hinton

A História da Madeira nos sécs. XIX e XX está marcada pela presença desta família. A sua ligação ao açúcar e à construção do engenho que acabou por assumir uma posição dominante na safra desta cultura e deste produto mereceu semelhante valoração. O retorno dos canaviais no séc. XIX atribui aos agricultores madeirenses um suplemento fundamental à sua economia doméstica, ficando presente na memória de todos os canaviais e o movimento em torno do chamado engenho do Hinton, surgido em 1856 e que se manteve de pé até 1986, tendo funcionado até 1976. A par disso, uma trama política que atravessa vários momentos da História nacional obscurece a sua importância e valorização na economia madeirense.

William Hinton (1817-1904) fixou-se na ilha em 1838 atraído, tal como outros britânicos, pelo efeito benfazejo do clima. Aqui conheceu Robert Wallas, casando-se com sua filha, Mary Wallas, em 1839. A partir de 1841, assentou morada definitiva na Madeira. Manteve uma atividade destacada no comércio e na indústria, sendo o promotor do desenvolvimento da obra de vimes, da cultura da bananeira e da indústria açucareira, através da criação, em 1856, da unidade industrial a vapor, que ficou conhecida como engenho do Hinton. O filho, Harry Carvelery Hinton, que lhe sucedeu à frente da empresa, nasceu a 8 de janeiro de 1857, no Funchal. Casou-se pela primeira vez com Wilhelmina Montgomery e em segundas núpcias com Isabel Vasconcellos do Couto Cardoso, filha do Morgado do Jardim do Mar. Morreu a 16 de abril de 1948. A ele se liga a promoção da obra de vimes na Camacha, assim como a cultura da banana e mesmo os primórdios do futebol na ilha. Com efeito, em 1875, aos 18 anos, Harry Hinton trouxe para a ilha a primeira bola de futebol e fez da Quinta da Achadinha um espaço da modalidade. Depois, com a criação dos clubes, foi um benemérito de troféus e verbas, sendo Presidente honorário e sócio Leão de Ouro, número 1 do Club Sport Marítimo. O Almanaque do Desportista Madeirense traça um perfil distinto desta figura controversa da sociedade madeirense:

“Quem não conhece e admira essa figura de cidadão impoluto de homem honrado, de comerciante, industrial prestigioso e honesto, de alma virtuosa, benemérita e incorruptível, de zeloso, cumpridor de direitos, de submisso escravo de deveres? Quem não admira e exalta a sua personalidade forte, a sua linha irrepreensivelmente correta e aprumada, o seu espírito moço, juvenil e franco, a sua alma sem mácula, aberta de par em par à prática de memoráveis obras de caridade e de filantropia? Quem não aprecia e louva o exemplo vivo da sua vida longa toda dedicada ao trabalho, toda consagrada ao dever, num harmonioso ritmo, numa obra eminentemente admirável e requintadamente impressionante? Madeirense de nascimento e coração, o Senhor Henrique Hinton, mercê das suas excelsas qualidades de trabalhador incansável e probo é motivo de altaneiro orgulho, de brio e honra cimeira da terra que foi seu berço natal e que tantos benefícios deve às suas faculdades viris de fecundo empreendimento” (VIEIRA, 2004, 282).

O mesmo testemunho elogioso se repete no Elucidário Madeirense, na década de 20 do séc. XX. Idêntico elogio acontece é feito a seu pai, William Hinton, como se pode verificar nas páginas do Diário de Noticias do Funchal, em março de 1921: “Foi William Hinton, com a sua lúcida inteligência, com a sua atividade, com a sua iniciativa e com o seu capital quem imprimiu ao fabrico do açúcar madeirense uma orientação metódica e prática, coroada dos mais lisonjeiros resultados, sendo, por assim dizer, o alicerce fundamental do progresso e do desenvolvimento da grande fábrica do Torreão” (VIEIRA, 2004, 282). A família Hinton também está ligada ao fabrico de tabaco na Madeira, através da Empresa Madeirense de Tabaco, fundada em 1913, posição que deixou, em 1920, para a casa Leacock & Co Lda.

A família Hinton rapidamente assumiu a opção madeirense, dedicando especial carinho a tudo o que se relacionava com a ilha. Assim, interessou-se pela história e cultura do arquipélago, e foi H. Hinton quem adquiriu a chamada espada de João Gonçalves Zarco e a ofereceu ao Museu Municipal. Além disso, reuniu uma preciosa coleção de livros e folhetos sobre a Madeira, que hoje fazem parte do acervo da Biblioteca Municipal. Não obstante ter ficado para a História como uma figura controversa da sociedade madeirense, acabou por ver reconhecida a sua atividade, recebendo condecorações honoríficas: a comenda da Ordem de Cristo e o Grande Oficialato da Ordem de Mérito Industrial. O seu nome continuará ligado a Colombo pelo facto de o conselheiro Ayres de Ornelas e Vasconcelos lhe ter oferecido uma janela da casa que fora de João Esmeraldo, conhecida como “a janela de Colombo”, que instalou na sua residência da Quinta da Palmeira, na Levada de Santa Luzia, que havia adquirido em 1909.

Entre finais e o último quartel do séc. XIX, a família Hinton deteve um papel significativo na sociedade madeirense, por força do engenho do Torreão, que se transformou numa referência da cultura da cana sacarina. Tendo em conta a importância que este engenho assumiu na ilha, será fácil admitir a ligação sentimental que prendeu muitos agricultores. A forma como se afirmou o quase monopólio de laboração da cana pelo engenho do Torreão levou a que se focalizasse na família dos proprietários muito do ódio e das dificuldades que enfrentaram os produtores de cana madeirenses. A imagem do engenho confunde-se com a exploração e a opressão, enquanto para a família convergem inúmeros impropérios. O Renhau-nhau expressa inúmeras vezes a ira popular e de alguns setores da sociedade madeirense, mas outros jornais e publicações não se cansam de elogiar os feitos da família na sociedade madeirense.

A questão Hinton

Até ao advento do açúcar de beterraba, em princípios do séc. XIX, a tecnologia de moenda e fabrico do açúcar não sofreu muitas modificações. Ao nível da moagem da cana, houve necessidade de compatibilizar as estruturas com a expansão da área e o volume de cana moída, avançando-se assim dos ancestrais sistemas para a adaptação dos cilindros. Entre os sécs. XV e XVII, as inovações mais significativas ocorrem aqui; os cilindros passam a dominar todos os sistemas, de tração animal, humana, vento e água, destronando o pilão, o almofariz e a mó. Do simples mecanismo de cilindros duplos horizontais, evolui-se para os verticais que, no séc. XVII passam a ser três, o que permite uma maior capacidade de moenda e aproveitamento do suco da cana; com os dois cilindros, só se podia aproveitar 20% do suco da cana, enquanto com três se aproveita até 35%. A situação de Cuba, na década de 70 do séc. XIX, pode ser elucidativa da realidade. Uma maior capacidade na moenda implica maior disponibilidade de garapa a ser processada para se poder dispor do melado ou do açúcar. As dificuldades com a obtenção de lenhas ou os elevados custos do transporte até ao local do engenho levam a soluções que, paulatinamente, vão sendo adotadas por todos; primeiro, reaproveita-se o bagaço da cana e, depois, através de um mecanismo de fornalha única, consegue-se alimentar as cinco caldeiras de cozimento. O sistema ficou conhecido por trem jamaicano, por, segundo alguns, ter tido origem nessa ilha, mas na verdade temos informação do seu uso, se bem que não tão apurado, na Madeira e nas Canárias, no séc. XVI; com efeito, em 1530, Giulio Landi descreve o sistema de fabrico de açúcar com cinco caldeiras agrupadas (VIEIRA, 2004, 225).

A Jamaica esteve na frente das inovações da tecnologia açucareira a partir da segunda metade do séc. XVIII. São os ingleses que dão o passo definitivo para a mudança radical, através da introdução da máquina a vapor. O primeiro engenho horizontal de tipo moderno foi desenhado, em 1754, por John Smeato, na Jamaica, recebendo, a partir de 1770, o impulso da máquina a vapor. A nova tecnologia, que se aperfeiçoou com o andar dos tempos, poderá acoplar até 18 cilindros em sistema de tambor, tornando mais rápida e útil a moenda. Com cinco cilindros, o aproveitamento do suco pode ir até 90%, enquanto com os tambores de 18 cilindros quase se atinge a exaustão com 98%. Por outro lado, nos engenhos tradicionais, a média de moenda por 24 horas não ultrapassava as 125 toneladas, enquanto com o novo sistema a vapor, começa por atingir mais de 3000 toneladas de cana.

Outro fator significativo da safra prendia-se com a velocidade a que o processo da moenda da cana deveria ocorrer, mais uma vez no sentido de se retirar o maior rendimento da cana, através da sacarose. A cana tem um momento ideal para ser moída e, depois de cortada, os prazos para a moenda são curtos, caso queira evitar-se a fermentação, que é sinónimo de perda de sacarose. Nos avanços tecnológicos, tem-se em conta esta corrida contra o tempo, criando-se mecanismos capazes de moer cana com maior rapidez.

Até aos inícios do séc. XIX, o processo poderia durar de 50 a 60 dias, mas as aportações tecnológicas conduziram a que, em 1830, o mesmo se passasse a fazer em apenas um mês, e em 1860, através do novo sistema de centrifugação, em apenas em 16 horas. As primeiras mudanças ocorrem ao nível do processo de clarificação. Em 1805, Guillon, refinador do açúcar em Nova Orleães, preconiza o uso do carvão para purga do xarope; em 1812, Edward Charles Howard constrói a primeira caldeira de vacuum, conhecida como howard saccharine evaporator, que veio revolucionar o sistema de fabrico do açúcar. Três anos depois, surge em Inglaterra o sistema de filtros de Taylor. O evaporador de múltiplo efeito foi inventado, em 1830, por Norbert Rillius (1806-1894), de Nova Orleães, sendo usado nos primeiros engenhos a partir de 1834. Deste modo, torna-se mais fácil a retirada dos cerca de 85% de água que existem no suco da cana e um maior aproveitamento do açúcar. As novidades na clarificação e cristalização ocorrem num segundo momento. Assim, em 1844, o alemão Schottler aplicou pela primeira vez a força centrífuga na separação do melaço do açúcar branco, mas foi Soyrig quem construiu, em 1849, a primeira máquina de centrifugação, que abriu o caminho para o fabrico do primeiro açúcar granulado, em 1859. Este sistema vinha sendo utilizado desde 1843 na indústria têxtil. Os equipamentos contribuíram para acelerar o processo de purga do açúcar, permitindo que se passasse do moroso processo de quase dois meses para apenas 16 horas e depois para apenas alguns segundos.

A segunda metade do séc. XIX foi o momento da aposta definitiva na engenharia açucareira, contribuindo para importantes inovações. O mercado ocidental foi inundado de açúcar de cana e de beterraba. O desenvolvimento da indústria de construção de equipamentos para o fabrico de açúcar, fosse de cana ou de beterraba, aconteceu em países onde esta assumia uma posição significativa na economia. Deste modo, França e Inglaterra assumiram a posição pioneira no desenvolvimento da tecnologia açucareira com o objetivo de favorecer esta indústria das suas colónias. Os franceses detinham importantes colónias açucareiras nas Antilhas, os alemães estavam preocupados com a produção açucareira em Java, enquanto os interesses ingleses estavam centrados nas colónias das Antilhas e na Índia; por fim, os Estados Unidos da América tinham produções em Nova Orleães e depois no Havai. Cuba foi um dos espaços açucareiros onde mais se inovou em termos tecnológicos. As primeiras décadas do século XIX foram de plena afirmação da ilha, que se transformou em modelo para a indústria açucareira.

Em França, tudo começou com o químico Charles Derosne (1779-1846) que montou, em 1812, uma fábrica de construção de aparelhos de destilação continua. Nesta empresa começou a trabalhar, em 1824, J. F. Cail, na qualidade de operário de carvão, passando à condição de sócio a 4 de março de 1836. A sociedade Derosne et Cail manteve-se até 1850, altura em que passou a chamar-se J. F. Cail et Cie. que, em 1861, passou a cooperar com a nova Cie. Fives-Lille, especializada no fabrico de equipamentos para fábricas de açúcar e caminhos-de-ferro. Os equipamentos saídos da empresa Cail chegaram às colónias holandesas, espanholas, inglesas e francesas, bem como ao México, à Rússia, à Áustria, à Holanda, à Bélgica e ao Egito. À indústria francesa juntaram-se outros complexos industriais, tanto na Europa – em Inglaterra (Glasgow, Birmingham, Nottingham, Londres, Manchester, Derby), na Holanda (Breda, Roterdão, Schiedam, Ultrecht, Delft, Hengelo, Amesterdão), na Alemanha (Magdeburgo, Zweibruecken, Halle, Dusseldorf, Sangerhausen, Ratingen, Halle) e na Bélgica (Bruxelas, Tirlemont) – como nos Estados Unidos da América (Oil City, Ohio, Denver, New Jersey). A Inglaterra foi, desde meados do séc. XVII, um dos mais importantes centros de refinação de açúcar na Europa. As refinarias proliferam nas cidades de Bristol, Essex, Greenock, Lancaster, Liverpool e Southampton. Isto justifica o seu desenvolvimento tecnológico. A abertura às inovações tecnológicas, como forma de tornar concorrencial o produto, acarreta algumas consequências para a indústria ao nível nacional. Os investimentos são vultuosos e, por isso mesmo, só se tornam possíveis mediante incentivos do Estado. A inovação e recuperação da capacidade concorrencial só se tornaram praticáveis à custa da concentração. Tanto em Cuba como no Brasil, a década de 80 foi marcada pelos grandes engenhos, conhecidos como centrais.

A concorrência do açúcar é cada vez mais evidente, obrigando as autoridades nacionais a intervir no sentido da defesa das suas culturas e indústrias. A política protecionista iniciada pelos Estados Unidos da América alastrou a todo o mundo açucareiro. Se o séc. XIX foi o momento da aposta na tecnologia, a centúria seguinte será marcada pela política açucareira. A nível internacional, reuniu-se a convenção de Bruxelas, em 1902 e 1929, com o objetivo de limitar o apoio financeiro e as medidas de defesa e protecionistas dos diversos Estados produtores de cana e açúcar. Entretanto, em 1937, a International Sugar Organization procura estabilizar o mercado através do estabelecimento de cotas de produção, que acabaram em 1977. Desde a década de 70 persiste o enfrentamento entre o comércio livre e a política protecionista dos Estados.

Na segunda metade do séc. XIX, a crise da produção do vinho fez com que a cultura sacarina se apresentasse como a resposta adequada à perda de importância da vinha, assumindo o papel de cultura rica, na agricultura madeirense. A intervenção das autoridades deu lugar ao chamado protecionismo sacarino, que desembocou naquilo que ficou depois conhecido como a questão Hinton. A conturbada situação política de finais do século XIX e princípios do século XX favoreceu o debate político em torno da questão sacarina, que o Estado Novo apaziguou. As condições do mercado mundial obrigavam à intervenção das autoridades pois, caso contrário, a produção madeirense estaria condenada, com inevitável prejuízo para os agricultores. As dificuldades económicas tornavam a iniciativa do Estado cada vez mais útil e necessária, caso se pretendesse atalhar a constante tendência para a emigração do mundo rural.

A partir da segunda metade do século XIX, a produção mundial de açúcar, passou a estar sob um controlo apertado das autoridades e dos grupos económicos. O consumo, que se generalizou a todos os grupos sociais nesta época, não foi suficiente para atender à elevada oferta do produto. A tecnologia permitiu um melhor aproveitamento da sacarose disponível na cana, ao mesmo tempo que a área de cultivo se alargou a novos espaços, contando ainda com a concorrência feroz da beterraba europeia. Em finais da centúria, os preços do açúcar desceram a níveis nunca atingidos. Para isso terá contribuído a política de subsídios à cultura e produção de açúcar de beterraba por alguns países europeus, como a França e a Alemanha. As diversas convenções internacionais nunca conseguiram reprimir a feroz e desigual concorrência do mercado do açúcar. Note-se que a conferência de Bruxelas de 1901-02, ao conseguir estabelecer a supressão dos subsídios à produção, foi uma medida importante para a retoma dos preços.

Portugal não ficou alheio à política protecionista dos governos, sendo a economia dos sécs. XIX e XX alimentada por fortes medidas de proteção e favorecimento, face à concorrência estrangeira. Ficou célebre a política de protecionismo cerealífero, introduzida em 1889. O regime implantado em 1926 tinha bem entranhado a cultura que dava preferência aos produtos nacionais. Os inícios do segundo momento da cultura açucareira na ilha foram acompanhados de medidas favorecedoras. Assim, em 1855 e 1858 oneraram-se os direitos de importação de mel, melado e melaço, enquanto em 1870, 1876, 1881 e 1886 se favorecia a entrada do açúcar madeirense no continente e nos Açores, através da redução ou isenção dos direitos de entrada. Atendendo às dificuldades criadas com a crise da lavoura açucareira, provocada pelo ataque do fungo conyothurium melasporum, o Governo interveio no sentido da preservação. A aposta era fazer da cultura da cana-de-açúcar um elemento revitalizador da agricultura madeirense. Em 1888, avançou-se decisivamente na proteção e replantação de novas variedades resistentes às doenças e mais produtivas, criando-se uma estação experimental dedicada ao estudo da cultura. Em 1895 é promulgado outro decreto (VIEIRA, 2004, 435), conhecido como regime sacarino da Madeira, que regulamentou o processo de laboração da cana e de fabrico de aguardente. Assim, as fábricas matriculadas obrigavam-se à aquisição de toda a cana produzida, de acordo com o preço estabelecido; em compensação, tinham uma redução de 50% nos direitos de importação do melaço para fabrico do álcool usado na fortificação dos vinhos. Seguiram-se, ao longo dos tempos, outros decretos: 1903, 1904, 1909, 1911.

Em 1903 (VIEIRA, 2004, 438), novo decreto argumenta com as dificuldades do cultivo da cana e os custos elevados que acarreta para justificar ao aumento dos preços mínimos. A compra de toda a cana é conseguida mediante compensações do Estado. As fábricas matriculadas estavam obrigadas a comprar todos os saldos da aguardente manifestados até 31 de dezembro, de forma a evitar a concorrência com o álcool feito de melaço importado. Acontece que as fábricas de açúcar e álcool deixaram de comprar os saldos aos fabricantes de aguardente, dando uma compensação de 100 réis ao galão, o que acabou por criar uma situação insustentável. O decreto de 11 de março de 1911 (VIEIRA, 2004, 438) pretendeu estabelecer um travão no consumo excessivo de aguardente, que se havia transformado num prejuízo para a saúde pública, abrindo a porta para uma solução drástica, estabelecida pelo decreto de 1919 (VIEIRA, 2004, 334). A aposta estava na reconversão dos canaviais pela plantação de vinha de castas europeias e no controlo da produção e do consumo de aguardente. Neste caso, seria determinante a medida delimitadora da produção para 20.000 litros / ano e o encerramento, em 1930, de todas as fábricas de aguardente que não tivessem sede nos concelhos da costa Norte. Mas o decreto de 14 de abril de 1924 (VIEIRA, 2004, 169) aumenta o limite da produção de aguardente para 500.000 litros, o que obrigou à emenda de 1927 (VIEIRA, 2004, 177), com o encerramento de todas as fábricas de aguardente do sul, ficando a Junta Geral com o encargo de venda da aguardente.

O regime de proteção com preços tabelados de compra da cana deixou de existir a partir de 1920. A medida, não obstante garantir ao agricultor o escoamento da totalidade da produção, criava uma situação de subordinação ao engenho do Torreão. Antes de 1895, o lavrador tinha liberdade de mandar moer por sua conta a cana e fabricar açúcar que depois vendia; com as medidas protecionistas, passou a estar obrigado à venda da produção às fábricas matriculadas. Os resultados desta política começaram logo a fazer-se sentir, com o incremento da área de cana. A ilha, que em 1886 deixara de exportar açúcar passando mesmo a importá-lo, entrou no novo século satisfazendo as suas necessidades de açúcar e álcool e criando um excedente para exportação. Em 1907, saía o primeiro açúcar da ilha para o continente, usufruindo de privilégios fiscais.

Acontece que, dos engenhos existentes na ilha, apenas se matricularam as fábricas de W. Hinton & Sons e de José Júlio de Lemos. Isto iria dar azo a acesa polémica, quando, em 1903, surgiu novo decreto (VIEIRA, 2004, 169) que só beneficiava estas fábricas. No ano imediato, novo decreto (VIEIRA, 2004, 169) consolida a situação, estabelecendo um contrato inalterável até 1919, o que permitiu algumas inovações tecnológicas. Entretanto, em 1915, uma representação de cerca de 4000 proprietários e agricultores reclamava a conservação do regime sacarino. Isto justificava-se pela situação em que se encontrava a ilha: “A viticultura não pode readquirir a sua antiga prosperidade, pela decadência dos preços dos vinhos, suja exportação crescia pouquíssimo antes da guerra. A generalização das árvores de fruto ricas levaria longos anos e é praticamente impossível por falta de capitães e de outros elementos e circunstâncias que seriam essenciais a uma transformação cultural dessa natureza. As plantações sacarinas, que representam grandes capitalizações e têm um alto valor, devem continuar necessariamente garantidas com as condições actuais de existência” (VIEIRA, 2004, 171).

Em 1927, outro grupo de 3.535 proprietários, agricultores e consumidores reclamava a preservação do decreto n.º 14.168 (VIEIRA, 2004, 171), considerado medida salutar face aos anteriores diplomas de 1911 e 1919, que estabeleciam medidas restritivas ao fabrico de aguardente. Procurava-se travar o consumo exagerado de aguardente na Madeira que, por isso, havia recebido o epíteto de ilha da aguardente. Durante a República e o Estado Novo, a cultura da cana manteve-se lado a lado com a da vinha, como uma preocupação permanente. Em 1935, numa carta que Salazar escreveu ao Presidente da Junta Geral, o Dr. João Abel de Freitas, é evidente a insistência na defesa da cultura: “O regime a executar deve ser o decretado em maio do ano findo. Foram feitas muitas reclamações que examinei com cuidado; apenas duas me pareceram suscetíveis de deferimento e não ainda assim como era pedido: 1) como a Alfândega não pôde fazer as comunicações a que a lei se referia sobre a graduação da cana em certos locais, tenho trabalhado um decreto a publicar imediatamente em que se prorroga por mais um ano o regime transitório estabelecido para 34-35 no citado decreto; 2) no mesmo decreto se permite a renovação ou substituição dos canaviais até 60% dos pés substituídos e da área ocupada. Estão no relatório do decreto do ano findo as razões porque se não permite a substituição integral. Se o consumo do açúcar não aumentar temos de baixar de 15% a 20% a produção de cana, e ainda é preciso que esta seja tão rica como é este ano, por causa da escassez das chuvas; 3) Os pedidos ou pretensões ou cálculos dos industriais de aguardente não podem ser tomados em consideração. É preciso convencê-los desta verdade: fabricam um artigo que se não vende. Não é caso para qualquer indemnização por parte do Estado, nem para se consentir outra vez o envenenamento dessa gente, como era de antes” (VIEIRA, 2004, 171), Passados cinco anos, o então Governador Civil José Nosolini evidencia, mais uma vez, o caráter artificial da economia açucareira: “Esta produção foi-se mantendo, por um lado, mercê da exportação de açúcar madeirense para o continente; por outro lado mercê do desvio de fabrico de açúcar para o de aguardente” (VIEIRA, 2004, 171). Deste modo, a política do Governo de controlo da produção de cana estava certa, uma vez que “a cana sacarina a não ser em cultura muito restrita é perniciosa. […] Mas cana de açúcar, vinhos, bordados serão por muito tempo intransponíveis montanhas de dificuldades para a ação governativa” (VIEIRA, 2004, 172).

Dentro do contexto da política protecionista, merece lugar de relevo o debate em torno da questão Hinton, que animou o meio político entre finais do séc. XIX e princípios do seguinte. Foi sem dúvida o problema que mais apaixonou a opinião pública, nas vésperas e durante a República. Publicaram-se inúmeros folhetos, os jornais encheram-se de opiniões contra e a favor. O momento mais importante foi a polémica que, em 1910, se ateou no Parlamento. Cesário Nunes documenta a situação, de forma lapidar: “Em Portugal nenhuma questão económica atingiu tão alta preponderância e trouxe então grandes embaraços legislativos às entidades governativas como o problema sacarino da Madeira” (VIEIRA, 2004, 173). Tudo começou em 23 de março de 1879, com a inauguração da Companhia Fabril do Açúcar Madeirense. Era uma fábrica de destilação de aguardente e de fabrico de açúcar sita à Ribeira de S. João. Demarcou-se das demais com o recurso a tecnologia francesa, usufruindo dos inventos patenteados em 1875 pelo Visconde de Canavial. O cónego Feliciano João Teixeira, sócio do empreendimento, no discurso de inauguração, afirma ser este um “grandioso monumento, que abre uma época verdadeiramente nova e grande na História da indústria fabril madeirense” (VIEIRA, 2004, 174). Isto foi apenas o princípio de um conflito industrial, onde imperou a lei do mais forte. Como afirmava em 1879, no momento do encerramento, José Marciliano da Silveira “a fábrica de são João foi cimentada com o veneno da maldade; era o seu fim dar cabo de todas as que existiam” (VIEIRA, 2004, 174). A polémica ateou-se com o plágio, por parte da família Hinton, da invenção do Visconde Canavial, que em 1870 havia patenteado um invento que consistia em lançar água sobre o bagaço, o que propiciava um maior aproveitamento do suco da cana.

Constava da patente o uso exclusivo pela fábrica de S. João, mas o engenho do Hinton cedo se apressou a copiar o sistema. Em 1884, o lesado moveu, uma ação civil contra o contrafator. A família Hinton ficou para a História como a autora da inovação, que como sabemos foi comum em vários espaços açucareiros. Em 1902, a fábrica Hinton experimentou um novo sistema para o fabrico de açúcar por intervenção de León Naudet, que ficou conhecido como sistema Hinton-Naudet e que consistia em submeter o bagaço a uma circulação forçada num aparelho de difusão, conseguindo-se um ganho de mais 17% e a maior pureza da guarapa, evitando as defecadoras. O engenheiro M. Naudet esteve no Torreão nos dias 21 e 22 de junho de 1907, combinando com João Higino Ferraz a instalação do sistema de difusão, o triple-effet, e a caldeira freitag (cuite); todavia, a montagem do novo maquinismo começou apenas em meados de setembro, após a conclusão da safra. Até 1909, o técnico do Hinton manteve correspondência assídua, no sentido de esclarecer pormenores sobre a instalação dos diversos mecanismos; na sequência disto, João Higino Ferraz deslocou-se a Paris para novo encontro com Naudet e visitas a fábricas de açúcar de beterraba.

A viragem da centúria implicou com a situação sacarina da ilha. A conjuntura económica mundial pôs em causa as condições de privilégio conseguidas com a entrada do melaço, por força do aumento do preço e das diferenças cambiais da moeda. A “lei que tantos benefícios trouxe à Madeira” (VIEIRA, 2004, 439) aguardava renovação. Para poder afirmar-se, a fábrica Hinton monta uma campanha para limpar a imagem junto do público, através de textos e entrevistas publicados nos principais jornais do Funchal, como o Diário de Noticias, o Diário da Madeira e o Diário do Comércio.

Paulatinamente, estabelece-se uma teia de interesses que integra políticos locais e continentais, funcionários alfandegários e mesmo algumas autoridades. Nesta estratégia, a função de João Higino Ferraz foi fundamental, juntamente com a de Harry Hinton, em permanente rodopio entre o Funchal e Lisboa. A família Hinton conseguiu singrar na indústria açucareira a muito custo. A conturbada conjuntura política condicionou a sua capacidade de persuasão. A visita do Rei D. Carlos à ilha, em 1901, poderá ter sido um momento crucial. As medidas que favoreciam a entrada de melaço, estabelecidas pela lei de 1895, associada ao decreto de 1903, determinavam a forma de matrícula das fábricas e abriam as portas à concentração do setor. As condições eram de tal modo lesivas que só duas – Hinton e José Júlio Lemos – o conseguiram fazer. As cerca de meia centena de fábricas que existiam na ilha ficaram numa situação periclitante.

Em 1901, João Higino Ferraz lança o primeiro grito de alerta de crise para o setor, em carta ao Visconde de Idanha, onde dá conta da perda dos privilégios e contrapartidas da importação do melaço resultante da lei de 1895 e, por consequência, da impossibilidade de manter os preços da cana pagos ao agricultor. A solução estava na diminuição do imposto de importação do melaço: “[…]tenho a certeza que a coadjuvação de meu bom amigo nos será muito útil, e o seu nome não será esquecido neste bocadinho da pátria” (VIEIRA, 2004, 176). Noutra carta, de 8 de outubro, seguem novos artigos para a imprensa e importantes recomendações, no sentido da defesa intransigente do decreto então publicado: “[…] exerça toda a vigilância para não aparecer coisa alguma contra as providencias em qualquer jornal. Se for precisa qualquer despesa para isso é faze-la. […] O decreto deve deixar bem toda a gente, mas no caso de haver alguém que por inveja, ou qualquer outro motivo queira levantar dificuldades na imprensa ou fora dela, combine com o Romano a melhor maneira prática, direta ou indireta de os calar até a minha chegada” (VIEIRA, 2004, 175).

Passados dois anos, a casa Hinton apostava numa campanha na imprensa local, servindo-se do Diário de Noticias e do Jornal do Comércio. Em carta de 18 de setembro, Harry Hinton, anunciou a publicação do novo decreto e recomendou a J. Higino Ferraz os textos e o telegrama ao Presidente do Concelho, que enviou também aos jornais. Na carta, é evidente uma certa familiaridade com o Ministro da Fazenda e a possibilidade de ter sido necessário mover algumas influências. A parte final da carta é comprometedora: «Fale com o Lemos e diga-lhe que é conveniente não abaixar por hora o preço do alcool, sem que eu lá chegue. Tem havido despesas grandes com o decreto, e tenho certos compromissos em que ele também tem de entrar” (VIEIRA, 2004, 176). No intervalo publicou-se, a 18 de julho de 1903, a lei sobre o fabrico dos açúcares açorianos e temem-se maiores prejuízos, pelo que “é bom enquanto está aí [em Lisboa] ver bem essa lei não nos vá prejudicar” (VIEIRA, 2004, 176). A campanha na imprensa havia dado fruto, mas nada estava ainda garantido e outro percalço com a vistoria das autoridades à fábrica implicava todo o cuidado, “porque mudando o governo a lei que regula pode-nos ser bastante prejudicial quanto ao pagamento da contribuição industrial” (VIEIRA, 2004, 176). Por outro lado temia-se a matrícula de novas fábricas. A situação entre os vários industriais era tensa. A lei de 24 de novembro de 1904 dava a machadada final, ao estabelecer a matrícula dos engenhos por 15 anos.

Entretanto, caiu a monarquia e sucedeu a República, que parecia querer fazer ouvidos moucos às regalias conquistadas no anterior regime. Rapidamente tudo se recompôs. As dificuldades do comércio do vinho repercutiam-se no setor, com a diminuição do consumo de álcool, a principal contrapartida das fábricas matriculadas. Em outubro de 1905, Batalha Reis visitou a fábrica Hinton e teceu os maiores elogios ao álcool aí produzido, mas insistiu na necessidade de introdução dos vinhos de Portugal, o que não agradou aos anfitriões. A primeira década da centúria foi fundamental para a consolidação do engenho do Torreão. Entre 1898 e 1907, houve investimentos avultados na modernização do engenho do Torreão, que obrigaram uma investida junto do poder central, no sentido de garantir as regalias para se poder rentabilizar o investimento. Em janeiro de 1907, Harry Hinton estava em Lisboa a jogar a última cartada: “ou João Franco atende ao seu pedido justo e que interessa bastante e a toda a Madeira agrícola, ou não atende, e nesse caso não posso prever quais as consequências desastrosas de sua maneira de ver” (VIEIRA, 2004, 176).

A República não terá sido muito favorável aos objetivos da família Hinton. O ambiente parece ser de tensão pois, segundo J. Higino Ferraz, “o senhor Hinton disse-me que em nada pode influir em Lisboa junto do governo sobre questões de açúcar, porque o nome Hinton é sempre visto com maus olhos” (VIEIRA, 2004, 176). Todavia, pelos decretos de 1911 e 1913, conseguiu-se segurar o monopólio do fabrico do açúcar e regalias na importação de açúcar das colónias. Em 1914, a casa Hinton reclamava uma indemnização ao Estado, pelo facto de ter sido aumentando o açúcar bonificado das colónias que entrava no continente. Em 1917, parece que os ânimos haviam serenado e tudo estava bem encaminhado, apostando-se numa nova fábrica. A demanda de álcool prenunciava um período de prosperidade. A prorrogação do contrato nas mesmas condições era de toda a conveniência. Apenas os distúrbios políticos poderiam fazer perigar a situação de privilégio. Estava-se em período de revisão da lei e referia-se até a possibilidade de vinda ao Funchal do Ministro da Agricultura, situação considerada má para o Hinton, pois, como refere J. H. Ferraz: “Não tenho confiança alguma nestes nossos amigos de cá, e temos como sabe, fartura de inimigos” (VIEIRA, 2004, 177).

A 31 de dezembro de 1918, acabava a situação de favorecimento estabelecida por 15 anos. Entretanto, só a 9 de abril do ano seguinte, o Governo interveio, tornando livre a “faculdade de laboração da cana sacarina com destino à produção de açúcar”. O decreto de 2 de maio (VIEIRA, 2004, 177) define uma nova realidade. Assim, para além da liberalização da produção de açúcar e da isenção de direitos alfandegários de maquinaria para novos ou reforma dos engenhos existentes, estabeleceu-se uma nova política agrícola, promovendo-se a substituição dos canaviais pela vinha. A situação não fez perigar a posição hegemónica da Casa Hinton que se mantinha confortavelmente como o único produtor de açúcar. Com o Estado Novo, as medidas resultantes dos decretos nºs. 14.168, 15.429, 15.831, 16.083 e 16.084, de 1928 (VIEIRA, 2004, 177), embora restritivas dos antigos privilégios, favoreceram Hinton, quando impediram a instalação de novas fábricas e determinaram o fecho de algumas que se encontravam em funcionamento. O ano de 1928 foi fulcral para a afirmação da estratégia hegemónica. Desde 1927 que os chamados aguardenteiros mediam forças com a casa Hinton. Em Lisboa, Harry Hinton, recomenda nova campanha na imprensa, valorizando as iniciativas modernizadoras empreendidas pelo engenho. A entrevista “Engenho do Hinton”, de João Higino Ferraz, ao Diário da Madeira, propriedade do mesmo industrial, enquadra-se nesta estratégia. Tal como refere o entrevistado, em carta a H. Hinton, “o meu principal fim foi provar que somente Torreão pode moer toda a cana mesmo no máximo em 3 meses. […] Falei sobre as modificações importantes na fabrica do Torreão, mas sem dizer que era para aumentar a capacidade, mas somente para abreviar o trabalho e produzir melhor, se falássemos em aumento de capacidade, os nossos inimigos teriam um pé para dizer que o Torreão não estava habilitado a fazer a laboração do máximo o que só agora é que queria estar nessas condições, o que não é verdade segundo verá pela entrevista” (VIEIRA, 2004, 177).

Entretanto, o Governador Civil mantém-se atento à disputa, ouvindo os interesses dos aguardenteiros, e procurando reunir apoios, no sentido de apresentar uma proposta de mudança da lei. A isto juntavam-se as iniciativas de Henrique Figueira da Silva. Os adeptos da causa Hinton vão diminuindo, mantendo-se apenas António Pinto Correia. O decreto 14.168 (VIEIRA, 2004, 177) trouxe algum alívio, pois que tudo “ficará mais seguro” (VIEIRA, 2004, 177), mas continuava ainda a ser considerada como a “maldita nova lei sacarina” (VIEIRA, 2004, 178).

Em 1929, Harry Hinton sente-se cansando e aborrecido com todas as contrariedades que lhe acarreta o engenho, fruto do enfrentamento constante com os interesses adversos dos demais industriais e as mudanças da conjuntura política. Parece ter tido a intenção de vender a fábrica, mas certamente a pressão do amigo João Higino Ferraz contribuiu para mudar de opinião. A carta que escreveu a Mrs. Lefebvre, é bastante expressiva: “Il est riche et peut se reposer…et moi…” (VIEIRA, 2004, 178) Será na sequência desta situação que, em 1930, aceita fazer sociedade com George Welsh, H. B. Tristão da Câmara e João José de Freitas Belmonte. Este último era contabilista da empresa desde 1929 e manteve-se até 1935, altura em que entrou em conflito com o principal societário.

Quirino de Jesus (1865-1935) que, em momentos anteriores fora um poderoso aliado na estratégia do Hinton, surge, em finais da década de 20, como um traidor “que não tem outro fim senão vingar-se do Sr. Hinton” (VIEIRA, 2004, 178). O causídico defendera os interesses da empresa, mas rapidamente mudou de opinião, como se constata da correspondência de João Higino Ferraz e do que nos diz o P.e Fernando Augusto da Silva: “de acérrimo e entusiástico defensor do regime sacarino, como advogado e publicista, do regime sacarino, tornou-se a breve trecho, com igual ardor e convicção, um inimigo declarado do mesmo regime” (VIEIRA, 2004, 178). Em 1969, a família Hinton informou o governo da intenção de encerrar a fábrica, acabando com o fabrico de álcool e açúcar, que não era rentável. Perante isto, o governo, através da Direção-Geral das Alfândegas, comprometeu-se a compensar as perdas. O relatório sobre a situação, de 1972, aponta o facto de a indústria se encontrar num beco sem saída, pois a “substituição não pode justificar-se dada a ausência de uma rentabilidade previsível no fabrico do açúcar”. E conclui: “É excecionalmente raro, que nos anos 70 uma fábrica de açúcar com uma capacidade de produção inferior a 20.000 toneladas anuais, tenha possibilidade de ser razoavelmente rentável e muitos poucos investidores de novos projetos de fábrica considerarão hoje em dia o estabelecimento de fábricas com uma capacidade inferior a 50.000 toneladas”.

O engenho do Hinton, consolidada a posição dominadora do mercado local, manteve-se como a referência da cultura da cana-de-açúcar até que, em 1985, agonizou em definitivo o império do açúcar de Hinton. Durante todo o séc. XX, a fábrica Hinton foi uma referência da cidade e da vida de quase todos os agricultores madeirenses que apostaram na cultura da cana. A posição de favorecimento que mereceu, desde a Monarquia ao Estado Novo, alimentou inimizades, debates na imprensa e a reprovação de alguns setores da sociedade. A família Hinton estabeleceu uma estratégia de domínio da indústria açucareira e do álcool, através de uma aposta permanente na inovação tecnológica que lhe permitiu sobrepor-se a todos os concorrentes.

O séc. XX foi o momento da plena afirmação. Em 1898, montaram-se dois difusores, seguindo-se o centrifugador e as turbinas em 1901, para, no ano seguinte, se montarem quatro difusores. Em 1904 e 1905, apostou-se no sistema Naudet. Para os anos de 1906 e 1907, mudou-se o aparelho de triple effet, a caldeira de vácuo e o melaxeurs. De acordo com dados de 1907, o engenho moía cerca de 1/3 da cana da ilha, ficando os restantes 2/3 para os outros 47 engenhos. Na altura, empregava 230 trabalhadores, tendo ao seu serviço 10 geradores a vapor Babcook & Wilcox, com a maior potência em uso na ilha; apenas o de José Júlio de Lemos se podia aproximar, mas a longa distância. A capacidade de laboração da fábrica aumentou nos anos seguintes, com novas montagens de equipamentos em 1910. Passados sete anos, um incêndio obrigou à aquisição de novo equipamento de destilação, que, em 1924, teve de ser aumentado para corresponder à demanda do produto.

Harry Hinton procurou neutralizar a concorrência, através da compra ou arrendamento de outras unidades industriais; adquiriu a antiga fábrica de Severiano Ferraz, na Ponte Nova e comprou os mecanismos mais importantes de outras fábricas. Com José Júlio de Lemos, estabeleceu um contrato de arrendamento de 25 contos anuais, que perdurou até 1919.

A necessidade de afirmação levou-o a apostar na renovação tecnológica do engenho do Torreão, sob a superintendência de João Higino Ferraz. As reformas iniciaram-se em dezembro de 1900, com a montagem de cilindros, peças centrífugas e filtros mecânicos de Manoury. Para os anos imediatos, reservou-se a montagem das turbinas Westo, dos difusores, da caldeira de vapor. A sociedade que estabeleceu, em 1905, com W. R. Bardsley deve ter favorecido a arrancada definitiva para a hegemonia tecnológica. O aperfeiçoamento tecnológico promoveu a posição concorrencial da fábrica em relação às demais. Os percalços, como a explosão de uma caldeira em 1928, não travaram o avanço. Em 1929, estando já em pleno funcionamento o sistema Hinton-Naudet, a diferença era abismal; assim, enquanto a Companhia Nova só podia laborar 100 toneladas de cana em 24 horas, a fábrica do torreão atingia as 500 toneladas, para conseguir, em 1920, as 608 toneladas.

As medidas de 1939, que conduziram ao encerramento de 48 fábricas de aguardente em toda a ilha, favoreceram a tendência monopolística da safra da cana sacarina. Ao mesmo tempo, o fabrico de açúcar foi em crescendo de qualidade, como evidencia insistentemente João Higino Ferraz. Em 25 de novembro de 1917, um curto-circuito nos fios da luz elétrica esteve na origem da destruição do sistema de destilação, o que obrigou ao uso de outros destiladores até que em outubro do ano seguinte os primeiros estivessem operacionais.

A questão Hinton é uma constante desde finais do séc. XIX e não passa ignorada, mesmo pelos estrangeiros. Já em 1882, J. Rendell refere que o engenho Hinton é, juntamente com o da família Ferraz, o engenho mais importante da Ilha. Em 1894, C. Gordon é perentório: “[…] the great bulk of the sugar industry of the island is in the hands of one English firm” (VIEIRA, 2004, 182). Já W. Koebel, em 1909, não hesita em afirmar que a indústria açucareira está dependente do monopólio da firma Hinton (VIEIRA, 2004, 182). Em 1927, o Marquês de Jácome Correia testemunha o facto de a fábrica do Torreão ter “a fama de ser uma fábrica modelar”, pelos seus “complexos mecanismos, a organização fabril e a importância da produção” (VIEIRA, 2004, 182). Também o P.e Fernando Augusto da Silva não se poupa em elogios à ação empreendedora da família que criou “a fábrica mais aperfeiçoada do mundo” (VIEIRA, 2004, 182).

A partir de 1898, a alma do complexo industrial açucareiro da família Hinton era João Higino Ferraz, que assumiu as funções de gerente do engenho, sendo um dos colaboradores diretos de Harry Hinton. A sintonia e o empenho de ambos fizeram com que a ilha apresentasse, entre finais da centúria oitocentista e inícios da seguinte, uma posição destacada no setor, atraindo as atenções a nível mundial. João Higino Ferraz afirma-se como o perfeito conhecedor da realidade científica do engenho. Opina sobre agronomia, como sobre mecânica e química. E mantém-se sempre atualizado sobre as inovações e experiências na Europa, nomeadamente em França. Da sua lista de contactos e conhecimentos fazem parte personalidades destacadas do mundo da química e da mecânica, com estudos publicados. Assim, para além dos contactos assíduos com Naudet, refere-nos com frequência os estudos de Maxime Buisson, M. E. Barbet, M. Saillard, F. Dobler, M. D. Sidersky, Luiz de Castilho, M. H. Bochet, M. Effort, M. Gaulet. Hinton acolhe especialistas de todo o mundo, na condição de visitantes, ou como contratados para a execução dos trabalhos especializados. O engenheiro Charles Henry Marsden foi um deles: aí trabalhou entre 1902 e 1937, altura em que saiu doente para Londres, onde faleceu no ano seguinte; a sua presença está documentada, pelo menos entre 1918, 1929 e 1931. Também sabemos que, em 1902, o engenheiro químico agrícola Maxime Buisson, trabalhava no laboratório (VIEIRA, 2004, 182). Para o fabrico de açúcar, contratavam-se em França os afamados cuiseurs, de forma a seguir-se à risca as orientações de Naudet. M. Frederique, que já havia trabalhado na Martinica, “sabe bem do seu ofício é muito cuidadoso no seu trabalho é sóbrio e delicado” (VIEIRA, 2004, 183), o que contribuiu para uma safra excecional. Noutras ocasiões, o serviço foi um desastre, como sucedeu em 1930, quando Marinho de Nóbrega era o químico oficial do engenho.

Nos anos 20 e 40 do séc. XX, a voz pública de reprovação ao favorecimento, dito monopólio, teve expressão frequente no jornal humorístico Re-nhau-nhau. A figura de Harry Hinton e protegidos são o alvo do intrépido desenhista que pretende dar voz ao “Zé Povo”. O arquivo do engenho do Hinton não se encontra disponível; mas é possível encontrar alguns testemunhos avulsos no arquivo particular de João Higino Ferraz (1863-1946) – copiadores de cartas, livros de notas e apontamentos – em que o técnico documenta, quase minuto a minuto, o que sucede na fábrica, desde os percalços do quotidiano às questões técnicas e laboratoriais. O facto de a mesma documentação abranger um período nevrálgico da História de Indústria Açucareira, marcada por permanentes inovações no domínio da metalomecânica e química, confere especial importância a este tipo de espólio, o único até hoje divulgado e conhecido.

O conjunto de 9 livros referentes às cartas abarca um período crucial da vida do engenho do Hinton, marcado por profundas alterações na estrutura industrial, por força das inovações que iam acontecendo. Ao mesmo tempo, ficamos a saber que João Higino Ferraz era em Portugal uma autoridade na matéria, prestando informações a todos os que pretendessem montar uma infraestrutura semelhante. Assim, em 1928, acompanhou a montagem do engenho Cassequel em Lobito, onde a família Hinton tinha interesses, e esteve, em junho de 1930, em Ponta Delgada, nos Açores, a ensinar a fermentar melaço na Fábrica de Santa Clara de açúcar de beterraba.

Harry Hinton surge em quase toda a documentação como um interveniente ativo no processo, conhecedor das inovações tecnológicas e preocupado com o funcionamento diário do engenho, nomeadamente com a sua rentabilidade. A proximidade do Funchal aos grandes centros de decisão e inovação tecnológica da produção de açúcar a partir de beterraba na França e Alemanha, associada aos contactos de H. Hinton e ao seu espírito empreendedor, fez com que a Madeira estivesse na primeira linha da utilização da nova tecnologia. Em 1911, documentam-se diversas experiências com equipamento. Além disso, o engenho funcionava como espaço de adaptação da tecnologia de fabrico de açúcar a partir da beterraba para a cana sacarina. Inventores como Naudet e engenheiros de diversas unidades da América (Brasil e Tucuman), da Austrália e da África do Sul estavam em contacto com a realidade madeirense ou faziam deslocações para estudar o caso do engenho madeirense.

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Contribuições, Direitos, impostos, rendas e Tributos. Funchal, CEHA. ISBN: 978-972-8263-83-6, vols:1 [Formato digital com folheto]; Dicionário de Finanças Públicas. Conceitos, Instituições, Funcionários. Funchal, CEHA. ISBN: 978-972-8263-84-3, vols: 1, [Formato digital com folheto]; Cronologia. A História das Instituições, Finanças e Impostos. Funchal, CEHA. ISBN: 978-972-8263-85-0, vols:1 [Formato digital com folheto].

Alberto Vieira

(atualizado a 26.08.2016)