freitas, josé joaquim de sena

O P.e José Joaquim de Sena Freitas nasceu no dia 21 de julho de 1840 na cidade de Ponta Delgada, Açores, e faleceu no Rio de Janeiro em 22 de dezembro de 1913. Foi membro da Congregação da Missão, instituto fundado por S. Vicente de Paulo, do qual se afastou, sem acrimónia, em 1882, por notória inadaptação à exigente vida de comunidade. Pregador notável, polígrafo e jornalista combativo, repartiu por Portugal e Brasil a sua missão evangelizadora. Lutador estrénuo na defesa da causa católica, em tempos adversos, compreendeu que a evangelização não se deveria confinar ao interior dos templos senão ser proclamada em plena praça pública. Por isso, tanto subia ao púlpito para proclamar a palavra de Deus, como recorria à pena para difundir a mensagem cristã em artigos de jornal ou em livros e opúsculos.

A Madeira ficou ligada de várias maneiras à vida movimentada do P.e Sena Freitas. Em primeiro lugar, por nela ter permanecido durante períodos bastante longos, pelo menos por três vezes, nos anos de 1878, 1898 e 1904. Aí o levaram tarefas apostólicas, como pregar retiros aos ordinandos e ao clero madeirense e também, em várias solenidades, pregar tanto na Sé como noutras igrejas do Funchal, tarefas sempre coroadas por demonstrações de grande reconhecimento e louvor pela eloquência sagrada em que era exímio. Outro laço que o prendeu à Madeira foi a excecional estima que dedicava a D. Manuel Agostinho Barreto, bispo do Funchal, sobre quem escreveu palavras vibrantes de apreço pelas reformas que introduziu na organização da vida diocesana, revitalizando-a, e pela renovada formação do clero, nele reconhecendo o modelo e “coroa do episcopado português” (FREITAS, 1880). Grande veneração lhe mereceu igualmente D. Aires de Ornelas e Vasconcelos, bispo do Funchal de 1872 a 1874, sobre quem escreveu, em carta de 15/10/1880, “Professo um culto por aquele bispo à antiga” e que o jornal O Progresso Católico de 28/02/1881, de que Sena Freitas era, ao tempo, redator principal, homenageou ao noticiar o seu falecimento, dedicando-lhe toda a primeira página.

Há ainda outro relacionamento com a Madeira, mas agora de natureza política. Proposto pela Associação Católica (AC), o P.e Sena Freitas concorreu às eleições que aí se realizaram em novembro de 1882. Estas foram ganhas por Manuel de Arriaga, candidato republicano, cabendo ao candidato da AC o terceiro lugar, com 455 votos. Por fim, em fevereiro de 1925, por ocasião do regresso dos seus despojos mortais à ilha de S. Miguel, Açores, a sua terra natal, estes, que vinham do Brasil, onde tinha falecido, passaram pelo Funchal e aqui lhes foram prestadas solenes homenagens. O corpo esteve depositado durante alguns dias na capela do Hospício Princesa D. Maria Amélia, sendo aí sufragado com missa de Requiem. No salão da Juventude Católica de Santa Maria Maior realizou-se solene sessão de homenagem com vários discursos, a que presidiu o prelado da diocese.

Bibliog.: ABREU, Luís Machado de, et al. (coord.), Homem de Palavra: Padre Sena Freitas: Estudos, Inéditos e Autobiografia, Lisboa, Roma Editora, 2008; FREITAS, José Joaquim de Sena, Carta inédita, de 15/10/1880, ao P.e José Joaquim de Afonseca Matos.

                                   Luís Machado de Abreu

(atualizado a 29.08.2016)