camacha – pela natureza

Embora não se tenha até hoje comprovado a veracidade da informação, diz-se que foi no Sítio dos Salgados que terá sido edificada a primeira capela da freguesia, mandada construir por Francisco Gonçalves Salgado, daí o nome do lugar, e que esta terá sido a primeira sede paroquial da freguesia da Camacha, quando esta se separou do Caniço. A Camacha subiu ainda mais até à alta montanha. De caminho, entre os Salgados e o Poiso foram crescendo belas quintas, construídas pelos britânicos enamorados pelo clima relativamente parecido ao da sua terra de origem, os quais tiveram papel relevante na construção de algumas levadas. Para além das quintas com jardins faustosos encontramos unidades agrícolas de pequena dimensão, com as suas casas fielmente representadas no presépio natalício madeirense, os espaços pitorescos do Montado do Pereiro, onde acorrem os madeirenses para os seus piqueniques, e no Rochão um dos principais grupos folclóricos madeirenses.

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Sítio dos Salgados
Sítio dos Salgados

Núcleo arquitetónico dos Salgados

Pela homogeneidade da arquitectura das habitações, o sítio dos Salgados é um testemunho da construção tradicional da freguesia. Segundo uma interpretação histórica terá sido aqui que surgiu a freguesia e o nome da mesma é indissociável deste espaço. A casa senhorial existente, actualmente em ruínas, terá sido propriedade da família Camacho, tendo sido a partir que surgiu o nome da freguesia. Embora seja possível visitá-lo de carro, o acesso sugerido é pelo Caminho Municipal dos Salgados (tomado pelo Largo Conselheiro Aires Ornelas, sendo uma via empedrada e em bom estado de conservação), o qual era a única via para ligar o actual centro da freguesia ao Sítio dos Salgados e à freguesia do Caniço.

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Casas Vale Paraíso
Casas Vale Paraíso

Quinta Vale Paraíso

Constituída por um edifício principal, construído em meados do século XIX, e por outros 9 de dimensões mais reduzidas, transformadas em pequenas residências de férias, as quais mantêm de um modo geral o nome da sua função original. Este espaço oferece ainda amplos jardins compostos por plantas endémicas e exóticas pertencentes a cerca de 220 espécies. A partir desta quinta acedemos, através de uma vereda, à Levada da Serra do Faial.

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Levada da Serra do Faial
Levada da Serra do Faial

Levada da Serra do Faial

Esta infra-estrutura de transporte de água é um excelente exemplo do engenho humano na Madeira para suprir as necessidades de abastecimento de água à costa Sul da ilha, escassa neste recurso essencial. Esta levada foi a segunda a ser construída na ilha com dinheiros públicos e a totalidade dos seus 54 Km parte da serra do Faial. A partir da Camacha podemos partir em direcções opostas (Funchal ou Portela). Em ambos os percursos deparamo-nos com paisagens, sons, flora e fauna de características diversas. (8.5Km)

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Levada dos Tornos
Levada dos Tornos

Levada dos Tornos

A Levada dos Tornos faz parte do sistema de aproveitamento e de gestão da água na ilha da Madeira, infra-estruturas grandiosas que transportam a água do Norte da ilha até ao Sul. Esta levada, por exemplo, é das mais importantes e mais longas da ilha, recolhendo a água na longínqua vila de São Vicente, na costa Norte, atravessando o maciço central, na maior parte do percurso sob as montanhas através de túneis, desemboca na costa Sul próximo do Monte, de onde se divide em dois ramais, um que abastece a cidade do Funchal e outro a costa Sudeste da ilha.

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Poiso
Poiso

Poiso

Situado a 1400 metros o Poiso tem especial interesse pela paisagem e vegetação, em que predomina a Urze, e com a qual se fabricam as tradicionais vassouras, e Uveira, cujos pequenos frutos são comestíveis – os amurfos – proporcionam para além do sabor agradável uma rica fonte em vitaminas, espécies arbustivas indígenas da ilha da Madeira. Antes da construção das novas infra-estruturas rodoviárias este era um dos pontos de passagem na ligação entre a costa Sul e Norte.

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Montado do Pereiro
Montado do Pereiro

Montado do Pereiro

O Parque Florestal do Montado do Pereiro é um excelente espaço onde pode aliar lazer, desporto, caminhadas em percursos florestais, através dos quais poderá ficar a conhecer algumas das mais belas espécies arbóreas, casos do Cedro da Madeira, espécie endémica exclusiva da Madeira e Canárias, Castanheiros, e outras espécies exóticas, que faz do local um espaço bucólico de grande beleza. No Outono, a presença de muitos Castanheiros empresta-lhe uma tonalidade castanha. É um espaço muito procurado pela população, para piqueniques, especialmente ao fim-de-semana e outras festividades, como o 1º de Maio (celebrado nas serras em piquenique).

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Casas tradicionais. Camacha.
Casas tradicionais. Camacha.

Unidade agrícola tipicamente madeirense

Constituída por dois corpos, construídos em pedra aparelhada, sendo a casa principal coberta com cal, ambos com os tão conhecidos telhados de colmo. Estas pequenas casas além de se inscreverem na paisagem dão motivos de decoração dos tão característicos presépios madeirenses, popularmente conhecidos como “Lapinhas”.

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Grupo Folclórico do Rochão
Grupo Folclórico do Rochão

Grupo Folclórico do Rochão

Fundado em 1986, esta instituição de utilidade pública vem desenvolvendo um meritório trabalho em prol da preservação das tradições culturais ancestrais. Destaque para as canções e bailes tipicamente interpretados no Natal. A indumentária do grupo reflecte a vivência na alta montanha, dedicada à pastorícia, nomeadamente o trajo de seriguilha e camisa de estopa, a camisola e o conhecidíssimo barrete de lã de ovelha. Completam o traje os instrumentos de trabalho (bordão, cordas e chocalhos).

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Água de Pena
Água de Pena

Água de pena

A água de pena é um sistema tradicional de repartição de água das levadas. Para além da relevância histórica no sistema de regadio da ilha é um símbolo da importância da burguesia inglesa no desenvolvimento da ilha e na exploração comercial dos recursos madeirenses. É o exemplo da família Blandy que, para além dos interesses empresarias no Vinho, nos bordados e noutros sectores económicos, foi um dos principais impulsionadores particulares do desenvolvimento da rede e dos sistemas hídricos da ilha. Não tendo hoje a importância social e económica de outrora, esta tecnologia rudimentar mas precisa é ainda hoje utilizado em alguns casos, nomeadamente na distribuição de água de rega.

Textos: César Rodrigues

Fotos: Rui A. Camacho