gomes, álvaro reis

Diretor do Diário da Madeira e da Escola Industrial e Comercial do Funchal, dividiu-se pela advocacia, depois de cursar direito em Coimbra e Lisboa, pelo jornalismo e pela docência, empenhando-se desde a juventude no projeto que lhe trouxe maior reconhecimento: o ingresso do Club Sport Marítimo, enquanto campeão de futebol da Madeira, no campeonato nacional, que arrancara na época de 1921-1922. Nesse sentido, a missiva que inseriu n’O Sport de Lisboa (1 de abril de 1922) fez dele, em 1923, delegado da Associação de Futebol do Funchal para convencer a União Portuguesa de Futebol da justeza daquela pretensão. Só vinte anos depois, residindo em Lisboa, o relutante delegado conseguia junto da agora Federação Portuguesa de Futebol que um dos dois jogos da eliminatória da Taça de Portugal fosse no Funchal. Houve justiça, por isso, na atribuição do Leão de Ouro (1953), o mais alto galardão do clube, a quem, desde 1917, já exercia funções diretivas e foi presidente da Assembleia Geral em 17 mandatos, entre outros cargos.

A sua bibliografia é a de um conferencista e descansa nas páginas ou informações de jornais; exemplo disso é a conferência, proferida em 14 de setembro de 1925 no Salão Nobre do Teatro Municipal, sobre o tenor madeirense Lomelino Silva. A colaboração impressa, sucinta (máximo de 30 páginas) e vária, não muito aprofundada, reduz-se a poucos títulos: “O Comércio: sua Origem e Evolução Histórica”; “Mutualismo” (edição do autor), palestra proferida no Montepio Madeirense, com elogio de Ferreira de Castro, o animador da “Semana do Mutualismo”, no lisboeta O Século: “o escritor ilustre e profundamente humano – o mais profundamente humano de todos os nossos escritores” (1933, 9).

O elogio, diametralmente oposto, de um situacionista cai em 1938: “A Lição de Salazar: Dez Anos no Ministério das Finanças a Bem da Nação”; consensual, celebra o “Almirante Gago Coutinho: a sua figura e méritos”, em curto artigo da revista Independência (Lisboa, 1959), da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, aonde regressa, também com separata, para festejar “Portugal e Brasil na Celebração do ‘Dia da Comunidade Luso-Brasileira’” (1967).

No salão nobre da Casa da Madeira em Lisboa (Palácio Pombal), curou de “António Feliciano Rodrigues (Dr. Castilho): o Grande Poeta Madeirense”. E na Revista Municipal alfacinha (n.º 112/113, 1967, 16-25) insere, com separata, “Madeira e Madeirenses na Toponímia de Lisboa”, onde nomeia, topografa e historia ou biografa: Av. Ilha da Madeira; R. Gonçalves Zarco; R. Tristão Vaz; R. Bartolomeu Perestrelo; R. do Funchal; praceta Aires de Ornellas; R. Augusto José Vieira; R. Dr. Câmara Pestana; R. Francisco Franco; R. Francisco Luís Pereira de Sousa; R. Comandante Freitas da Silva; Lg. de D. João da Câmara; R. Quirino da Fonseca; R. Reis Gomes; Pç. do General Vicente de Freitas. Rastreamos um derradeiro artigo, “A Ilha da Madeira Vista por Grandes Nomes das Letras Nacionais e Estrangeiras”, em Das Artes e da História da Madeira: Revista de Cultura da Sociedade de Concertos da Madeira (Funchal, vol. VIII, n.º 38, 1968, 27-29).

Obras de Álvaro Reis Gomes: “O Comércio: sua Origem e Evolução Histórica” (1929); “Mutualismo” (1933); “A Lição de Salazar: Dez Anos no Ministério das Finanças a Bem da Nação” (1938); “Almirante Gago Coutinho: a sua Figura e Méritos”, Independência (1959); “António Feliciano Rodrigues (Dr. Castilho): o Grande Poeta Madeirense” (1965); “Portugal e Brasil na Celebração do ‘Dia da Comunidade Luso-Brasileira’” (1967); “Madeira e Madeirenses na Toponímia de Lisboa” Revista municipal (1967);“A Ilha da Madeira Vista por Grandes Nomes das Letras Nacionais e Estrangeiras”, Das Artes e da História da Madeira (1968).

Ernesto Rodrigues

(atualizado a 24.09.2015)