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jardim da serra

A quinta construída no século XIX pelo cônsul Inglês Henry Veitch, tem importância fulcral na história da freguesia, dado que foi ela que deu origem à denominação da freguesia. Henry Veitch, de resto, teve uma vida capaz de concorrer com as mais interessantes personagens literárias. Menos sumptuosa, a Quinta da Furneira, desenhada pelo arquitecto português Raul Lino e mandada construir pelo Dr. Alberto Araújo, outra figura importante ligada à freguesia. Relevante é também a lenda da Moura, no sítio da Furneira e as Cerejeiras, monumentalizadas pela estátua de Jacinto Rodrigues. Nos pontos mais altos do Jardim da Serra situam-se os miradouros da Boca dos Namorados e da Boca da Corrida. No primeiro deles, Pêro terá clamado pela amada Ignez, que se encontrava do outro lado da montanha. No segundo, para além da fantástica vista sobre o Curral das Freiras, constatamos que os fenómenos religiosos estão em contínua criação, como as novas igreja desenhadas pelo arquiteto Paredes.

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Igreja paroquial de São Tiago
Igreja paroquial de São Tiago

Igreja paroquial de São Tiago

A antiga Sede da paróquia do Jardim da Serra, data de 1967, quando após sucessivos adiamentos da construção da nova sede paroquial, dois filhos da terra emigrados na Venezuela, ofereceram os terrenos para a sua edificação. Do ponto de vista arquitectónico tem reduzido interesse, uma vez que foi construído à medida das posses dos paroquianos, sendo o seu valor social significativo, dado que reflecte o carácter religioso dos seus habitantes e a sua abnegação a favor da fé professada. A actual sede paroquial reflecte a melhoria relativa das condições de vida da localidade. Impõe-se no alto de uma colina sobre o centro da vila.

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Vista do miradouro da Boca dos Namorados
Vista do miradouro da Boca dos Namorados

Boca dos Namorados

Embora sem confirmação histórica, o local, segundo a lenda divulgada pelo poeta câmara-lobense Joaquim Pestana, num escrito de 1879, deve o seu nome a dois apaixonados que, separados pelo abismo, comunicavam sonoramente chamando-se de cada lado do vale pelo nome: “Como Pêro não lhe pudesse falar a cada momento, em razão de viver separada por aquele abismo, fazia, qual outro Leandro, acordar aqueles vales com o doce nome de – Ignez! que sempre lhe era correspondido com o nome de – Pêro!” (Joaquim Pestana). Este miradouro proporciona impressionante vista sobre a parte Sul do Curral das Freiras e sobre a cidade do Funchal, que dista 15 Km.

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Vista do miradouro da Boca da Corrida
Vista do miradouro da Boca da Corrida

Boca da Corrida

Situado aos 1200 metros, este é um miradouro a partir do qual se avista no fundo escarpado o magnífico vale Curral das Freiras. A exígua capela de São Cristóvão, que lá se encontra, foi mandada construir pelo Sr. Horácio, motorista de profissão, em homenagem ao padroeiro do seu ofício. Na primeira semana de Agosto ocorre a festa de São Cristóvão, que incluiu uma procissão, na qual a imagem, transportada num automóvel enfeitado com milhares de flores, desce até ao Estreito de Câmara de Lobos. No Outono, o manto de tons acastanhados é procurado para recolha das Castanhas.

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Montado dos Aviceiros. Fonte: cpjardimdaserra.com
Montado dos Aviceiros. Fonte: cpjardimdaserra.com

Montado dos Aviceiros

Situado à altitude de 1300 metros, o Montado dos Aviceiros permite a comunhão com a natureza em diversas dimensões, tais como práticas agrícolas que procuram promover o equilíbrio entre as necessidades humanas e as da natureza, casos da Permacultura, passeios nas extraordinárias veredas que percorrem as montanhas da ilha, observação de aves endémicas e da flora de altitude endémica da Madeira, casos do Massaroco, Uveira da Serra e Loureiros. Recorde-se que a Madeira possui a maior extensão da Laurisilva (a floresta que existia na Europa antes da última glaciação) no conjunto de ilhas conhecidas como Macaronésia (Açores, Canárias e Cabo Verde). O acesso faz-se pela Boca da Corrida.

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Quinta do Jardim da Serra
Quinta do Jardim da Serra

Quinta do Jardim da Serra

Esta Quinta, construída no século XIX pelo Cônsul Inglês Henry Veitch, tem importância fulcral na História da própria freguesia. Foi o nome desta propriedade que deu origem à denominação da freguesia: Jardim da Serra. Adaptada em 2010 numa excelente unidade hoteleira, preserva um edifício com arquitectura tradicional. É ainda possível contactar com as práticas de agricultura biológica e alguns exemplares de flores madeirenses nos amplos jardins da propriedade. Realce para o facto da quinta ter sido fonte de inspiração para Max Römer, e estar representada numa gravura do século XIX, patente na reitoria da Universidade da Madeira, no Funchal.

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Sítio da Furneira
Sítio da Furneira

Furneira

Sítio com interesse histórico e antropológico, uma vez que as furnas que aí aqui se encontram, as quais deram origem ao nome do sítio, teriam segundo a tradição servido de habitação a uma comunidade de mouros. Embora a veracidade da história não seja atestada por documentos, supõe-se que a comunidade se terá constituído com escravos foragidos dos povoados. Apesar de tudo a existência de pequenas infra-estruturas destinadas à conservação de mantimentos comprova o uso destas formações geológicas como habitação, prática que de resto era usual na ilha entre a população mais carenciada. É ainda um sítio de produção do pêro Domingos e de cerejeira. O acesso faz-se pela vereda da Fonte de Cima.

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"Cerejeira", de Jacinto Rodrigues
“Cerejeira”, de Jacinto Rodrigues

Laurisilva e Cerejeiras

Escultura de Jacinto Rodrigues. A cerejeira é uma das plantas indissociáveis da freguesia, pois é aqui que se produz a maior parte das cerejas na ilha e porque dão cor à paisagem: o branco da floração e vermelho do fruto maduro. Mas é também local onde se encontra uma importante área de Laurisilva, nome dado à floresta endémica das ilhas atlânticas da Macaronesia. Floresta húmida e sub-tropical, a sua origem data do período Terciário. As lauráceas, o vinhático, o til e o barbusano são as plantas mais comuns. É na Madeira que a Laurisilva apresenta maior expressão, ocupando cerca de 15 000 hectares e o Jardim da Serra apresenta uma mancha desta floresta.

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Capela da Consolação
Capela da Consolação

Capela da Consolação

Também conhecida como capela do Foro. foi mandada erguer em 1684 por Mónica Ferreira d’ Aguiar, segunda mulher de Gonçalo de Faria Leal, dando cumprimento à vontade de seu marido, falecido em 1683, foi a primeira sede paroquial do Jardim da Serra. O seu primeiro orago foi a Nossa Senhora do Socorro, mudando posteriormente para o actual orago de Nossa Senhora da Consolação. A propriedade da mesma caiu no desconhecimento, pelo que a população tomou o edifício. No ano de 1950, encontrava-se em estado de ruína, sendo as obras iniciadas em 1960 e terminadas um ano depois. Dado que os materiais utilizados nas paredes não ofereciam segurança foi construído novo edifício no local do anterior, mantendo-se do primitivo as cantarias da porta principal e a cruz da cumeeira.

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Quinta das Romeiras
Quinta das Romeiras

Quinta das Romeiras

Esta quinta foi desenhada pelo conhecido arquitecto português Raul Lino e foi mandada construir pelo Dr. Alberto Araújo, como residência de férias. Foi construída no ano de 1933. Os seus jardins caracterizavam-se pela multiplicidade de flores e de árvores de frutos, casos das cerejeiras e dos Pereiros. Nos campos havia ainda lugar à pastorícia.

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Textos: César Rodrigues

Fotos: Rui A. Camacho

camacha – pela natureza

Embora não se tenha até hoje comprovado a veracidade da informação, diz-se que foi no Sítio dos Salgados que terá sido edificada a primeira capela da freguesia, mandada construir por Francisco Gonçalves Salgado, daí o nome do lugar, e que esta terá sido a primeira sede paroquial da freguesia da Camacha, quando esta se separou do Caniço. A Camacha subiu ainda mais até à alta montanha. De caminho, entre os Salgados e o Poiso foram crescendo belas quintas, construídas pelos britânicos enamorados pelo clima relativamente parecido ao da sua terra de origem, os quais tiveram papel relevante na construção de algumas levadas. Para além das quintas com jardins faustosos encontramos unidades agrícolas de pequena dimensão, com as suas casas fielmente representadas no presépio natalício madeirense, os espaços pitorescos do Montado do Pereiro, onde acorrem os madeirenses para os seus piqueniques, e no Rochão um dos principais grupos folclóricos madeirenses.

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Sítio dos Salgados
Sítio dos Salgados

Núcleo arquitetónico dos Salgados

Pela homogeneidade da arquitectura das habitações, o sítio dos Salgados é um testemunho da construção tradicional da freguesia. Segundo uma interpretação histórica terá sido aqui que surgiu a freguesia e o nome da mesma é indissociável deste espaço. A casa senhorial existente, actualmente em ruínas, terá sido propriedade da família Camacho, tendo sido a partir que surgiu o nome da freguesia. Embora seja possível visitá-lo de carro, o acesso sugerido é pelo Caminho Municipal dos Salgados (tomado pelo Largo Conselheiro Aires Ornelas, sendo uma via empedrada e em bom estado de conservação), o qual era a única via para ligar o actual centro da freguesia ao Sítio dos Salgados e à freguesia do Caniço.

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Casas Vale Paraíso
Casas Vale Paraíso

Quinta Vale Paraíso

Constituída por um edifício principal, construído em meados do século XIX, e por outros 9 de dimensões mais reduzidas, transformadas em pequenas residências de férias, as quais mantêm de um modo geral o nome da sua função original. Este espaço oferece ainda amplos jardins compostos por plantas endémicas e exóticas pertencentes a cerca de 220 espécies. A partir desta quinta acedemos, através de uma vereda, à Levada da Serra do Faial.

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Levada da Serra do Faial
Levada da Serra do Faial

Levada da Serra do Faial

Esta infra-estrutura de transporte de água é um excelente exemplo do engenho humano na Madeira para suprir as necessidades de abastecimento de água à costa Sul da ilha, escassa neste recurso essencial. Esta levada foi a segunda a ser construída na ilha com dinheiros públicos e a totalidade dos seus 54 Km parte da serra do Faial. A partir da Camacha podemos partir em direcções opostas (Funchal ou Portela). Em ambos os percursos deparamo-nos com paisagens, sons, flora e fauna de características diversas. (8.5Km)

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Levada dos Tornos
Levada dos Tornos

Levada dos Tornos

A Levada dos Tornos faz parte do sistema de aproveitamento e de gestão da água na ilha da Madeira, infra-estruturas grandiosas que transportam a água do Norte da ilha até ao Sul. Esta levada, por exemplo, é das mais importantes e mais longas da ilha, recolhendo a água na longínqua vila de São Vicente, na costa Norte, atravessando o maciço central, na maior parte do percurso sob as montanhas através de túneis, desemboca na costa Sul próximo do Monte, de onde se divide em dois ramais, um que abastece a cidade do Funchal e outro a costa Sudeste da ilha.

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Poiso
Poiso

Poiso

Situado a 1400 metros o Poiso tem especial interesse pela paisagem e vegetação, em que predomina a Urze, e com a qual se fabricam as tradicionais vassouras, e Uveira, cujos pequenos frutos são comestíveis – os amurfos – proporcionam para além do sabor agradável uma rica fonte em vitaminas, espécies arbustivas indígenas da ilha da Madeira. Antes da construção das novas infra-estruturas rodoviárias este era um dos pontos de passagem na ligação entre a costa Sul e Norte.

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Montado do Pereiro
Montado do Pereiro

Montado do Pereiro

O Parque Florestal do Montado do Pereiro é um excelente espaço onde pode aliar lazer, desporto, caminhadas em percursos florestais, através dos quais poderá ficar a conhecer algumas das mais belas espécies arbóreas, casos do Cedro da Madeira, espécie endémica exclusiva da Madeira e Canárias, Castanheiros, e outras espécies exóticas, que faz do local um espaço bucólico de grande beleza. No Outono, a presença de muitos Castanheiros empresta-lhe uma tonalidade castanha. É um espaço muito procurado pela população, para piqueniques, especialmente ao fim-de-semana e outras festividades, como o 1º de Maio (celebrado nas serras em piquenique).

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Casas tradicionais. Camacha.
Casas tradicionais. Camacha.

Unidade agrícola tipicamente madeirense

Constituída por dois corpos, construídos em pedra aparelhada, sendo a casa principal coberta com cal, ambos com os tão conhecidos telhados de colmo. Estas pequenas casas além de se inscreverem na paisagem dão motivos de decoração dos tão característicos presépios madeirenses, popularmente conhecidos como “Lapinhas”.

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Grupo Folclórico do Rochão
Grupo Folclórico do Rochão

Grupo Folclórico do Rochão

Fundado em 1986, esta instituição de utilidade pública vem desenvolvendo um meritório trabalho em prol da preservação das tradições culturais ancestrais. Destaque para as canções e bailes tipicamente interpretados no Natal. A indumentária do grupo reflecte a vivência na alta montanha, dedicada à pastorícia, nomeadamente o trajo de seriguilha e camisa de estopa, a camisola e o conhecidíssimo barrete de lã de ovelha. Completam o traje os instrumentos de trabalho (bordão, cordas e chocalhos).

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Água de Pena
Água de Pena

Água de pena

A água de pena é um sistema tradicional de repartição de água das levadas. Para além da relevância histórica no sistema de regadio da ilha é um símbolo da importância da burguesia inglesa no desenvolvimento da ilha e na exploração comercial dos recursos madeirenses. É o exemplo da família Blandy que, para além dos interesses empresarias no Vinho, nos bordados e noutros sectores económicos, foi um dos principais impulsionadores particulares do desenvolvimento da rede e dos sistemas hídricos da ilha. Não tendo hoje a importância social e económica de outrora, esta tecnologia rudimentar mas precisa é ainda hoje utilizado em alguns casos, nomeadamente na distribuição de água de rega.

Textos: César Rodrigues

Fotos: Rui A. Camacho

camacha – centro da vila

Motivos não faltam para pelo menos suspeitarmos da veracidade de que a Camacha é o centro da tradição da Madeira. Destes, alguns se concentram no Largo Conselheiro Aires de Ornelas Vasconcelos, personalidade nascida na freguesia e que se tornou conhecida no país. Segundo se afirma terá sido ali que se jogou pela primeira vez futebol em Portugal. No edifício onde se encontra o relógio trazido por Michael Graham de uma igreja de Liverpool fica a oficina de vimes, onde apreciamos a arte e os artesãos a laborar, situado ao lado da Capela de São José, erigida por Alfredo Ferreira Nóbrega Júnior e que guarda uma obra de Martin Canan. E ali se encontra igualmente a Casa do Povo, com o Grupo de Folclore da Camacha e a tradição viva, como os barretes de vilão ou de orelhas e os presépios. Próximo daqui deparamo-nos com a Igreja Matriz, datada do século XVII e a Banda Paroquial de São Lourenço.

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Largo da Achada
Largo da Achada

Largo Conselheiro Aires de Ornelas Vasconcelos ou Largo da Achada

Porta de entrada da freguesia ostenta o nome de uma das principais figuras da localidade. Neste largo, que é também o centro da Camacha, encontramos algumas das principais instituições e locais obrigatórios de paragem, como o caso da Casa do Povo da Camacha, instituição de cuja actividade faz parte a preservação das tradições camachenses, e num outro edifício podem ser apreciadas e adquiridas peças do famoso artesanato em vimes, artesanato emblemático da Camacha.

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Torre do Café Relógio
Torre do Café Relógio

Torre do Café Relógio

Inaugurado em 1896. Ladeado por um edifício contemporâneo comercial, a Torre do Café Relógio, como é hoje conhecida entre os locais, testemunha a ligação próxima entre a freguesia e a comunidade inglesa residente na ilha. Foi mandada construir pelo Dr. Michael Graham e foi instalado no que era, na época, a Quinta da Camacha, sua propriedade. De resto, como prova da ligação entre a Madeira e Inglaterra, note-se que o relógio e o sino são originários da Igreja Paroquial de Walton, em Liverpool.

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Oficina de Vimes
Oficina de Vimes

Oficina de Vimes (Café Relógio)

A obra em Vimes terá tido o seu início em 1812, mas apenas por volta de 1870 terá conhecido enorme expansão. Com este recurso natural produz-se imobiliário e outras peças utilitárias. Embora atravessando um período de alguma dificuldade económica mantém-se como património cultural incontornável da freguesia e ainda hoje emprega quantidade assinalável de artesãos. Colhido entre Março e Abril, o vime é depois cozido e disponibilizado para ser trabalhado. Neste espaço pode-se assistir à produção, experimentar a arte e adquirir peças várias na pequena fábrica, entre as 9 e 18 horas (entre Segunda e Sábado) e das 9 às 15 horas (ao Domingo).

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Capela de São José
Capela de São José

Capela de São José

Foi mandada erigir por Alfredo Ferreira Nóbrega Júnior em 1924 e concluída em 1928, que pretendeu desde o início criar um espaço educativo de cariz religioso. Possui um altar-mor rico em ornamentação e bem conservado bem como uma obra de Martin Canan. O livro “Ao Redor de um Ideal”, de Eutíquio Fusciano, publicado com a chancela da Câmara Municipal de Santa Cruz, é um dos documentos que podem ser consultados. Encontra-se aberta às Quintas-feiras, por volta das 18 horas.

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Grupo Folclórico da Camacha
Grupo Folclórico da Camacha

Casa do Povo da Camacha

Fundada em 1937, esta instituição de utilidade pública continua a ser uma das principais ferramentas de divulgação e preservação da cultura tradicional camachense. Acolhe 15 grupos dedicados às áreas culturais, de lazer e desportivas. Para além de ser responsável pela organização de vários eventos de cariz diverso, promove exposições, palestras e seminários. Das instituições que acolhe destaque para os Encontros da Eira (grupo de música tradicional), o Teatro Experimental da Camacha, o Grupo Folclórico da Camacha e o Grupo Coral. A diversidade e pujança cultural da freguesia justificam em grande medida o epíteto de capital da cultura tradicional da Madeira, comummente associado à Camacha.

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Igreja Nova da Camacha
Igreja Nova da Camacha

Igreja Nova da Camacha

Inaugurada em 1997, esta igreja, dedicada a São Lourenço, de construção moderna impõe-se pela disposição radial dos assentos e pelos majestosos pilares, em número de sete, os quais representam os sete Sacramentos instituídos por Jesus Cristo. O seu interior guarda a primeira pedra, benzida pelo Santíssimo Papa João Paulo II, em 1991, aquando da sua visita à Madeira.

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Igreja Matriz da Camacha Foto_Rui Marote. 2007
Igreja Matriz da Camacha
Foto_Rui Marote. 2007

Igreja Matriz da Camacha

A construção deste imóvel dedicado ao culto católico data do século XVII. Trata-se de uma estrutura arquitectónica com planta longitudinal de nave única e capela-mor. Completam o conjunto, uma torre sineira e duas capelas laterais. Como elemento decorativo destaca-se a tela do retábulo da capela-mor, ali colocado no ano de 1914 e com provável autoria dos Irmãos Bernes. Aquando da sua recuperação descobriu-se que a mesma tapava outra tela, a original, provavelmente da autoria de Nicolau Ferreira.

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Banda Paroquial de São Lourenço. Fonte: www.paroquiadacamacha.com
Banda Paroquial de São Lourenço. Fonte: www.paroquiadacamacha.com

Banda Paroquial de São Lourenço

Fundada em 1973, pelo pároco António Joaquim Figueira Pestana Martinho. Ao seu lado esteve o primeiro ensaiador e maestro, o professor Raul Gomes Serrão, seguido pelo maestro José da Costa Miranda. Por ter sido fundada sob a égide da Igreja Paroquial da Camacha a banda recebeu o nome do padroeiro da freguesia (São Lourenço). Registe-se ainda o facto de ter sido das primeiras bandas em solo português a adoptar elementos do sexo feminino na sua formação. O estandarte ostenta as cores vermelhas (o sangue derramado por São Lourenço) e o branco (evocativo da sua santidade) e no centro a lira musical bordada a ouro, ladeada pela grelha e pela palma.

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Textos: César Rodrigues

Fotos: Rui Camacho

água de pena

Lançarote Teixeira mandou construir a capela chamada de Santa Beatriz, o mesmo nome de sua esposa, tendo em seu lugar sido erguida, em 1745, a igreja que adoptou a mesma denominação. Quase na outra extremidade da freguesia, ergue-se no arvoredo do sítio dos Cardais a Capela do Sagrado Coração de Jesus. Aqui apanhamos a Levada Nova do Poiso, que passa por campos de cultivo, paredes-meias com os Fontanários e o Lavadouro Público desenhado por Chorão Ramalho. Desemboca bem perto do Miradouro Francisco Álvares de Nóbrega, considerado por Horácio de Bento Gouveia como o maior poeta madeirense do século XVIII. Sobranceira ao mar, perto do aeroporto, a Fonte do Seixo, que segundo se julga é a mesma fonte narrada por Gaspar Frutuoso onde os descobriram se deliciaram com uma água límpida e fresca, tão leve que chamaram ao sítio Água de Pena.

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Igreja de Santa Beatriz
Igreja de Santa Beatriz

Igreja de Santa Beatriz

Construída no ano de 1745, no local onde antes existia a Capela de Santa Beatriz, e onde segundo as crónicas, daqui cresceu a freguesia. Foi mandada construir por Lançarote Teixeira, que lhe deu o nome da Santa Beatriz, por ser o mesmo da sua esposa. A fachada principal ostenta a cantaria regional, de basalto, e no cimo da mesma, uma Cruz de Cristo. No último domingo de julho realiza-se uma festa popular em honra de Santa Beatriz e que tem nesta igreja o seu epicentro.

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Capela Sagrado Coração de Jesus
Capela Sagrado Coração de Jesus

Capela do Sagrado Coração de Jesus

Situada no centro de uma frondosa vegetação é atualmente um local de meditação procurado pela população e onde inúmeros romeiros veneram Nossa Senhora de Fátima. Comprovando a importância do culto diga-se que atual Capela foi recuperada a custos da população. No entanto, a fundação da Capela data de 1907, por iniciativa do cónego Henrique de Bettencourt. A partir deste ponto temos acesso à Levada Nova do Poiso, a qual atravessa a freguesia, até ao complexo turístico da Matur, atualmente espaço de residências.

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Caminho da Fonte d Seixo
Caminho da Fonte d Seixo

Fonte do Seixo

A origem do nome da freguesia supostamente encontra-se associada ao episódio da descoberta da mesma, narrado pelo cronista Gaspar Frutuoso e provavelmente com ligação a esta fonte natural. Na sua busca inicial, os descobridores encontram uma fonte de águas límpidas e frescas, com a qual mataram a sede. Supõe-se que a origem do nome deriva da corruptela de “Água de Penha”, ou seja a água a brotar de uma rocha. O frontispício data de 1903.

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Fontanário e Lavadouro Público
Fontanário e Lavadouro Público

Fontanários

Testemunho de uma época em que água potável era disponibilizada apenas nestes espaços públicos, os quais revestiam-se também de importância social, dado que as idas à fonte se constituíam como momento de reforço da identidade da comunidade. Ficava-se a par das novidades e descobriam-se amores, como narrado pela canção popular “Canção da Fonte do Seixo”. Perderam a sua relevância com o desenvolvimento da rede de água potável em meados do Séc. XX, a qual passou a fazer a distribuição em cada casa.

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Lavadouro Público
Lavadouro Público

Lavadouro Público

Este imóvel, cuja traça aponta para a autoria de Chorão Ramalho, importante arquitecto modernista português, caracteriza-se pelo minimalismo modernista. Para além do valor arquitetónico, este imóvel é um testemunho da vivência comunitária do passado. Além do valor utilitário, enquanto se lavavam as roupas trocavam-se as novidades e debatiam-se diversos assuntos de interesse comum.

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Miradouro Francisco Álvares de Nóbrega
Miradouro Francisco Álvares de Nóbrega

Miradouro Francisco Álvares de Nóbrega

Para além da vista soberba sobre o vale de Machico, que faz com que seja uma paragem obrigatória, celebra igualmente o poeta nascido na cidade de Machico, em 1772, o qual foi considerado pelo escritor madeirense Horácio Bento de Gouveia como o maior poeta ilhéu do Séc. XVIII. A sua obra, constituída principalmente por Sonetos e Glosas, é considerada um dos maiores exemplos da Literatura de cordel madeirense. Gravado na eterna pedra encontra-se o poema dedicado à sua terra.

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Posto de Transformação Chorão Ramalho
Posto de Transformação Chorão Ramalho

Posto de transformação Chorão Ramalho

Construído entre 1946 e 1970, da autoria do célebre arquitecto Chorão Ramalho, estes postos de reforço de electricidade, com a mesma arquitectura pontuam a ilha, tornando-se um registo típico da paisagem humanizada da Madeira criada no século XX. A forma paralelepipédica com as fachadas cegas, à excepção do alçado principal, tem a aplicação da sempre presente pedra basáltica, revelando a preocupação do arquitecto em integrá-lo na tradição arquitectónica do arquipélago.

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Canavial
Canavial

Levada Nova do Poiso

O percurso inicia-se na Quinta do Serrado das Ameixieiras, passa pela Capela dos Cardais, pela Igreja Matriz de Água de Pena e termina no complexo habitacional da Matur. Atravessando toda a freguesia num terreno em bom estado e sem abismos, proporciona um agradável passeio com o mar como fundo. Um percurso que permite descobrir o luxuriante património natural da localidade.

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Textos: César Rodrigues

Fotos: Rui Camacho

porto da cruz – pelo centro da vila

Este roteiro convida a um passeio a pé pelo centro da vila. Estes passos em volta guiam-nos entre o sagrado e o profano, no registo que é próprio do Porto da Cruz. Passamos pela Igreja Matriz, desenhada pelo arquitecto Chorão Ramalho, mostra-nos os quadros da Via-sacra, da autoria de João Gomes Lemos, natural da freguesia. No engenho, que ainda hoje labora, explica-nos a azáfama que marcava a vida da vila e de todo o Porto da Cruz nos meses da safra da cana-sacarina. Percorremos o Caminho do cais, e de curso subimos ao fortim, onde ficamos a conhecer a paisagem e a história da vila. Junto ao cais chama-nos a atenção para as rochas, as grutas, utilizadas como armazéns, e conta-nos a lenda da furna do negro. Passámos pelo centro histórico, onde nos esclarece sobre a epopeia do vinho, a produção, o armazenamento e o transporte para o Funchal. Segue-se o Solar do antigo engenho e, por último, a Associação Flores de Maio, para nos dar acesso à tradição, ao Charamba e muito mais.

 

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Associação Flores de Maio
Associação Flores de Maio

Associação Flores de Maio

A Associação Flores de Maio é a grande entidade cultural do Porto da Cruz. Na sua sede é possível ver alguns instrumentos tradicionais madeirenses, assistir a vídeos, ver fotografias sobre o património e mesmo assistir a alguns ensaios de música tradicional.

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Solar e ruínas do engenho
Solar e ruínas do engenho

Solar e ruínas do Engenho

O Solar do Engenho e as ruínas do antigo engenho de cana-de-açúcar, edificado no final do século XVIII. Pode observar-se a imponente chaminé que estoicamente subsiste. Esta é construída em alvenaria de pedra basáltica apresentando ainda vestígios de argamassa de cal. Ali foi filmada parte da célebre série televisiva dos anos 80, Manuel na ilha das Maravilhas, produzida por Raul Ruiz.

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Armazéns de vinho
Armazéns de vinho

Centro histórico do Porto da Cruz: armazéns de vinho

Se nos territórios do sul se produz o internacionalmente afamado vinho Madeira, as terras do norte são a origem da maior parte do vinho consumido pela população da ilha, conhecido localmente como “vinho seco”. Do Porto da Cruz é originário o vinho “americano”, um dos mais afamados vinhos deste tipo. Nestes armazéns armazenava-se o vinho antes de ser transportado de barco para a cidade do Funchal.

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Praça do Peixe
Praça do Peixe

Centro histórico do Porto da Cruz: praça do peixe

Construído no início do séc. XX, é constituído por dois corpos independentes, um de planta rectangular e outro de planta quadrangular. O principal, erguido em alvenaria rebocada a cal apresenta duas portas viradas a Sul e uma porta virada a Norte com molduras de cantaria rija, possuindo cobertura de quatro águas em telha de meia cana. O outro é constituído por quatro pilares de cantaria cinzenta, feitos num único bloco, que suportavam um telhado de quatro águas em telha de meia cana. A antiga praça é rodeada por um muro em alvenaria que na parte Oeste dá lugar a uma balaustrada. O chão é calcetado com o tradicional calhau rolado do mar.

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Furna do Negro
Furna do Negro

Furna do Negro

Ponto de interesse geológico, dado que é possível observar a estratigrafia da matéria vulcânica. Noutro sentido, as grutas presente em parte da encosta que ladeia o caminho, fornecem um exemplo do modo como o Homem usou o meio natural para as suas actividades na ilha. Para além de terem sido usadas como residência pela população mais pobre, ainda hoje são utilizadas para servirem de currais para os animais. Segundo tradição oral, foram utilizadas como cadeia.

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Fortim do Pico
Fortim do Pico

Fortim do Pico

Para se protegerem dos ataques de corsários, a população fortificou a costa com pontos de vigia e de defesa. Neste pico havia um forte mandado erguer pelo Governador do Arquipélago da Madeira Duarte Sodré Pereira, nos finais do Séc. XVIII. Estas bonitas ruínas são o que resta da casa da guarda e residência do Contestável do Forte. A subida do pico, até às ruínas, é compensada pela bonita vista da Vila do Porto da Cruz, donde podemos apreciar o casario e os campos de cultivo.

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Engenho do porto da Cruz
Engenho do porto da Cruz

Engenho do Porto da Cruz

Construído no ano de 1927, é propriedade da Companhia dos Engenhos do Norte. Constitui um belo exemplar da época em que o Porto da Cruz possuía vários engenhos ligados à produção da cana-de-açúcar. Em excelente estado de conservação, labora ainda nos dias de hoje com as máquinas a vapor originais. Encontra-se aberto para visitas entre a Segunda-feira e Sábados, das 8 às 17 horas.

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Igreja Paroquial
Igreja Paroquial

Igreja Paroquial

Sendo de construção recente (1958), a Igreja matriz alberga no seu interior alguns pormenores muito interessantes no que respeita ao património imaterial e móvel. No interior, observa-se um moderno lambril de azulejos com padrões do prestigiado artista Querubim Lapa. O templo guarda ainda alguns elementos decorativos barrocos provenientes da antiga igreja de Nossa Senhora de Guadalupe. Uma Nossa Senhora de Guadalupe (séc. XVI ou XVII, em madeira policromada) e um Santo António (em terracota). Os quadros da Via-sacra são de autoria de João Gomes Lemos, de pseudónimo “Melos”, médico natural da freguesia. É uma obra do Arquitecto Raul Chorão Ramalho.

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Textos © César Rodrigues

Fotos © Rui A. Camacho

cooperação entre madeira, lisboa e paris oficializada no salão nobre do governo

Foto: Joana Sousa / ASPRESS
Foto: Joana Sousa / ASPRESS

No passado sábado, 14 de Maio, celebrou-se a assinatura do protocolo que se dispõe criar o Instituto de Altos Estudos para a Globalização, Arte e Tecnologia, uma iniciativa realizada entre Apca Madeira– Agência de Promoção da Cultura Atlântica; ARDITI – Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação, Universidade Aberta/Cátedra Infante Dom Henrique e a Universidade de Paris 2 – Panthéon-Assas/Sorbonne Universités. O evento que ocorreu no Salão Nobre do Governo Regional da Madeira, teve início com a intervenção dos vários membros dos organismos signatários do protocolo celebrado onde se contaram as presenças do Reitor da Universidade de Paris 2 e do Magnífico Reitor da Universidade Aberta, Prof. Dr. Paulo Dias numa cerimónia presidida pelo Presidente do Governo Regional da RAM, Dr. Miguel Albuquerque com a presença de mais dois membros do Governo Regional, Dr. Sérgio Marques, Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus e Dr. Jorge Carvalho, responsável da Educação na Região, e ainda com a vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Drª Fernanda Cardoso, em representação deste órgão de soberania.

Após a assinatura do protocolo foi a vez do pelo Prof. Dr. Fabrice D’Almeida dar início à conferência “Terrorisme, propagande et mondialisation”. Historiador francês, especialista da temática da propaganda e manipulação social pela imagem, Fabrice d’Almeira é um antigo membro da Escola Francesa de Roma, Professor na Universidade de Paris II Panthéon Assas, e no L’Institut Français de Presse. É também director do “Médias et Mondialisation” do IFP. O seu trabalho incide nas temáticas da cultura e iconografia política. É ainda co-fundador do grupo de estudo sobre imagens estáticas e dirigiu de 2006 a 2008 o Instituto de História Contemporânea.

A APCA e a ARDITI agradecem a todos os que compareceram na assinatura do protocolo e conferência, um acontecimento deveras importante para o desenvolvimento do sistema educativo, científico e cultural regional, estendendo horizontes e novas oportunidades para a Região Autónoma da Madeira.

16.05.2016

porto da cruz – passeio pela freguesia

Ao percorrer os casais circunvizinhos da vila do Porto da Cruz fazemo-nos acompanhar pelo verde dos campos, pelas atividades relacionadas com a agricultura e pelo imaculado branco dos solares e das capelas. Na Referta, o Solar erigido por Manuel Telo Moniz de Menezes e no Lombo dos Leais, o que foi propriedade de Alfredo Vasconcelos de Freitas Branco, Visconde do Porto da Cruz e incontornável personagem madeirense, como o Borracheiro, monumentalizado por Jacinto Basílio, um artista e um género de novo artesão, por onde também passamos. Ainda na Cruz da Guarda, recebe-nos na sua pequena oficina o Srº José de Freitas Vieira rodeado de colheres de pau, rapadores de porcos e pelos mexelhotes (“caralhinhos”) com que se faz a poncha. A caminho da imponente Penha d’Águia, onde cruzamo-nos com a lenda de D. Sebastião, paramos no Aqueduto do Serrado e já na Terra Baptista, vamos conhecer a Levada do Castelejo, mote para descobrir a grandiosidade dos canais de rega da ilha.

 

 

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Solar da Referta
Solar da Referta

Solar da Referta

Erigido em 1770 por Manuel Telo Moniz de Menezes, membro pertencente a uma das famílias aristocráticas do Porto da Cruz, oferece soberba panorâmica sobre a vila. Destaque para a capela contígua, inicialmente dedicada a S. Brás, depois a Nº Sr.ª de Belém, e actualmente a Nª Sr.ª do Socorro.

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Aqueduto
Aqueduto

Aqueduto

Das serranias recolhia-se a água necessária aos campos de cultivo e à subsistência. O seu transporte até aos agregados populacionais era realizado através de levadas, mandadas construir por privados, portugueses e ingleses, e pelo sector público. Esta marca na paisagem, com os seus canais em territórios abertos, os túneis e os aquedutos, deixou-nos aqui um exemplo neste belo aqueduto em que o emprego de cantaria vermelha lhe confere nobreza e dignidade.

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Levada do Castelejo
Levada do Castelejo

Levada do Castelejo

Com origem no Ribeiro Frio e com passagem pelo sítio da Terra Baptista (onde se deve iniciar o seu percurso). Atravessando serras e vales, é um exemplo das estruturas construídas pelo Homem na ilha para suprir a escassez de água nas zonas habitadas. O seu percurso proporciona vistas soberbas sobre o território humanizado, como os campos cultivados com o famoso vinho “americano”, e a paisagem natural, onde se pode observar as espécies de flora indígena. A entrada faz-se pelo Caminho da Terra Baptista, seguindo depois pelo Caminho do Moinho.

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Penha d'Águia
Penha d’Águia

Penha d’Aguia (percurso pedestre)

Com início no Sítio da Cruz (Caminho da Cruz), este percurso pedestre (duração aproximada de 2 horas), que requer alguma atenção em termos de segurança, leva-nos ao cimo da Penha d’ Águia, de onde dos seus 590 m nos deliciamos com a vista sobre o Porto da Cruz e povoações vizinhas. Sobre a Penha d’ Águia reza a lenda que a espada de D. Sebastião, aqui cravada por um “génio”, aguarda por um homem forte para se desprender da terra.

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Solar do Lombo dos Leais
Solar do Lombo dos Leais

Solar do Lombo dos Leais

Este edifício senhorial, construído no início do século XVII, é constituído por um corpo principal de dois pisos e uma construção anexa, actualmente em ruínas. O edifício principal é construído em alvenaria de pedra rebocada e tem uma cobertura de quatro águas em telha de meia-cana com duplo beiral. A sua importância histórica é reforçada pelo facto de ter sido residência dos viscondes do Porto da Cruz. Um dos seus titulares, de seu nome Alfredo António de Castro Teles de Meneses de Vasconcelos de Bettencourt de Freitas Branco (1890 – 1962), foi uma importante figura do estudo etnográfico e das letras da Madeira.

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"O Borracheiro"
“O Borracheiro”

“O Borracheiro”

Escultura de Jacinto Rodrigues alusiva ao Borracheiro, uma das principais figuras da etnografia do Porto da Cruz. Através de veredas e levadas, transportavam o vinho produzido na freguesia até à costa Sul, numa distância de 20 Km. O néctar era acondicionado em sacos de 70 litros feitos de pele de Cabra, conhecido como Borrachos, do qual deriva o nome que se deu ao transportador. Estes utilizavam o Búzio, com o qual produziam os sons com que se faziam anunciar.

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Peças de Jacinto Rodrigues
Peças de Jacinto Rodrigues

Artesão Jacinto Rodrigues

Jacinto Rodrigues é o exemplo da possibilidade de reinvenção da tradição e adequação à contemporaneidade. Para além de esculturas, as quais se encontram presentes um pouco por todos os concelhos da Madeira, Jacinto Rodrigues constrói diversas peças em Madeira, motivos decorativos e mobiliário. Neste espaço pode vê-lo trabalhar e pode inteirar-se das peças produzidas. Por outro lado, pode verificar a conjugação efectiva entre duas práticas do trabalho manual, e que caracterizam o meio rural: o trabalho artesanal e a agricultura, ambas praticadas por Jacinto. Segundo ele, a agricultura proporciona-lhe momentos de descontracção intelectual.

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Artesão José de Freitas Vieira
Artesão José de Freitas Vieira

Artesão José de Freitas Vieira

Artesão há mais de 20 anos, José de Freitas Vieira é uma das figuras mais conhecidas na ilha no que concerne aos trabalhos realizados em madeira. Na sua pequena loja é possível observá-lo a trabalhar, enquanto bebericamos um vinho americano ou uma aguardente de cana produzidos pelo próprio, e podemos constatar as peças produzidas, como o tão conhecido mexelhote (peça em Madeira utilizada para misturar os ingredientes com que se faz a “Poncha”), colheres de pau, arcos de rapar porcos, cabos de enxada, artefactos de decoração ou “o jogador” (utensílio utilizado para dar o primeiro golpe na matança das vacas. Cada peça é acompanhada por uma história.

 

 

Textos © César Rodrigues

Fotos © Rui A. Camacho

josé eduardo franco eleito membro da academia portuguesa da história

Tomada de posse na AcademiaO coordenador científico do projeto Aprender Madeira foi recentemente eleito membro da Academia Portuguesa da História.

O historiador madeirense José Eduardo Franco foi eleito académico da Academia Portuguesa da História, tendo tomado posse com a imposição do colar de académico desta histórica academia no passado dia 6 de janeiro de 2016.

A Academia Portuguesa da História é uma instituição científica de utilidade pública fundada em 1938 e “descende” da mais antiga Academia Nacional – a Academia Real da História Portuguesa, fundada por D. João V em 1720. Reunindo especialistas que se dedicam à reconstituição documental e crítica do passado, materializada na organização de eventos e publicações, nomeadamente de fontes e obras que, com o necessário rigor científico, facilitem a todos os portugueses o conhecimento da sua História, esta entidade assume-se como a “guardiã da História d e Portugal”, objetivando igualmente a respetiva cultura e conhecimento, como garante de identidade nacional. É igualmente o órgão consultivo do Governo na matéria da sua competência.

A presente eleição é o reconhecimento dado a um madeirense pelo trabalho desenvolvido ao serviço da historiografia portuguesa, na linha de outros que mereceram esta distinção como foi o caso do responsável pelo Elucidário Madeirense, Fernando Augusto da Silva.

Tomada de posse na Academia 2Nascido em Machico, José Eduardo Franco, coordenador científico do projeto Aprender Madeira, que está a conceber e que editará o Novo Dicionário Enciclopédico da História e Cultura da Madeira (aprendermadeira.net), é Professor-Doutor com equiparação a Professor Catedrático da Universidade Aberta, Diretor da Cátedra Convidada FCT/Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares e a Globalização (FCT/Universidade Aberta/CLEPUL/APCA) Da vasta obra destaca-se: “História da Cultura na Época Moderna”, Lisboa, CLEPUL, 2015, “Padre António Vieira e le Donne”. – “Il mito barocco dell’universo femminile”, escrito em coautoria com Isabel Morán Cabanas, “Lanuvio, Aracne Editrice”, 2013, “O Mito dos Jesuítas em Portugal e no Brasil, Séculos XVI-XX”, 2 Vols., Lisboa, Gradiva, 2006-2007 e “O Mito de Portugal”, Lisboa, FMMVAD/Roma Editora, 2000.

A juntar à lista mencionada, destaque para a obra ontem apresentada em Lisboa que compila toda a História do Banco Montepio Geral intitulada “Sob o Signo do Pelicano – História do Montepio Geral (1840 – 2015)”. A investigação – traduzida numa obra com mais de 600 páginas – revela histórias, factos e personagens da Associação Mutualista Montepio, instituição que assume, ao longo de quase dois séculos, um papel incontornável na história social e financeira do nosso País. O livro, que constitui um indiscutível contributo para a preservação da memória da Instituição, contou com a apresentação de Guilherme Oliveira Martins.

Montepio Geral Montepio Geral 2

 

 

 

 

 

 

 

edições aprender madeira no salão nobre da cidade

Será apresentada na próxima segunda-feira, 19 de Outubro às 17 horas no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal mais uma edição no âmbito do projeto Aprender Madeira – Edição do Novo Dicionário de História da Madeira, promovido pela Agência de Promoção da Cultura Atlântica.

“A Igreja Católica e o Nacionalismo do Estado Novo” do historiador madeirense Gabriel de Jesus Pita contará com a apresentação de outro madeirense também historiador recentemente galardoado com a Medalha de Mérito Cultural e coordenador científico do projeto Aprender Madeira, o Professor Doutor José Eduardo Franco.

A obra ora publicada é, no esssencial, a dissertação de mestrado em História Contemporânea defendida pelo autor em 1995, e pretende ser um contributo para a compreensão daquela que foi a relação da Igreja Católica Portuguesa perante a instituição do Estado Novo em Portugal, tomando como objeto de estudo “a controversa questão do relacionamento da Igreja Católica com os nacionalismos europeus, entre as duas guerras mundiais, e de modo especial, o do Estado Novo em Portugal (…) nas décadas de 30 e 40” do século XX. Resultante de um estudo aprofundado sobre a temática, a obra revela uma abordagem inovadora tendo o seu foco na questão nacionalista da ideologia salazarista e o confronto interno que a Igreja teve de resolver face às recentes deliberações do Vaticano que condenavam os regimes fascistas e comunistas.

Gabriel de Jesus Pita nasceu na freguesia dos Canhas, concelho da Ponta do Sol. Foi funcionário público e bancário antes de completar a licenciatura em História pela Universidade de Lisboa em 1980 e de na mesma instituição haver concluído o mestrado em História Contemporânea em 1995. Dedica-se à investigação na área da História Contemporânea tendo sido professor do ensino secundário de 1978 a 2011. Participou em diversas publicações entre as quais as revistas Atlântico e Islenha e o Diário de Notícias do Funchal. Publicou História da Madeira com a coordenação de Alberto Vieira e a colaboração de Emanuel Janes (2001); A freguesia dos Canhas, um contributo para a sua História (2003); Padre João Vieira Caetano, Notas Históricas e outras estórias da Ponta do Sol (2007) e A Freguesia dos Canhas, um olhar da História (2011). Colabora atualmente como autor de várias entradas para o Dicionário Enciclopédico da Madeira, coordenado por José Eduardo Franco.

A Igreja Católica e o Nacionalismo no Estado Novo

Gabriel de Jesus Pita
Gabriel de Jesus Pita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

cátedra infante d. henrique apresentada nos açores

CátedraDepois das cidades do Funchal e Lisboa, eis que a recém-constituída Cátedra Infante D. Henrique será agora apresentada em Angra do Heroísmo, Ilha Terceira no próximo dia 20 de novembro às 21:00h no Salão Nobre da Câmara Municipal da mesma cidade.

A Cátedra Infante D. Henrique para os Estudos Atlânticos e a Globalização é uma cátedra FCT acolhida pela Universidade Aberta através do CLEPUL  (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) e com a participação da Agência de Promoção da Cultura Atlântica e do Instituto Açoriano de Cultura.

Neste âmbito, será anunciado o primeiro evento integrado nesta Cátedra – O Congresso do Espírito Santo a decorrer já em janeiro de 2016, contando com a presença do Pró-Reitor da Universidade Aberta, o Prof. Dr. Relvão Caetano, o Prof. Dr. José Eduardo Franco, Diretor do CLEPUL e os responsáveis pelas agências das Ilhas Atlânticas participantes, APCA e IAC, João Maurício Marques e Paulo Raimundo, respetivamente.

Abaixo, assista à comunicação do Magnífico Reitor da Universidade Aberta, Prof Dr. Paulo Dias a quando da apresentação da CIDH na cidade do Funchal no passado dia 21 de julho.