lendas e mitos fundadores

Ao longo dos tempos, todos os povos têm demonstrado uma necessidade de encontrar e afirmar as suas origens, procurando, através de relatos vários, legitimar a posse de um lugar ou pertença a uma determinada linhagem, conferindo ao presente uma dinâmica que poderá resultar de ecos do passado, que muitas vezes, se perdem in illo tempore.

A Madeira não tem sido diferente, registando, no decorrer da sua história, alguns episódios que têm servido de base a lendas e mitos que assumem um caráter fundador, enquanto legitimadores de uma identidade própria que encontra, assim, nesses elementos as suas raízes. Acoplada, forçosamente, aos relatos desta natureza surge, frequentemente, a descoberta da Ilha e todas as façanhas que possam remeter para um período áureo da história do nosso País e da Madeira, em particular por toda a dinâmica que se impôs a partir de então. A par destas narrativas fundacionais do período da descoberta, teremos de chamar, também, até nós, outros relatos que, em momentos posteriores, serviram de legitimação da fundação ou criação de outras localidades regionais, ganhando uma proximidade muito grande das pessoas, seu principal veículo difusor.

De uma forma generalizada, os relatos desta natureza, quer escritos, quer orais, fazem parte de todo um património imaterial que apela à compreensão dos modos de sentir e agir do povo, quando colocado diante de factos e acontecimentos que não têm uma explicação linear, não só num determinado quadro temporal, mas também social e valorativo, condicionando, por conseguinte, a perceção da realidade.

Por norma, estas narrativas centram todo o seu enredo numa figura marcada por algum aspeto que a distingue dos demais, o herói fundador, predestinando-a a um percurso ímpar. Essas marcas distintivas que carregam sinais de exceção podem assumir vária índole, destacando-se as de natureza física (como alguma deficiência ou particularidade que o faz destacar-se das outras figuras), que poderão existir cumulativamente com marcas de outra índole, nomeadamente um nascimento duvidoso, uma maldição, uma falta ou crime cometido, uma atitude civilizadora, a proximidade de entidades divinas, o conhecimento/sabedoria diferenciado, entre outras.

Ora, com a descoberta, povoamento ou até mesmo arroteamento de novas terras surge a necessidade de pertença a um quadro histórico que garanta legitimidade de usufruto e de presença. Emerge a necessidade de se justificar a sua posse, não se limitando essa mesma justificação à defesa militar ou à organização social da população. É, pois, numa atitude de legitimação que se criam as narrativas e os relatos que preenchem as lacunas da História e dão seguimento a um imaginário que precisa de encontrar referentes mais precisos e verossímeis. De facto, a procura de elementos que permitam identificar uma dada sociedade ou um determinado povo é bastante comum em todas as culturas. Da Antropologia à História, passando pela Literatura e pela Filosofia, a questão da identidade tem servido de base a muitas reflexões, sendo que podemos aferir que a pertença a um local e a importância que lhe é dada pelo coletivo humano que o habita é um fator determinante na constituição dessa mesma identidade, criando um sentimento de pertença que vai condicionar a sua forma de pensar e de agir. Formatados pela insularidade que lhes é inerente, os madeirenses têm, ao longo dos tempos, procurado delinear as coordenadas que permitam identificar a sua própria cultura, a sua essência, as suas próprias raízes, quer se liguem a João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, quer se relacionem com Machim, o inglês que terá primeiramente passado por esta Ilha.

Da necessidade de inscrição no espaço e no tempo surgiram, pois, relatos que nos transmitem uma noção difusa do passado e que tanto têm de unificador, como de heterogéneo, legitimando a dúvida que permanece sempre que estas questões são abordadas num tom poliforme e multidimensional. Perante uma tamanha diversidade de representações identitárias, não nos podemos limitar a uma memória oficial veiculada por Zurara ou João de Barros, que procuram a unificação de uma cultura em torno de uma única verdade; temos, sim, de abrir mão dessa unidade e partir à descoberta de uma identidade que se constrói em parcelas, assente que está na diversidade cultural que o próprio homem preconiza em cada etapa da sua história.

Por exemplo, se partirmos do pressuposto de que podemos identificar a génese da cultura madeirense com alguns dos registos feitos nos diferentes textos que veiculam a lenda de Machim, então teremos de equacionar a possibilidade desses mesmos relatos construírem uma identidade madeirense que se sustenta na sua hipotética viagem e a sua chegada à Ilha da Madeira. Ora, a verdade é que toda a informação que consta desta lenda pode, certamente, construir um sentido muito próprio, e, ao mesmo tempo, influenciar e organizar tanto as ações como a conceção que os madeirenses têm de si mesmos, já que é com base nesses parâmetros que a cultura e a identidade regionais vão ser interpretadas. Não podemos, pois, ver essa identidade como algo que se resume a um estatuto político-administrativo, mas sim a um sistema de representação cultural que é composto por diferentes fatores, podendo centrar-se em coordenadas míticas e historiográficas que dão forma aos relatos vários, resultado que são de uma miscigenação entre a história e a ficção, materializando uma atitude legitimadora empreendida por alguns autores.

Alguns deles fazem-no, por exemplo, acoplando os seus relatos a fontes tidas por credíveis, assegurando a consequente veracidade das mesmas. Procuram, pois, legitimar um discurso que resulta de uma miscigenação entre historiografia e mitologia/lenda, com o poder a ser colocado ao serviço de uma poética da narrativa. Por vezes, é a ficção que é colocada ao serviço do poder – referindo ainda o caso da descoberta de Ilha, veja-se, por exemplo, a versão dos cronistas oficiais do Reino, João de Barros e Zurara –, dando, então, origem a um discurso de legitimação. Em busca de uma legitimação ou defesa de uma ordem e de uma continuidade, a “verdade primeira” vai sendo adaptada e assimilada, para que se alcance o resultado pretendido. Tal é permitido pelas diretrizes da historiografia coeva; além disso, nas reentrâncias da História não faltam pormenores que podem ser explorados.

Num labirinto onde se cruzam e se fundem teorias, sem que tenhamos um fio de Ariadne com que possamos encontrar a saída de um emaranhado de ideias e de críticas criadas em torno dos relatos fundacionais, é um desafio, por vezes, encontrarmos características comuns que nos permitem traçar um perfil de herói fundador, um herói portador de uma identidade, ou, se preferirmos, um herói fundador de uma identidade. Essas figuras não podem deixar de ser olhadas como arquetípicas, que resultam da união de um conjunto de atributos que as levam a ultrapassar, de forma sui generis, os obstáculos que lhes são colocados. Aceitando-as como heróis fundadores, estamos a admiti-las como figuras constituídas historicamente com um propósito determinado: clarificar um qualquer período que permaneça por explicar.

Como facilmente se percebe, uma questão que muitas vezes se levanta quando nos debruçamos sobre lendas e mitos fundacionais é a da verdade ou não dos factos relatados, sendo de notar que, nas diferentes épocas, estas narrativas têm desempenhado um papel importante no cimentar de uma historiografia da fundação. E note-se que toda esta questão se agudiza, por vezes, perante a problemática do rigor que se exige à História enquanto ciência.

Uma distinção se impõe neste contexto: história factual e história das ideias. Distintas, mas relacionadas, estes dois campos do saber têm em comum dedicarem-se ao estudo do passado. Contudo, não podemos deixar de notar que uma se fixa nas res gestae, ou seja, nas ações humanas propriamente ditas; a outra, por sua vez, prende-se ao acontecer histórico, nas suas múltiplas vertentes, incluindo política, social, estética, filosófica, religiosa, relacionando-se sempre com o desempenho do homem num determinado momento da sua história, dando, muitas vezes, relevo à sua relação com as mentalidades, representações, sensibilidades, mitos, símbolos, doutrinas e ideologias de uma determinada coletividade.

As fronteiras da História levam-nos a pensar nas ideias não como uma parte do real, mas sim como o real representado, o qual, por conseguinte, não carece de uma tão rígida verificação de veracidade. Temos, pois, várias ideias, umas mais formalizadas, outras mais difusas, que nos conferem uma possibilidade de conhecimento do real tal como ele é/foi. É assim que devemos, de resto, encarar alguns textos marcadamente literários que veiculam algumas das lendas e mitos fundacionais da Ilha da Madeira, onde encontramos uma “verdade de primeiro nível” trabalhada e preparada para dar forma aos objetivos que se querem alcançar.

As narrativas fundacionais apelam, muitas vezes, às chamadas “verdades de segundo nível”, veiculando a manipulação de um passado que é colocado ao serviço de uma intenção momentânea, ou seja, transmitem um passado adaptado, dando vazão a um conjunto de desejos e intenções que se concretizam no devir histórico, decorrentes de eventuais necessidades políticas, económicas, ideológicas. Muitas vezes, é através de um “effet de réel”, tal como defende Roland BARTHES (1967), que temos conseguido construir uma verdade histórica, na qual se conjugam elementos que facilmente se nos afiguram como incongruentes mas cuja união é colocada ao serviço de uma explicação coletiva. Ou seja, unem-se elementos historicamente identificáveis com construções lendárias nítidas, donde se extraem, consequentemente, verdades de segundo nível que nos transmitem um passado manipulado e veiculado de forma a sustentar eventuais necessidades retóricas ou ideológicas. Ainda assim, a relação destas narrativas com a representação do real continua a delimitar as interpretações que delas se têm feito ao longo dos tempos.

E se desde o início a escrita da História foi motivo de discussão por parte de historiadores e filósofos, hoje, no seguimento das teorias afloradas com o pós-modernismo, através de nomes como Hayden WHITE (1989), Paul Veyne ou Lawrence Stone, é comum assistirmos à problematização da questão de verdade objetiva que durante séculos se vinculou à tradição historiográfica. Ora, com o poder de manipulação o historiador, ou qualquer outro que se coloque ao serviço dos relatos do passado, tem sempre a possibilidade de alterar a ordem dos acontecimentos e dos factos. A escrita que daí resulta vai ser devedora da subjetividade, da criatividade e da interpretação do modelo de comunicação adotado. As lacunas que vão sendo encontradas alimentam a polimorfia e a opacidade de alguns documentos que abrem possibilidade para uma interpretação mais individualista e pouco objetiva, naquilo a que alguns autores, como Hayden WHITE (1989) ou Hans JAUSS (1989), designam de uma meta-história. Assim, os relatos surgem como uma estrutura verbal materializada num discurso narrativo que pretende ser um modelo ou um ícone das estruturas e dos processos do passado.

Já aqui falámos de lendas e de mitos, sobretudo relacionados com a ilha da Madeira e a legitimação da sua identidade, mas convém termos presente que estas duas formas distintas, mas complementares, de olhar o mundo são o meio encontrado para explicar acontecimentos envoltos em alguma dúvida ou mistério, quer na esfera real, quer na imaginária, entrelaçando-os, muitas vezes, como facilmente poderemos perceber com os exemplos que seguidamente iremos referir. Ambos estão marcados por uma oralidade intermitente, que aos poucos vai dando lugar a um registo escrito, não perdendo nunca o cunho marcadamente etiológico. Mais as lendas do que os mitos, por força da dilatação temporal a que estão sujeitas e à intervenção de todos aqueles que os transmitem, vão sendo truncados ou enriquecidos com novos elementos, na tentativa de os atualizar ou contextualizar num período específico, colocando-os ao serviço de uma qualquer intenção social ou política, como tão bem terá notado François DELPECH (1989).

Não podemos deixar de notar, também, que uma das principais características do mito, que, em parte, o diferenciam da lenda, e que deverá estar presente nas leituras que possamos vir a fazer das narrativas fundacionais madeirenses, é a sua ligação ao tempo primordial, por isso menos passível de adulterações e, por conseguinte, com um papel legitimador ainda mais genuíno, apelando à sua coletividade intrínseca, por oposição ao individualismo da lenda. Mito é, pois, a narrativa de uma criação: conta-nos de que modo algo, que não era, começou a ser. Na verdade, para alguns autores, a lenda seria uma derivação do mito, enquanto continuação adaptada a uma nova mentalidade, onde os contornos metafísicos são amenizados para mais facilmente serem integrados numa narrativa que se insere num espaço discursivo mais contingente e humanizado.

Pese embora todas estas considerações, o que algumas vezes se verifica é uma espécie de desmitificação do próprio mito, esbatendo um pouco a sua génese, se assim podemos chamar, de forma a haver espaço para uma contextualização que transmitisse as suas preocupações culturais, didáticas e estéticas. Ou seja, ao longo dos tempos, registam-se alguns usos do mito com uma função muito específica, fazendo dele um meio para atingir um fim, ainda que isso implique a transgressão da lei e das regras da narração mitológica. Mas passemos, então, a alguns exemplos de lendas e mitos que, ao longo dos tempos, se foram formulando ao redor dos acontecimentos e factos que marcaram os mais de cinco séculos de vida humana na ilha da Madeira. E se no início estas narrativas conheceram uma génese oral, depressa viram ser firmadas pela escrita algumas das suas variantes, como, de resto, muito bem assinalaram, séculos depois, Álvaro Rodrigues de AZEVEDO (1880), Alfredo António de Freitas BRANCO (1954), mais conhecido por Visconde do Porto da Cruz, João de Brito CÂMARA (1943), Benvinda LADEIRA (2000), Pere FERÉ (2008), Fernanda FRAZÃO (2004), José Viale MOUTINHO (2011) ou, entre outros, a coletânea Lendas da Madeira para Crianças (2011), esta última com a adaptação por vários autores de histórias que a tradição manteve. Ora, uma das lendas fundacionais referidas por quase todos eles, e à qual não podemos nunca fugir quando falamos da realidade madeirense é a Lenda de Machim. Trata-se de um relato que terá conhecido, primeiramente, uma versão oral, e que, ao longo dos tempos, conheceu diferentes registos escritos, alguns deles com bastantes divergências entre si, veiculando as duas (ou três) versões que se conhecem deste episódio.

É, na verdade, uma lenda que se liga à descoberta da Ilha, mas, também, à fundação da vila de Machico, cujo topónimo terá origem, embora algumas análises de história da língua o contrariem, no epónimo do herói Machim. Tudo se passa o tempo de Eduardo III, de Inglaterra, onde vivia Roberto Machim e a mulher por quem se viria a apaixonar, Ana de Arfet. Por serem de classes sociais diferentes, esse amor veio a encontrar a oposição dos pais da donzela, o que levou o plebeu a raptá-la para com ela fugir de Bristol, de barco, com a intenção de chegar a terras francesas. Surpreendidos por uma forte tempestade, quando estavam já no mar alto, coadjuvada pela falta de conhecimentos da arte de marinhagem, o casal acabaria por andar à deriva e por acostar na ilha da Madeira. Desembarcaram na baía de Machico, onde, consoante a versão, terão permanecido um número variável de dias. Enquanto o jovem casal punha em prática uma incursão pelo denso arvoredo que cobria o local onde desembarcaram, uma nova e forte tempestade vai arrastar para Marrocos o barco em que chegaram, acabando Ana de Arfet por morrer de desgosto ao imaginar-se desterrada neste lugar.

Machim acaba também por morrer na Ilha, ou, se tivermos em conta outras versões, consegue construir um barco com os grandes troncos que por ali existiam e rumar, também ele, até Marrocos. E aqui é de destacar a ausência de uma atitude civilizadora e, até mesmo colonizadora, quando falamos de um náufrago, que apenas pretende regressar à sua terra de origem, como bem notou Maria Alzira SEIXO (1998). A par da lenda de Machim, há uma outra lenda, muito próxima do mito pela transcendência que impõe, que se prende com a descoberta da Ilha da Madeira, desta feita com um cunho marcadamente religioso, afeta ao culto mariano. Ora, de acordo com a tradição, diz-se que, num certo dia, estando a Virgem Maria a desfiar as contas do seu rosário, enquanto pensava nos males que afetavam e corrompiam o Mundo, começou a chorar. As suas lágrimas, à medida que caíam, adornavam ainda com mais estrelas o seu manto azul. Mas uma das lágrimas acabou por seguir outro rumo, deslizando pelo imenso infinito, caindo nas águas do mar, transformando-se, à medida que o sol ia surgindo por entre as nuvens, numa maravilhosa pérola-ilha, a qual acabaria por ser encontrada pelos Portugueses, pondo-lhe o nome de Ilha da Madeira. Aqui estabelece-se uma relação desta “nova” ilha com a Atlântida perdida, a tal que já era referida por Platão como ficando entre as Colunas de Hércules.

Os próprios madeirenses frequentemente associavam a Madeira àquela ilha fantástica, sendo comum considerar que esta teria surgido como forma de assinalar para todo o sempre o que teria acontecido àquela antiga terra em consequência do castigo divino. Em parte filiada nesta lenda da Atlântida perdida, temos a Lenda da Noite de São Silvestre, uma das narrativas que, embora caída no esquecimento, faz a referida associação e estabelece um paralelo com a tradição do fogo-de-artifício na derradeira noite do ano. Esta lenda assegura que há muitos anos existiria no meio do oceano Atlântico uma ilha fabulosa, a Atlântida, e que nela vivia a civilização mais maravilhosa de sempre. Os seus habitantes, aos quais Platão atribuíra uma descendência divina, fruto dos amores de Posídon com a mortal Clito, viriam a tornar-se extremamente arrogantes, ao ponto de um dia manifestarem a pretensão de conquistar todo o mundo, com o cúmulo do seu rei vir a desafiar os céus. Perante tal intenção, ouviu uma voz do Deus verdadeiro que o aconselhou a ter freio nas suas intenções, pois nada conseguiria contra o poder divino. Por teimosia o rei audaz resolveu contrariá-lo e parte à conquista de Atenas. Ora, durante a batalha o rei da Atlântida ouviu a voz de Deus dizer-lhe que a vitória seria de Atenas para castigar a sua arrogância e ingratidão. À derrota seguiram-se terríveis tempestades, terramotos e inundações que engoliram a bela Atlântida para todo o sempre.

Muitas centenas de anos depois, estava um dia a Virgem Maria debruçada dos céus sobre o oceano, sentada numa nuvem, quando São Silvestre se abeirou dela para com ela conversar. Estávamos na última noite do ano, achando São Silvestre que por isso deveria significar algo de diferente para os homens, como forma de marcar uma fronteira entre o passado e o futuro, o ano velho e o ano novo, dando-lhes a possibilidade de se arrependerem dos seus erros e de terem esperança numa vida melhor. Perante essa intenção de São Silvestre, Nossa Senhora achou muito boa ideia assinalar essa diferença, aproveitando, entretanto, para lhe falar da razão que a levara a observar o mar com uma certa tristeza: lembrava-se da bela Atlântida que tinha sido afundada por Deus por causa dos erros e pecados dos seus habitantes.

Pois enquanto falava, Nossa Senhora deixava cair lágrimas de tristeza e misericórdia porque a humanidade, apesar do castigo, não se tinha emendado. Perante este facto, São Silvestre não pôde deixar de ficar emocionado, reparando que as lágrimas que caíam eram, na verdade, pérolas. E foi, precisamente, uma dessas lágrimas que acabou por cair no mesmo local onde existira a Atlântida, nascendo, desde então, a ilha da Madeira, que acabou por ficar conhecida como Pérola do Atlântico. Durante muitos anos, sempre que batiam as 12 baladas da noite de São Silvestre, o céu ficavam repleto de várias cores, acreditando o povo que uma forma de a manter era com as muito apreciadas festas de final do ano, onde se destaca o fogo-de-artifício. Não podemos deixar de notar que, desde Homero a Virgílio, passando por Hesíodo, Diodoro, Plutarco, Estrabão, ou até Ovídio, o arquétipo de uma ilha perdida no meio do oceano ganhou diferentes formas, conheceu diferentes nomes, mas a essência era a mesma: um local de evasão ou fuga, onde a felicidade parecia não ser posta em causa, não havendo guerras, misérias pessoais ou sociais, prevalecendo a harmonia e a abundância. A Atlântida ou as Ilhas Afortunadas surgem, pois, como expoente máximo desse desejo de evasão e de fuga, ilhas essas que podemos nós aqui relacionar com a ilha desabitada que Machim encontra perdida no meio do Oceano Atlântico e, logo depois, é encontrada pelos Portugueses.

É um facto que devido a uma acumulação de tempos e de acontecimentos, acabamos por constatar a existência de uma sobreposição de imagens sem correspondência direta com qualquer lugar conhecido e comprovável, tendo nós, por vezes, de admitir que, à falta de referentes reais, estamos perante o aproveitamento de uma tradição literária que vale por si mesma e na sua funcionalidade específica. Ainda nesta linha de associação da ilha da Madeira a uma arquipélago perdido ou à ilha encantada que existiria no Atlântico, temos o mito da Madeira encoberta, devedor que é das várias nuances do mito sebastianista. Detenhamo-nos, então, na lenda de Arguim, outra das lendas regionais que evocam o surgimento da Ilha da Madeira, podendo, desta forma, assumir um caráter fundacional. Conta-nos essa narrativa a forma como D. Sebastião terá regressado derrotado da batalha de Alcácer-Quibir, ao invés de ter sido morto, refugiando-se nessa pequena terra no meio do Atlântico, em modo de desterro pela má governação que impôs ao Reino. A caminho de Arguim, terá passado pela Madeira, deixando a sua espada cravada no Cabo do Garajau e que dali só haveria de ser tirada pelo próprio no dia em que fosse reconquistar o território luso.

A sua vida em Arguim foi toda ela faustosa, com os dias a serem passados em castelos de ouro e de marfim, com leões à porta de entrada para prevenir a aproximação de estranhos. Anos mais tarde, quando uma caravela portuguesa navegava entre Portugal continental e a Madeira, por momentos, a sua tripulação presenciou a emersão daquela ilha fantástica, onde chegaram a desembarcar. Na praia, encontraram pedras de ouro e outras preciosidades. Mas no momento em que um grupo de marinheiros subia um dos montes da ilha, depressa Arguim submergiu, arrastando-os para o fundo do mar. Já debaixo de água, puderam eles contemplar uma vida igualmente luxuriante, não faltando um sem número de flores e de peixes, alguns desconhecidos. Terão sido recebidos com todo o fausto pelo Rei D. Sebastião, para logo depois voltarem à superfície, encantados, com promessas de regresso. E foi na Madeira que vieram a contar aquilo que lhes sucedera, comovidos, referindo que quando Arguim viesse à superfície para aí se estabelecer, a Madeira afundaria na escuridão do abismo marinho, desaparecendo, para todo o sempre, do mapa. Diz a lenda que esse dia chegaria quando D. Sebastião voltasse para buscar a espada que deixara no Garajau, com o intuito de derrotar os Filipes que reinavam em Portugal e Espanha.

Há achegas que atestam que uma outra caravela portuguesa, ao passar por Arguim, se confrontou com uma forte tempestade, tendo os seus marinheiros sido obrigados a lançar ao mar todos os mantimentos para que a embarcação se voltasse a equilibrar. Depois disso, a mando do comandante, foram os marinheiros olhar o oceano, quando se depararam com uma localidade onde as pessoas recebiam, em festa, os mantimentos que haviam sido atirados à água. Eis, pois, um bom exemplo de que as lendas e mitos fundacionais relacionados com a Madeira não se resumem ao episódio de Machim e às lendas subsidiárias da Atlântida. Na verdade, a figura de D. Sebastião está, também, presente no imaginário insular. Uma outra prova disso é que, diz a lenda, no Porto Santo, em tardes mais envoltas em bruma, é possível ver a ilha de Arguim, morada de D. Sebastião, o “Rei Desejado”, que há de regressar fruto de um grande milagre.

Esta e outras lendas nascidas em volta do Sebastianismo representam, de certa forma, a vontade do povo se associar aos grandes feitos que marcam a história do País, estabelecendo uma relação de pertença. Convém termos presente que ao longo dos tempos, o sebastianismo se transformou num verdadeiro paradigma para compreensão/explicação de diferentes momentos da história do País e das suas diferentes regiões, capaz de incorporar as expectativas de um povo sobre a sua terra e sobre si mesmo, através de várias metamorfoses sempre associadas a um patriotismo latente, permitindo, por isso, a atualização da memória coletiva.

Um exemplo de uma outra lenda que liga a Madeira ao sebastianismo tem como cenário a Penha de Águia, no Porto da Cruz. É precisamente numa das encostas desse penedo, por sinal a mais árida e mais escarpada, que estaria enterrada a espada de D. Sebastião, estabelecendo algumas semelhanças com a referência à espada feita anteriormente.

Distinta das já referidas, uma outra narrativa fundacional merecedora das nossas atenções é a lenda do Santo da Serra, que remete para a criação daquele povoado e para a proteção de Santo António à freguesia do Santo da Serra, no concelho de Santa Cruz. Segundo nos é narrado, um dos sesmeiros daquele concelho, Diogo Saldanha, na época do povoamento, ergueu o seu solar nas serranias da localidade, onde se dedicava, sobretudo, à agricultura e à criação de gado, contando com a preciosa ajuda de muitos homens livres, escravos e demais criadagem. Um dos seus escravos, em determinado período em que estava a ser observado pelo seu senhor, chegava sempre atrasado às suas lides. Diogo Saldanha por várias vezes ralhou com ele, mas o infeliz nunca se queixava, até que um dia resolveu contar ao seu amo o porquê de repetido atraso: havia um dos bezerros que estavam à sua guarda que tresmalhava sempre do rebanho, demorando ele muito tempo para encontrá-lo, feito só conseguido depois da ajuda de Frei António, que com a sua voz doce vinda do céu o conseguia guiar até junto do animal.

O fidalgo, perante esta história, ficou muito indignado e mandou trazer o Frade à sua presença, para que fosse castigado. Para tal, encarregou um grupo de homens armados para conseguirem cumprir as suas ordens. Mas, como seria de esperar, os seus homens nada conseguiram, apenas trouxeram a história de que havia um local onde os animais se ajoelhavam e logo depois dançavam. A situação esmoreceu até que certo dia o fidalgo Saldanha caiu na cama doente, altura em que Santo António lhe apareceu em sonhos, oferecendo salvação se, em troca, lhe fosse erguida uma ermida no tal local. Perante o seu estado, o fidalgo não hesitou e deu logo ordens para que se iniciassem os trabalhos.

Mas a construção do novo templo não foi tarefa fácil, já que o santo não estava contente com o local escolhido e por diversas vezes destruía a construção e colocava as ferramentas noutro sítio. Com a ajuda do escravo mouro, que era o interlocutor preferido do Santo, rapidamente se encontrou o local perfeito, pese embora fosse quase impossível transportar para esse espaço todos os materiais necessários à construção. Para grande surpresa de todos, numa bela manhã eis que tudo quanto era indispensável para dar início à obra apareceu nesse local e a capela pôde ser, então, erguida. A partir de então, reza a lenda que muitas romarias se fizeram para aquele templo, o primeiro a acolher Santo António na Madeira. A partir de tantas festas e comemorações, muitos foram os casais que ali se conheceram e casaram, constituindo famílias numerosas que rapidamente se fixaram nos arredores, dando origem a uma terra livre, a freguesia do Santo da Serra. E a riqueza deste género de narrativas com a Madeira como pano de fundo não se fica por aqui. Embora não estando diretamente relacionada com a fundação de um lugar, mas estabelecendo uma ligação com a sua nomeação e consequente topónimo, temos a lenda de Amadis de Gaula e a história da freguesia de Gaula, no concelho de Santa Cruz.

Na verdade, Amadis de Gaula é uma das figuras mais carismáticas do ciclo de novelas de cavalaria da Península Ibérica do século XVI. E embora ainda muita controvérsia rodeie a versão original desta lenda tem conhecido sempre grande aceitação ao longo dos tempos. Embora a sua autoria venha sendo disputada entre portugueses e espanhóis, o certo é que a sua génese não pode ser dissociada da tradição lusa, havendo ligações a nomes como Vasco de Lobeira, por vezes chamado de João de Lobeira, um dos cavaleiros de Aljubarrota, e que vem referido por Zurara, na sua crónica de 1454. Pesem embora todas estas considerações, a única narrativa completa conhecida é a de Montalvo, um autor castelhano e cuja versão da lenda constituiu um enorme êxito em toda a Europa, tendo sido, inclusive, traduzida para as principais línguas da Europa ocidental, além dos originais castelhano e português.

O romance aborda, entre outros assuntos, os amores furtivos entre o Rei D. Perion de Gaula (Gales) e a Infanta D. Elisena da Bretanha, que deu à luz uma criança e que a abandonaram numa barca. A criança, Amadis, foi criada pelo cavaleiro Gandales. A vontade de conhecer as suas origens leva Amadis, já depois de adulto, a partir em busca das suas verdadeiras origens, sendo esse o leit-motiv para fantásticas aventuras. Em todas as suas peripécias, o jovem contou com a proteção da feiticeira Urganda, não se livrando, contudo, da perseguição constante do mago Arcalaus. De entre as várias aventuras, atravessou o arco encantado dos leais amadores no centro da Ilha Firme, lutou contra o terrível monstro Endriago, matando-o. Muitas dessas façanhas viriam a revelar-se bastante perigosas, perigo esse que, em qualquer dos relatos, acaba sempre por ser contrabalançado pelo amor da sua amada Oriana, filha do Rei D. Lisuarte, da Grã-Bretanha. Com muitos acrescentos ao longo dos tempos, este romance centra-se, como se percebe, no chamado Ciclo Arturiano.

Não podemos deixar de ter presente que muitas outras lendas e mitos, embora não tendo um cunho marcadamente fundacional, acabam por ser determinantes na constituição de uma identidade muito própria do povo madeirense, ao mesmo tempo que asseguram os alicerces de uma cultura com marcas distintas, ditadas por uma forte insularidade e, ao mesmo tempo, por uma capacidade tenaz de vencer os obstáculos impostos por um isolamento incontornável e pelas limitações de uma orografia agreste que a Ilha determina. Nessas lendas e mitos encontramos, pois, elementos que nos remetem para uma vivência tanto rural, como ligada às lides do mar, sempre presas a uma crença em pressupostos que asseguram uma ligação entre o real e o sobrenatural e/ou divino.

Lembremo-nos, por exemplo, da lenda de São Vicente da forma como se explica/justifica a construção da pequena capelinha que ainda hoje permanece junto ao mar; ou então da lenda das Amoras que fez de Gaula a terra daquele fruto silvestre, por todos os seus habitantes terem ficado com a mesma fama do senhor Manuel Vieira (Amora) na sua contenda com um melro-preto que andava a debicar as amoras.

Mas muitas mais há, como a lenda de Colombo e a consequente associação da Ilha Dourada ao descobridor das Américas, ganhando, aquela terra uma maior grandeza pelo feito do seu “habitante”, de tal maneira que ainda hoje há quem acredite que Cristóvão Colombo há de voltar ao areal porto-santense. Uma breve referência, também, à lenda da pedra e a orografia bastante acidentada do Curral das Freiras, assente na proteção que Vulcano quis garantir à sua filha Harmonia, com os picos das Torres, Torrinhas e Ruivo a assegurarem o isolamento pretendido. De salientar que algumas das lendas que compõem o imaginário coletivo madeirense vão sendo adaptadas às diferentes localidades, sofrendo apenas algumas mutações. Veja-se o caso da lenda de Nossa Senhora e os Semeadores que conhece diferentes versões em São Vicente, em Santa Maria Maior, no Monte e no Faial, por exemplo, ou até mesmo a lenda dos Huguenotes, mantendo-se, regra geral, a essência do ensinamento.

Não só nestes textos, mas em todas as narrativas lendárias e mitológicas assistimos a uma acumulação de tempos e de acontecimentos, que dá origem, por sua vez, a uma cartografia real e que facilmente conseguimos identificar, mas que também deixa espaço para a sobreposição de imagens sem correspondência direta com qualquer lugar conhecido e comprovável. Afinal de contas é esta abertura ao tempo e ao espaço que tem feito com que estas narrativas perdurem ao longo da história da Ilha, chegando até aos nossos dias e cativando a atenção e interesse de todos quantos com elas se cruzam. As lendas ou mitos regionais ou regionalizados ganham, assim, uma nova vida, fundando uma nova Madeira.

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Marco Livramento

(atualizado a 05.08.2016)