monteiro, joão antónio

Mineralogista e académico de reputação internacional, nasceu no Funchal a 31 maio de 1769. Doutorou-se em Filosofia a 23/10/1791, na Universidade de Coimbra, onde viria a ser docente, tendo ministrado as seguintes cadeiras: Botânica (1793-1794) e Agricultura (1793-1794) como substituto extraordinário; Física Experimental enquanto demonstrador (1795-1796) e como substituto extraordinário (1796-1801); e Metalurgia na função de 4.º substituto (1801-1804), 6.º lente (1804-1813) e 3.º lente (1813-1822). Ocupou ainda o cargo de fiscal da Faculdade de Filosofia (31/07/1794). Traduziu do inglês, a pedido de D. João, o Príncipe Regente, a obra: Indagação sobre as Causas e Efeitos das Bexigas de Vaca […] e Conhecida pelo Nome de Vacina, por Eduardo Jener, M. D. T. R. S., etc. (Lisboa, 1803).

Apesar da sua carreira como lente, a sua reputação decorre do seu percurso original de investigação no domínio da mineralogia. O referido percurso teve um grande desenvolvimento quando foi autorizado, por carta régia de 11 de maio de 1804, a empreender uma viagem científica a Paris, viagem que realizou como se estivesse ao serviço da Universidade, pois esta assegurou-lhe a antiguidade, os ordenados e demais prerrogativas. Em outubro de 1815, parte de Paris para Friburgo, na Alemanha, onde se instrui na doutrina de Werner.

Várias publicações reputam-no como autor de sucesso nesses países, tendo publicado em vários periódicos internacionais. Em maio de 1814, publica no Journal des Mines um artigo intitulado “Nouvelle Description du Pyroméride Globaire, ou de la Roche Connue sous le Nom de Pophyre Globuleux de Corse”, onde dá conta de uma nova espécie de rocha, que o mineralogista francês René Just Haüy, considerado o pai da cristalografia moderna, adota na sua obra Nouvelle Distribution Minéralogique des Roches. Na sequência das suas investigações, tornou-se sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa e membro da Sociedade de Mineralogia de Jena, da Sociedade Geológica de Londres e da Academia Real de Munique.

Morreu em Paris, em 1834.

Obras de João António Monteiro: Mémoire – Sur une Nouvelle Variété de Cuivre Gris”, “MémoireSur le Fer Sulfuré Blanc de Mr. Hauy”, “Tableau du Cours de Minéralogie de Mr. Hauy pour l’Année 1811”; “Apperçu – De l’Analogie du Wernerite avec Leparanthine” (1809); “MémoireSur plusieurs Nouvelles Variétés de Formes Déterminables de Topaze” (1811); “MémoireSur la Chaux Fluatée du Vesuve” (1812); “MémoireSur la Détermination Directe d’Une Nouvelle Variété de Forme Cristalline de Chaux Carbonatée, et sur les Propriétés Remarquables qu’elle Présente” (1813); “Nouvelle Description du Pyroméride Globaire, ou de la Roche Connue sous le Nom de Pophyre Globuleux de Corse (1814); “Observations et Considérations Analytiques sur la Composition, et sur la Structure du Pyromeride Globaire” (1814).

Bibliog.: “Monteiro, João António”, in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 17, Lisboa/Rio de Janeiro, Ed. Enciclopédia, s.d., p. 725; CARVALHO, Joaquim Augusto Simões de, Memória Histórica da Faculdade de Philosophia da Universidade de Coimbra, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1872; DINIS, Ângelo Ferreira, “Notícia dos trabalhos literários do Dr. João António Monteiro, Lente de Metalurgia na Universidade de Coimbra, e Pensionário da Mesma em Uma Viagem Metalúrgica pela Europa», Jornal de Coimbra, vol. 7, n.º 36, parte 1, 25 dez. 1814, pp. 272-276; Id., “Notícia do Dr. João António Monteiro, Lente de Metalurgia na Universidade de Coimbra, e Pensionário da Mesma, em Uma Viagem Metalúrgica pela Europa, Continuada do Num. XXXVI, Parte 1, P. 272 Deste Jornal”, Jornal de Coimbra, vol. 10, n.º 49, parte 1, 18 mar. 1817, pp. 71-72; RODRIGUES, Manuel Augusto (dir.), Memoria Professorum Universitatis Conimbrigensis 1772-1937, Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, 1992; SILVA, Inocêncio Francisco da, Dicionário Bibliográfico Português, t. iii, Lisboa, Imprensa Nacional, 1859; VIEIRA, Gilda França e FREITAS, António Aragão de, Madeira Investigação Bibliográfica, vol. 1, Funchal, Centro de Apoio de Ciências Históricas, 1981.

Rui Gonçalo Maia Rego

(atualizado a 01.02.2018)