costa, käte brüdt

Nasceu em Hamburgo-Lohbrügge, a 1 de agosto de 1910. Era filha do professor primário Hans Brüdt e de Hanna Petersen Brüdt.

Passou uma grande parte da sua vida na Alemanha, em Garstedt, concelho de Pinneberg, onde viveu com os pais e os dois irmãos. Frequentou a escola primária e prosseguiu os estudos secundários, concluídos em 1930. No mesmo ano, matriculou-se na Universidade de Hamburgo, estudando Desporto, Filologia Românica (Português e Francês) e Inglês.

Käte Brüdt tinha 21 anos quando chegou à Madeira pela primeira vez, em abril de 1932, a bordo do vapor alemão General Osório. Em poucos meses aprendeu a língua, com a ajuda da senhora madeirense que lhe alugara um quarto. Viveu cerca de ano e meio na ilha, tendo trabalhado como professora auxiliar no Colégio Alemão do Funchal e realizado um trabalho de investigação etnográfico e linguístico, com o qual obteve, mais tarde, o seu doutoramento.

Em 1934, de regresso à Alemanha, após a sua estadia na Madeira, Käte Brüdt apresenta, nas aulas de Português da Universidade que frequentava, um trabalho literário que seria publicado no mesmo ano em Coimbra, na revista Biblos, intitulado “Confronto, no ponto de vista da ‘ideia’ e do ‘estilo’, entre o conto ‘Mãe’ de ‘Os Meus Amores’ (Trindade Coelho) e o conto ‘Mater Dolorosa’ de ‘A Cidade do Vício’ (Fialho de Almeida)”.

Käte Brüdt voltou pelo menos mais uma vez à Madeira, em 1936, onde chegou a bordo do vapor Milwaukee, segundo uma referência no Diário de Notícias do Funchal, no dia 23 de outubro daquele ano.

Em 1936, apresenta à Universidade de Hamburgo o seu trabalho de investigação como tese de doutoramento, que depois foi parcialmente impressa com o título de Madeira: Estudo Linguístico-etnográfico: Teildruck der Dissertation zur Erlangung der Doktorwürde der Hansischen Universität in Hamburg (1938). Aquele estudo etnográfico foi também publicado, em Lisboa, no Boletim de Filologia (vol. v, 1937-1938), com o título “Madeira, estudo linguístico-etnográfico”, e aborda diversos aspetos da vida no arquipélago, os usos e os costumes do povo ilhéu.

O trabalho inicia com algumas referências às ilhas do arquipélago da Madeira, à sua história e ao seu desenvolvimento. Após a introdução, segue para uma abordagem a diversos aspetos das vivências do povo madeirense. Assim, descreve os tipos de habitação, referindo o exterior e o interior das casas e as mobílias; menciona os aparelhos de moagem (os almofarizes e os moinhos de mão e de vento) e os instrumentos agrícolas (os utensílios de mão, os de trilhar e o arado); apresenta os meios de transporte, indicando as corsas, os carros de bois, os carros do Monte e as cangas, aludindo ao homem e ao animal, como portadores de cargas; expõe o processo de cozer o pão, desde os preparativos até ao forno; dá a conhecer o cultivo do linho e da tecelagem e explica a viticultura, realçando o lagar e a preparação do vinho. A autora faz ainda breves referências ao traje tradicional madeirense.

Além das publicações de teor etnográfico, Käte Brüdt, traduziu do alemão para o português as obras Com estas Minhas Mãos (1959), de Hans Hellmut Kirst, e Conhece a Via Láctea? (1962), de Karl Wittlinger. Escreveu ainda o prefácio da gramática Mein deutsches Übungsbuch, Gramática Exemplificada da Língua Alemã, Exercícios de Conversação, de Ferraz Franco.

Em 1939, casou-se em Lisboa com um Português chamado Francisco Mendes Costa, professor liceal de ciências naturais, de quem teve duas filhas. Foi diretora dos cursos de línguas no Instituto Alemão de Lisboa. Faleceu em Lisboa, em junho de 1967.

Obras de Käte Brüdt Costa: “Confronto, no ponto de vista da ‘ideia’ e do ‘estilo’, entre o conto ‘Mãe’ de ‘Os Meus Amores’ (Trindade Coelho) e o conto ‘Mater Dolorosa’ de ‘A Cidade do Vício’ (Fialho de Almeida)” (1934); Madeira: Estudo Linguístico-etnográfico: Teildruck der Dissertation zur Erlangung der Doktorwürde der Hansischen Universität in Hamburg (1938).

Bibliog.: ARAGÃO, António de Freitas e VIEIRA, Gilda França, Madeira Investigação Bibliográfica, 3 vols., Funchal, DRAC, 1981-1984; «Doutora Käte Brüdt», Diário de Notícias, Funchal, 23 out. 1936, p. 1; «Movimento marítimo – Passageiros», Diário de Notícias, Funchal, 23 abr. 1932, p. 3; WILHELM, Eberhard Axel, «Os estudos etnográfico-linguísticos da alemã Käte Brüdt: Um ano e meio na Madeira (1932-1933)», Margem, n.º 14, 2002, pp. 48-54.

Sílvia G. Gomes

(atualizado a 01.03.2017)