machado, josé raphael basto

Nasceu na freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa, a 26 de março de 1900, filho de Tomás Loureiro Machado, médico madeirense, e de Elisa Raphael Lécor Buys Basto. Muito pequeno, ainda, vem para a Madeira na companhia dos pais, e no Funchal completa os seus estudos secundários em 1918/19, no Liceu do Funchal, após o que ingressa na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde, por motivos de saúde não chega a concluir o curso.

A 24 de março de 1930 casa-se, na Madeira, com Olívia de Assunção Teixeira Gonçalves dos Santos, professora diplomada do ensino primário, de quem terá dois filhos, Nuno Gonçalves dos Santos Basto Machado e Maria Elisa Gonçalves dos Santos Basto Machado. Inicia-se na vida política como simpatizante de Sidónio Pais e, com o advento de Salazar, confirma-se como apoiante do regime, o que sempre fez questão de publicamente confirmar.

A partir de 1926, assume o desempenho dos vários cargos políticos que o ocuparão ao longo da vida, principiando como autarca, primeiro na Ribeira Brava, de cuja câmara municipal será vice-presidente, e depois presidente (janeiro de 1928-março de 1934). A sua segunda experiência como autarca realiza-se na câmara municipal do Funchal, sendo vice-presidente de Fernão de Ornelas de 30 de janeiro de 1941 a 31 de outubro de 1946, continuando, depois, o exercício das mesmas funções com Óscar Baltazar Gonçalves e com João Carlos Valente.

Em 1934 e 1935 foi, ainda, Presidente da Comissão Administrativa da Junta Geral e da Junta Autónoma dos Portos do Funchal; ao serviço do primeiro organismo, participa de decisões importantes, de que são exemplo o início da publicação do orçamento da Junta, prática que se manterá até 1975, o estudo prévio à criação de um posto de proteção à infância, a manutenção e abertura de estradas e a atenção aos serviços florestais. No âmbito da realização de obras públicas, são também equacionadas algumas especificamente relacionadas com o turismo, atividade cuja importância se torna crescente, como se comprova pelo triplicar do número de visitantes entre 1946 e 1950. Neste contexto, salientam-se a colocação em pontos de interesse de placas de sinalização com os nomes dos locais, a distância ao Funchal e a altitude, bem como a realização de eventos e de filmes que levassem ao mundo a imagem da Madeira. Com interesse neste tipo de atividade, Basto Machado, na condição de vereador e vice-presidente da câmara municipal do Funchal, participa, em 1941, na reunião do Conselho de Turismo da Madeira, órgão que integra a Delegação de Turismo da Madeira, fundada em 1936.

Em 1947 torna-se o segundo presidente interino daquela delegação, qualidade que conservará até ao seu falecimento. Sabedor das dificuldades com que se debate o sector, fruto da inexistência de um aeroporto e do facto de o porto ser exíguo, não permitindo receber adequadamente os navios que o demandam, José Raphael Basto Machado denuncia estas dificuldades em relatório de 1950. Estes alertas acabaram por surtir efeito e, depois de outras intervenções feitas no parlamento nacional sobre o assunto, nomeadamente a de 6 de fevereiro de 1956, da autoria do deputado Teixeira de Sousa, que sublinhava a falta de transportes com que se debatia a Madeira, e a de Alberto Araújo, em 29 de julho do mesmo ano, que apontava a urgente necessidade de um aeroporto, a década de 60 verá instaladas as ambicionadas infraestruturas. Assim, com a presença do Presidente da República, será inaugurado, em 18 de julho de 1962, a ampliação do molhe da Pontinha, a que se seguiu a entrada em funcionamento do aeroporto, a 8 de julho de 1963.

Ao seu labor à frente do turismo fica, ainda, a dever-se o aumento do impacto das celebrações do fim de ano no Funchal, que foi abrilhantado com queima de fogo de artifício, concertos, exposições e outras manifestações culturais.

Apesar do seu compromisso com a atividade turística, Basto Machado deixou marcas da sua atividade noutras áreas, como sejam as funções docentes que desempenhou no Liceu Nacional do Funchal, onde foi professor (entre 1933 e 1947) e chefe de secretaria, a função de delegado do governo que cumpriu junto do Grémio de Bordados da Madeira e a atividade de jornalista. Nesta qualidade assume, em 1939, a direção de O Jornal, periódico católico que muda de nome, mas não de diretor, em 1952, passando a designar-se Jornal da Madeira. Basto Machado manterá a liderança deste órgão de comunicação até 1959.

A partir de 1931, integrou a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia do Funchal, de que se tornará provedor a partir de 1941, por um período de 11 anos.

Como autor, publicou dois opúsculos, resultantes de duas conferências. O primeiro, denominado Cem anos de vida escolar, foi editado como apêndice do anuário do Liceu de Jaime Moniz, em 1936/37, e o segundo veio à luz com o nome de A Família e a Educação.

Esta vida tão preenchida acabou por ser premiada com várias distinções: em 1936 recebeu o Grau de Oficial da Instrução Pública, a medalha da Cruz Vermelha de Benemerência, a medalha de ouro de Assiduidade e Comportamento Exemplar da Legião Portuguesa, a medalha de prata de Dedicação da Legião Portuguesa e duas medalhas de Socorros a Náufragos. Da parte do governo espanhol, foi distinguido com o grau de Comendador da Ordem de Mérito Civil, e recebeu autorização do subsecretário de Estado da tutela para poder ostentar estas insígnias.

José Raphael Basto Machado veio a falecer aos 66 anos, a 20 de junho de 1966, na sua residência, na Rua do Lombo da Boa Vista, no Funchal.

Obras de José Raphael Basto Machado: Cem anos de vida escolar (1937); A Família e a Educação.

Bibliog.: manuscrita: ARM, Governo Civil do Distrito do Funchal, Alvarás, liv. 83 (1919-1927), liv. 84, (1927-1934); ARM, Secretaria da Junta Geral do Distrito do Funchal, Atas das sessões da Comissão Executiva, liv. 2275 (1934) e 2276 (1934-1935); ARM, Secretaria da Junta Geral do Distrito do Funchal, Elementos biográficos de presidentes da Junta Geral, mç. 2934-16; impressa: Anuário da Universidade de Lisboa, Lisboa, Imprensa Nacional, 1919/20; CLODE, Luiz Peter, Registo bio-bibliográfico de madeirenses. Sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983; BARROS, Fátima (coord,) Delegação de Turismo da Madeira (1936-1979): Quatro décadas ao serviço do turismo madeirense, Funchal, Direção Regional dos Assuntos Culturais, 2011;

Elisa Basto Machado

Ana Cristina Trindade

(atualizado a 05.09.2016)