centro de maricultura da calheta

O Centro de Maricultura da Calheta (CMC), também denominado de Centro Manuel Bazenga Marques, situado na frente de mar da Vila da Calheta e inaugurado em outubro de 2000, é uma infraestrutura estabelecida pela Direção Regional de Pescas do GRM, tendo em vista apoiar o desenvolvimento de uma indústria de aquicultura marinha na RAM.

Os objetivos do CMC são: promover a educação em ciência e tecnologias aquáticas; promover a formação e treino em aquicultura; providenciar serviços de extensão aos estabelecimentos de cultura privados; produzir e fornecer juvenis aos estabelecimentos de cultura regionais; apoiar tomadas de decisão do GRM; elaborar estudos e projetos conducentes à melhoria de produção e à diversificação em aquicultura marinha.

As instalações do CMC dividem-se, nos seus diversos edifícios, em área experimental, áreas laboratoriais, área de formação, zonas de maternidade, sala de mergulho, zona de máquinas, armazéns, zonas de gabinetes e administrativa, áreas sociais. Do CMC faz também parte a piscicultura da Ponta da Galé, constituída por quatro jaulas circulares plásticas de 1200 m3 de volume individual útil, com uma capacidade de produção de cerca de 70 t, e uma embarcação de serviço de 7 m de comprimento.

O centro promove semanalmente visitas guiadas e leva até às escolas locais um programa de experimentação com diversos organismos da cadeia alimentar marinha para a divulgação de aspetos da ciência, da tecnologia e da produção aquática.

No que se refere ao apoio técnico do CMC às pisciculturas privadas, este efetua-se pela contribuição dos seus especialistas em áreas de gestão de pisciculturas, tecnologias de cultura, alimentação e nutrição, patologia, monitorização ambiental e outras, assim como, de formação técnica naquelas áreas. O CMC realizou diversos cursos de formação profissional de nível 3 da UE para técnicos de aquicultura e ainda cursos de nível 5 da UE em áreas de maior especialização técnica e científica, todos com apoios de fundos do Fundo Social Europeu.

A maternidade do CMC tem uma capacidade de produção instalada de 400.000 juvenis de 1 g por ciclo de produção. Anualmente, podem realizar-se três a quatro ciclos de produção, sendo a dourada a espécie mais produzida. A produção de larvas e de juvenis de peixe realiza-se de forma semi-intensiva, em grandes tanques de cultura de tipo mesocosmos, o que veio facilitar a conversão do centro ao modo de produção biológico de dourada, em 2014.

O CMC possui um conjunto de infraestruturas e equipamentos que permitem a investigação e posteriormente a aplicação dos resultados destes trabalhos em projetos-piloto para testar a sua validade em escala comercial. Os projetos de investigação do CMC são em larga medida cofinanciados por fundos da UE, permitindo realizar estudos de avaliação de novas espécies locais para a aquacultura (ANDRADE ET AL., 2012), ou pela indústria, caso dos produtores de rações, tendo em vista a experimentação e formulação de novos alimentos (NOGUEIRA ET AL., 2012).

O centro mantém em cativeiro diversos peixes locais para realizar os seus projetos de investigação de novas espécies para a produção comercial, nomeadamente o pargo (Pagrus pagrus), o pargo de antena (Dentex gibbosus), o sargo comum (Diplodus sargos), o charéu (Pseudocaranx dentex), o charuteiro (Seriola spp.) e também, de espécies de interesse para a conservação, caso da espécie protegida mero (Epinephelus marginatus); outra espécie de elevado valor comercial aí mantida e reproduzida é o cavaco (Scyllarides latus).

Bibliog.: ANDRADE, C. A. P. et al., “Mesocosm Hatcheries Using Semi-Intensive Methodologies and Species Diversification in Aquaculture”, Journal of Agriculture Science and Technology, 2 (4B), 2012, pp. 428-437; NOGUEIRA, N. et al., “Inclusion of Low Levels of Blood and Feathermeal in Practical Diets For Gilthead Seabream (Sparus aurata)”, Turkish Journal of Fisheries and Aquatic Sciences, n.º 12, 2012, pp. 1-2.

Carlos Andrade

(atualizado a 06.07.2016)