associação dos amigos do parque ecológico do funchal

A Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal (AAPEF) foi criada em 2002, sendo o seu fundador José Raimundo Gomes Quintal, licenciado em Geografia, assumindo desde então a presidência da Associação, cargo que mantém ainda em 2016.

Trata-se da primeira associação madeirense reconhecida como Organização Não-Governamental de Ambiente (ONGA n.º 99) de âmbito local. Os objetivos da AAPEF inserem-se no âmbito da conservação da natureza e manutenção da biodiversidade insular, com especial incidência na flora endémica do arquipélago da Madeira, essencialmente a que se desenvolve nas maiores altitudes da ilha.

O início da atividade desta Associação centrou-se no topo do pico do Areeiro, aos 1800 m de altitude e um dos mais altos da ilha da Madeira, onde foi desenvolvido um notável trabalho, contínuo, de plantação de espécies endémicas características daquela zona, como forma de suster o acelerado fenómeno erosivo aí patente, consequência do pastoreio desordenado de ovinos e caprinos que ao longo de séculos comprometeu o coberto vegetal, ao que se juntaram os episódicos e cíclicos incêndios devastadores. Paralelamente, as plantas lá instaladas funcionariam como espécies difusoras, de modo a favorecer a regeneração natural das áreas circunvizinhas. Os trabalhos de plantação foram, e continuam a ser, executados pelos associados e por um grande número de voluntários que aos fins de semana sobe ao alto da montanha.

Paulatinamente, a zona intervencionada foi recuperando o seu coberto vegetal originário, constituindo-se como um verdadeiro “oásis na montanha”, de grande valor botânico e estético. As plantas utilizadas para o efeito pela Associação provieram essencialmente dos viveiros do Parque Ecológico do Funchal, propriedade da Câmara Municipal do Funchal (CMF), bem como dos viveiros da Direção Regional de Florestas.

A sede oficial da AAPEF situa-se num pequeno imóvel localizado nos Jardins Públicos do Monte, cedido para o efeito pela CMF. Em 2005, a Associação adquiriu os terrenos do denominado Montado do Cabeço da Lenha, localizado entre o Poiso e o pico do Areeiro, contíguo ao Parque Ecológico do Funchal, onde veio a instalar o Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha. Como infraestrutura de apoio, utilizou um antigo abrigo de montanha aí existente, propriedade do médico madeirense Rui Gomes da Silva, grande desportista e alpinista abnegado nas montanhas da Madeira. Neste Campo de Educação Ambiental, os associados e simpatizantes procederam à remoção das espécies invasoras aí presentes, principalmente eucalipto e giesta, substituindo-as por espécies da flora indígena madeirense. Foi também instalado neste espaço um viveiro de reprodução de plantas indígenas, destinadas aos trabalhos de plantação levados a cabo pela AAPEF.

O grande incêndio ocorrido na Madeira em agosto de 2010 afetou seriamente a área que vinha sendo intervencionada pela Associação na zona do pico do Areeiro, como também reduziu a cinzas as instalações do Campo Ambiental do Cabeço da Lenha e a área circundante. Tudo teve então de recomeçar praticamente do ponto de partida inicial.

Paralelamente às ações de plantação e recuperação da biodiversidade, no terreno, a AAPEF desenvolve uma atividade regular de ações de divulgação e sensibilização junto das escolas e da comunidade insular, através da realização de conferências, palestras, concursos literários e de fotografia. São no entanto as atividades de caminhadas pela natureza, organizadas regularmente, através de levadas e de veredas, que levam os associados e simpatizantes ao contacto com a floresta Laurissilva madeirense, os ecossistemas de montanha e o mundo rural insular. Essas jornadas lúdico-pedagógicas assumem-se como veículo primordial do conhecimento e da divulgação da biodiversidade e da identidade cultural madeirense.

Logotipo da AAPEF

Do logotipo da Associação faz parte o poço da Neve, o único atualmente existente na Madeira, no topo do Parque Ecológico do Funchal, que em tempos servia para armazenar a neve caída no inverno, a qual era então transportada para a cidade do Funchal para servir como gelo nas unidades hoteleiras e nos hospitais. O outro elemento integrante do logotipo representa uma folha de árvore Laurácea, característica da floresta Laurissilva da Madeira.

Henrique Miguel de Figueiredo da Silva da Costa Neves

Ana Virgínia Arrôbe Valente da Silva

(atualizado a 24.03.2016)