leal, joão baptista de freitas

O conselheiro João Baptista de Freitas Leal nasceu no Funchal, a 24 de junho de 1837, e faleceu nesta mesma cidade, no dia 30 de março de 1920. Oriundo de uma ilustre família madeirense, era filho do comendador Valentim de Freitas Leal e de Augusta de Freitas Abreu Leal.

Freitas Leal formou-se em direito na Universidade de Coimbra (1864) e, embora não tenha exercido a advocacia, desempenhou por várias vezes o cargo de juiz de direito. Além disso, teve alguns cargos relevantes de serviço público, tendo sido membro do Conselho do Distrito, procurador na Junta Geral , presidente da comissão administrativa do Asilo e da Sopa Económica, entre outros. Todavia, este ilustre madeirense distinguiu-se sobretudo pela sua dedicação à causa católica, tendo sido agraciado pelo papa Leão XIII com a alta distinção de camareiro secreto de espada e capa do pontífice romano. Efetivamente, foi um dos fundadores da Associação Católica do Funchal (1874)  e da primeira Conferência de S. Vicente de Paulo naquela cidade, bem como do semanário católico A Verdade, que dirigiu durante vários anos.

Entre as suas publicações, destacamos uma série de fascículos que descrevem a sua viagem por vários países da Europa: Recordações e Impressões de Viagem. Em 1894, publicou um livro religioso muito apreciado, Devocionário das Almas do Purgatório, que rapidamente se esgotou (bem como a sua reedição de 1901). Reuniu ainda num volume os seus discursos mais notáveis enquanto presidente da Associação Católica.

Para além dos cargos e títulos já mencionados, foi também comendador da ordem militar de N.ª S.ra da Conceição (1886) e moço-fidalgo da Casa Real e do Conselho de Sua Majestade.

Obras de João Baptista de Freitas Leal: Recordações e Impressões de Viagem (1879-1888); Devocionário das Almas do Purgatório (1894).

Bibliog.: Silva, Fernando Augusto da e Meneses, Carlos Azevedo de, Elucidário Madeirense, vol. ii (F-N), p. 432; Porto da Cruz, Visconde do, Notas e Comentários para a História Literária da Madeira: 3.º Período 1910-1952, vol. iii, Funchal, Câmara Municipal do Funchal, 1953, p. 16.

Porfírio Pinto

(atualizado a 23.11.2015)