costa, manuel rafael amaro da

Manuel Rafael Amaro da Costa nasceu em 1910, em São Martinho das Amoreiras, no concelho de Odemira. Estudou Engenharia, tendo-se distinguido na área da Engenharia Hidráulica.

Chegou à Madeira em 1939, numa missão técnica do Governo, com o objetivo de explorar as possibilidades de aproveitamento de água para rega e para produção de eletricidade. Presidiu à Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira , fundada em 1943. “Foi o grande estratega do plano de transvase das águas sobrantes das bacias hidrográficas do norte para as terras secas e mais quentes do sul. O árduo trabalho de campo permitiu-lhe conhecer a estrutura hidrogeológica da ilha, tendo-se apercebido que os principais caudais estavam disponíveis acima dos 1000 metros de altitude. Como as terras a irrigar se localizavam abaixo dos 600 metros, concluiu ser possível produzir eletricidade com as mesmas águas” (QUINTAL, s. d., 13).

O Engenheiro Amaro da Costa foi reconhecido pela sua competência no exercício da sua atividade profissional, tendo recebido várias condecorações em razão da sua prestação nos cargos públicos que ocupou. Segundo Rui Santos, “este homem nascido na planície alentejana integrou-se, por via do seu trabalho, totalmente no meio madeirense, não se cansando de percorrer, de lés a lés, esta ilha que acabaria por conhecer, quase em pormenor” (SANTOS, JM, 9 ago. 1998,). Manuel Rafael Amaro da Costa foi nomeado Diretor-Geral dos Serviços Hidráulicos do Governo Central (motivo pelo qual, em 1953, abandonou a Madeira); foi, além disso, Subsecretário das Obras Públicas, Secretário de Estado da Indústria e, por fim, Vice-presidente do Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes.

Antes da sua partida da Madeira, foi homenageado pela Câmara do Funchal, que o proclamou Cidadão Honorário da cidade do Funchal. Dá nome à Estação de Tratamento de Águas situada na freguesia de São Roque, no Funchal. O Engenheiro Amaro da Costa demonstrou ter estima pela Madeira: faz prova disso o facto de, depois de se reformar, ter voltado à Ilha algumas vezes, não apenas por motivos profissionais, mas também a título pessoal. A sua última visita à Madeira foi aquando da inauguração do Museu de Eletricidade Casa da Luz, onde manifestou “grande presença de espírito e memória lúcida e clara” (SANTOS, JM, 9 ago. 1998, 13). Nesse evento, teve oportunidade de ver a bancada deste museu, a qual lhe é dedicada, pelo contributo que prestou à Madeira.

A sua sensibilidade para a água, como um valor vital para a Madeira, ficou expressa num artigo de sua autoria, integrado no Livro de Ouro da Exposição de Obras Públicas: “Mal os portugueses do descobrimento puseram pé na Madeira, logo reconheceram que o meio agroclimático local, de extraordinária fertilidade natural e apto para as mais variadas culturas, exigia, para a sua perfeição, a posse de um dos maravilhosos atributos que exuberantemente se destacam nesta terra – a linfa preciosa, que por milagre, manava abundante e perene, desde os mais altos píncaros até o mar” (COSTA, 1948, 138).

Foi impulsionador do Plano de Rega do Alentejo, de onde era natural. Defendeu a construção da Barragem do Alqueva, obra que veria iniciar-se. Foi pai de Adelino Amaro da Costa, que morreu em 1980, no acidente de Camarate, no mesmo avião em que seguia Francisco Sá Carneiro. Manuel Rafael Amaro da Costa morreu a 6 de agosto de 1998, com 88 anos, em Lisboa, vítima de doença prolongada.

Bibiog.: impressa: COSTA, Rafael Amaro da, “Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira”, in Quinze Anos de Obras Públicas, 1932-1947, Livro de Ouro, vol. I, Lisboa, Ministério das Obras Públicas, Comissão Executiva da Exposição de Obras Públicas, 1948; SANTOS, Rui, “Morreu Rafael Amaro da Costa”, Jornal da Madeira, 9 ago. 1998,; digital: QUINTAL, Raimundo, Levadas da Madeira. Caminhos da Água, Caminhos de Descoberta da Natureza: http://www.jardins.com.pt/wp-content/LevadasdaMadeira.pdf (acedido a 2 mar. 2015); http://www.cm-odemira.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=35583 (acedido a 2 mar. 2015).

Ana Londral

(atualizado a 12.05.2016)