ferreira, nicolau

(Funchal, n.1731; ativo c.1754-c.1800)

Descendente dos Ferreira Duarte estabelecidos na Ilha da Madeira por volta de 1696, Nicolau Ferreira Duarte, pintor, nasceu na freguesia da Sé (Funchal) a 10.09.1731. Era fº. de Francisco Ferreira Duarte e de Josefa Mª. da Encarnação, de Câmara de Lobos, casados na catedral a 19.07.1727; neto paterno de Francisco Ferreira Duarte e de Mª. dos Santos Correia da Silva, casados na Sé a 22.10.1699, sendo seu avô, falecido no Funchal em 1736, natural da freguesia de Nª. Srª. do Alecrim (Lisboa) e fº. de António Ferreira Duarte e de Filipa João, naturais e moradores que foram em Lisboa, e sua avó era natural da Sé, fª. de Francisco da Silva Fortes, insigne mestre pedreiro responsável pelas obras da Igreja do Bom Jesus (Ponta Delgada), e de Helena Correia da Silva, naturais e moradores no Estº. de Câmara de Lobos; neto materno de João Gomes da Silva Faria e de Mª. Soeira da Silva Fernandes, naturais do Estº. de Câmara de Lobos.

Nicolau Ferreira casou, em primeiras núpcias, na Sé, a 09.07.1754, com Ana Margarida de Abreu e Sá, desta freguesia, fª. de Manuel de Abreu e Sá, da Tabua, e de Luísa Madalena Ferreira da Silva, da Sé, neta paterna de João da Silva Ferro e de Mariana de Ornelas de Meneses, da Tabua. Do primeiro casamento nasceu, a 12.11.1755, um fº., Pedro, que exerceu a profissão de pintor juntamente com o pai, mas do qual apenas sabemos que foi baptizado a 23.11.1755, sendo padrinho o Pe. Pedro João de Aguiar. As segundas núpcias do pintor foram contraídas em S. Pedro, a 23.02.1770, com Brásia Apolónia, fª. de Manuel Mendonça Furtado, de S.ta Cruz, e de Quitéria Mª. de Nóbrega, do Caniço, neta paterna de António Mendonça e de Catarina de Vasconcelos, de S.ta Cruz, e neta materna de Vicente de Cairos e de Mª. de Nóbrega, do Caniço.

A pureza de sangue dos ascendentes dos Ferreira Duarte ficou provada nos processos de habilitação do Santo Ofício (Lisboa) do pai do pintor, Francisco Ferreira Duarte (c.1740), que nas festas de S. Pedro Mártir (Funchal) exibia a venera de Familiar do Santo Ofício (1742-1745), e do tio, Lourenço Ferreira Duarte (1750).

Alguns familiares de Nicolau Ferreira exerceram cargos na Alfândega do Funchal, no Juízo dos Órfãos (1737), tendo sido seu avô procurador (1696, 1697 e 1698), em várias ocasiões, e escrivão da Administração da Junta do Comércio da Ilha da Madeira (c.1716). O tio, António Ferreira Duarte, bacharel, foi procurador da coroa na Madeira, em 1748.

Os pais de Nicolau Ferreira eram irmãos da dinâmica confraria de Nª. Srª. da Candelária (S. Pedro), tendo seu pai exercido o cargo de mordomo (1700; 1735) e escrivão (28.03.1700), contactando com a fidalguia funchalense como foi o caso de Luís Atouguia da Costa. A família Ferreira Duarte entregava esmolas à irmandade da “igrejinha” de Nª. Srª. da Piedade (1747), localizada perto das residências do avô e pai de Nicolau Ferreira, que moravam respetivamente, na R. das Pretas e R. do Gago (1734-1735), conforme documento de pagamento de multas da freguesia de S. Pedro.

Em 1784, Mateus Ferreira Duarte, fº. de António Ferreira Duarte e de Ana Luzia, casado com Ana Quitéria (S. Pedro, 03.05.1773), possivelmente com algum parentesco a Nicolau Ferreira, foi procurador das obras da Capª. de S. Lourenço (Camacha), para onde o pintor executará uma tela para o altar-mor alusiva ao orago.

Nicolau Ferreira, pintor de óleo, registado na diversa documentação como pintor, mestre pintor e oficial de pintor, executou, essencialmente, pintura de cavalete, mas também pintou tetos, frontais, pendões, tarjas e bandeiras, e, ainda, realizou acrescentamentos, consertos, retoques e restauros em diversos retábulos, como atestam algumas referências arquivísticas: 1756: recebeu 1$125 rs por consertar quadros do altar do Bom Jesus (Sé); 1757: registado num distrato de 11$000 rs na confrª. do Bom Jesus (); 1763-1764: arremata, em leilão, por 4$000 rs tábuas de pinho, juntamente com seu pai que pagou 4$978 rs por tabuado de pinho (Alfândega do Funchal); 1780: anotado em registo notarial; 1780-1788: recebeu 4$000 rs de retocar o retábulo da capª. de S. Francisco Xavier (Matriz da Ponta do Sol); 1784-1789: recebeu 7$450 rs pelo retrato do bispo D. José da Costa Torres; 1789: recebeu 4$000 rs por retocar o retrato do bispo defunto D. Gaspar Afonso da Costa Brandão; 1784 (a 1796): encomenda de materiais de pintura (pano, livros de ouro, tintas, feitio de um frontal) – confrª. Sº. Sº. (Matriz da Ponta do Sol); 1789: recebeu 50$000 rs por pintar quatro quadros dos altares do corpo da igreja (Sé); anotada encomenda e parte (?) do pagamento do retrato de D. José da Costa Torres; 1796 – referência a uma tela para a Capª. de Nª. srª. da Graça (Porto Santo); 1800: recebeu 7$000 rs por conta de um painel e mais 10$000 rs pelo resto do painel de S. Miguel e as almas do purgatório ().

Nicolau Ferreira Duarte está documentado nas contas do Seminário (Mosteiro Novo) no ano económico de 1754-1755, data mais recuada que encontramos registado como pintor, a acrescentar e a consertar o retábulo de Nª. Srª. do Bom Despacho (3$000 rs) para a boca do camarim, e em 1755-1756 recebendo pagamento pelo feitio de um quadro (4$000 rs). Tendo nascido em 1731, praticava a arte da pintura com apenas 23 anos, e como o último quadro assinado, S. Miguel e a almas do purgatório (Sé), data de 1800, e por algumas referências arquivísticas, cremos que Nicolau Ferreira tenha falecido com mais de 70 anos.

Nicolau Ferreira assinou algumas das suas obras: «Nicolao Ferrª.», «Nîcoláo Ferrª.», «Nicolaus Frrª.» ou «Niculaus Frrª.», seguido sempre de «fecit», «o fes» ou «fes em» e ano.

Foi contemporâneo de pintores e douradores como Ambrósio Joaquim de Sousa, que assinava AIS, António da Trindade da Cruz (Setúbal), Boaventura Bezé (França), Filipe Caetano da Trindade e Silva, João António Villavicêncio (Canárias), José Agostinho da Costa, José António da Costa (Canárias) e Timóteo António Marques, e dos entalhadores Estêvão Teixeira de Nóbrega, João da Câmara e Julião Francisco Ferreira (Açores), havendo mesmo parcerias oficinais.

A produção pictórica de Nicolau Ferreira revela algumas limitações criativas, com temas e composições repetidas, centradas nos passos da vida da Virgem e de Cristo, apropriadas de obras estrangeiras e de oficinas nacionais existentes na Madeira, como de gravados europeus dos séculos XVI e XVII, sempre de tendência classicizante. Muita pintura retabular, quinhentista e seiscentista, foi, infelizmente, substituída por obras arcaizantes da laboriosa oficina de Nicolau Ferreira, perdendo-se um significativo espólio artístico e religioso. O extenso elenco de pintura atribuído à sua oficina expressa a relação do pintor com a igreja e figuras proeminentes da sociedade setecentista madeirense.

Desconhece-se a formação académica de Nicolau Ferreira, como a sua aprendizagem oficinal, mas evidencia distância dos grandes centros artísticos portugueses, embora a sua obra prime pelo gradual afastamento claro-escurista, optando por uma luz difusa e cores aquecidas, ao gosto setecentista. A sua pintura reduz-se a uma produção regional e provincial de limitados recursos técnicos e estéticos, especialmente a nível do desenho, identificadora de uma oficina periférica. No entanto, algumas obras assinadas denunciam uma plasticidade regular, observável nos rostos das figuras sagradas que procuram um certo realismo visual e se apresentam, normalmente, arredondados; olhos e sobrancelhas contornados, através de uma linha fina e suave, deixando marcados apontamentos de pestanas; lábios avermelhados, pequenos e carnudos; queixo arredondado e maçãs do rosto rosadas ou avermelhadas; narizes pontiagudos e envolvidos por uma suave linha acastanhada; cabelos e barbas com acentuados caracóis amarelos, castanhos ou cinza, consoante a idade das personagens. As mãos das figuras mereceram algum cuidado plástico, mas evidenciam fragilidades anatómicas, situação que o autor tentava resolver com uma linha de contorno, pois na generalidade as suas formas são volumetricamente pouco modeladas. Os véus, que cobrem as cabeças das figuras femininas, são delicados e transparentes, numa tentativa de imitação das técnicas renascentistas. Outras fragilidades são identificadas nos panejamentos, por vezes, rígidos e grosseiros, geometrizados, quase sem volumetria e de descuidada modelação lumínica, e nas paisagens e arquiteturas, com erros perspécticos, ausência de detalhes, cromatismos esbatidos e manchas irregulares nos fundos, testemunhando trabalho oficinal com discípulos e aprendizes.

Destaca-se o seguinte núcleo de obras assinadas – 1774: Adoração dos Reis Magos – Igª. do Monte; 1781: pequena tela – Sede da Banda Municipal de Câmara de Lobos (proveniente de um antigo oratório de casa rural); 1782: S. Lucas – col. particular (Joe Berardo); 1786: S.ta Ana, S. Joaquim e Nª. Srª. Menina – Igª. de Santana (restaurada por “A. Tavares reformou em 1912, Porto”); Baptismo de Cristo – Igª. de S. Sebastião (Câmara de Lobos); 1789: Coroação da Virgem – Museu de Arte Sacra do Funchal (MASF292; proveniente da Sé); 1786 (88?): Alçado do armário da sacristia da Capª. de Nª. Srª. da Penha de França (Funchal); 1790: Visitação – Misericórdia do Funchal; 179[0?] (Fig. 1); Visitação – Capª. de S. Amaro (S.ta Cruz; proveniente da Misericórdia da mesma cidade; pintura sobre madeira dos finais do séc. XVI ou 1º. quartel  do séc. XVII e apenas restaurada por Nicolau Ferreira, que assinou; novamente restaurada em 1946 por Rasmus Skov, pintor dinamarquês); 1791: Apresentação no templo e Menino entre os Doutores – Capª. de Nª. Srª. da Conceição (Câmara de Lobos); 1792: Entrega do Escapulário – Igª. do Carmo (Funchal); 1793: – Visitação – Col. Particular; 1794: Sagrada Família e o anjo – Capª. de Nª. Srª. da Ajuda (Funchal); 1796: S. João Baptista com cordeiro – Museu Quinta das Cruzes (MQC1139; proveniente da demolida Capª. de S. Francisco Xavier, sítio da Cruz da Guarda, Porto da Cruz, através da col. Silvério Caires (1950), e adquirido pela antiga Junta Geral do Distrito do Funchal em 1956); Retrato do Bispo D. José da Costa Torres – Museu de Arte Sacra do Funchal (MASF348; proveniente do Seminário do Funchal); 1797: S.to António e S. José com a vara florida (Fig. 2) Igª. do Convento de S.ta Clara (Funchal); 1799: Piedade (Fig. 3) e Imaculada Conceição com S.ta Ana, S. Joaquim – Igª. do Convento de S.ta Clara (Funchal); Nascimento de Cristo, Adoração dos Reis Magos e S. Brás – Igª. do Arco da Calheta; 1800: S. Miguel e a almas do purgatório – Sé (Funchal).

No retrato destaca-se a figura do bispo D. José da Costa Torres, por duas vezes pintado por Nicolau Ferreira, sendo um dos retratos possivelmente tirado ao natural e documentado parte do pagamento em 1789, correspondendo ao que se encontra na sala do Cabido da Sé (não assinado), lendo-se na cartela: “O Exmo. Rmo. Snr. D. Jozé da /Costa Torres Bispo do Funcal. / do Concello de Sua Mage. / Idade de / 47 annos”. O Retrato de D. José da Costa Torres, assinado e datado, 1796, (MASF348), foi pintado no ano do falecimento do prelado, e também exibe cartela: “O Exmo. e Rmo. Snr. D. Jozé da Costa Torres / çhegou a esta Ilha em 18 de 7bro. de 1787 esta / beleceo este Seminario em 31 de Mço. de 88 dia / em q. nelle entrarão os primeiros Alumnos sahio / deste Bispado Eleîto para o d. Elvas em 6 de / 8bro. de 1796”. Ambos os retratos seguem um esquema composicional imitando o Retrato de D. Gaspar Afonso da Costa Brandão, pintado entre 1756 e1760, e atribuído a Carlo Antonio Leoni, arquiteto e pintor florentino radicado em Portugal.

Nos dois retratos, D. José da Costa Torres apresenta-se de meio corpo, hirto, com farta e negra cabeleira. Olhando diretamente para o espetador, descansa a mão direita, com anel episcopal, sobre uns livros fechados, donde sai a cartela com texto, e a mão esquerda junto a uma simples cruz peitoral. Traja um vestido de gola branca cujas mangas são rematadas com umas simples rendas vermelhas. Cobre os seus ombros um roquete negro, espécie de sobrepeliz curta, e batina fechada com botões vermelhos. Teve o pintor cuidado esmerado com a representação do rosto, das rendas e suas transparências.

As intervenções de conservação e restauro em algumas pinturas de Nicolau Ferreira atestam que as suas telas são de linho de fraca qualidade, de dimensões não superiores a 60 cm, como revelam as junções e costuras das mesmas, apontando, assim, a sua execução por tecelões madeirenses em teares da ilha.

É extenso o núcleo de obras atribuído a Nicolau Ferreira, mas apesar da sua prolífica produção, cremos que muita pintura é fruto oficinal do mestre com os seus discípulos e aprendizes pela heterogeneidade das obras, como pelas fragilidades técnicas, gráficas, plásticas e cromáticas. Apenas citaremos os casos que evidenciam intervenção mais direta do pintor, referindo que pintura de cavalete atribuída ao seu pincel e/ou oficina encontra-se no Museu de Arte Sacra do Funchal e em templos funchalenses (Sé, Capª. de S. João da Ribeira, Igª. do Monte, Capª. de Nª. Srª. do Livramento, Igª. de S. António e Igª. de S. Pedro, Convento de S.ta Clara), mas também em Câmara de Lobos (Capª. de Nª. Srª. da Conceição), Machico (Igª. de Água de Pena), Calheta (Igª. do Arco da Calheta e Matriz), Ponta do Sol (Matriz) e Camacha (Igª. de S. Lourenço, antiga matriz). Destacam-se: c.1774: Imaculada, Apresentação da Virgem no templo, Anunciação, Natividade, Adoração dos Pastores, Fuga para o Egipto e Jesus entre os Doutores – Igrª. do Monte; c.1780-1791: Epifania, Apresentação de Jesus no templo, Fuga para o Egipto (restaurada por Luís Bernes, que assina, 1908), Jesus entre os Doutores, Nascimento da Virgem, Esponsórios, Anunciação, Apresentação e Visitação – Capª. Nª. Srª. da Conceição (Câmara de Lobos); c.1784/1787-1796 – Retrato do Bispo D. José da Costa Torres, Cabido da Sé; c.1793: Nascimento de S. João, Zacarias e S.ta Isabel, Baptismo de Jesus e Morte de S. João Baptista – Capª. de S. João da Ribeira.

Outras atribuições: Reservas do Museu de Arte Sacra do Funchal (proveniente da Sé do Funchal): S. Domingos e Nª. Srª. ou Nª. Srª. do Rosário (MASF293C); S.ta Ana Mestra (MASF293); Crucificação (MASF293A); Nascimento de S. João (MASF293C); Anunciação, (MASF295 – proveniente da Diocese do Funchal); Cabeça de Cristo (MASF317 – proveniente de col. particular); Igª. de S. Pedro: Esponsórios, Apresentação no Templo e Nascimento de S. João Baptista; Capª. Nª. Srª. da Consolação: Sagrada Família.

Nicolau Ferreira Duarte esteve confundido com um pintor e dourador seu contemporâneo, que assinava Nicolau João, tratando-se de Nicolau João de Freitas, com a patente de alferes, e documentado entre 1762 e 1815. Em 1762 trabalhou para a Igª. do Seixal, pintando um monumento, sepulcro e esquife, ajudado pelo irmão e por um moço de nome António José, e ainda por oito homens que transportaram materiais e equipamentos necessários para a obra; em 1795 operou nas obras da Capª. de S. Roque (Machico), dourando imagem e pintado frontais; e em 1800 nuns consertos na Igª. Matriz de Câmara de Lobos. É o autor, conforme assinatura, de um quadro a óleo representando o verdadeiro retrato de Nª. Srª. do Monte (col. Casa Museu-Frederico de Freitas). Não parece existir qualquer laço de familiaridade entre Nicolau Ferreira [Duarte] e Nicolau João [de Freitas], embora este seja também do Estreito de Câmara de Lobos. Nicolau João de Freitas casou com Ana Felícia Rosa a 20.04.1757, na ermida de Nª. Srª. da Graça (Estº. de Câmara de Lobos), tendo presidido à cerimónia o revdo. cura de Gaula, António Francisco. Nicolau João de Freitas era filho de Nicolau de Freitas e de Anza(?) Mª., neto paterno de António Gomes e de Mª. de Freitas, do Estº. de Câmara de Lobos, e neto materno de Pedro Afonso e de Mª. Pereira, do Estº. da Calheta. Ana Felícia Rosa era natural da Sé, filha de António Rodrigues e de Valentina Anza(?) Rosa, neta paterna de Vicente Fernandes, natural do Calhau, e de Ana Frª., da Sé, e neta materna de Marzo(?) Gonçalves, de S. Pedro.

“Nicolau João Pintor”, que cremos Nicolau João de Freitas, pintor, morador na Ponte Nova, faleceu a 23.12.1815, com cerca de 90 anos, viúvo, e sem sacramento por não ter sido avisado o pároco, sendo enterrado no Convento de S. Francisco, e tendo custado o seu hábito 6$000 rs.

Um documento sem data, mas do século XVIII ou princípios do XIX, da Misericórdia do Funchal, refere explicitamente a obrigação de Nicolau Ferreira, pintor, de pagar 4$800 rs da “casa obrigada”, cujo pagamento também poderia ser efetuado por D. Antónia Bazília Bisfort, e noutro fólio, sem referência à profissão, Nicolau Ferreira Duarte pagava $600 rs de outra obrigação, enquanto no mesmo documento surge Nicolau de Freitas, pintor, a cumprir uma penhora de 1$800 rs, documentando, assim, que Nicolau Ferreira Duarte e Nicolau João de Freitas eram dois pintores diferentes, mas contemporâneos.

Bibliog.: manuscrita: Direcção Geral de Arquivos/Arquivo Nacional Torre do Tombo (DGARQ/ANTT): Alfândega do Funchal, Lº. 304, 1763-1764, fl. 1; Cabido da Sé do Funchal, Confraria do Senhor Bom Jesus, Livro de contas da receita e despesa: 1755-1790, Lº. 23, fls. 19v.º-20v.º (1756; 1757); Cabido da Sé do Funchal, Fábrica da Sé: 1722-1741, Lº. 9, mf. 3577, fl. 98; Cabido da Sé do Funchal, Fábrica da Sé: 1741-1768, Lº. 10, mf. 3576, fls. 18, 26v.º e 155; Cabido da Sé do Funchal, Livro de receita e despesa da Fábrica da Sé do Funchal – 1769, Lº. 8, mf. 3575, fls. 69v.º, 180, 187 e 204 (1769;1773; 1789; 1790; 1800); Cabido da Sé do Funchal, mçº. 23, doc. 33, fl. 27 (1799; 1800); Convento de S. Francisco do Funchal, Receitas e Despesas: 1815-1832, Lº. 6, fl. 10; PT/TT/RGM/C/0008/40417 – Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, Liv. 8, fl. 360v.º (alvará para escrivão – Francisco Ferreira Duarte; c.1716); PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8242 – Diligência de habilitação de Francisco Ferreira Duarte – Tribunal do Santo Oficio, Conselho Geral, Habilitações, Francisco, mçº. 61, doc. 1175, c.1740; PT/TT/RGM/C/0033/40436 – Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, Liv. 33, fl. 222v.º (alvará – mercê de capela – Francisco Ferreira Duarte; c.1742); PT/TT/TSO-CG/A/008-002/3610 – Diligência de habilitação de Lourenço Ferreira Duarte – Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações Incompletas, doc. 3610, 1750; PT/TT/TSO-IL/028/08062 – Processo de Francisco Ferreira Duarte, c.1742-1745. Arquivo Histórico da Diocese do Funchal (AHDF): Seminário (Mosteiro Novo), Confrª. de Nª. Srª. do Bom Despacho, 1719, fls. 41v.º-41 (1754-1756); Seixal – Livro da Fábrica da Confrª. do Sº. Sº. do Seixal, 1730-1782, fls. 37-38; S. Pedro, Lº. 10, fl. 64; S. Pedro – Confrª. de Nª. Srª. da Candelária, Lº. 9. Arquivo Paroquial Porto Santo (APPS.to): Confrª. do Santíssimo Sacramento (1784-1796), fl. 35. Arquivo Regional da Madeira (ARM): Documento Avulso – Cx. 5, nº. 697 – Multa da Freguesia da Sé desta cidade feita por José de Azevedo e Domingos Fernandes Silva no ano de 1734 e 1735, fls. 5 e 9; JRPC/CON., cx. 3, proc. 198, fls. 98v.º-99; JRPC/CON., cx. 8, proc. 626, fls. 3v.º e 6v.º; Misericórdia do Funchal, cx. 1, doc. 46, fls. 6 e 38; RN, Lº. 1010, 05.07.1780, dl. 143v.º; RP, Sé, Casamentos, Lº. 56, fls. 5v.º e 127vº.; RP, Sé, Casamentos, Lº. 58, fls. 98v.º e 156; RP, S. Pedro, Casamentos, Lº. 121, fl. 111v.º e Lº. 122, fls. 100-100v.º; RP, Sé, Óbitos, Lº. 86, fls. 201v.º-202. impressa: CAIRES, João Silvério de, Nicolau Ferreira – Breves notas, Funchal, Tipografia Esperança, 1950; IDEM, Exposição de quadros antigos pelo antiquário João Silvério de Caires, Ponta Delgada – S. Miguel, 1951, p. 12 (catálogo); CARITA, Rui, “A Capela do Senhor Jesus da Sé do Funchal”, Islenha, n.º 22, Funchal, DRAC, Jan.-Jun. 1998, p. 8; IDEM, História da Madeira: O século XVIII – Economia e Sociedade, vol. V, Funchal, SRE, 1999, pp. 125, 446; CLODE, Luiz Peter, «O nome completo do pintor Nicolau Ferreira é Nicolau Ferreira Duarte», Das Artes e da História da Madeira, vol. III, n.º 13, [1952], p. 38; DELLINGER, Eva Carrasco, «Conservação preventiva da Sala do Cabido», Monumentos, n.º 19, Dossier Sé do Funchal, Lisboa, DGEMN/MOPTH, 2003, p. 91; EMONTS, Anne Martina, Uma representação de Santa Ana na arte da Madeira no século XVIII, (trabalho curricular de História da Arte, Mestrado em História), UMa, texto policopiado, 1997; FERREIRA, Pita, A Sé do Funchal, Funchal, JGDAF, 1963, pp. 260 e 282; NUNES, Romana, A difícil tarefa de conservar, (trabalho curricular de Estudos Complementares de História da Arte e do Design), Mestrado em Arte e Património, UMa, texto policopiado, 2007; IDEM, Nicolau Ferreira – Que percurso?, (trabalho curricular de Metodologia de Investigação em Ciências da Arte), Mestrado em Arte e Património, UMa, texto policopiado, 2007; IDEM, S. Miguel e as Almas do Purgatório de Nicolau Ferreira, (trabalho curricular de Estudos de História de Arte Moderna), Mestrado em Arte e Património, UMa, texto policopiado, 2007; LADEIRA, Paulo, A Talha e a Pintura Rococó no Arquipélago da Madeira (1760-1820), SREC/CEHA, 2009, pp. 9, 10, 18, 21, 42, 66, 76, 121, 151, 155, 156, 158, 161,181, 191, 194, 208, 209-216, 228, 243, 244, 247, 251, 253, 255-259, 266, 268, 269; MATOS, Danilo (coord.), Roteiro Histórico Turístico da Cidade – Funchal, Funchal, CMF, 2004, p. 102; NASCIMENTO, Cabral do, «O “verdadeiro retrato” de Nossa Senhora do Monte», Arquivo Histórico da Madeira, vol. I, n.º 2, Funchal, [1931], p. 63; «O pintor Nicolau Ferreira», AHM, vol. IX, Funchal, 1951, p. 45; PEREIRA, Eduardo, Ilhas de Zargo, II vol., 4.ª ed., Funchal, CMF, 1989, pp. 702, 709, 737 e 752 (1.ª Ed. 1940, pp. 767 e 794); PEREIRA, Joaquim Plácido, Nossa Senhora do Monte – Padroeira da Ilha da Madeira, Lisboa, Typ. 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Rita Rodrigues

(atualizado a 08.08.2016)