imprensa protestante

Na primeira metade do séc. XX, numa fase fundamental de consolidação das comunidades protestantes em Portugal continental e insular, a imprensa desempenhou um importante papel na dinamização e integração das igrejas à escala local e nacional. No caso da Madeira, esse contributo no âmbito da difusão e propaganda do cristianismo evangélico foi protagonizado por três órgãos: Voz da Madeira (fundado em 1908), A Madeira Nova (fundado em 1925) e Madeira Evangelica (fundado 1927), todos sediados e editados na cidade do Funchal.

De periodicidade mensal, o Voz da Madeira (ano I, n.º 1, jul. 1908-ano XXVI, n.º 223, 1 mar. 1934) era normalmente composto por quatro páginas, esporadicamente seis, e a sua distribuição dependeu alternadamente de um preço de assinatura e de donativos. O jornal debateu-se ao longo dos anos com sérios problemas de financiamento, que não só ditaram um número substancial de interrupções – que, com duração variável se deram em 1913, 1914, 1918, 1920 e 1928 –, como acabaram por determinar a sua suspensão depois de, no período entre 1929 e 1934, a sua edição se ter reduzido à periodicidade anual. Acompanhadas de apelos constantes à participação ativa dos leitores na sustentação daquele projecto, essas paragens eram perspetivadas como prejudiciais ao “progresso do cristianismo evangélico” (ano V, n.º 59, maio 1913) entre os portugueses, o que procurava também traduzir o valor que aquele tipo de imprensa detinha enquanto instrumento de evangelização. Adoptando inicialmente um versículo bíblico como único subtítulo (Is 40,3), o jornal assumiu-se a partir do seu n.º 53 (nov. 1912) como Orgão da Missão Metodista Episcopal na Madeira, designação que manteve até 1930, sendo que no ano seguinte, fruto das alterações na coordenação do trabalho da missão na Ilha, antes ligada à Missão Evangélica Americana, a partir daí vinculada à Conferência Metodista Brasileira, adoptou o subtítulo Orgão da Igreja Metodista na Madeira, depois substituído por Mensário Evangélico (n.º 223, 1 mar. 1934).

Foram diretores-redatores da publicação William G. Smart (1908-1923), George B. Nind (1908-1914), Benjamim R. Duarte (1923-1931), António Pedro Rolim (1931), Avelino Brazão (1932) e José T. de Freitas (1934), sendo que Bráulio Ferreira da Silva foi também um importante colaborador no âmbito da redação, no período entre 1908 e 1913. O cargo de editor, inicialmente da responsabilidade de Júlio Viterbo Dias (1908-1926), foi posteriormente assumido por Avelino Gouveia Brazão (1926-1934) e Júlio Luiz de Freitas (1929-1933). O jornal acabaria por ser feito propriedade da Empreza da Voz da Madeira, composta por alguns daqueles nomes.

A fundação do periódico resultou da vontade de preencher uma lacuna no contexto da imprensa madeirense, que consistia na inexistência de um jornal evangélico. Representando-se como “voz” condutora para a construção de um caminho evangélico, o jornal apresentava-se também como herdeiro do percurso encetado por Robert Reid Kalley (1809-1888), participando numa missão ampla de difusão dos Evangelhos e situando a sua acção no âmbito de uma “cruzada evangélica” (n.º 1, jul. 1908, 1). Nos balanços do 1.º e do 11.º aniversários, os redatores, reforçando as expressões de valorização do jornal enquanto órgão do “cristianismo puro” (n.º 13, jul. 1909, 1) e primeiro, e na altura único, “jornal de carácter religioso oposto no meio de tanta manifesta rivalidade” (n.º 127, jun. 1920, 1), referiam também a sua boa receção e acolhimento destacando a tolerância da sociedade funchalense. Ligado a uma denominação específica no âmbito do cristianismo reformado, o jornal procuraria também dinamizar como marca identitária a sua cooperação com as outras comunidades protestantes, autodesignando-se como um periódico de “carácter religioso evangélico inteiramente livre” (n.º 127, jun. 1920, 1).

O Voz da Madeira seria retomado em 1936, com o subtítulo Orgão Evangélico e Noticioso (ano I, n.º 1, fev. 1936 – ano XI, n.º 11, 5 fev. 1946) e com periodicidade anual. Durante esse período foram seus diretor e editor Avelino Gouveia Brazão e H. T. Gomes de Freitas, respetivamente, sendo que o jornal passou também a ser propriedade da Comissão Publicadora Metodista. O regresso do jornal resultou em grande medida da procura de uma consolidação da reorganização da Igreja Metodista na Madeira, que, na década de 30, havia sofrido alterações estruturais resultantes da transformação da relação com as missões estrangeiras e do complexo inter-relacionamento com a corrente presbiteriana local, designadamente no âmbito da tentativa de unificação promovida pela criação da Igreja Evangélica de Portugal (IEP) em 1931 e da dinâmica de conflito e cisão que daí decorreu em 1935. O Voz da Madeira nunca recuperaria, porém, a sua consistência anterior.

O jornal A Madeira Nova teve duas séries sem interrupção (série I: ano i, n.º 1, 15 ago. 1925-ano VII, n.º 110, 22 nov. 1931; série II: ano VII, n.º 1, 13 dez. 1931-ano X, n.º 178, 14 jul. 1935). Inicialmente quinzenal, passaria depois a semanal, variando entre as quatro e as seis páginas, e podendo ser adquirido através de assinaturas anuais ou mensais e da compra de exemplares avulsos, sendo que a aquisição do mesmo era repetidamente promovida nas suas páginas através de frases como “Todo o liberal e todo o crente deve assinar esta folha e contribuir de qualquer maneira para o seu desenvolvimento. Cristo vos recompensará e a humanidade, verdadeiramente crente, vos agradecerá”, frase que figurou destacada em vários números do periódico. Para além de se sintetizar um verdadeiro programa, reforçava-se a noção do reconhecimento da imprensa enquanto elemento integrante da militância evangélica. Começando por ser Orgão da Juventude Evangélica da Madeira, logo a partir de 1926 a propriedade do jornal seria cedida à recentemente fundada Egreja Cristã Evangélica Portuguesa (ECEP), de que passou a ser órgão oficial, sendo que esse estatuto só seria alterado em 1931, ano a partir do qual, fruto do processo de reorganização das comunidades evangélicas da Madeira e da integração da ECEP na IEP, a publicação passaria a deter o subtítulo Semanário Independente, substituído em 1932 pela designação Hebdomadário Evangélico.

No primeiro ano da publicação foi seu redator principal José T. de Freitas e seu editor Álvaro A. Fernandes, sendo que a partir de 1926 surgiu o lugar de diretor, ocupado primeiro por Anselmo F. Chaves e logo depois por Júlio Viterbo Dias (1926-1927), saído nesse ano da Voz da Madeira e substituído no ano seguinte n’A Madeira Nova por José T. de Freitas (1927-1935), que, entretanto dedicado ao secretariado da redação, retomou ali o trabalho de coordenação que tinha inaugurado, acumulando ainda, a partir de 1931, o cargo de editor. Com a série II, a direcção foi mantida e justapôs-se-lhe novamente um redator principal, cargo ocupado por J. Garrido (1931-1932) e Luiz Marino (1932-1933).

O jornal assumiu desde a sua fundação um programa proselitista declarado: “Será o nosso alvo principal defender e lutar, pelo sublime Ideal de Cristo; baseando os nossos princípios no Seu puro Evangelho, que aponta o Caminho da Salvação aos indivíduos” (n.º 1, 15 ago. 1925, 1), um objetivo reforçado sistematicamente nas suas páginas e traduzido na apresentação dos balanços, como o do primeiro aniversário, onde se referia: “A nossa causa, tem triunfado. As inúmeras adesões à nossa Egreja Portuguesa tem sido o maior galardão que possa a vir premiar o nosso trabalho” (n.º 25, 15 ago. 1926, 1). A par daquela dinâmica evangelizadora, apresentada também como herança do movimento encetado por Kalley, o jornal procurou participar na promoção de uma dinâmica sociocultural e no chamado “levantamento moral” da sociedade madeirense, buscando fornecer um contributo para a “educação do povo” (n.º 40, 1 abr. 1927, 1). O interdenominacionalismo, enquanto missão centrada na valorização da liberdade e fraternidade cristãs, integrou também o seu plano organizativo, sendo que A Madeira Nova procurou consolidar-se como instrumento de unificação dos evangélicos madeirenses, enfrentando, no entanto, sérios obstáculos à prossecução desses objetivos, patentes nas páginas do jornal ao longo da década de 30, período durante o qual tiveram lugar os já referidos diferendos entre os protestantes da Madeira. Apesar disso, aqueles propósitos unificadores mantiveram-se nas décadas seguintes e, nesse contexto, o título Madeira Nova seria retomado como instrumento dessa dinâmica, mas a partir de então sob forma de Revista de Cultura Religiosa, propriedade do Conselho Regional da Madeira da IEP, ligada, a partir da segunda metade da década de 40, à Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal.

O Madeira Evangelica (série I: ano I, n.º 1, 15 maio 1927-ano II, n.º 23, 19 ago. 1928; série II: ano III, n.º 24, 15 ago. 1929-ano IV, n.º 38, 15 out. 1930), almejando inicialmente ser uma publicação semanal, oscilaria entre a periodicidade quinzenal e mensal. Com uma interrupção prolongada entre setembro de 1928 e julho de 1929, resultado de dificuldades financeiras, a publicação foi reiniciada com a série II a 15 de agosto de 1929, prosseguindo com a numeração. Composta por quatro páginas, muito esporadicamente seis, a sua circulação era sustentada por assinaturas mensais ou anuais e com recurso também às contribuições voluntárias dos leitores. A promoção da sua leitura foi energicamente dinamizada com incentivos à recolha de assinaturas e a publicação regular e destacada de frases como “Assinar e propagar a Madeira Evangelica é um dever de todos os verdadeiros cristãos”, sendo que este último substantivo foi algumas vezes substituído pelos termos “portugueses” ou “evangélicos”. Inaugurado como Orgão Oficial da Igreja Evangelica Madeirense (Sistema Presbiteriano). Religião, Sciencias, Letras, Vida Social, o jornal adotaria vários subtítulos, dividido entre a referência explícita àquela representação oficial da comunidade presbiteriana madeirense e a valorização da variedade de temáticas abordadas, com expressões como Religião, Sciencia, Letras e Assuntos de Interesse Geral. A partir da série II passou a denominar-se Orgão dos Evangélicos da Madeira, explicitando não ser órgão de nenhuma denominação mas da “Família Evangélica Madeirense” (n.º 24, 15 ago. 1929, 1) e procurando dessa forma materializar o objetivo de unificação dos evangélicos madeirenses.

Foi seu diretor, ao longo das duas séries, Júlio Viterbo Dias, saído em 1927 d’A Madeira Nova, e tendo portanto colaborado nos três títulos aqui elencados, assumindo, porém, um lugar de destaque na fundação e direção do Madeira Evangelica. Manuel L. Mendes foi seu editor (1927-1930) e o cargo de redator-correspondente, criado a partir do n.º 22, foi assumido por Jacinto Pinto Coelho (1928-1930). Também a partir da série II criou-se uma junta administrativa que, assumindo a partir daí a propriedade do jornal, seria composta daqueles dois últimos nomes juntamente com os de João Carvalho Spínola, Avelino Gouveia Brazão e Júlio Silvestre Figueira, sendo que se procurava que estivessem ali representadas as diferentes denominações com as quais o jornal trabalhava (presbiteriana, metodista e ECEP).

Funcionando inicialmente, na prática, como órgão da corrente presbiteriana, o jornal apresentava-se como “novo campeão da Causa Evangélica” na ilha (n.º 1, 15 maio 1927, 1) e simultaneamente como “Heraldo dum movimento de União” (n.º 4, 18 jun. 1927, 1) no sentido da construção de uma grande igreja nacional e da promoção de uma “Pátria evangelizada” (n.º 18, 8 maio 1928, 1). A par daqueles objetivos, manifestava-se a importância do favorecimento dos interesses morais, intelectuais e materiais da ilha da Madeira, sendo que a ciência e as letras faziam parte das linhas de orientação do jornal. O movimento de unificação em torno da IEP acabaria por ditar o fim do Madeira Evangelica, já que, à exceção dos metodistas representados na recuperação do Voz da Madeira, aquela união se manteve e as confissões que aí permaneceram combinaram esforços na prossecução do trabalho d’A Madeira Nova.

No que diz respeito às temáticas desenvolvidas nestes jornais, reconhece-se uma estrutura bastante semelhante entre todos. Naturalmente pontuados por variações e especificidades próprias, podem distinguir-se seis eixos fundamentais: (I) os textos de natureza doutrinal e prosélita dedicados aos grandes temas da Reforma e da teologia protestante, ao conteúdo e funções do ministério evangélico, aos estudos bíblicos, às temáticas cristológica e eclesiológica e ao problema da conversão; (II) os artigos de natureza polemizante e militantemente anticatólica, muito centrados na crítica do clero católico romano, na denúncia das práticas da idolatria e superstição (onde recorrentemente se integravam os temas do culto dos Santos, das imagens, dos milagres, das aparições, das procissões, etc.), na discussão das questões doutrinais ligadas aos temas do Purgatório e da confissão auricular e das questões dogmáticas ligadas à infalibilidade papal e ao lugar de Maria no culto cristão, bem como no debate sobre o lugar da Bíblia e da sua leitura no âmbito da prática religiosa. A crítica em relação a outras correntes no âmbito do cristianismo, como o russelismo ou sabatismo, e fora dele, como o espiritismo e o ateísmo, teve também lugar nas páginas dos três jornais; (III) os artigos dedicados aos temas da moral e costumes, desenvolvidos em torno das temáticas mais teóricas de denúncia da incredulidade, do indiferentismo, da hipocrisia, da mentira e do pecado e em torno da valorização da humildade, da temperança e da paciência, igualmente apostados no combate ativo a problemas como o alcoolismo e a prostituição, na promoção da restrição de práticas como a dança, o jogo, o consumo de tabaco e de álcool, a ida ao teatro e ao cinema e na regulamentação dos deveres quotidianos que pertencem ao casamento, à organização do lar e à guarda do Domingo, por exemplo; (IV) os textos de carácter histórico, dedicados essencialmente à história do protestantismo madeirense, ao percurso específico de cada uma das denominações e também a apontamentos biográficos dos grandes reformadores; (V) notícias sobre a atualidade nacional e internacional, desenvolvidas em torno das questões políticas e culturais, e mais especificamente sobre a atualidade religiosa, designadamente em torno do progresso do protestantismo nacional e internacional, do problema da liberdade religiosa, da questão social, da educação religiosa, da relação da religião com a ciência e a cultura, da missionação ultramarina e do trabalho das sociedades bíblicas; (VI) e, finalmente, os artigos dedicados à juventude, onde eram essencialmente abordadas as temáticas da educação, do estudo e da maternidade, publicitadas regras de conduta e promovidos pequenos concursos, geralmente associados à dinamização da leitura da Bíblia.

Os três jornais consolidaram também ao longo do seu percurso secções permanentes. Todos tinham uma secção intitulada “Noticiário” sobre a vida das igrejas (serviços religiosos, trabalhos escolares, registo da igreja, eleições, festas, excursões, congressos, movimentos financeiros, angariações de fundos, construção de templos, etc.), dos seus fiéis (nascimentos, falecimentos, batizados, nomeações, partidas e chegadas, etc.) e das organizações a eles ligadas (Associação Cristã da Mocidade, Sociedade Auxiliadora de Senhoras, Associação de Escoteiros de Portugal, Missões, etc.); todos tinham também uma coluna dedicada ao anúncio de novas obras, uma secção essencial para o acompanhamento do universo literário com que aquelas comunidades interagiam. Constituiu também prática comum aos três jornais o recurso a pequenas frases nas primeiras páginas; no Voz da Madeira frequentemente citava-se versículos bíblico, mas n’A Madeira Nova e no Madeira Evangelica ocorriam citações de tipo vário, sendo que no primeiro estas se restringiam quase só ao campo doutrinal e no segundo recorriam frequentemente aos campos da filosofia e da história, que eram publicadas sob a forma de “Pensamentos e máximas”. O Voz da Madeira e A Madeira Nova dispunham de uma secção de correspondência, sendo que em ambos os casos essa secção tinha uma componente internacional. O Voz da Madeira e o Madeira Evangelica tinham também uma coluna dedicada à poesia e uma importante secção dedicada às escolas dominicais, com a publicação regular das Lições Internacionais (lição, leitura, texto áureo e questionário), bem como uma “Página Instrutiva” no primeiro e a “Secção dos Pequeninos” no segundo. A Madeira Nova e o Madeira Evangelica incluíram também nas suas páginas uma secção humorística, com a publicação de anedotas e, no caso do primeiro título, até de ilustrações de tipo caricaturístico. Todos os jornais dispuseram ainda, de modo sequencial mas alternado, de uma secção intitulada “Consultório Religioso”, dedicada ao esclarecimento de assuntos religiosos, da responsabilidade do Rev. Viterbo Dias, que, na sua passagem pelos três periódicos, sempre implementou aquela coluna. Marca distintiva do Voz da Madeira foi a sua English Section”, dedicada às comunidades britânica e norte-americana da Madeira e aos cidadãos estrangeiros de passagem pela mesma. O Madeira Evangelica distinguiu-se, por seu lado, por ser o único a ter uma secção dedicada especificamente ao género feminino, intitulada “Jornal da Mulher”. Refira-se ainda que a utilização de fotos foi, nos três títulos, ocasional.

Estes jornais representavam uma verdadeira rede de imprensa citando-se e valorizando o intercâmbio entre si no período em que coexistiram, mas sobretudo com outros títulos da imprensa protestante nacional como O Amigo da Infância (fundado em 1875), O Mensageiro (fundado em 1905), Egreja Lusitana (fundado em 1894), A Luz e a Verdade (fundado em 1902), Leituras Cristãs (fundado em 1904), Bom Pastor (fundado em 1908), Arauto Cristão (fundado em 1910), O Cristão Baptista (fundado em 1914), Portugal Evangélico (fundado em 1920), Triângulo Vermelho (fundado em 1920), Raio de Sol (fundado em 1925) e Portugal Novo (fundado em 1928), cuja multiplicidade ilustrava bem a densidade que a dinâmica do periodismo evangélico foi adquirindo ao longo das primeiras décadas do séc. XX. A correspondência e as permutas com jornais estrangeiros eram também regulares, com uma predominância de contactos com os universos brasileiro e norte-americano, sobretudo pela via da interação com as comunidades portuguesas, designadamente madeirenses, ali emigradas.

Como facilmente se verifica, no universo evangélico da Madeira, e inevitavelmente na sua expressão jornalística, existe um claro cruzamento de objetivos e participações, ao mesmo tempo que uma verdadeira dinâmica de concorrência, que se traduzem na repetição e transição de vários nomes no universo de colaboradores dos vários títulos apresentados e na própria cronologia (fundação, interrupções, suspensão) dos jornais, tradutoras dos programas interdenominacionais que se procuraram promover, mas também dos conflitos que o inter-relacionamento entre comunidades potenciou. Fonte útil para a história da Madeira, estes periódicos constituem também documentação fundamental para a história do protestantismo português e das denominações organizadas e desenvolvidas no espaço insular.

Bibliog.: “Apresentando-nos”, Madeira Evangelica, 15 maio 1927, p. 1; B. R. D., “A Nossa Tarefa”, Voz da Madeira, jun. 1920, p. 1; DIAS, Júlio Viterbo, “Ebenezer! Por Cristo e pela Humanidade!”, Madeira Evangélica, 15 ago. 1929, p. 1; DUARTE, “Introdução”, Voz da Madeira, jul. 1908, p. 1; “Expediente. Muita Atenção”, Voz da Madeira, maio 1913, p. 1; FREITAS, José de, “Duas Palavras”, A Madeira Nova, 15 ago. 1925, p. 1; Madeira Evangelica, série I: ano i, n.º 1-ano II, n.º 23; Id., série II: ano III, n.º 24-ano iv, n.º 38; “A Madeira Evangelica é o Heraldo dum Movimento de União. Traçando Mais uma Vez a Nossa Orientação”, Madeira Evangelica, 18 jun. 1927, p. 1; A Madeira Nova, série I: anoIi, n.º 1-ano VII, n.º 110; Id., série II: ano VII, n.º 1-ano X, n.º 178; “O nosso Aniversário”, A Madeira Nova, 15 ago. 1926, p. 1; SMART, W. G., “O nosso Primeiro Aniversário”, Voz da Madeira, jul. 1909, p. 1; V. D., “A Madeira Nova”, A Madeira Nova, 1 abr. 1927, p. 1; “Vencemos o Primeiro Ano de Lutas!!”, Madeira Evangélica, 8 maio 1928, p. 1; Voz da Madeira, ano I, n.º 1-ano XXVI, n.º 223; Voz da Madeira. Orgão Evangélico e Noticioso, ano i, n.º 1-ano XI, n.º 11.

Rita Mendonça Leite

(atualizado a 02.10.2017)