moniz, lourenço josé

Filho de Filipe José Moniz e de Maria Joaquina dos Santos, nasceu em Santa Maria Maior, Funchal, a 10 de agosto de 1789. Estudou inicialmente no Funchal, a expensas de um tio, Filipe Gomes Moniz, tendo-se dirigindo depois a Edimburgo, onde se doutorou na Faculdade de Medicina daquela cidade. Aí defendeu, a 1 de agosto de 1815, em latim, a sua tese intitulada Ictero, a qual foi publicada em Londres no mesmo ano. Foi um bom aluno, tendo recebido diversos prémios.

Após ter terminado a sua formação académica, regressou ao Funchal, onde se dedicou a várias atividades, começando pela prática médica. Recusou o convite para o cargo de delegado do físico-mor do Reino nas ilhas dos Açores, o qual compreendia o lugar de médico do Hospital Militar de Angra e o ensino de Anatomia e Cirurgia Operatória do mesmo estabelecimento hospitalar. Foi diretor da Associação Funchalense para o ensino mútuo e ajudante do cirurgião-mor do Batalhão de Artilharia. Em 1824, foi nomeado professor de uma cadeira de humanidades. Quando se fundou o Liceu do Funchal, em 1837, também aí lecionou Oratória Poética e Literatura Clássica e foi o seu primeiro reitor. Nesse mesmo ano, com a abertura da Escola Médico-Cirúrgica na ilha da Madeira, foi nomeado professor e diretor, funções que não chegou a desempenhar por se tornarem incompatíveis com o lugar de deputado.

Simpatizante do liberalismo, por instâncias do tenente-coronel Joaquim Pedro Cardoso Casado Giraldes, irmão de um dos envolvidos diretamente na Revolução do Porto, Lourenço José Moniz aderiu ao movimento, assinando formalmente o Auto da Aclamação a 28 de janeiro de 1821. Nos anos de 1821-1822, foi vereador da Câmara Municipal do Funchal. No continente, a carreira política de Moniz começou em 1826, já durante o primeiro Cartismo, quando foi eleito deputado pela Madeira. Na Câmara dos Deputados, mostrou o seu desagrado pela não aprovação do projeto de criação de um porto franco na Madeira e requereu que fosse pedida ao governo a submissão à Câmara da memória sobre os melhoramentos na ilha antes apresentada por António Manuel de Noronha. Dissolvidas as Cortes em 1828, regressou ao Funchal, mas em breve partiria para os Estados Unidos da América, receando retaliações face aos seguidores do liberalismo por parte dos miguelistas. Ali permaneceu entre 1828 e 1833. Com o restabelecimento do governo constitucional, voltou ao Funchal. Em 1834-1836, foi eleito deputado pelo arquipélago da Madeira e voltou a sê-lo nas legislaturas de 1837-1838, 1838-1840, 1840-1842, 1846, 1848-1851, 1851-1852 e 1853-1856. Na década de 40, Lourenço José Moniz fez parte do Partido Cartista. Na década seguinte, e tal como outros seus correligionários da Madeira, teve a cobertura de dois periódicos, O Archivista e, posteriormente, A Ordem. Enquanto deputado foi membro de várias comissões e relator de diversos projetos e pareceres, chegando a presidir à Câmara dos Deputados. Pautou a sua atuação por atitudes moderadas.

Desempenhou ainda outras funções, tais como: juiz comissário das presas marítimas do Cabo da Boa Esperança, governador civil de Coimbra (1847), vogal do Conselho Ultramarino, membro de várias sociedades científicas e literárias, tais como a Sociedade Funchalense, a Sociedade Literária Amigos das Ciências e das Artes e o Real Colégio dos Cirurgiões de Londres. Pertenceu à Maçonaria, integrando a loja Funchal, o que está documentado para o ano de 1823.

Não usufruindo de quaisquer proventos provenientes dos cargos políticos, acabou por falecer em condições económicas precárias em Lisboa, a 4 de dezembro de 1857.

Bibliog.: CARITA, Rui, História da Madeira, vol. VII: O Longo Século XIX: Do Liberalismo à República. A Monarquia Constitucional (1834-1910), Funchal, SREC, 2008; CLODE, Luiz Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses. Sécs XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, [1983]; DIAS, Maria Filomena, “Moniz, Lourenço José”, in OSÓRIO, Zília de Castro (dir.), Dicionário do Vintismo e do Primeiro Cartismo (1821-1823 e 1826-1828), Lisboa, Assembleia da República/Afrontamento, 2002, pp. 244-248; LOJA, António Egídio Fernandes, Crónica de uma Revolução. A Madeira na Revolução Liberal, Funchal, Empresa Municipal Funchal 500 Anos, 2008; MARQUES, A. H. de Oliveira, História da Maçonaria em Portugal. Política e Maçonaria 1820-1869, 2.ª parte, Lisboa, Presença, 1987.

 Isabel Drumond Braga

(atualizado a 06.09.2016)