macedo, p.e joão crisóstomo espínola de

Bacharel formado em Teologia e em Direito. Na ilha da Madeira, foi capelão interino da igreja de São Tiago Menor e, posteriormente, vigário na Vila de Santa Cruz. Em 1811, foi preso por ordem do cabido da sé, após queixa apresentada pelo juiz ordinário da vila.

Aderiu formalmente ao liberalismo a 28 de janeiro de 1821, depois de ter assinado o Auto da Aclamação, mas insultou sistematicamente as autoridades civis e militares em virulentos artigos de jornal. Entrou em choque com os governadores Sebastião Xavier Botelho e Rodrigo António de Mello. Este último queixou-se à regência e pediu o afastamento do padre bacharel que, entretanto, publicou diversos artigos em O Patriota Funchalense, insultando as autoridades civis e militares da ilha.

A 10 de fevereiro de 1821, estando em sua casa, na rua da Conceição (Funchal), foi conduzido ao pelourinho e agredido por elementos do batalhão de artilharia, que pretenderam fazer justiça pelas próprias mãos. Eleito deputado substituto às Cortes Constituintes pela ilha da Madeira em 1822, foi autor e defensor acérrimo de um projeto caro aos comerciantes do Funchal, a saber: o da construção de um porto franco na Madeira, que mereceu aceitação regional e teve impacto nos meios de comunicação madeirenses, apesar de não agradar ao governador. O projeto acabou por não ser aprovado. Homem ligado ao jornalismo, dirigiu o Pregador Imparcial da Verdade, da Justiça e da Lei, um periódico conservador e segundo jornal publicado no arquipélago, com 34 números saídos entre 1823 e 1824.

A 30 de abril de 1823, a Secretaria de Estado dos Negócios de Justiça expulsou o padre Espínola de Macedo, que foi condenado e deportado por crimes políticos; deixou o Funchal, rumo a Gibraltar, no bergantim inglês “Fanny”. Utilizando uma linguagem violenta, próxima da de José Agostinho de Macedo, publicou diversos textos, nomeadamente o opúsculo O Tramista Descoberto!, em que critica duramente o governador da Madeira, Sebastião Xavier Botelho, tecendo igualmente críticas que visaram a sua pessoa, aparentemente para afastar suspeitas sobre si mesmo. Faleceu em 1828.

Obras de P.e João Crisóstomo Espínola de Macedo: O Tramista Descoberto! Converça do conego Francisco B-r-o, da cidade do Funchal, com o seu moço Simão Caraça, que foi estudante e servio de ecónomo, por alguns anos, em hum beneficio da igreja da Ponta do Sol da ilha da Madeira, ouvida pelo padre João Vicente da O-v-a no pateo do mesmo conego (1825)

Bibliog.: LOJA, António Egídio Fernandes, Crónica de uma Revolução: A Madeira na Revolução Liberal, Funchal, Empresa Municipal Funchal 500 Anos, 2008.

Isabel Drumond Braga

(atualizado a 05.09.2016)