freitas, josé joaquim de

José Joaquim de Freitas destacou-se ao serviço da medicina, em prol dos madeirenses, mas também se evidenciou pelo seu caráter benemérito. Nasceu em Machico, no sítio da Graça, a 17 de setembro de 1847, filho de Germano de Freitas e Maria Isabel dos Santos de Freitas. Casou-se com Maria Carolina Trindade de Freitas e teve dois filhos: José Filipe de Trindade e Freitas, que morreu aos 9 anos, e Maria Amélia Trindade Freitas Ferraz.

Frequentou o Liceu do Funchal e depois matriculou-se na Escola Médico-Cirúrgica do Funchal, tendo-se formado a 7 de julho de 1870. Em 1874, foi especializar-se em cirurgia na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Ao regressar à Madeira, entrou nos serviços da sua especialidade, no Hospital de Santa Isabel, da Santa Casa da Misericórdia. Foi nomeado, pela comissão administrativa deste hospital, enfermeiro-mor e cirurgião de banco. Exerceu a profissão durante mais de 63 anos e “exerceu com notável crédito a medicina no Funchal, tendo uma numerosa clientela” (SILVA, 1945, 39).

Aliou os serviços clínicos ao ensino e foi professor na Escola Médico-Cirúrgica do Funchal. Enquanto médico, desempenhou várias comissões de serviço público. Em 1893, ocorreu uma epidemia de febre tifóide no Porto Moniz, que fez alguns mortos. José Joaquim de Freitas foi enviado ao norte da ilha para tratar dos doentes. O seu trabalho foi reconhecido pelo Governo, que quis condecorá-lo, mas o médico recusou. Voltou a recusar mais tarde, quando as autoridades decidiram condecorá-lo em outras ocasiões: “Era um republicano e democrata de arreigadas convicções” (CLODE, 1983, 209).

No campo social, fundou o Auxílio Maternal com a sua irmã Florinda de Freitas, a 3 de setembro de 1903. Tratava-se de uma instituição destinada a proteger as crianças, sobretudo fornecendo alimentação apropriada quando as mães, por doença ou falta de condições, não podiam criar os filhos. José Joaquim de Freitas consagrou uma importante parcela da sua atividade, do seu afeto e da sua vida a este projeto.

O médico-cirurgião foi também o criador do Posto Médico Municipal e o fundador da primeira corporação de bombeiros voluntários do Funchal, tendo desempenhado ainda as funções de inspetor de incêndios. Durante o trabalho que desempenhou com os bombeiros, trouxe à Madeira um grupo técnico para dar instrução aos numerosos voluntários que se alistaram na corporação.

A 8 de fevereiro de 1933, o médico madeirense foi alvo de uma grandiosa homenagem, por altura do 50.º aniversário da sua nomeação para o cargo de cirurgião de banco e enfermeiro-mor do Hospital de Santa Isabel.

A comissão administrativa da Câmara Municipal do Funchal, presidida por Gastão de Deus Figueira, conferiu-lhe o título de cidadão benemérito, em sessão de 24 de janeiro de 1933. Nesse mesmo ano, o Governo Nacional condecorou-o com a ordem militar da Torre e Espada, pelas suas atividades de serviço, durante seis décadas, ao seu povo e ao seu país, em vários campos da atividade humanística. José Joaquim de Freitas faleceu na sua casa, na Rua da Carreira, a 9 de março de 1936, com 89 anos.

Bibliog.: CLODE, Luiz Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses, sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983; SILVA, Fernando Augusto, A Antiga Escola Médico Cirúrgica do Funchal, Funchal, Typographia Esperança, 1945; SILVA, Fernando Augusto e MENESES, Carlos Azevedo, Elucidário Madeirense, 4ª ed., Volume I, Funchal, Secretaria Regional de Educação e Cultura, 1978.

Cátia Teles

Ana Rita Londral

(atualizado a 29.08.2016)