câmara, joão agostinho pereira de agrela e

Investigador no âmbito da Literatura e da História, dedicou-se, com especial ênfase, às pesquisas genealógicas. Nesse sentido, escreveu uma coleção de memórias genealógicas, manuscrita e em 6 volumes, que intitulou Genealogias da Ilha da Madeira.

Palavras-chave: Genealogia; Literatura; História.

Nasceu no Funchal, em março de 1777 e faleceu na mesma cidade em 28 de fevereiro de 1835. Seus pais eram João Agostinho Teles de Meneses e Ana Francisca de Castelo Branco e Câmara, casados em 26 de junho de 1776. Não chegou a contrair matrimónio com Vicência Teles de Meneses Esmeraldo, filha de Cristóvão Esmeraldo Teles e de Maria de Mendonça, uma vez que aquela faleceu na véspera do casamento. Dela teve dois filhos. Casou-se por procuração com Quitéria Francisca Esmeraldo da Câmara, falecida a 25 de Agosto de 1856 em Santa Cruz. Tiveram três filhos: Pedro Agostinho de Agrela e Câmara, Gaspar Agostinho Pereira de Meneses e Maria Antónia, que casou com José Cupertino da Câmara.

Simpatizava com as ideias liberais, tendo sido, por este motivo, preso em 1825 e enviado para Lisboa, onde permaneceu um ano na fragata D. Pedro e outro ano na cadeia do Limoeiro. Regressou à Madeira somente em 1834.

Exerceu a função de escrivão na Câmara do Funchal e foi sócio efetivo da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e das Artes. Possuía, com efeito, a mais importante livraria que no seu tempo houve na ilha da Madeira.

Ao longo da vida, dedicou-se aos estudos literários e históricos e muito em especial às investigações genealógicas, tendo sido um escritor muito estimado.

Teve a iniciativa de, no princípio do séc. XIX, mandar extrair a cópia de Saudades da Terra que veio a servir de texto à publicação que desta obra fez Álvaro Rodrigues de Azevedo em 1873.

É da sua autoria uma coleção de memórias genealógicas, manuscrita em 6 volumes com 2276 folhas, que intitulou Genealogias da Ilha da Madeira e que abrange quase todas as famílias nobres madeirenses, encontrando-se, segundo afirmava Rui Bettencourt da Câmara, na Biblioteca Pública de Ponta Delgada, uma vez que integra o importante fundo de manuscritos que Ernesto do Couto doou à mesma. Em 1873, esse manuscrito encontrava-se na posse do seu filho Pedro Agostinho Pereira de Agrela e Câmara. Supõe-se, todavia, que o trabalho que ali está é composto somente por apontamentos que serviram à preparação da obra, cujo paradeiro se desconhece.

Bibliog.: “Agrela e Câmara, João Pereira de”, in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Lda., s.d., p. 587; CLODE, Luiz Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses: Sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983.

António José Borges

(atualizado a 14.12.2016)