festa de nossa senhora do livramento

Festejada a 8 de setembro no Arco da Calheta é também uma romaria que atrai muitos fiéis para cumprimento de promessas. Trata-se de uma festa muito antiga, tendo sido o seu culto introduzido por Dona Joana de Eça, donatária de todas as terras do Loreto, no reinado de D. João III.

Sendo o seu arraial muito concorrido, esta é uma das festas nas quais a tradição do “fogo preso” ainda se mantém viva, sendo as despesas destes festejos muitas vezes assumidas por emigrantes em cumprimento de promessas. No dia 7 celebra-se a novena e durante a noite decorre o arraial. À meia-noite é lançado o fogo-de-artifício e depois tem lugar o espetáculo com o tradicional “fogo preso”, sendo comum a exibição da “velha e o velho” e da “roda manhosa” e, no dia seguinte, a tradicional “girândola”, ao meio-dia, antes da missa e da procissão. ” Esta é montada num muro, próximo da igreja, em local seguro. É formada por um conjunto de “salvas”, uns paus compridos com pequenos orifícios, onde são introduzidos 21 foguetes.

A “velha e o velho” são dois bonecos repletos de artefactos pirotécnicos, que giram à medida que são consumidos pelo fogo. Estas figuras parecem estar relacionadas com antigos rituais associados aos ciclos agrícolas e à renovação da natureza, praticados no nosso país. Era comum o povo fazer um boneco, com feixes de trigo, que constituía a personificação da força ativa da vegetação, o qual era lançado à água, de forma a garantirem a chuva, ou era queimado e as cinzas espalhadas pelos campos de modo a garantirem a fertilidade. Estas figuras representavam também a morte do ano velho e expulsão do inverno, com o consequente renascimento do ano novo e chegada do Verão.

A “roda manhosa” é um artefacto com a forma de uma roda, na qual estão dispostos vários foguetes, que à medida que são lançados a fazem girar. (FERREIRA, Festas)

Bibliog. impressa: CÂMARA, Teresa Brazão, Bonecos Comestíveis de “Maçapão”, Revista Atlântico, Nº 7, Outono de 1986, pp.218-226; CRISTOVÃO, Carlos, Elucidário de Machico, 2ª ed., Câmara Municipal de Machico, 1981; MONIZ, Roberto, Cordofones Tradicionais Madeirenses: Braguinha, Rajão e Viola de Arame, Col. Cadernos de Folclore, nº1, AFERAM – Associação de Folclore e Etnografia da Madeira, Funchal, 2011; PEREIRA, Eduardo C. N., Ilhas de Zargo, 4ª edição, 2 vols., Funchal, Câmara Municipal do Funchal, 1989; RIBEIRO, João Adriano, Ribeira Brava. Subsídios para a História do Concelho, Câmara Municipal da Ribeira Brava, 1998; SANCHIS, Pierre, Arraial: Festa de um Povo, as romarias portuguesas, Publicações D. Quixote, Col. Portugal de Perto, Lisboa, 1983; SILVA, Padre Fernando Augusto da Silva; MENESES, Carlos Azevedo de, Elucidário Madeirense, Fac-símile da edição de 1940-1946, 3 vols., Funchal, Secretaria Regional de Turismo e Cultura, Direção Regional dos Assuntos Culturais, 1998; VISCONDE DO PORTO DA CRUZ, Crendices e Superstições do Arquipélago da Madeira, 1954; Não publicada: CAMACHO, Rui; TORRES, Jorge, Instrumentos Musicais da Tradição Popular Madeirense, Associação Cultural e Musical Xarabanda, 2006 (texto policopiado); FERREIRA, César; Catálogo da Exposição Festas e Romarias da Madeira, Museu Etnográfico da Madeira, 2006 (texto policopiado); 1º Mostra Instrumentos Musicais Populares: Recolha, Restauro, Construção [catálogo da exposição]. Funchal: Direcção Regional dos Assuntos Culturais/Câmara Municipal do Funchal – Serviços Culturais, 1982.

Lídia Góes Ferreira

(atualizada a 23.09.2015)