max – sousa, maximiano de

Cantor, compositor, ator e músico madeirense, Maximiano de Sousa, que ficaria conhecido pelo grande público pelo diminutivo Max, era alfaiate de profissão. Nascido, no Funchal, a 20 de janeiro de 1918 apenas foi registado a 2 de fevereiro desse mesmo ano.

Em 1936 teve início uma carreira que, em pouco tempo, ultrapassa as esferas nacional e internacional. Ainda adolescente foi convidado para cantar na Praia Oriental, naquele que seria o seu primeiro espectáculo enquanto artista.

O êxito que experimenta, em tão pouco tempo, manifesta-se também pelo interesse que faz surgir em torno da sua figura, nomeadamente entre os proprietários e os responsáveis dos principais hotéis da cidade do Funchal. Em 1942 contraiu matrimónio com Luciana de Freitas com quem tem dois filhos. Dois anos mais tarde profissionaliza-se e parte para a capital do país no papel de vocalista do conjunto de Tony Amaral, grupo com o qual grava o seu primeiro álbum discográfico, em 1949.

Em Lisboa, cidade onde consolidou a sua carreira artística, Max fica conhecido através do fado com o êxito Não digas mal dela (Armandinho e Linhares Barbosa). Pouco tempo depois interpreta canções como A Mula da Cooperativa, o Magala, 31, o Bailinho da Madeira, Noites da Madeira, Rosinha dos Limões, Porto Santo e Sinal da Cruz em diversos locais. Fá-lo na inauguração do restaurante – dancing Flamingo, no Club Americano, no Cabaret Nina, no Cinema Éden, na Emissora Nacional e em outras estações emissoras e em programas de televisão, como o Zip-Zip.

As canções humorísticas que interpreta levam-no a vivenciar uma outra vertente artística, o teatro de revista, a partir de 1952. Participou em Saias curtas (1953), Fonte Luminosa (1956), Elas são o espectáculo (1963), Pão, pão… queijo, queijo… (1967), Grande poeta é o Zé (1968) e Peço a palavra (1969), e, ainda, no filme Bonança & C.ª (1969).

Mas não foi apenas no humor que Max se evidenciou. Cantou e dançou folclore, imitou vozes e instrumentos e escreveu e imortalizou Vielas de Alfama, com Artur Ribeiro, Nem às Paredes Confesso, com Artur Ribeiro e Ferrer Trindade, Fiz Leilão de Mim, com Artur Ribeiro e Lamentos, com Domingues Gonçalves Costa.

Estes e outros temas originaram uma extensa discografia. Bailinho da Madeira/Noites da Madeira (Decca), A Mula da Cooperativa / A Coisa / O Magala / O Homem do Trombone (Columbia), Porto Santo, 31, Sinal da Cruz, Pomba Branca, Pomba Branca/Quando a Dor Bateu à Porta (Decca), Não basta chamar irmão (Decca), Que me importa morrer (Decca), As Bordadeiras, Casei com uma Velha, Tingo Lingo Lingo (Lisboa), A Júlia Florista (Decca), Maria tu tens a mania (Columbia), Carta de um Soldado (Columbia), Mas sou fadista, Baila Zé (Columbia), Nem às paredes confesso, Noite, O Magala, Rosinha dos Limões, Saudades da Ilha (Columbia) e Vielas de Alfama (Columbia) são alguns exemplos.

O sucesso alcançado a nível nacional impulsionou uma projecção artística internacional com várias digressões ao estrangeiro. Encantou nos palcos do El Pinguin em Madrid, Espanha, do Clube Português de Buenos Aires, na Argentina, do Teatro Paramount, em São Paulo, no Brasil, onde foi recebido e homenageado pelo Presidente da Casa da Ilha da Madeira, Dr. Noel de Arriaga, do Rio de Janeiro, cidade onde recebe uma medalha de bronze pelo seu contributo na divulgação da música portuguesa, da África Portuguesa, atuando para as tropas portuguesas estacionadas em Angola e em Moçambique, da África do Sul, da França, da Áustria, da Alemanha, da Austrália, do Canadá e dos Estados Unidos da América, país onde permaneceu cerca de dois anos e meio. Aqui, fez sucesso com espetáculos como os que realizou no Show de Ed Sullivan, na Night in Portugal Show da televisão de Boston e diversos espetáculos no Flamingo em Hollwood, no Hotel Long Beach, em Oackland, cidade da qual recebeu a chave de ouro pelas mãos do Mayor, no Big Piano Bar, em São Francisco, no El Chico em Nova Iorque e em Newark. A 19 de Novembro de 1956 participou, também, no espectáculo The Whole World Sings, no Carnegie Hall e num majestoso evento na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Ao longo da sua carreira artística versátil foi conquistando prémios e foi alvo de homenagens diversas. Contudo, foi no ano de 1979 que, no Funchal, juntaram-se em palco grandes artistas nacionais e diversas entidades regionais e nacionais para homenagear uma longa e bem-sucedida carreira.

A trinta de Maio de 1980, o Diário de Notícias do Funchal, anunciava que “emudeceu a voz que melhor cantou a Madeira. Morreu Max. Milhares de portugueses choram a perda do artista consagrado; a Madeira chora o seu filho querido, o homem que levou, com a sua voz inconfundível, o nome da Ilha amada às mais recônditas parcelas do mundo. Morreu Max”. Morria, assim, uma das mais populares vedetas da rádio, do teatro e da televisão portuguesas, artista madeirense cuja excelência a cidade do Funchal quis distinguir, em 1991, com a inauguração de um busto, da autoria da escultora Luiza Clode, na Zona Velha da Cidade, junto ao Largo do Corpo Santo, local da cidade com a qual Max mantinha uma relação umbilical, dado que foi ali que viveu, trabalhou e começou como artista.

Bibliog.: NASCIMENTO, Andreia, SOUSA Luís (2014), Max: o Genial e Irrequieto Artista, Associação Académica da Universidade da Madeira, Funchal.

Andreia Nascimento

(atualizado a 22.07.2016)