machado, bernardo francisco lobato

Nasceu na Madeira, em 1802. Advogado provisionista e jornalista, em qualquer uma destas facetas Lobato Machado deixou marca e as suas ações geraram tudo menos indiferença.

Fernando Augusto da Silva, no seu livro O Arquipélago da Madeira na Legislação Portuguesa, refere-se a ele “como um hábil advogado e deixou alguns escritos, que ao tempo gozaram de merecida reputação, especialmente um bem elaborado formulário acerca de várias questões forenses. Tornou-se muito conhecido como jornalista pela violência com que atacava os seus adversários e pela linguagem injuriosa de que geralmente usava, vendo-se obrigado a homisiar-se para escapar às ameaças de prováveis represálias. Ainda há poucos anos se falava com frequência nos artigos de descomposta verrina, que Lobato Machado publicara no jornal semanal A Vergasta, de que foi o redator principal” (SILVA, 1941, 28)

Além de ser redator principal de A Vergasta, colaborou ainda nos jornais Amigo do Povo, Clamor Público e Justiça.

Só pelo título, A Vergasta é elucidativa da violência dos textos aí produzidos. O espírito do jornal era explícito numa frase impressa junto ao título que rezava o seguinte: “Este jornal, por enquanto, não tem dia certo de publicação e aparecerá quando menos o esperarem”. Sendo redator principal, supõe-se que muitos dos textos fossem da sua autoria, apesar de os mesmos não serem publicados com assinatura.

Os escritos deste jornal deveriam causar mossa e provocar celeuma na sociedade, nomeadamente na classe dirigente. Veja-se este texto, constante no número 37:

“Esta folha precisa entrar num caminho novo! Temo-nos convencido de que nada se faz com águas mornas! Estamos em período de resistência e revolução! Temos de ser severos, implacáveis, como a cólera do povo! Esmaga-nos uma reação local, não sabemos se estúpida, se grutesca, se selvagem! A todo o momento aguardamos da misericórdia do governo da metrópole o restabelecimento da ordem, perturbada pelos abusos, e pela corrupção do poder administrativo neste distrito! O governo sacrifica o povo às consequências particulares destas autoridades: Nega-se a praticar, pela ordem, a reabilitação da ordem pública! Pois bem tem de nascer do povo a justiça! Nós, pela nossa parte, vamos renovar todos os meios de defesa!… Não aconselhamos o tumulto material, o derramamento de sangue, porque o irrisório Karlaff de S. Lourenço não vale a pena uma gota de sangue precioso das veias do povo” (MACHADO, A Vergasta, 2 jan. 1875, 1).

Homem do seu tempo e empenhado nas questões políticas e sociais, Lobato Machado notabilizou-se ainda pela sua ação enquanto advogado e por outras publicações na sua área profissional, de que é exemplo o Formulário de todos os Autos, Termos, Certidões e Despachos dum Inventário, conforme Decreto de 21 de Maio de 1841. Refira-se que Bernardo Francisco Lobato Machado fazia parte da classe dos advogados provisionais ou provisionistas, os quais preenchiam a falta de bacharéis formados em direito e, mesmo sem as necessárias habilitações legais, ombreavam com os profissionais, destacando-se nessa área pelas suas capacidades intelectuais e pela sua capacidade de trabalho.

Faleceu a 20 fevereiro de 1878.

Obras de Bernardo Francisco Lobato Machado: Formulário de todos os Autos, Termos, Certidões e Despachos dum Inventário, conforme Decreto de 21 de Maio de 1841.

Bibliog.: CLODE, Luiz Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses Sécs XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983; MACHADO, Bernardo Francisco Lobato, A Vergasta, 2 jan. 1875, p. 1; SILVA, Fernando Augusto da, O Arquipélago da Madeira na Legislação Portuguesa, Funchal, Câmara Municipal do Funchal, 1941.

Raquel Gonçalves

(atualizado a 01.02.2018)