clode, luiz peter stanton

Filho de Archibald George Clode e de Maria Francelina Crawford do Nascimento, nasceu no Funchal a 1 de abril de 1904. Vivendo a sua infância naquela cidade, concluiu o liceu em 1921, indo depois para Coimbra para frequentar o curso de Matemática na Universidade de Coimbra, que não termina, tendo vindo a concluir, em 1930, a licenciatura em Engenharia Mecânica e Eletrotécnica pela Universidade do Porto. Regressa à sua terra natal, a Madeira, em 1931.

Como profissional, desempenhou, entre outras, as funções de consultor da Corys Madeira Company, chefe da Delegação do Instituto Português de Conservas de Peixe da Madeira e membro da Comissão de Racionamento de Combustíveis da Madeira, tendo, nesta qualidade, recebido um louvor do governador do Distrito Autónomo do Funchal com data de 4 de maio de 1942. Lecionou as disciplinas de Inglês, Físico-Química, Matemática e Desenho Industrial na Escola Industrial e Comercial do Funchal, no Seminário Diocesano e no Colégio Missionário do Coração de Jesus. Foi diretor dos Serviços Industriais, Elétricos e de Viação da antiga Junta Geral, lugar em que se manteve até se reformar, em 1974.

Desenvolveu desde cedo uma grande ligação à música, área para cujo progresso na Madeira contribuiu largamente durante toda a sua vida. No Funchal, aprendeu piano com Cora Alice Cunha e Olga da Cunha e Freitas e, na Universidade de Coimbra, integrou os agrupamentos musicais Orfeão Académico e Tuna Académica. Foi, no entanto, sentado junto do seu emblemático piano Blütner, colocado num recanto da sua residência, que compôs e passou largas horas do seu dia-a-dia.

Num meio aparentemente apático e indiferente às Belas-Letras e Belas-Artes” (GOMES, 2005, 8), Luiz Peter Clode desempenhou um papel particularmente ativo, empenhando-se na divulgação e no ensino da música clássica e criando, em 1943, com o seu irmão William Edward e outras figuras distintas da sociedade madeirense, a Sociedade de Concertos da Madeira (SCMa). Esta instituição, que se empenhou largamente no desenvolvimento da atividade musical, lúdica e académica, cria a Academia de Música da Madeira, que se expande para áreas do saber tão diversas quanto as Belas-Artes e as Línguas. Contrariando a prática adotada pela alta sociedade madeirense durante o séc. XIX e até à primeira metade do séc. XX, que consistia na realização de concertos nos salões de grandes quintas privadas, nomeadamente na Quinta Deão e na Quinta do Pico da Pedra, no Monte, cujo acesso seria naturalmente limitado a um círculo fechado de amigos e conhecidos dos promotores, a SCMa programará tais eventos para o Teatro Municipal no Funchal, abrindo a possibilidade a outros públicos de ouvir grandes concertos de música clássica a preços “populares”. Tendo aumentado as suas áreas de intervenção cultural durante duas décadas, a SCMa afirmou-se como pioneira pela forma e teor dos projetos que desenvolveu. Entre 1948 e 1971, publica a revista Das Artes e da História da Madeira, primeiro como suplemento semanal de O Jornal e, a partir de 1950, como edição própria, podendo ler-se no edital do n1, datado de junho de 1950, o seguinte:Esta publicação que tem em vista arquivar, com absoluta independência, todas as manifestações de arte e os factos e documentos do passado, destina-se também a projetar no futuro a nossa existência atual, evocando o que há de mais característico na nossa Ilha, tanto sob o ponto de vista artístico como sob o aspeto histórico (Das Artes e da História da Madeira, jun. 1950, 1). 

Luiz Peter Clode é autor de inúmeras obras para piano, como Fantasia, Conto de Amor, Fantasia n.º 2 e Tantum Ergo, divulgadas pela SCMa e pela Pró-Arte, associação criada pelo maestro Ivo Cruz. À parte a atividade ligada à música e aos órgãos diretivos da SCMa e instituições que a ela reportavam, Luiz Peter Clode era ainda um cidadão dinamizador de exposições, que cuidadosamente promovia e organizava. Foi ainda impulsionador da criação do Posto Emissor do Funchal e membro da comissão diretiva do Museu Diocesano de Arte Sacra. Publicou trabalhos sobre genealogia, heráldica e património artístico da Madeira. Pertenceu ao Instituto de Coimbra, à antiga Sociedade Portuguesa de Escritores, ao Instituto Genealógico Brasileiro, à Sociedade Histórica da Independência de Portugal, à Academia Brasileira de Ciências Sociais e Políticas de S. Paulo e ao Instituto Português de Heráldica, tendo sido também membro honorário da Academia Palatina de História Helénica de S. Paulo.

É também autor da obra Genealogia de Famílias Madeirenses, que, segundo Freitas, estaria para ser publicada postumamente pela Comissão das Comemorações para os 500 anos da Cidade do Funchal, o que constituiria “uma homenagem que o deixaria muito feliz” (FREITAS, 2005, 9).

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Busto de Luís Peter Clode, Conservatório – Escola Profissional de Artes da Madeira Luiz Peter Clode, 2004.

Luiz Peter Clode morreu em 1990 no Funchal e deixou à Madeira um verdadeiro legado, resultante não só da sua atividade profissional, mas também das obras que produziu nas áreas do conhecimento de que era amante. Ainda em vida, foi agraciado com várias homenagens. Por ocasião da homenagem promovida pela Tertúlia sem Título (jornalistas da Madeira) que teve lugar no Teatro Municipal Baltazar Dias, a 22 de março de 1985, o Diário de Notícias fez a seguinte transcrição das palavras do discurso de António Jorge Andrade: “A história da Cultura é a história dos homens de Cultura. Suas dinâmicas, seus trabalhos, seus empenhamentos, suas desilusões e suas próprias obras. O Engenheiro Luiz Peter Clode é um desses homens!” (DN Funchal, 24 mar. 1985, 14). Destacamos, igualmente, a homenagem póstuma que, em 2004, fez o Governo Regional atribuir o seu nome à instituição do ensino das artes que teve na sua origem a Academia de Música da Madeira, o Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira Luiz Peter Clode. Nos jardins desta instituição, foi colocado em 2006, em sua homenagem, um busto esculpido por sua filha Luiza Clode.

É de ressaltar que, por vontade testamentária de Luiz Peter Clode, “a sua família legou ao Arquivo Regional da Madeira, em dezembro de 2004, um notável acervo, cujas datas extremas são 1801 e 1990” (GOMES, 2005, 6). O seu trabalho foi exposto no ano de 2005 numa exposição organizada para o efeito.

Obras de Luiz Peter Stanton Clode: Registo Genealógico de Famílias que Passaram à Madeira (1952); Registo Bio-bibliográfico de Madeirenses: Sécs. XIX e XX (1983).

Bibliog.: BARROS, Rogério, O Teatro Municipal Baltazar Dias. Estudo sobre a Produção e a Realização de Espectáculos na Área da Música Clássica (1943-1974), Dissertação de Mestrado em Gestão Cultural apresentada à Universidade da Madeira, Funchal, texto policopiado, 2012; Das Artes e da História da Madeira, vol. I, n.º 1, jun. 1950; GOMES, José Vieira, Inventário do Espólio de Luiz Peter Clode (1801-1990), Funchal, DRAC, 2005; Id. e CLODE, Inez, Luiz Peter Clode e o Espólio Legado ao Arquivo Regional da Madeira, Funchal, Facsimile Lda., 2005; “Homenagem ao Eng.º Luis Peter Clode”, DN Funchal, 24 mar. 1985, pp. 14 e 16; ROCHA, Luís, “Exposição Recorda Luís Peter Clode”, DN Funchal, 11 nov. 2005; Id., “Conservatório Quer Crescer”, DN Funchal, 27 abr. 2008, p. 35.

Teresa Norton Dias

(atualizado a 30.12.2016)