom da produção, deu-se nos anos imediatos ao descobrimento das ilhas de Cabo Verde e S. Tomé. Todavia, só na última, pela disponibilidade de água e madeiras, os canaviais encontraram condições para a sua expansão. Deste modo, em 1485, a coroa recomendava a João de Paiva que procedesse à plantação de cana do açúcar. Para o fabrico do açúcar, refere-se a presença de “muitos mestres da ilha da Madeira”. É, alias, aqui que se pode definir o prelúdio da estrutura açucareira que terá expressão do outro lado do Atlântico.

A partir do século XVI, a concorrência do açúcar das Canárias e S. Tomé apertou o cerco ao açúcar madeirense,  o  que  provocou  a  natural  reação  dos  agricultores  madeirenses.  Sucederam-se queixas junto da coroa, de que ficou testemunho em 1527. Em vereação reuniram-se os lavradores de cana para reclamar junto da coroa contra o prejuízo que lhes causava o progressivo desenvolvimento da cultura em S. Tomé. A resposta do rei, no ano imediato, remete para uma análise dos interesses em jogo e só depois, no prazo de um ano, seria tomada uma decisão, que parece nunca ter vindo. A exploração fazia-se diretamente pela coroa e, só a partir de 1529, surgem os particulares interessados nisso.  Enquanto isto se passava, do outro lado do Atlântico, davam-se os primeiros passos no arroteamento das terras brasileiras. E, mais uma vez, é notada a presença dos canaviais e dos madeirenses como os seus obreiros.

A coroa insistiu junto dos madeirenses, no sentido de criarem as infraestruturas necessárias ao incremento da cultura. Aliás, o primeiro engenho aí erguido por iniciativa da coroa, contou com a participação dos madeirenses. Em 1515, a coroa solicitava os bons ofícios de alguém que pudesse erguer no Brasil o  primeiro  engenho, enquanto,  em  1555,  foi  construído  por  João  Velosa,  apontado  por  muitos  como madeirense, um engenho a expensas da fazenda real. A aposta da coroa na rentabilização do solo brasileiro, através dos canaviais, levou-a a condicionar a força de mão-de-obra especializada, que então se fazia na Madeira. Assim, em 1537, os carpinteiros de engenho da ilha estão proibidos de ir à terra dos mouros.

O movimento de migração de mão-de-obra especializada do engenho acentuou-se na segunda metade do século XVI, por força das dificuldades da cultura em solo madeirense. O Brasil, nomeadamente Pernambuco, continuará a ser a terra de promissão para muitos. Em 1579, refere-se que Manuel Luís, mestre de açúcar, que exercera o ofício na ilha, estava agora em Pernambuco. Muitos mantêm contactos com a ilha, nomeadamente quanto ao comércio de açúcar, é o caso de Francisco Álvares e João Roiz. Acontece que este movimento de operários especializados era controlado pelas autoridades, no sentido de evitar a concorrência de outras áreas com o Brasil. Sucede que, em 1647, Richarte Piqueforte vendera um escravo, “oficial de asucares”, a um mercador francês que o pretendia conduzir a S. Cristóvão. A coroa entendia que a saída não deveria ser autorizada e que o escravo deveria ser adquirido e embarcado para o Rio de Janeiro às ordens do Provedor da Fazenda, para aí ser vendido.

Com tais condicionantes e, colocados perante o paulatino decréscimo da produção açucareira na ilha, muitos madeirenses foram forçados a seguir ao encontro dos canaviais brasileiros. Em Pernambuco e na Baía, entre os oficiais e proprietários de engenho, pressente-se a forte presença madeirense. Alguns destes madeirenses tornaram-se importantes proprietários de engenho, como foi o caso de Mem de Sá, João Fernandes Vieira o libertador de Pernambuco. É a partir daqui que se estabelece um vínculo com a Madeira, continuado através do trato ilegal de açúcar para o Funchal ou então ao mercado europeu , com  a  designação  da Madeira. Este movimento seguia as ancestrais ligações entre os que do outro lado do Atlântico viam florescer a cultura e aqueles que, na ilha, ficavam sem os seus benefícios. Veja-se, por exemplo, o caso de Cristóvão Roiz de Câmara de Lobos que, em 1599, declara ter crédito em três mestres de açúcar de ,em cerca de cem mil réis de uma companhia que teve com Francisco Roiz e Francisco Gonçalves.

Depois, entre finais do século XIX e princípios da centúria seguinte, o retorno da cultura e indústria sacarina à Madeira fizeram com que a Madeira tivesse um papel novamente importante na sua evolução e expansão. Parte significativa das adaptações da tecnologia da indústria de beterraba à da cana sacarina aconteceram na Madeira, sendo daqui levadas aos Açores, Canárias, Argentina e Angola.

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ISBN: 978-972-8263-84-3, vols: 1, [Formato digital com folheto]; Cronologia. A História das Instituições, Finanças e Impostos. Funchal, CEHA. ISBN: 978-972-8263-85-0, vols:1 [Formato digital com folheto]. (organização); WITTE, Charles-Martial de, “La production du sucre a Madere au XVeme siecle d’aprés un rapport  au capitaine de l’ille au Roi Manuel Ier”, in Bulletin des Études Portugaises et Bresiliennes, nº 42-43, Lisboa, 1981-1986.

Alberto Vieira

(atualizado a 17.08.2016)