imigração / emigração

Os fenômenos migratórios sempre ocuparam um lugar de destaque na sociedade portuguesa. Com efeito, como escreveu o historiador português Joel Serrão no seu artigo “Emigração” do Dicionário de História de Portugal, desde o “início da colonização da Madeira, o fenômeno da emigração tem sido, e continua a ser ainda hoje, uma das constantes da história de Portugal” (SERRÃO, 363). De Fernand Braudel a Charles Verlinden, passando por Pierre Chaunu e Frédéric Mauro, diversos historiadores dedicaram-se a mostrar a importância das ilhas e do mundo insular no desenvolvimento e na expansão das trocas transoceânicas. O tema suscitou numerosos estudos e, ultimamente, multiplicaram-se colóquios, seminários e publicações a exemplo das atividades do Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA) sediado no Funchal, na Ilha da Madeira. Esse, desde os primeiros colóquios de história, organizados a partir de 1985, nos quais a temática foi abordada, multiplicou as iniciativas de encontro sobre o tema das migrações. Assim aconteceram, em 2001, o seminário Emigração e imigração nas Ilhas, em 2008, o seminário Emigracão, imigracão na história e na literatura, em 2010, o congresso internacional As ilhas do mundo e o mundo das ilhas, em 2011, o congresso Mobilidades humanas : Escritas e mobilidades, em 2012, o seminário Mobilidades Humanas : As mulheres e as mobilidades e em 2013, o colóquio Mobilidades e identidades. Mais particularmente sobre a imigração, apesar de ter sido menos estudada, a temática foi também abordada em vários colóquios de história organizados pelo CEHA. John G. Everaert pôde então evocar a presença flamenga, Emanuel Janes, os Gilbraltinos, Manuel Lobo Cabrera, os escravos guanches, Walter Minchington, a comunidade britânica ou Eberhard Axel Wilhelm, os alemães. Ademais, Alberto Vieira e Luís de Albuquerque concluíram trabalhados abordando um corte cronológico desde o início do povoamento da Madeira e, de forma detalhada, Alberto Vieira trabalhou sobre os escravos africanos.

Já no caso da emigração, existem alguns estudos gerais sobre o tema como de Antonio Teixeira de Sousa, Agostinho Cardoso ou ainda Alberto Vieira, abordando de forma geral o fenómeno. Para reflexões mais enfocadas no tempo e no espaço, é preciso sublinhar a vasta historiografia tanto em português como em inglês sobre os movimentos migratórios de madeirenses para a Guiana Britânica, sobretudo nos anos 1840 e 1850 (por exemplo, Jo-Anne Ferreira, Mary-Noel Menezes ou João Adriano Ribeiro), ou para o Havaí entre 1878 e 1912. Esse último destino despertou acentuado interesse dando frutos a vários trabalhos como o de Susana Catarina de Oliveira Castro Caldeira, a qual, seguindo os passos de Eduardo Mayonne, Joaquim Palminha Silva, Eleanor Nordyke, Andrew Lind ou Edgar Colby Knowlton, usou fontes portuguesas, americanas e havaianas para narrar essa epopeia dos madeirenses no Pacífico e, sobretudo, o impacto dessa emigração na cultura local. Considerando as lacunas da historiografia sobre a emigração madeirense na América do Norte, Duarte Mendonça procurou buscar a especificidade madeirense dentro do fluxo de açorianos e portugueses na costa leste, em New Bedford. Ademais, a emigração da Ilha para a África pôde ser tratada nos estudos sobre a comunidade no planalto de Huíla (por exemplo, Carlos Alberto Medeiros e Cristina Bastos) e na África do Sul (caso de Victor Pereira da Rosa e Salvato Trigo). A propósito do Brasil, existem somente alguns estudos sobre o papel dos madeirenses no sul (por exemplo, Virginia Rau, Walter Piazza, Maria Licínia Fernandes dos Santos ou Nereu do Vale Pereira) e no norte do país (como Mário Clemente Ferreira, José Manuel Azevedo e Filho, Leonardo Dantas, Ananias Martins ou José António Gonçalves de Mello), mas concentrados no século XVIII, quando a Coroa portuguesa havia enviado casais e militares das ilhas para ocupar as zonas fronteiriças da colônia americana. Entretanto, pouco se escreveu sobre a presença desses emigrantes madeirenses no Brasil nos séculos XIX e XX, salvo os louváveis trabalhos de Andréa Telo da Corte, que evocou a comunidade madeirense chegada entre 1930 e 1960 em Niterói-Rio de Janeiro, de Maria Suzel Gil Frutuoso, sobre os portugueses em Santos-São Paulo, ou de Eulália Maria Lahmeyer, Maria Aparecida Macedo Pascal, Gisela Kodja, Sônia Maria de Freitas e Maria Izilda Santos de Matos, que sublinharam a presença madeirense nos morros desta mesma cidade. Igualmente, na América do Sul, é preciso ressaltar os estudos sobre a Venezuela, de Nancy Gomes, e a dissertação de mestrado de Joselin da Silva do Nascimento, dando enfoque aos contratos de trabalho para Curaçau e às trajetórias dos ilhéus.

Apesar de ser conhecido dos européus e encontrar-se representado na cartografia italiana e ibérica desde meados do século XIV, o arquipélago da Madeira foi colonizado e explorado somente a partir da década de 1420, sendo o primeiro espaço atlântico ocupado pelos portugueses. Desabitado quando da chegada dos portugueses, seu povoamento foi fruto da imigração de gentes de diversas proveniências e efetuou-se a partir da costa sul da ilha principal, a Madeira, do leste ao oeste, desde Machico e Funchal, para estender-se ulteriormente para Santa Cruz, Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Ponta do Sol e Calheta. Apesar da inexistência de estatísticas claras e confiáveis, é sabido que gentes do reino, escravos das Canárias, do Norte de África e da Costa da Guiné, judeus, comerciantes italianos, flamengos, franceses, espanhóis e ingleses mesclaram-se para formar a sociedade madeirense. Na verdade, após a descoberta do arquipélago, a fim de criar a nova sociedade e desenvolver a economia do novo espaço, a coroa portuguesa passou a incentivar a fixação de colonos através da entrega de terras de sesmarias, privilégios e isenções fiscais, bem como forçou o envio daqueles sentenciados em pena de degredo.

Nesse contexto, o processo de povoamento acabou desenvolvendo-se de forma constante por várias décadas. Iniciou-se na década de vinte do século XV com a chegada de João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz juntos com aventureiros e companheiros. Atraídos pela fama das riquezas da ilha, seguiram-se um grupo de trinta e seis apaniguados da casa do Infante, na maioria escudeiros e criados que adquiriram uma posição proeminente na dinâmica administrativa e na estrutura fundiária, bem como os filhos segundos, prejudicados pelo sistema de herança em favor do filho primogénito e ávidos de terras e de títulos. Sobre esse período, os historiadores Luís de Albuquerque e Alberto Vieira sublinharam que, na relação dos homens bons da capitania do Funchal, em 1471, a maioria surgia como escudeiros (36 %), sendo reduzido o número de cavaleiros (10 %) e fidalgos (5 %), o que incentivou João Gonçalves Zarco a solicitar junto da coroa varões de qualidade para casarem com as suas filhas (ALBUQUERQUE e VIEIRA, 55). Apesar de ser comum afirmar que os primeiros povoadores da Madeira eram oriundos do Algarve, Albuquerque e Vieira, em O Arquipélago da Madeira no século XV, assim como o historiador e geográfo português Orlando Ribeiro antes deles, mostraram que todo o reino de Portugal participou no processo de povoamento da Madeira. Ademais, ressaltaram que além dos homens que partiram do Algarve e ocuparam uma função de relevo no lançamento das bases institucionais, as gentes da região de entre-Douro-e-Minho forneceram os cabouqueiros para desbravar a densa floresta e preparar o solo (ALBUQUERQUE e VIEIRA, 56).

Simultaneamente aos primeiros portugueses, vieram os escravos guanches das Canárias e Marroquinos, seguidos dos africanos do Golfo da Guiné e de Angola para abrir os poios e plantar os canaviais e, assim, contribuir à valorização econômica do arquipélago e à formação da sociedade madeirense. A presença dos guanches explica-se pela proximidade entre os arquipélagos da Madeira e das Canárias, bem como pela disputa pela posse das Canárias iniciada pelo infante D. Henrique e que resultou na captura de escravos. Na Madeira, deram continuidade à tradição do pastoreio e tornaram-se mestres de engenhos. Ainda sobre sua presença, Alberto Vieira se lançou a hipótese de que o Pico Canário, em Santana, e o lugar do Canário, na Ponta de Sol, poderiam fazer referência “ao escravo ou ao pássaro tão comum nestes arquipélagos” (VIEIRA, 7).

Os marroquinos também foram trazidos na Madeira após terem sido presos durante a intervenção de madeirenses na conquista e manutenção das praças marroquinas. Presentes sobretudo no Funchal e em Ribeira Brava, os mouriscos fixaram-se principalmente no séc. XVI pois, a partir de 1597, medidas foram tomadas para restringir a posse de escravos mouros. De algumas décadas antes, surge em indícios documentais, a partir de 1562, a primeira indicação de escravos africanos. Nessa altura, por caso de dificuldades no cultivo da cana de açúcar, os lavradores pediram facilidades para obter escravos na Guiné, o que foi concedido pelo rei. Assim, em 1567, foi atribuído aos madeirenses o direito de importar anualmente e por um período de cinco anos, de Cabo Verde e dos Rios de Guiné, “cento e cinquenta peças de escravos, dos quais cem ficariam no Funchal e cinquenta na Calheta” (VIEIRA, 10). A Guiné acabou dominando tal mercado até meados do século XVII, seguida pela Angola. Apesar de ser impossível conhecer com exactidão a quantidade de escravos envolvidos, Alberto Vieira sublinhou a falta de documentação sobre a entrada dos mesmos no Funchal, calcula-se que 86% dos escravos presentes na Madeira entre os sécs. XV e XVII eram provenientes do continente africano. Enquanto para Gaspar Frutuoso os escravos representavam 15% da população da ilha da Madeira em meados do séc. XVI, os dados atualizados obtidos nos registros paroquiais por Alberto Vieira mostram que, na verdade, não ultrapassavam 3% da população madeirense. Luiz-Felipe de Alencastro, por sua vez, sublinhou que a utilização dos escravos africanos no arquipélago da Madeira transformou profundamente a economia atlântica. Ademais, a partir da década de sessenta do séc. XV, um fluxo migratório europeu intenso veio juntar-se aos portugueses e aos escravos.

Primeiro vieram os italianos, os franceses e os flamengos atraídos pelo comércio do açúcar, seguidos pelos ingleses para o do vinho. Entre os italianos, destaca-se a presença dos florentinos, genoveses e venezianos, os quais usufruíram de privilégios especiais concedidos pela coroa como forma de assegurar um mercado europeu para o açúcar, ou ouro branco como era chamado, bem como do relacionamento familiar, para inserir-se plenamente na aristocracia fundiária e administrativa. Os franceses e flamengos, ao contrário dos italianos, não criaram raízes na sociedade insular madeirense. Interessavam-se somente na aquisição de açúcar que transportavam em embarcações próprias para os portos franceses e para as praças de Bruges e Antuérpia. A Madeira, em troca, recebia bens alimentares e artefactos. A presença flamenga traduziu-se nas influências artísticas na pintura e escultura e atualmente é visível na Igreja da Sé no Funchal, ou na matriz de Machico e da Ribeira Brava. Apesar de um envolvimento tardio, depois de italianos, franceses e flamengos, os ingleses deixaram marcas profundas de sua presença na Madeira. No âmbito de sua política colonial, afirmando sua hegemonia no Altântico e no Índico desde o séc. XVII, os ingleses utilizaram a Madeira como porto obrigatório de abastecimento e pilar de seu vasto império. Como o porto do Funchal tornou-se um porto comercial muito importante a partir do séc. XVII, várias companhias inglesas, e até mesmo uma representação consular, acabaram ali se instalando. Sobre o tema, o historiador Albert Silbert reafirma o fenômeno ao sublinhar que, se no mundo atlântico o predomínio dos ingleses foi crescente, na Madeira, “não podia deixar de se exercer indirectamente” (SILBERT, 45-46). De fato, essa presença mostrou-se cada vez mais presente à medida que o oceano se tornava o seu domínio e que a passagem de seus navios multiplicou-se rumo às suas possessões das Antilhas, da América do Norte ou da Ásia. Já em 1680, detinha dez de cerca das vinte e seis casas comerciais. A partir desse período, a presença inglesa tornou-se uma constante. Não só foi, em 1765, estabelecida uma feitoria britânica, mas também, com a isenção dos direitos de exportação do vinho, passaram a controlar esse proveitoso comércio e, aproveitando-se do clima ameno, fizeram do Funchal umas das mais importantes estâncias de Inverno e de cura para os doentes da tuberculose.

As primeiras levas de portugueses, escravos e estrangeiros contribuíram significativamente para o povoamento e criação da sociedade e da cultura madeirense, bem como para o desenvolvimento que o arquipélago conheceu em finais do século XV. Mesmo se em meados do séc. XVI a atração pelo arquipélago da Madeira diminui os fluxos em favor de outros espaços atlânticos, as chegadas de deportados, aristocratas, soldados ou estrangeiros continuaram, ainda que em menor número. Com relação a algumas particularidades nesse movimento, no período decorrente entre 1539 e 1600, calcula-se que os açorianos chegaram a representar 9% da imigração madeirense, sendo importantes sobretudo na constituição da população da Sé no Funchal. Já os imigrantes de outro arquipélago vizinho, as Canárias, foram mais numerosos entre o final do século XVI e início do século XVII, durante o período chamado de União Ibérica (1580-1640) de fusão das coroas sob a soberania do rei espanhol. Na verdade, entre 1580 e 1600, os espanhóis surgiam como a maior comunidade estrangeira na Madeira.

Como já mencionado, da segunda metade do século XVII em diante, a Madeira tornou-se uma estância do turismo para os doentes da Europa do Norte que sofriam de problemas pulmonares sem, porém, descartar outras preferências. Por exemplo, cientistas e viajantes exploraram ocasionalmente a Madeira, como John Ovington, em 1695, John Byron, em 1764, ou James Cook em 1768 e 1772. Já os conflitos que iriam conturbar a Europa, em geral, e Portugal, em particular, entre o século XIX e o XX – como a Revolução Liberal, as guerras napoleónicas, as guerras mundiais entre outros – provocaram migrações forçadas de militares, políticos, intelectuais que foram conduzidos não só para a Madeira, como igualmente para outros espaços atlânticos. Na verdade, em alguns desses momentos houve até ocupação de tropas inglesas, como entre 24 de julho de 1801 e 25 de janeiro de 1802, o que proporcionou um dos últimos momentos de uma hegemonia britânica quase exclusiva e que deixaria ainda heranças como o cemitério britânico, construído em 1808, e a Capela da Sagrada e Indivisa Trindade, de 1822. Entretanto, com a extinção da feitoria em 1842, o final do séc. XIX marcaria o início de um período de transição quanto a influências externas. De fato, novas nacionalidades (e novos interesses) apareceram no arquipélago, como os alemães e os sírios para o comércio do bordado. Os alemães, primeiramente, chegaram a partir da década de oitenta do século XIX “disputando com os ingleses o domínio da Madeira” (VIEIRA, 29), conseguindo até mesmo firmar uma posição de destaque no comércio já desde 1890 até as vésperas da Primeira Guerra Mundial. Foram eles que fizeram surgir, para o comércio internacional, o bordado madeirense, criando novas rotas transatlânticas (do porto de Hamburgo, os bordados seguiam para os Estados Unidos da América, um dos principais importadores). Assim como os ingleses, aproveitaram-se do clima madeirense para curar seus tuberculosos, chegando mesmo a projetar a construção de sanatórios a fim de melhorar o serviço de acolhimento aos doentes. Entretanto, com o advento do conflito mundial, e sob pressão inglesa, o governo português rescindiu concessões feitas, o que levou à saída dos alemães em 1916 e, em retaliação, o bombardeamento do Funchal, por duas vezes, em 3 de dezembro de 1916 e 12 de dezembro de 1917.

Com a saída dos germânicos, foram os sírios que acabaram dominando o comércio do bordado madeirense até 1925, ainda tendo os Estados Unidos da América como principal destino das exportações. Mais adiante no século XX, o novo conflito mundial também deixaria sua marca na ilha quanto à presença de estrangeiros. Durante a guerra, a Madeira recebeu cerca de 2.000 gibraltinos fugindo dos bombardeamentos e que, antes de voltarem para suas terras com a vitória Aliada, acabaram ocupando hotéis então vazios por causa da falta de turistas. A partir da segunda metade do séc. XX, foi então o turismo que acabou tornando-se fundamental não só para o contato com os estrangeiros, mas para a economia da região em geral. Segundo os dados estatísticos disponíveis na Direção Regional de Estatísticas da Madeira, 946 hóspedes foram contabilizados nos estabelecimentos hoteleiros em 1946, 189.038 em 1975, 328.256 em 1980, 520.515 em 1990, 880.228 em 2000 e 1.036.864 em 2011. Simultaneamente, as mudanças políticas no arquipélago português surgidas com o processo de autonomia incentivaram o desenvolvimento económico.

Criou-se então a necessidade de mão-de-obra para a construção de novas estradas, pontes e túneis atraindo uma nova onda de imigrantes, como de Guiné-Bissau, do Brasil e de países do leste europeu. Segundo os últimos recenseamentos populacionais, os estrangeiros residentes na Região Autônoma da Madeira passaram a crescer significativamente de 1980 até os anos 2000. De fato, entre 1981 e 2008, o número passou de 1.187 para cerca de 7.142. Oriundos majoritariamente da América do Sul até 1997 – no início venezuelanos e depois, em maior número, brasileiros, o continente europeu passou então a ter maior participação, sobretudo com os imigrantes da Ucrânia e do Reino Unido. Segundo os resultados definitivos do último censo (2011), a população estrangeira na Madeira representava 2,10 % (de um total de 267.785 habitantes). Nesse universo, os principais grupos eram, então, provenientes do Brasil (17,6 %), da Venezuela (16,4 %), do Reino Unido (13,4 %) e da Ucrânia (6,5 %). Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Serviço de Estrangeiro e Fronteiro (SEF) e do Ministério da Administração Interno (MAI), entre 2008 e 2013, o número de estrangeiros com estatuto legal de residente diminuiu, passando de 7.142 para 5.801. Nesse período, se destacam os indivíduos provenientes do Brasil e de outros países da América latina (respectivamente 870 e 734 em 2013), do Reino Unido (823 em 2013) e da Ucrânia (403 em 2013).

Figura 1 –  Evolução da população estrangeira com estatuto légal de residente na RAM entre 2008 e 2013

GRÁFICO 1_ emigração_imigração

Fontes de dados: INE, SEF/MAI. Fonte: PORDATA. [Disponível em http://www.pordata.pt/Municipios/Populacao+estrangeira+com+estatuto+legal+de+residente+total+e+por+algumas+nacionalidades-101. Acessado em 29/01/2015].

Sobre a integração das comunidades estrangeiras na sociedade madeirense, pode-se dizer que atualmente elas se inserem sobretudo no setor de serviços, especialmente na hotelaria e na construção civil. Na verdade, para que o mercado regional pudesse absorver e integrar melhor esses indivíduos, foi criado, em 15 de julho de 2010, o Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes. Ademais, existem na Madeira várias associações comunitárias, como a Associação Cultural e Recreativa dos Africanos na Madeira, a Casa de Angola na Madeira, a Comunidade Moçambicana na Madeira, a Subdelegação da Madeira da Associação dos Ucranianos de Portugal, a Associação União da Diáspora, o Grupo de Trabalho dos DOINA e a Associação Islâmica da Madeira.

Nos seus séculos de história após a chegada de João Gonçalves Zarco, entretanto, a Madeira não conheceu somente ciclos de atração ou recepção de populações, trabalhadores, escravos ou degredados. Com efeito, o historiador Azevedo e Silva lembra que muitos madeirenses saíram já a partir do terceiro quartel do século XV em busca de melhores condições de vida, “quer pela obtenção de terra para agriculturar, quer através do comércio ou de outras actividades remuneradas” (AZEVEDO E SILVA, A Madeira, 649 ). Essa mobilidade, entretanto, frequentemente inquietou os monarcas portugueses. Ainda nos primórdios da ocupação, por exemplo, políticas restritivas ao movimento de saída chegaram a ser postas em prática face aos temores de despovoamento das áreas recentemente ocupadas. Na verdade, conforme salientou o historiador Alberto Vieira, o arquipélago da Madeira (sobretudo sua ilha principal), passaria logo a funcionar “mais como pólo de emigração […] do que como área receptora de imigrantes” (VIEIRA, As migrações, 53). Foi através da cultura da cana de açúcar, implantada com sucesso na ilha da Madeira desde 1425, que os primeiros madeirenses começaram a espalhar-se. Com efeito, décadas mais tarde, o domínio das técnicas de produção gerou a introdução dessa cultura e o envio de mestres de engenho ao arquipélago das Canárias, dos Açores, às ilhas do Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe e finalmente, ao Brasil. Nessas levas incluíam-se, sobretudo, os filhos segundos prejudicados pelo sistema de herança. Assim foi o caso de Rui Gonçalves da Câmara, filho de Zarco (capitão donatário do Funchal) o qual, em 1473, vendeu suas terras da Lombada da Ponta de Sol para comprar a capitania de São Miguel nos Açores. O mesmo aconteceu com Álvaro de Ornelas, que adquiriu a capitania açoriana da Ilha do Pico. Ilustrando bem como as primeiras gerações de madeirenses, insatisfeitas com as condições oferecidas pelo espaço de vivência onde a possibilidade de aquisição de terra não correspondia às ambições e ao espírito aventureiro, em 1532, o neto de Rui Gonçalves da Câmara, o frade João de Melo da Câmara, assim escrevera “[…] porque a ilha da Madeira meu bisavô a povoou, e meu avô a de São Miguel, e meu tio a de São Tomé, e com muito trabalho…” (VIEIRA, Da Madeira, 5). Ademais, a Madeira, assim como os outros espaços insulares portugueses, participou ativa e decididamente do processo expansionista no Atlântico e no Índico. Seus habitantes estiveram assim presentes nas expedições lançadas na África e no Oriente. No século XVI, todos os olhares passaram a convergir em direção ao continente americano, sobretudo ao Brasil, que acabou tornando-se um dos destinos privilegiados da emigração portuguesa.

As terras recentemente descobertas exerceram uma forte atração sobre os povos insulares desde os primórdios da colonização do território brasileiro. Como no caso dos Açores, das Canárias, de Cabo Verde ou de São Tomé, a chegada dos primeiros madeirenses no Brasil deu-se ao desenvolvimento da cultura da cana de açúcar. Assim, para São Vicente, Bahia e Pernambuco foram enviados técnicos e mestres de engenho madeirenses. Maria Licínia Fernandes dos Santos registra em os madeirenses na colonização do Brasil como várias famílias tradicionais tiveram origem insular. Entre muitos, foi o caso dos Toledos Pizas, de São Paulo, e dos Lira e Cunha, de Pernambuco, iniciadas respectivamente por Gonçalo Novo e Pedro da Cunha de Andrade. Além das atividades ligadas à economia açucareira, madeirenses foram escolhidos para ser os protagonistas de várias capitanias brasileiras, como Francisco de Aguiar na capitania do Espírito Santo, António Teixeira de Mello, no Pará, ou Pedro Vogado em Itamaracá ou Santa Cruz.

Para além da economia, os madeirenses destacaram-se na defesa militar do Brasil nos séculos XVI, XVII e XVIII, sobretudo em Pernambuco, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Em uma passagem marcante na história da colônia sul-americana, o madeirense Francisco de Figueiroa destacou-se na defesa do nordeste brasileiro no século XVII contra invasores holandeses antes de tornar-se governador do Cabo Verde. Figueiroa tivera então a missão de recuperar a Bahia e Pernambuco participando de várias expedições, entre outras, para expulsar os holandeses da Ilha de Fernando de Noronha, defender as praias do Rio Tapado e Pau Amarelo. Ainda nesse contexto, um caso “paradigmático de succeso” madeirense (SANTOS, Os madeirenses, 89) foi o de João Fernandes Vieira em Pernambuco. Mulato nascido no Funchal em 1610, Vieira embarcou aos dez anos em direção ao Brasil onde foi trabalhar em um engenho de açúcar. De origem modesta, tornou-se proprietário de cinco engenhos e, durante as batalhas de Guararapes, conseguiu federar outros madeirenses, assim como portugueses, mestiços e índios, para combater os holandeses. Quando faleceu em Olinda, em 1681, era proprietário de dezesseis engenhos e currais no Rio Grande do Norte. Com relação à religiosidade, devido à Bula Romani Pontificis Circumspectio do papa Paulo III, de 8 de julho de 1539, a partir da qual a jurisdição episcopal no Brasil seria exercida pelos prelados do Funchal, clérigos madeirenses instalaram-se no Brasil.

Assim foi o caso do Frei Gregório Baptista, na Bahia, do padre Gonçalo de Gouveia Serpa, em Olinda, e do padre Marcelino de Sousa Abreu em Santa Catarina. Desde os finais do século XVII, e ao longo do século XVIII, os movimentos migratórios da Madeira para o Brasil intensificaram-se. Devido ao apoio oficial da Coroa portuguesa, em seu objetivo de defender o território, casais insulares, dos Açores majoritariamente, mas também da Madeira, foram enviados para o sul (especialmente para a região de Santa Catarina) e para o norte do Brasil. Apesar da inédita escala, essa política não era nova. Desde o século XVI, os reis D. João III e D. Pedro II já a haviam utilizado. Finalmente, em agosto de 1744, a coroa editou um decreto para promover o envio de 4.000 famílias da Madeira e dos Açores para Santa Catarina e para o Rio Grande do Sul. Alvarás foram então publicados nos dois arquipélagos tornando público o patrocínio real para a viagem: além da passagem, os colonos receberiam uma ajuda financeira em função do número de filhos.

Chegados ao Brasil, seriam em seguida dadas terras, adubo, gado e material para a agricultura. O objetivo dessa política era a criação de pequenas colónias de povoamento nas zonas fronteiriças do Brasil, com o consequente fortalecimento da soberania portuguesa, mas também encontrar solução para o estado da população madeirense que, em 1746, por causa da escassez de cereais, sofria da fome e da miséria. Em 1748, listas tinham então sido elaboradas no Funchal, com 52 nomes, e na Ponta de Sol, com 162 nomes. Segundo a documentação disponível, a presença madeirense do outro lado do Atlântico acentuou-se após 1750. Entre 1° de agosto de 1747 e 5 de julho de 1751, um grupo composto de 1.367 indivíduos rumou para o sul do Brasil. Nesse contingente jovem, os indivíduos tinham em média 19 anos, 34,6 % provinham do Funchal e 65,4 % do restante da ilha da Madeira. Eram majoritariamente casais com filhos acompanhados de outros membros da família. Firmando a popularidade do fluxo (em 1758 a coroa reagiria aos excessos de saída proibindo saídas sem passaporte), mas marcando uma tragédia, em 1754, foi assinado um contrato para a ida de 500 outros madeirenses. O navio, porém, saindo do Funchal em 1756 com 316 pessoas, naufragou deixando vivos somente 11 mulheres e alguns homens. Os muitos madeirenses, entretanto, que chegaram à terra firme ao longo das décadas, sobretudo no sul do Brasil, tiveram um papel importante na formação política, econômica e sociocultural regional. Uma das testemunhas mais fortes do enraizamento dessa herença, ainda hoje celebrada, é a festa do Divino Espírito Santo. A política de envio de casais foi também utilizada no Brasil setentrional, cobiçado pelos franceses e os holandeses, como já mencionado.

Entre os anos de 1616 e 1620, e depois em 1648, 1674 e 1677, a coroa enviou casais açorianos, assim como militares, ao Pará e ao Maranhão para impedir a instalação dos franceses no sul do rio Oiapoque. Décadas mais tarde, após o Tratado de Madrid, de 1750, e sob influência do Marquês de Pombal, o rei D. José enviou 5.000 casais dos Açores e da Madeira para essa mesma região. Os colonos dedicaram-se ao cultivo do açúcar enquanto reforçavam a soberania portuguesa. Apesar das certezas sobre sua presença, ainda há poucos estudos quantificando ali os madeirenses como testemunham os estudos de Azevedo e Silva ao lembrar que em uma carta do governador do Pará, de 1754, esse último confirmava a chegada ao porto de Belém de um navio “carregado de madeirenses” (AZEVEDO E SILVA, Os madeirenses, 254 e 258). Como no sul, os insulares criaram núcleos coloniais, perto dos rios Xingu e Tapajós ou na Ilha de Marajó, e reforçaram a população de cidades já constituídas, como Bragança. Apesar do porte significante, a presença insular no Brasil continua muitas vezes a ser atribuída, nos recitais populares e mesmo em alguns trabalhos científicos, à emigração açoriana, marginalizando-se os madeirenses. O historiador José Manuel Azevedo e Silva, por exemplo, ressaltou o menosprezo e esquecimento da participação dos madeirenses nos estudos sobre o povoamento e a colonização do Brasil. Mais particularmente em relação à região meridional da colônia, o historiador Alberto Vieira evoca mesmo uma “exacerbação nacionalista” em Santa Catarina, nesse sentido, e a alimentação, dos dois lados do Atlântico desde os anos 1940, de um mito do colonizador açoriano, desvalorizando, no entanto, outras contribuições, como precisamente a dos madeirenses (VIEIRA, Da Madeira, 22-30). Mudanças no contexto político, econômico e social ao longo do século XIX (como os confrontes entre liberais e miguelistas a partir de 1827, dificuldades na exportação do vinho insular, crises regulares de subsistência, entre outros) continuaram a criar condições para que o fluxo de deslocamento de madeirenses não se reduzisse. Os destinos continuariam ainda mais variados: Guiana e sobretudo Demerera e depois São Vicente, Antígua ou Trinidad e Tobago, Estados Unidos, ilhas Sanduíches no Pacífico, Àfrica e ainda o Brasil.

Na Guiana britânica, a abolição da escravidão em 1834 seria o fator determinante nesse processo. Se uma primeira leva de 40 madeirenses chegaria já em 1835 para suprir a falta de mão-de-obra nas plantações de cana de açúcar, ainda no mesmo ano outro navio traria mais 429 insulares recrutados por engajadores através de contratos de trabalho. Através desses tratos, os madeirenses engajavam-se a reembolsar o valor pago pelos agentes para o transporte e para as primeiras despesas de instalação, trabalhando desde o nascer do sol todos os dias com exceção do domingo. Alguns anos mais tarde, precisamente entre 1844 e 1846, o proselitismo religioso na Madeira também contribuiu para a saída de muitos madeirenses sobretudo para Trinidad e Tobago. Nessa ocasião, tratava-se de convertidos ao protestantismo após terem estabelecido contato com o doutor Robert Kalley em 1838. Influente na sociedade madeirense, sobretudo em Santo da Serra e Machico, Kalley tornou-se pregador da Igreja de Escósia desde 1841, mas passou a sofrer perseguição sobretudo após sua excomunhão em 1843. Finalmente, entre 1835 e 1846, cifra-se em cerca de 12.000 o número de madeirenses emigrados para a Guiana Britânica sendo que, a partir dos anos 1850, 70% do fluxo passaram a dirigir-se exclusivamente para Demerara que, por sua vez, absorveu 41.353 insulares até 1889.

Após anos de trabalho árduo nas plantações, alguns madeirenses tornaram-se comerciantes, jardineiros ou domésticos inserindo-se aos poucos na sociedade e tendo seus descendentes aparecendo no teatro, em grupos musicais e na política. Devido à grande comunidade, Demerara tornou-se até mesmo a segunda maior importadora do vinho Madeira, só perdendo a liderança para Londres. O aparente sucesso nessas novas terras não deixou de provocar animosidade com os nativos (o que traduziu-se nas revoltas de 1856, 1889 e 1891), nem impediu que críticas das autoridades portuguesas fossem verbalizadas contra o que muitas vezes era chamado de “escravatura branca” (SERRÃO, Testemunhos, 96). Entretanto, tratou-se em geral de uma emigração que deu certo ao contrário do que aconteceu nas colónias francesas da mesma região. Com efeito, a tentativa francesa de introdução de trabalhadores brancos vindos da França e também da Madeira em Guadeloupe e na Martinique, entre 1845 e 1851, foi um fracasso. Sabe-se que houve o desembarque de 248 madeirenses entre 1849 e 1851 e de outros 600 entre 1845 e 1850. Mesmo se o jornal l’Avenir, de Pointe-à-Pitre na Guadalupe, ressaltava que o madeirense era um excelente trabalhador quando instalado em altas altitudes onde poderia usufruir de um ar mais puro e menos calor, a dificuldade de recrutamento e o fracasso das poucas tentativas levaram as autoridades à buscar na África, na Índia e na Ásia, a mão-de-obra necessária para as plantações. Em paralelo ao fluxo migratório da Madeira para as regiões do Caribe, desenvolveu-se, a partir dos anos de 1853 e 1854, uma emigração em direção à América do Norte, sobretudo à Nova Inglaterra e à Illinois. A atratividade da região tornou-se tal, que alguns presbiterianos madeirenses, fugidos das persecuções religiosas para Trinidad e Tobago, seguiram de lá para os Estados Unidos. Desses, 700 instalaram-se em Jacksonville, Springfield e Waveney, em Illinois, e outro grupo deslocou-se até a costa leste, para Massachusetts e Nova Jérsia.

De modo geral, na costa oeste, as descobertas das minas de ouro na Califórnia foram motivo de atração mesmo se os portugueses demarcaram-se mais como pescadores ou jardineiros. Já na costa leste, a presença de açorianos e madeirenses associou-se à pesca da baleia e ao trabalho nos navios americanos, chegando a representar, em 1880, um terço do total das tripulações. Entretanto, como as condições de trabalho nos navios eram árduas, muitos acabaram aproveitando-se da escala na costa americana para fugir e fixar-se de maneira definitiva nas terras, como na região de New Bedford-Massachusetts. Quando considerado o fluxo migratório geral de madeirenses para a América do Norte, destaca-se como destino o Havaí, ou ilhas Sanduíches. Esse espaço recebeu, entre 1878 e 1912, um número muito significativo desses indivíduos para suprir a falta de mão-de-obra nas plantações de cana de açúcar. Após várias tentativas de introdução de trabalhadores estrangeiros, sobretudo chineses engajados por contrato desde 1865, as autoridades interessaram-se pelos portugueses porque, ao contrário dos asiáticos, emigravam mais facilmente em família e de maneira permanente. Em 29 de setembro de 1878, após cento e dezesseis dias de viagem, chegou no navio Priscilla o primeiro grupo de emigrantes madeirenses composto de 120 pessoas, todas engajadas por contrato de locação de serviço. Como na Guiana Britânica, esses contratos implicavam um engajamento para trabalhar 26 dias por mês, 10 horas por dias, durante três anos, por um salário de 10 dólares ao mês.

Os trabalhadores recebiam também uma ração de comida por dia, assim como um alojamento com um jardim e assistência médica. A fim de regular o fluxo e reforçar os laços comerciais e políticos entre os dois países (o arquipélago pacífico era então uma monarquia independente), uma convenção foi assinada, em 5 de maio de 1882, entre Portugal e Havaí. Finalmente, entre 1878 e 1912, o Havaí acabou recebendo 4.556 emigrantes madeirenses sendo que, em 1980, os descendentes estimavam-se em 57.500 indivíduos. A comunidade manteve a língua e a cultura, criou associações, jornais e grupos folclóricos e deixou marcas na culinária, na arquitetura e na música. Com efeito, o Ukulêlê, instrumento típico da música havaiana, é na realidade uma adaptação da braguinha ou machete de braga da Madeira, ela mesmo adaptado do cavaquinho português vindo das terras do norte de Portugal quando da colonização da Madeira. Foi João Fernandes, nascido na Madeira em 1854 e chegado em Honolulu em 23 de agosto de 1879, que começou a tocar o instrumento ao aportar. Os havaianos, impressionados com a rapidez com a qual os dedos de João percorriam a guitarra, deram então a ela o nome de ukulêlê, ou “pulga que salta”.

Apesar dos êxitos para os emigrantes e para as terras que os recebiam, esses fluxos voltaram a contrariar as autoridades portuguesas. Se no século XV a preocupação era com a desertificação de uma Madeira recém ocupada, nas décadas do XIX o que estava em jogo era o projeto de colonização das terras portuguesas na África. O objetivo era reforçar a soberania nas possessões, dar um impulso econômico aos territórios de além-mar e reduzir os fluxos migratórios em direção às Américas para criar “um novo Brasil na África” (ENDERS, História, 60). Várias tentativas foram então experimentadas a partir de 1820, mas muitas ficaram sem sucesso. Foi somente no último quartel do século, após a nova corrida pela África entre as potências europeias, que as autoridades portuguesas elaboraram o projeto da carta rosa para favorecer a colonização branca das terras de Angola e de Moçambique. Para tanto, o governo português propôs, para quem desejasse instalar-se em Angola ou Moçambique, oferecer o transporte, fornecer os instrumentos para os trabalhos agrícolas, tornar o colono dono da benfeitoria após cinco anos e pagar 30.000 réis em dinheiro. Essa política teve um verdadeiro eco somente na ilha da Madeira de onde saíram, entre 1884 e 1885, um contingente de centenas de pessoas. Segundo Alberto Vieira, na segunda metade do século XIX, “a aposta estava em Moçambique e Angola, sendo de realçar, neste último caso, o planalto de Moçâmedes (1853-1888) e Huíla (1884-85)” (VIEIRA, A emigração, 123-124) para onde se deslocaram 1.375 madeirenses entre 1884 e 1890.

Anúncios foram colocados em todas as freguesias do arquipélago dando informações sobre chegada e partida dos navios para as colónias. Assim, os 222 primeiros colonos madeirenses chegaram a bordo do navio Índia, em 19 de novembro de 1884, sendo aos poucos fixados em Lubango, onde a nova colónia foi inaugurada oficialmente em 19 de dezembro de 1885. Um segundo grupo de 336 madeirenses chegou em 1885 no navio África. Nesse contexto foram fundadas as colónias de Sá da Bandeira (recebeu de 1.215 madeirenses entre 1884 e 1893), de São Pedro da Chibia (recebeu 711 madeirenses entre 1885 e 1892) e de Humpata (recebeu 149 madeirenses entre 1885 e 1892). A adaptação, entretanto, foi dificultada pelo clima frio, pela falta de meios suplementares a serem oferecidos pelo governo português, pela distância dos povoados em relação ao litoral, pelos ataques de nativos e pelo despreparo dos colonos que, muitas vezes atraídos pelas subvenções, não tinham a experiência necessária para cultivar as novas terras. Apesar dos esforços de Lisboa, a tendência dos fluxos migratórios não se inverteu, continuando a dar preferência ao Brasil. De 1887 a 1905, o então jovem gigante independente sul-americano tornou-se o destino das saídas da ilha, com exceção somente dos anos de 1887, de 1892, de 1894 e de 1897. As médias anuais de partida entre 1887 e 1897 chegaram a 2.200 emigrantes, reduzindo-se para 900 entre 1897 e 1905.

Figura 2 – Número anual de emigrantes da Madeira, 1888-1988

GRÁFICO 2_ emigração_imigração

Fonte: Estatísticas demográficas, 1888-1988.

Com efeito, do outro lado do Atlântico, o processo de abolição da escravatura (terminado em 1888) e o crescimento da cultura do café na Província do Rio de Janeiro, mas sobretudo na de São Paulo, provocaram uma evolução nas políticas de imigração a fim de favorecê-la. As promessas e propagandas dos agentes de emigração e da própria administração brasileira estimularam o fluxo migratório europeu a povoar os espaços vazios, assegurar a transição do trabalho escravo para o trabalho livre e, nas concepções raciais da época, “civilizar” o interior do país, marcado pelos três séculos de escravidão. Presentes no arquipélago, os engajadores de braços livres mantinham uma rede de serviços transatlântica, estimulando o fluxo direcionado para as fazendas de café paulistas bem como para as zonas urbanas. Em Santos (litoral de São Paulo), um importante destino, os madeirenses chegaram a partir do final do século XIX. Agricultores na terra natal, os ilhéus reproduziram os costumes nessa nova morada, construindo nos morros da cidade escadas de pedra, muros de arrimo e formando pequenos sítios e chácaras, cujos cuidados eram entregues quase exclusivamente às mulheres.

Enquanto os homens iam trabalhar nas obras do cais, nos armazéns de estocagem e de exportação de café e na construção civil, as madeirenses participavam no rendimento familiar através de atividades ligadas à venda de verduras, frutas e legumes produzidos no quintal, à catação de café, que revendiam depois a retalho, à costura e bordado ou, aos serviços domésticos. Essa presença conduziu a criação, em 15 de abril de 1934, do Centro Beneficente Madeirense (“Casa da Madeira” a partir de 1954) em Santos, cujo objetivo era criar uma caixa de socorros para sócios necessitados, dar assistência judicial e apoiar e proteger esses portugueses. Os madeirenses chegaram a diferentes pontos do extenso território, como no caso do Pará em 1886. Mesmo se fracassada, a iniciativa do governador da província para introduzir colonos no núcleo colonial de Benevides teve eco na Madeira, fazendo com que ali desembarcassem 21 famílias madeirenses (108 indivíduos). No Rio de Janeiro, então capital e um dos principais portos do país, a presença dos insulares fez-se marcante em vários momentos. Em 1855, 39 famílias (228 indivíduos) foram introduzidas na fazenda Nossa Senhora de Passa-Três, do fazendeiro Joaquim José de Souza Breves. Em 1879, para trabalhar no café, na cidade chegaram 467 indivíduos. Já na vizinha São Paulo, por causa da necessidade cada vez maior de mão-de-obra conforme as culturas cafeeiras expandiam-se, o governo provincial interveio diretamente para estimular a imigração. Já na primeira iniciativa de introdução de trabalhadores europeus, nos anos 1840, pelo fazendeiro Nicolau Vergueiro, podiam ali serem encontrados madeirenses entre os 90 portugueses envolvidos no projeto.

Na década de 1880, em Cannas, mas ainda sem sucesso (somente 9 de 78 terrenos acabaram cultivados), o governo paulista tentou implantar uma colónia com emigrantes insulares e promover a cultura de cana de açúcar. Finalmente, o fenômeno acelerou-se e, entre 1886 e 1899, São Paulo representou o destino final para 48,59 % (13.923 pessoas) de todas as partidas registradas na Madeira. Ao contrário do tipo de emigração portuguesa tradicional, considerada predominantemente masculina e com destino aos centros urbanos, esse fluxo de madeirenses foi eminentemente familiar e rural. Nesse caso, a presença feminina foi importante, 46,14 % do total, bem como a proporção de crianças entre 0 e 9 anos, 30 %. Já indivíduos viajando sozinhos representaram somente 5,25 % do total. Do ponto de vista socioeconômico, esse fluxo de madeirenses respondeu às demandas e necessidades do governo de São Paulo da época. Enquanto 80 % declararam-se agricultores, quase 70 % viajaram no âmbito de um contrato assinado entre o governo paulista e companhias de navegação. Ademais, após a chegada e a passagem quase sistemática pela Hospedaria de São Paulo (73,88 %), 80 % das famílias dirigiram-se para o interior das terras paulistas e para as fazendas de café, sobretudo para Araraquara (21,36 %) e Ribeirão Preto (14,44 %).

Se as partidas marcaram o século XIX, pouco mudaria no XX. Na verdade, novas crises recriariam o cenário propício para a emigração já nos finais dos anos 1920 (na indústria dos bordados, que empregava um terço da população, na vinicultura, por causa da baixa das exportações, nos lanifícios, por causa da concorrência estrangeira, e na produção de manteiga). Nesse contexto, o governador civil do Funchal chegou a ressaltar que a emigração continuava a ser um meio de restabelecer, na Madeira, o equilíbrio necessário entre os meios de produção e os meios de trabalho. Essa ideia seria reforçada, entre os anos 1930 e os 1940, por autoridades como o Delegado do Trabalho na Madeira ao declarar que era preciso conseguir colocar o excesso demográfico madeirense na África ou no Brasil para poder resolver o problema do desemprego, dos salários e do trabalho. Na verdade, após uma redução no fluxo de saída entre os finais do século XIX e o início do século XX, observou-se uma retomada das saídas já a partir de 1905 (até o início da Primeira Guerra Mundial saíram cerca de 2.500 emigrantes por ano).

O Brasil continuou como forte pólo de atração mesmo se, em alguns anos, como 1906, 1907 e 1909, a Austrália surgiu como principal destino (recepção de mais de mil indivíduos por ano) tendo a América do Norte como forte concorrência. Mais particularmente nos Estados Unidos, houve um aumento do fluxo também a partir do começo do século XX. Após o declínio da indústria baleeira em New Bedford, a cidade tornou-se um dos principais centros de produção têxtil do país, necessitando de uma mão-de-obra numerosa. Segundo Duarte Mendonça, entre 1900 e 1925, 16.647 madeirenses, sobretudo da Calheta, Funchal e Santa Cruz, pediram passaportes para os Estados Unidos. De fato, o fluxo conheceu três momentos de maior relevância: 1908, 1916 e 1920, tendo os emigrantes se instalado na zona norte de New Bedford, bem como em cidades vizinhas como Dartmouth, Fall River ou Boston. Comunidades madeirenses foram igualmente referenciadas em outros estados americanos como Rhode Island, Connecticut, New York ou Califórnia. Em consequência, diversas associações e clubes foram criados em diversas partes do território americano, como a Associação Protectora União Madeirense de Massachusetts, em 1914. Durante a Primeira Guerra Mundial, a emigração reduziu-se de maneira significativa, registrando-se somente 1.060 saídas anuais, principalmente para a América do Norte. No imediato pós-Primeira Guerra, as partidas aumentaram chegando a 2.900 emigrantes por ano. Entretanto, a crise econômica dos anos 30 afetou de forma ainda mais drástica do que a guerra os fluxos migratórios madeirenses, pois somente 580 indivíduos emigravam por ano, sobretudo para a América do Norte, para o Brasil e para alguns destinos da Europa, tendo a África do Sul, a partir de 1933, começado a ganhar importância.

Com o início da Segunda Guerra Mundial e das limitações de circulação no Atlântico impostas pelo conflito, o fluxo diminuiu ainda mais para 370 saídas por ano. Nesse período, o Brasil absorveu 80 % do fluxo, tendo Curaçau também como destino. Curioso observar que a antiga colônia portuguesa na América do Sul, abalada por diversas crises que afetavam sua economia desde o começo dos anos 1930, acabou impondo restrições à imigração nas Constituições de 1934 e 1937, que implementaram um sistema de quotas limitando a proveniência de cada país. Entretanto, essa vigência foi suspensa para os imigrantes portugueses em 1938 e, em alguns exemplares do Diário Oficial da União de 1939, 1940 e 1942, menções explícitas para favorecer a imigração madeirense foram feitas. Talvez uma das maiores testemunhas da manutenção das chegadas foi a existência, entre 1930 e 1960, de uma corrente migratória de madeirense para Niterói, localizado do outro lado da baía de Guanabara no Rio de Janeiro. Ali mantiveram o estilo de vida que possuíam na Madeira, como as festas tradicionais e os casamentos dentro da comunidade sem, entretanto, desenvolver atividades associativas como os radicados em Santos e São Paulo haviam feito. Provenientes majoritariamente da freguesia da Ribeira Brava, acolheram-se, socorreram-se mutuamente e atuaram em redes familiares para conquistar um espaço próprio. Nas décadas de 1930 e 1940 eram leiteiros e carroceiros; na de 1950, quitandeiros, enquanto as mulheres retomavam o ofício do bordado. Na verdade, os anos cinquenta conheceram uma forte retomada nas saídas dos madeirenses, com partidas chegando a 6.600 emigrantes por ano entre 1952 e 1954, tendo o Brasil atraído, somente no ano de 1952, 5.075 indivíduos. Se a Europa, a partir de 1969, ganharia atratividade (17% dos rumos), entre 1955 e 1975, a Venezuela conservou-se como destino principal, recebendo cerca de 60 % do fluxo, sendo 4.000 pessoas por ano entre 1955 e 1963, 2.900 entre 1964 e 1972, e 4.000 entre 1973 e 1975. A partir de então, a emigração parece ter declinado mesmo se a falta de números precisos, sobretudo para o período após 1988, impede conclusões mais seguras.

Taxa bruta
de emigração
Data1890-
1900
1900-
1911
1911-
1920
1920-
1930
1930-
1940
1940-
1950
1950-
1960
1960-
1970
1970-
1981
1981-
1991
Total1,091,151,270,690,510,591,811,310,890,16
Homens1,311,521,661,030,761,032,531,350,880,15
Mulheres1,010,810,920,390,280,241,21,280,890,18

Fonte: OLIVEIRA, Isabel. A Ilha da Madeira. Transição Demografica e Emigração”, Revista População e Sociedade, n° 5, Porto, CEPESE, 1999, p. 52.

Como salientou o historiador Alberto Vieira, “estamos ainda por saber de forma clara qual impacto dos fenômenos migratórios na sociedade e na demografia madeirense” no período contemporâneo (VIEIRA, Mobilidades, 3 e 5-6). Ademais, a historiografia ainda carece de estudos específicos e aprofundados sobre os madeirenses que seguiram, para a Austrália, para a África do Sul e para a Europa, além de reflexões sobre a questão dos retornos do Brasil, mas sobretudo da Venezuela e da África do Sul. Para que tais lacunas sejam preenchidas, apesar da tarefa ser árdua, faz-se necessário utilizar fontes variadas tanto do arquipélago de partida como dos países de acolhimento, sem esquecer as fontes orais. Só assim o perfil dos que partiram nas diferentes fases migratórias poderá emergir, permitindo entender as repercussões tanto na sociedade madeirense, como nas de recepção, além-mar, onde se integraram.

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Nelly de Freitas

(atualizado a 23.08.2016)