centro de estudos de história do atlântico

«O Centro de Estudos de História do Atlântico, criado pelo decreto legislativo regional n.º 20/85, de 17 de setembro, no âmbito da Secretaria Regional do Turismo e Cultura, é uma instituição de investigação científica que tem por objetivo principal coordenar a investigação e promover a divulgação da História das Ilhas Atlânticas. Os arquipélagos atlânticos (Açores, Canárias, Cabo Verde e São Tomé) estão representados em termos institucionais através da presença de delegados ao Conselho Consultivo» (CEHA, «Conhecer o CEHA»).

A direção da instituição foi sucessivamente assegurada por Alberto Vieira, como presidente da Comissão Instaladora (31/05/1986-20/03/1988); Luís Guilherme de Mendonça Albuquerque, como presidente da Direção (21/03/1988-22/01/1992); Joel Justino Batista Serrão, como presidente da Direção (01/04/1992-26/07/1996); José Pereira da Costa, como presidente da Direção (01/09/1997-19/07/2007); e Alberto Vieira, como presidente da Direção (01/11/2008-31/12/12). A partir desta data, foi requalificado, por decreto regional, como direção de serviços, no âmbito da Secretaria Regional de Cultura, Turismo e Transportes.

«A estrutura funcional do CEHA […] define-se por uma Direção e Conselhos Administrativo, Científico e Consultivo. Os dois primeiros órgãos assumem a coordenação de caráter administrativo, enquanto aos segundos compete a intervenção na área científica. A direção é composta por um Presidente, um Vice-Presidente e um Secretário. O Presidente da Direção é também, por inerência de funções, o Presidente dos Conselhos Científico e Consultivo. O primeiro órgão tem por função coordenar toda a atividade científica da instituição, competindo-lhe a coordenação científica dos projetos de investigação e do plano editorial. Têm assento nesta estrutura todos os técnicos e investigadores com doutoramento, ou prova equivalente, que sejam funcionários da instituição, bem como personalidades de reconhecido mérito científico e académico, convidados pelo respetivo Presidente. O Conselho Consultivo foi criado com o intuito de dar representatividade e capacidade de intervenção a outros espaços insulares próximos do madeirense e que tenham interesse para o trabalho realizado pela instituição. Assim no mesmo têm assento os representantes dos arquipélagos dos Açores, Canárias, Cabo Verde» (CEHA, «Quase vinte e cinco anos…»).

«Em 1986 ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência temática obrigatória sobre a História das Ilhas Atlânticas e, em especial, a Madeira» (CEHA, «Livraria»). «As iniciativas do CEHA têm como ponto de partida a História das ilhas Atlânticas e desenvolvem-se em conferências, colóquios, projetos de investigação e publicação de textos inéditos» (CEHA, «Conhecer o CEHA»); o Centro tem publicado inúmeros textos, com particular incidência em teses de mestrado e doutoramento cujos temas contemplavam a Madeira. A par disso, os diversos colóquios e seminários permitiram a realização de estudos de relevante importância em alguns campos do conhecimento como História do Meio Ambiente, da escravatura, dos municípios, do açúcar e do vinho.

O Centro realizou, desde 1985, múltiplas conferências, que contaram com a presença de destacados historiadores nacionais e estrangeiros, nomeadamente Jean Delumeau, C. A. Medeiros, A. J. Russell-Wood, Charles Verlinden, W. Randles, I. Caracci.

Entre 1986 e 2007, «o Centro organizou quatro colóquios internacionais e colaborou com outras instituições na realização de outros dois, de que resultou a publicação de 6 volumes com mais de quatrocentas comunicações sobre a História das Ilhas Atlânticas. A partir de 1992, foi decidido designar este encontro de Colóquio Internacional das ilhas Atlânticas, passando a sua realização a ser trienal e compartilhada pelas organizações afins e universidades dos arquipélagos dos Açores e Canárias» (Id., Ibid.). Neste período, organizaram-se nove colóquios no Funchal, em Las Palmas, em Angra do Heroísmo e em Florianópolis (Santa Catarina – Brasil): 1986 – Colóquio Internacional de História da Madeira, com os temas: Conexões Atlânticas da Madeira, História Comparada das Sociedades Insulares Atlânticas; 1989 – II Colóquio Internacional de História da Madeira, com os temas: História da Madeira, História das Ilhas Atlânticas, Encontro de Culturas no Atlântico; 1992 – III Colóquio Internacional de História da Madeira, com os temas: Colombo, a Madeira e o Porto Santo, História das Ilhas Atlânticas; 1995 – IV Internacional das ilhas atlânticas (organização da Fundacion Mapfre Guanarteme), com os temas: Comércio, Instrumentos del comercio entre el sistema portuario y mercantil de las islas ibéricas y Caribeñas, Sistema portuario-mercantil de las islas ibéricas e caribeño, Archivos y documentación, Arte y Literatura, Demografia; 1999 – V Colóquio Internacional de História das Ilhas Atlânticas, com o tema: As Ilhas no Domínio do Atlântico; 2000 – VI Colóquio Internacional das Ilhas Atlânticas, com o tema: As ilhas e o Brasil; 2003 – VII Colóquio Internacional das ilhas Atlânticas, com o tema: As Ilhas e os Organismos Regionais – Novas Rotas e Novos Destinos; 2005 – IX Colóquio Internacional de História das Ilhas.

A partir de 1993, foi decidido realizar, nos intervalos dos Colóquios Internacionais, Seminários ou Debates para a abordagem de temas monográficos. No período de 1993 a 2006, efetuaram-se 17 encontros: 1993 – As sociedades insulares no contexto das interinfluências culturais do séc. XVIII; 1994 – O Infante e as ilhas; 1996 – Escravos com e sem açúcar; 1997 – Documentação e Arquivos insulares, com a participação de arquivistas de Madeira, Açores, Canárias, Cabo Verde e S. Tomé; 1998 – Os vinhos licorosos e a História, com a colaboração do Instituto do vinho da Madeira, e universidades do Porto, de Bordéus, de Málaga e de Cádis; O Município no mundo português; 1999 – História e o meio ambiente – o impacto da expansão europeia; 2000 – História e Tecnologia do Açúcar; 2001 – Emigração e Imigração nas ilhas; A autonomia e a história das ilhas; História do município no mundo Português; 2002 – História e Açúcar: a rota do açúcar, os mercados do açúcar; 2003 – O Município no Mundo Português; III Simpósio da Associação Internacional de História e Civilização da Vinha e do Vinho; 2004 – III Seminário Internacional de História do Açúcar, em cooperação com AIHCA; 2005 – As Ilhas e a História da Ciência; 2006 – As Cidades do Vinho.

O CEHA foi pioneiro na utilização dos recursos informáticos na investigação, nomeadamente na criação de bases de dados no domínio das Ciências Humanas, com o projeto NESOS – Base de dados de História das Ilhas Atlânticas, lançado em 1995. Manteve esta aposta no suporte digital, de forma que a sua biblioteca e a de Alberto Vieira, aí depositada, com milhares de volumes, se apresenta, na sua quase totalidade, digitalizada, sendo um importante recurso de apoio à investigação insular. Os conteúdos da base de dados NESOS assentam nos seguintes domínios: E-DOCS: Arquivo digital que reunirá a documentação insular mais importante; E-LIB: Livraria digital com todos os títulos sobre a História e a Cultura das ilhas que tenham entrado no domínio público ou cujos autores autorizem a publicação on-line; E-NEWS: Hemeroteca digital que reunirá todos os jornais e revistas que se publicam ou que cessaram publicação; E-IMAGES: Arquivo digital de imagem para a cartografia, estampas, gravuras e fotografias com valor documental.

Em 2015, as instalações do CEHA situavam-se no Funchal, num edifício do século XVIII, conhecido como Casa Jacquinet. «Esta designação resulta do facto do seu proprietário, nos inícios do século XIX, ter sido Augusto Justiniano da Silva Amorim (1807-1902), filho de Lourenço Justiniano de Amorim, casado com Alexandrina Vasconcelos (1821-?), que era conhecido no Funchal como o Augusto Jacquinet» (Id., Ibid.). «Na área da Direção, mais propriamente na Sala de Reuniões, as paredes estão envoltas em painéis pintados de autor desconhecido. Todavia sabemos da existência de um retrato do seu proprietário, pintado por D. Manuel de la Cuadra, um artista sevillano que viveu na Madeira entre 1897 e 1903. Este pintor, na curta estadia funchalense que antecedeu a sua morte, foi professor da Escola Industrial do Funchal e fez várias pinturas e retratos, entre os quais se inclui o do proprietário deste espaço. […] Ao prédio antigo, adicionou-se, na área do quintal, uma construção nova com espaço para biblioteca de consulta e investigação histórica, um auditório para 96 lugares sentados e uma área de depósito de livros da Biblioteca e de publicações do CEHA. O edifício principal, que faz fachada com a Rua das Mercês, é constituído de 2 pisos e uma torre. O primeiro piso está reservado aos serviços administrativos, enquanto o segundo fica para os gabinetes de investigação […]. No espaço que resta do quintal, fez-se um jardim, onde algumas plantas exóticas convivem com outras indígenas da Madeira. Também se estabeleceu um espaço para um mini-jardim de ervas aromáticas» (Id., Ibid.).

A biblioteca conta com publicações em diversas línguas sobre temas como História da Escravatura, História das Ilhas (Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde), História do Vinho, História do Açúcar, História da Ciência, História Ecológica e do Meio Ambiente, História da Autonomia e História das Instituições Financeiras. Juntam-se a isto vários dossiers temáticos em fotocópia, que serviram de apoio à investigação de diversas matérias (açúcar, vinho, autonomia, instituições, ilhas, escravatura, levadas, água, história da ciência, entre outros), bem como um acervo de fotografias, postais e ilustrações, relacionados nomeadamente com a História e Tecnologia do Açúcar, que resultam de um trabalho de recolha realizado em diversos países no sentido de criar uma base de dados de imagem para apoio à investigação no domínio da História e Tecnologia do Açúcar.

«Em 1986 ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência temática obrigatória sobre a História das Ilhas Atlânticas e, em especial, a Madeira» (CEHA, «Livraria»). Desse plano constam as seguintes coleções: Memórias – estudos monográficos sobre a História das ilhas; a maioria dos textos publicados resulta de teses de mestrado e doutoramento apresentadas nas Universidades portuguesas; Atlântica – estudos de divulgação relacionados com a temática histórica das ilhas atlânticas; Documentos – coleção documentos e corpos documentais sobre a Madeira. História do municipalismo – coleção de estudos comparados sobre a História dos Municípios no Mundo Português. Cana-de-açúcar – coleção criada em colaboração com a Associação Internacional de História e Cana de Açúcar, para divulgar os estudos e reuniões sobre o tema. Separatas – coleção de textos incluídos em revistas, atas de colóquios ou obras coletivas; edições especiais em video e CDRom.

Em 2015, o plano editorial do CEHA contava com as seguintes coleções: Teses – para publicação de teses de licenciatura, mestrado e doutoramento; Debates – para a divulgação dos debates resultantes de conferências, seminários e congresso; Estudos – para estudos especializados desenvolvidos de forma isolada ou no âmbito de linhas e projetos de investigação específicos; Documentos – para divulgação de documentos e textos de autores clássicos; Anuário do CEHA – publicação periódica dedicada a temas especializados sobre as ilhas.

A importância que assumiu o suporte digital no apoio à investigação e divulgação do conhecimento científico levou o CEHA a apostar neste mesmo suporte para o seu plano editorial. Refira-se também a novidade da publicação de um Anuário, que constitui o porta-voz das atividades científicas do CEHA.

«O Anuário do CEHA é um espaço de cruzamento e de diálogo entre diversas áreas do saber, assumindo uma linha editorial de âmbito transdisciplinar. Assim, cada número do Anuário veiculará primordialmente contributos científicos das Ciências Sociais e Humanas – fruto do labor de cientistas e académicos – Ciências Históricas, Geografia, Sociologia, Economia, Antropologia, Etnografia, Psicologia, Musicologia e Ciências da Comunicação, passando também por vertentes do saber como a Ciência Política, o Direito e os Estudos Literários e Linguísticos. Publica-se desde 2009» (CEHA, «Anuário»).

O CEHA dispõe ainda de uma filmoteca, com espécimes em formato microfilme e digital, que reúne a documentação sobre a Madeira existente nos Arquivos Nacionais (Torre do Tombo, Arquivo Histórico Ultramarino e Tribunal de Contas). Os núcleos mais importantes são os do ANTT, onde consta documentação da Alfândega do Funchal, Provedoria e Junta da Real Fazenda do Funchal, Conventos de Santa Clara, S. Francisco e Encarnação e Cabido da Sé do Funchal; e o núcleo do AHU.

O CEHA tem desenvolvido atividades de investigação com a participação de investigadores e professores de instituições e universidades nacionais e estrangeiras. Neste quadro, foram estabelecidos protocolos de cooperação com a Associação Comercial e Industrial do Funchal, com a AIHCA – Associação Internacional de História e Civilização do Açúcar, com o Centro de História da Ciência do SCIC (Madrid), com o Centro Municipal del Patrimonio Histórico (El Puerto de Santa Maria – Andaluzia), com o Conservatório Escola de Artes da Madeira, com a Fundação Joaquim Nabuco, com o GEHVID – Gabinete Coordenador de Educação Artística e Musical (Universidade do Porto), com o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, com o Núcleo de Estudios Atlânticos – Instituto Galego de Estudos de Segurança Internacional e da Paz (IGESIP), com a Real Academia de la História da Republica Dominicana, com a Universidade de Bordéus, com a Universidade de Cádis, com a Universidade de Granada, com a Universidade de La Laguna, com a Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, com a Universidade de Málaga, com a Universidade de S. Paulo, Cátedra Jaime Cortesão, com o Museu Paulista; com o Museu Republicano de Itu; e com a Universidade de Tucuman.

Bibliog.: CEHA, «Conhecer o CEHA»: http://ceha.gov-madeira.pt/CEHA/conhecer_ceha (acedido em 18 fev. 2014); CEHA, «Quase vinte e cinco anos ao serviço da cultura e investigação atlântica»: http://www.madeira-edu.pt/LinkClick.aspx?fileticket=ktq0bnPhcCw=&tabid=1759&language=pt-PT (acedido em 21 maio 2015); CEHA, «Livraria»: http://ceha.gov-madeira.pt/CEHA/livraria (acedido em 21 maio 2015); CEHA, «Anuário»: http://ceha.gov-madeira.pt/CEHA/publicacoes/anuario (acedido em 21 maio 2015); CEHA, Catálogo de Publicações, Centro de Estudos de História do Atlântico: http://www.madeira-edu.pt/Portals/31/CEHA/Livraria/Catalogo_CEHA_2011.pdf. (acedido em 18/02/2014); JANES, E., «Centro de Estudos de História do Atlântico», Jornal da Madeira, 1 out. 2009.

Alberto Vieira

(atualizado a 26.08.2016)