ferreira, josé de freitas

Professor de Teologia muito conceituado, membro da congregação dos Claretianos. Tendo-se formado em Teologia Dogmática na Alemanha e na Itália, tornou-se um destacado professor na área de Cristologia na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Na Universidade Gregoriana defendeu uma tese de doutoramento inovadora, e que originou alguma polémica, sobre a Virgindade de Nossa Senhora e a conceição virginal de Jesus. Destacou-se como teólogo que atualizou o ensino e a investigação teológica em Portugal na linha preconizada pelo Concílio Vaticano II.

Palvras-Chave: Teologia, Mariologia, Virgindade de Nossa Senhora, Ensino da Teologia, Claretianos, Concílio Vaticano II.

Nasceu na freguesia do Faial, concelho de Santana, Madeira, em 2 de outubro de 1938. Era filho de João Ferreira e de Maria Pereira de Freitas. Entrou no seminário menor dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Missionários Claretianos), nos Carvalhos, Vila Nova de Gaia, a 12 de setembro de 1950. Aí, frequentou o noviciado e fez a primeira profissão religiosa, a 16 de julho de 1956, e a perpétua, no mesmo dia, em 1960.

Cursou filosofia no seminário claretiano da rua de Fez, Lordelo do Ouro, Porto, de 1956 a 1959. Após um estágio pedagógico no colégio e no seminário dos Carvalhos, estudou teologia no Studium Theologicum Claretianum, Roma, em 1961-1963, na Faculdade de Teologia (FT) de Sankt Georgen, Frankfurt, Alemanha, 1963-1966, e na Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG), Roma, em 1966-1967. A sua dissertação de licenciatura, apresentada em 1967, teve por título: Quæstiones selectæ über die Gelasianum und Gregorianum Sakramentar typen, versando sobre a história, a estrutura e a importância dos sacramentários. Foi ordenado sacerdote em Würzburg, a 22 de agosto de 1965.

Cumpre, depois, um período de docência no seminário dos Carvalhos e, de 1968 a 1970, exerce funções, quer de responsável pela formação dos estudantes claretianos de filosofia e de teologia, quer de vice-reitor do seminário maior, sediado no Cacém, em Sintra.

Frequenta em seguida (1970-1972), na PUG, o currículo para doutoramento em teologia sistemática na área da cristologia. Em junho de 1977, conclui o doutoramento em teologia dogmática pela mesma universidade, com a tese: “Conceição Virginal de Jesus: Análise crítica da pesquisa liberal protestante, desde a ‘Declaração de Eisenach’ até hoje, sobre o testemunho de Mt. 1, 18-25 e Lc. 1, 26-38”. Foi delegado ao capítulo geral em 1979.

Vítima de um meningioma no cérebro, é internado, a 28 de dezembro de 1992, no hospital Nordstad de Hanover, na Alemanha. A partir de 4 de janeiro de 1993, é sujeito a diversas intervenções cirúrgicas que decorrem satisfatoriamente. Alguns percalços fortuitos, no período pós-operatório, são bem superados. Quando se preparava para regressar, adveio a surpresa: falece, vítima de uma embolia, a 27 de janeiro de 1993. Foi sepultado no cemitério de Hanover a 3 de fevereiro. No funeral estiveram presentes familiares, amigos, o superior provincial da Província Portuguesa dos Missionários Claretianos, representações das comunidades claretianas de Portugal e da Alemanha e o diretor da FT da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

Nesse mesmo dia, na igreja do colégio Universitário Pio XII, em Lisboa, onde residia, D. José Policarpo, reitor da UCP, presidiu a uma eucaristia de sufrágio, concelebrada por D. Serafim Ferreira da Silva, bispo de Leiria-Fátima, e por quatro dezenas de sacerdotes religiosos e diocesanos. Participaram muitos docentes, alunos e funcionários da universidade. No dia 26 de fevereiro, a UCP prestou-lhe homenagem numa eucaristia, muito participada, presidida pelo reitor e celebrada no auditório Cardeal Medeiros.

Lecionou durante quatro anos, no colégio e seminário dos Carvalhos, as disciplinas de matemática e físico-químicas do ensino secundário. De 1968 a 1969, lecionou antropologia cultural no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa; sacramentologia, cristologia e mariologia, no Instituto Superior de Estudos Teológicos, em Lisboa, de 1968 a 1971 e em 1974-1975; teologia da vida religiosa, no Institutum Claretianum, Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma, de 1970 a 1977; teologia dogmática, eclesiologia, teologia dos sacramentos, na FT da UCP, em Lisboa, desde 1974 até à sua morte. Regeu a cátedra G. J. Chaminade de mariologia na Universidade Pontifícia de Salamanca no semestre de verão de 1986-1987.

Foi diretor da FT e da secção de Lisboa da Faculdade de Filosofia da UCP de 1980 a 1985. Na FT pertenceu a várias comissões, quase sempre como presidente. Foi presidente da comissão para o estudo e planeamento do Centro Regional do Funchal da UCP em 1981, e vogal da comissão diocesana para a manutenção do mesmo Centro em 1982. Foi membro fundador e primeiro presidente do Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa, da UCP, em 1983-1985. Era sócio fundador da Sociedade Científica da UCP. Foi vogal em 1983 e, em 1984, presidente da comissão de estudo para a viabilização de uma universidade da Madeira. Em 1986, foi membro do grupo de trabalho da UCP para apreciação dos projetos de lei de bases do sistema educativo. Fez parte da comissão organizadora, presidiu ao conselho científico e foi secretário-geral do congresso internacional sobre “Fátima e a Paz”, realizado entre 8 e 12 de maio de 1992.

Organizou e moderou muitos colóquios e sessões culturais. Pronunciou dezenas de orações de sapiência, conferências e lições avulsas ou integradas em semanas de estudo e em mesas redondas; orientou retiros e cursos para leigos, religiosos e clero, desenvolvendo, por fim, temáticas de caráter teológico e de intervenção social.

Obras de José de Freitas Ferreira: “Origem judeo-cristã helenista da conceição virginal de Jesus”, Claretianum (1977); Conceição virginal de Jesus: Análise crítica da pesquisa liberal protestante, desde a ‘Declaração de Eisenach’ até hoje, sobre o testemunho de Mt 1, 18-25 e Lc 1, 26-38 (1980); “O padre, à luz do Vaticano II”, Lumen (1970); “Domingo, dia da comunidade cristã”, Pastoral do Domingo (1979); “Reflexões sobre a Eucaristia”, Pastoral do Domingo (1979); “Inserção dos religiosos na missão evangelizadora da Igreja”, Trabalhos e Conclusões do III Congresso Nacional dos Religiosos (1983); “Teologia da Criação”, Origens do Universo, da Vida, do Homem (1983); “Pecado original”, Ibidem; “Cruz, sinal de contradição”, Didaskalia (1984); “Supletivismo, subsidiariedade e escola funcional”, III Congresso do Ensino Particular e Cooperativo, vol. I: Natureza e Finalidade do Ensino Particular e Cooperativo (1985); “A Teologia da comunicação. Delineamento do Magistério Eclesiástico”, Didaskalia (1985); “Missão e solidariedade”, Igreja e Missão (1988); “Igreja local e convivência eclesial”, A igreja Local, Comunhão de Ministérios e Carismas (1989); “A Teologia da comunicação social: Primeiras aproximações do Magistério eclesiástico”, Família, Comunicação Social e Opinião Pública (1989); “Cristianismo e diálogo inter-religioso”, Igreja e Missão (1990); “O sagrado e o santo no proto-cristianismo”, O sagrado e as Culturas (1992); “A paz nos documentos de Fátima e nas mensagens papais”, Fátima e a Paz (1993); “Sacramento da Eucaristia”, Didaskalia (1997) (a título póstumo).

Bibliog.: CORREIA DE OLIVEIRA, José, Missionários Claretianos em Portugal (1898-2004), Lisboa, PPMC, 2005, pp. 448-449; TRIGO, Jerónimo, “‘Curriculum Vitæ’ de Prof. José de Freitas Ferreira”, Didaskalia, XXVII, 1997, pp. 53-56

Jerónimo Trigo

 (atualizado a 01.08.2016)