movimento jovens cristãos da madeira (jcm)

O movimento dos jovens cristãos da Madeira deve a sua génese, em 19 de outubro de 1974, a D. Francisco Antunes Santana, nascido de uma família simples lisboeta em 11 de outubro de 1924 e falecido a 5 de março de 1982. Tendo realizado os seus estudos nos seminários de Santarém, Almada e Olivais entre 1942 e 1948, coadjuvou, depois da sua ordenação sacerdotal em 29 de junho de 1948, três paróquias pobres em Lisboa e foi pároco de S. Paulo e professor e prefeito no seminário de Santarém. Com uma vasta atividade apostólica desenvolvida, ao nível nacional e estrangeiro, foi nomeado bispo da diocese do Funchal a 18 de março de 1974 pelo papa Paulo VI, recebendo a ordenação episcopal a 21 de março. Porém, só chegou à Madeira no dia 10 de maio, fazendo a sua entrada solene na diocese no dia 12 do mesmo mês.

Depois de assumir a sua missão episcopal, reuniu os representantes dos movimentos de leigos e fundou, por decreto de 24 de novembro de 1974, o primeiro conselho diocesano de leigos da diocese do Funchal que, em paralelo com o conselho presbiteral, dinamizou o apostolado em geral, no qual se insere o Movimento de Jovens Cristãos da Madeira (MJCM).

Entre os vários fatores que contribuíram para a sua fundação, cita-se a vasta experiência pastoral de D. Francisco Santana com movimentos e/ou grupos eclesiais. Por outro lado, “nas ilhas da Madeira e Porto Santo não existiam, praticamente, movimentos ou organismos de jovens cristãos em que estes se pudessem unir e conviver juntos para uma auto-promoção social e religiosa; vivia-se num exagerado individualismo” (“O Movimento dos Jovens…”, JCM, 10, out. 1975, 3). Com efeito, a Ação Católica entrara em crise, enfraquecendo muitos dos grupos a ela afetos; existiam outras associações ligadas ao movimento escutista, mas estas concentravam-se mais na cidade e arredores e tinham uma participação reduzida de jovens.

D. Francisco Santana reuniu-se no seminário maior do Funchal com cerca de 30 jovens de várias paróquias a 19 de setembro de 1974. Entre estes, encontravam-se quatro jovens da Madeira que tinham participado num concílio de jovens em Taizé. Neste encontro, foi discutida a posição dos jovens como cristãos, surgindo a ideia de se unirem e formarem um movimento de jovens cristãos na Madeira e Porto Santo. Foi escolhida uma equipa encarregada de fundar o movimento, que foi trabalhando até ao encontro geral de jovens de toda a diocese, realizado no colégio de S.ta Teresinha a 19 de outubro de 1974, onde se reuniram cerca de 1000 jovens da cidade e do campo. Em grupos, foram estudados, analisados e discutidos os critérios redigidos anteriormente e, por votação livre e secreta, foram aprovados Cinco Critérios Fundamentais (CFs) que podem resumir-se a “dois pensamentos fundamentais: adesão a Cristo; compromisso como cristãos, no mundo” (Ibid., 3-5), constituindo-se, assim, a linha orientadora de todas as atividades e trabalhos dos jovens.

Nesse dia, foram constituídas as primeiras equipas locais responsáveis (ELs), uma para cada paróquia, escola, colégio ou associação presentes. Por ocasião da ocupação do seminário menor, em 30 de outubro de 1974, por professores e alunos do liceu, nasceu entre os jovens cristãos o Movimento dos Estudantes Católicos Madeirenses (MECM). Organizações católicas já existentes, como os escuteiros católicos e os guias de Portugal, juntaram-se ao MJCM, “sem perderem nada da sua metodologia, autonomia e organização” (SANTANA, “Nota Pastoral”, JM, 18 out. 1981).

O conceito do MJCM é marcado pela influência das realidades vividas na Igreja da diocese do Funchal. Segundo documentos deste organismo, o MJCM é um movimento diocesano que desenvolve um trabalho pastoral ao nível de juventude, com programas locais e outros a nível diocesano. É “um movimento de jovens e para jovens que, consequentemente, tem como missão a formação e promoção sociorreligiosa dos jovens” (“Editorial”, JCM, 14, fev. 1976, 2). Numa explicação mais desenvolvida, observa-se que “pretende movimentar os jovens, apoiar as suas iniciativas, consciencializá-los do seu cristianismo, desenvolver as suas capacidades de imaginação e poder criativo. Fazer com que aqueles grupos cuja atividade esteja atrofiada, adquiram nova vida. Se nada houver, nalguma paróquia, fazer com que os jovens se reúnam, conversem, discutam problemas, tenham atividades, etc.” (“O Movimento dos Jovens…”, JCM, 10, out. 1975, 4).

Tem como objetivo geral a felicidade dos jovens e, como meio para alcançá-la, apresenta os cinco CFs que, sumariamente, determinam o seguinte: 1.º conquista dos nobres ideais da pessoa humana, tais como a dignidade, a liberdade e o direito à vida, ao trabalho e ao cumprimento do dever; 2.º fidelidade a Cristo, numa opção livre e consciente pela sua mensagem e pessoa; 3.º aceitação de todos os jovens, qualquer que seja a sua atividade estudantil ou profissional, na cidade ou no campo; 4.º testemunho vivencial dos jovens como membros e parte ativa e integrante da igreja numa leal colaboração; 5.º realização de várias iniciativas e atividades dos grupos de juventude de acordo com estes CFs.

O Movimento tem uma estrutura simples e aberta a todos os jovens, independentemente da sua origem e/ou atividade; fomenta a união entre todos os grupos existentes, quer diocesanos, quer locais, para que realizem os seus próprios objetivos a partir dos cinco CFs, e suscita homens e mulheres não apenas cultos, mas também de forte personalidade. É constituído por equipas locais (ELs) e por uma equipa central (EC), que devem estar em constante contacto entre si, a fim de realizarem os seus objetivos com base nos critérios anteriormente referidos.

Quanto à organização, D. Francisco Santana sublinhava em 1981: “O que se providenciou, desde o início, e o que ainda hoje se mantém, é o ‘dínamo’ ou motor deste movimento, precisamente para que se mova e caminhe e tenha vitalidade e valor. E este ‘dínamo’ não está em estruturas rígidas e artificiais, mas, como disse, num motor magnífico que é o próprio espírito de Cristo que apaixona os jovens e atrai o vigor das suas inteligências e iniciativas” (SANTANA, “Nota pastoral”, JM, 18 out. 1981).

As ELs são constituídas por quatro ou mais rapazes e raparigas e eleitas pelos jovens da paróquia a que pertencem a fim de constituírem um grupo paroquial. Cada EL é responsável pelo MJCM na sua paróquia, coordena todos os trabalhos, tem a iniciativa de realizar as atividades que pensar juntamente com os outros jovens e deve estar em constante contacto com a EC. Deve aceitar livremente todos os CFs e respeitá-los em todas as situações. Contudo, se houver um grupo de jovens que pertença a uma associação, por exemplo de escuteiros, de escola ou de estudantes, devem seguir os seus regulamentos e estatutos, dando sempre que possível a sua colaboração.

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Fig. 1 – Elementos da 1.ª equipa central com D. Francisco Santana e o P.e Angelino Barreto, em outubro de 1979, no Arco de S. Jorge. Fonte: Gorete Jardim.

A EC inicial era formada por um grupo de jovens do Funchal e arredores, que recebiam assistência e colaboração diretas do bispo da diocese, D. Francisco Antunes Santana, e do P.e Angelino Barreto (“O Movimento dos Jovens…”, JCM, 10, out. 1975, 5). Esta primeira EC (Fig. 1) era constituída pela equipa de lançamento, a que se juntaram posteriormente outros jovens. Era responsável pela coordenação e dinamização do movimento e tinha sede no Funchal (no paço episcopal até à morte de D. Francisco Santana). Após a morte de D. Francisco Santana, o P.e Angelino Barreto continuou como assistente; seguiram-se-lhe outros padres.

Como método de organização de atividades e/ou encontros, a EC partia sempre de situações concretas que precisavam de intervenção, privilegiando o trabalho de grupo como estratégia de atuação. Antes de qualquer atividade, os grupos tinham conhecimento dos programas e das temáticas a trabalhar, sob forma de inquéritos ou temas de reflexão, de modo a envolver os jovens no trabalho a realizar.

Foram muitas as atividades realizadas e dinamizadas pelo MJCM, com programas locais e outros ao nível diocesano, a fim de cumprir os seus objetivos e critérios. Destacam-se algumas atividades realizadas ao nível eclesial e sociocultural.

Ao nível eclesial, até fins de 1974 e inícios de 1975, a EC, acompanhada pelo bispo e pelo assistente, fez deslocações frequentes às paróquias para formar grupos juvenis e revitalizar os que já existiam, dando-se a conhecer ou explicando melhor a dinâmica do movimento. A projeção do movimento não foi tarefa fácil e desde o seu início suscitou problemas, particularmente o trabalho com grupos mistos, rapazes e raparigas do campo, sendo um dos aspectos mais inovadores a resolução dessas dificuldades. Desta forma, foram realizados encontros com pais e os responsáveis das ELs de algumas paróquias, de forma a refletir sobre tais problemas e encontrar estratégias de resolução, formular expectativas relativas ao Movimento e dar a conhecer o seu funcionamento e a sua importância do movimento na vida dos filhos.

Com o desenvolvimento da ação do Movimento, começou a ser editado o boletim JCM, a fim de estabelecer um elo de comunicação e informação entre os diversos grupos e a EC. O boletim teve publicação mensal a partir de janeiro de 1975 e trimestral a partir de 1990, publicando-se 176 boletins até dezembro de 2014. Até ao n.º 84, D. Francisco Santana escreveu 51 artigos, incluindo a secção Olhos nos Olhos criada a partir do n.º 42, de junho de 1978. Desde o início da sua publicação, aparecem nos boletins orientações, partilha de algumas atividades realizadas pelos grupos locais, sugestões de atividades e seus benefícios ao nível de desenvolvimento de grupo e/ou individual, temas de reflexão e pequenos inquéritos sobre questões emergentes do contexto social, cultural e religioso, como, por exemplo, a amizade, o amor e o casamento, por serem considerados temas tabu e “um dos grandes problemas que o nosso movimento deve enfrentar” (“Amizade, amor e casamento”, JCM, 5, maio 1975, 5-6; “Noticiário”, JCM, 8, ago. 1975, 4-6).

Estes temas despoletaram atividades ao nível paroquial e diocesano. A partir de maio de 1975, a EC promoveu, ao nível paroquial, os cursos Amor e Casamento para a juventude, realizados por uma equipa de jovens do Movimento e adultos (um sacerdote, um casal, uma enfermeira e uma assistente social), durante um mês aos fins-de-semana.

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Fig. 2 – Entrega do galhardete no 2.º aniversário do MJCM, pelo bispo Francisco Santana a 17 de outubro de 1976. Fonte: Arquivo do MJCM.

A dinamização das missas e da catequese pelos jovens contribuiu para inovações na eucaristia e na catequização das crianças. Através dos boletins JCM, logo a partir do n.º 1, destacou-se a missa de jovens que progressivamente se implementou na Igreja diocesana e através da qual os jovens receberam orientações para melhorarem a “vivência da missa” nas suas paróquias, facto que se veio a confirmar nos resultados do trabalho de grupos dos MJCM de toda a diocese que participaram na Jornada Eucarística Diocesana da Festa do Corpo de Deus realizada no seminário maior do Funchal a 29 de maio de 1975. Entre as respostas ao inquérito verifica-se que em certas paróquias já havia “missas de jovens, plenamente participadas por eles” e um “interesse crescente dos leigos pela sua participação ativa e na distribuição da eucaristia” (“Jornada Eucarística Diocesana…”, JCM, 6, jun. 1975, 8-10). Os resultados do trabalho de grupos foram lidos na Festa do Corpo de Deus, realizada no estádio dos Barreiros pela primeira vez, com a colaboração de todos os jovens “na movimentação dentro do estádio e na procissão eucarística até à sé catedral” (“Encontro final…”, JCM, 18, jun. 1976, 3), colaboração mantida até 1981 e ao início da atividade de D. Teodoro Faria.

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Fig. 3 – Grupo de jovens que participaram no 4º aniversário do JC†M, realizado no colégio de S.ta Teresinha, em 1978. Fonte: Arquivo do MJCM.

Destaca-se a celebração anual dos aniversários do MJCM pela dinâmica das atividades desenvolvidas a nível geral da diocese: de manhã, reflexão sobre um tema e almoço partilhado; de tarde, parte recreativa com canções, representações teatrais e entrega de prémios às equipas vencedoras, sendo o galhardete do Movimento entregue à equipa vencedora, que o guardará até ao aniversário seguinte. Sempre que se aproximava a celebração de um aniversário do movimento, D. Francisco escrevia aos jovens, no “Editorial” do boletim e na “Nota pastoral” do Jornal da Madeira de outubro, sob forma de convite a uma reflexão sobre o trabalho realizado e a fazer pelo movimento. Por motivo da comemoração do seu 2.º aniversário, o movimento foi agraciado com uma bênção apostólica do papa Paulo VI e foi título de um artigo no jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, a 3 de outubro de 1975, esboçando a sua fundação, estrutura e critérios de constituição. Em 1981, no 7.º aniversário e último a que assistiu, D. Francisco sublinhou o dinamismo e a importância do Movimento na diocese e sua influência na orientação e decisão vocacional da juventude; mas salientou que “sete anos de existência já foi muito, mas, ainda não é tudo, porque a grande preocupação […] não é tanto festejar o passado, mas sobretudo iniciar, e bem, o 8.º aniversário, com renovadas energias e atividades” (SANTANA, “Nota Pastoral”, JM, 18 out. 1981).

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Fig. 4 – O papa João Paulo II com o brinquinho da Madeira, oferecido pelo MJCM a 8 de setembro de 1983 em Castel Gandolfo. Atrás, D. Teodoro de Faria, bispo do Funchal. Fonte: Cecília Chá-Chá.

Entre as inúmeras atividades realizadas ao longo da história do movimento, destacam-se ainda a participação no Congresso Eucarístico de Lurdes, de 16 a 23 de julho de 1981; a marcha da luz, de 22 a 24 de julho de 1983, pelas estradas da ilha da Madeira; a viagem a Roma com jovens de Portugal Continental, na companhia de D. Teodoro Faria, que incluiu, no dia 8 de setembro de 1983, uma audiência privada com João Paulo II em Castelgandolfo (Fig. 4); a participação nas Jornadas Mundiais da Juventude de Paris (em 1997), Roma (em 2000), Marienfelde (em 2005), Sydney (em 2008) e Madrid (em 2011); a Via Sacra pelas ruas do Funchal a 9 de abril de 1984; a 1.ª semana da juventude, de 8 a 14 de julho de 1991; a peregrinação ao santíssimo Cristo de La Laguna, em Tenerife, com o acompanhamento de D. Teodoro, de 9 a 16 de setembro de 1987; as peregrinações e acampamentos a Taizé; os retiros e cursos de formação; a participação em atividades e encontros, ao nível nacional e internacional, como Fátima Jovem.

Atividades de grande relevo foram também os minicongressos realizados para jovens maiores de 15 anos e organizados por zonas pastorais, de forma a abranger todas as paróquias da diocese, tendo-se realizado um total de vinte e três. As vocações, a doutrina social da igreja e a defesa da vida foram os temas gerais abordados, um em cada ano (1976, 1977 e 1978). Antes de se iniciarem estas reuniões, os boletins traziam textos e questões para conhecimento e reflexão dos temas a serem tratados. No boletim n.º 15, anterior ao primeiro congresso, D. Francisco informava os jovens da sua realização e incentivava-os a refletir: “Quantas vocações há? Quais são as vocações que existem? Qual é a raiz da vocação? Como responder a uma vocação? Estas e muitas outras perguntas devem ser apresentadas e respondidas nos minicongressos que vamos fazer. Aguardo ansiosamente as vossas ideias, mas desde já vos convido, como bispo, a reunirem e falar sobre este assunto. A equipa central espera as vossas opiniões. Conto convosco, porque a igreja tem grandes ideias a realizar” (“Mini-congressos das vocações”, JCM, 15, mar. 1976, 2)

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Fig. 5 – Encontro final dos minicongressos vocacionais, com a presença do cardeal arcebispo da Bahia, D. Avelar Brandão Vilela, em 17 de junho de 1976. Fonte: Arquivo do MJCM.

Entre 11 de abril a 6 de junho de 1976, foram realizados seis minicongressos vocacionais, cinco na Madeira e um no Porto Santo, organizados por zonas pastorais. Reuniram-se e trabalharam cerca de 2500 jovens de ambos os sexos, pertencentes a 65 paróquias. Depois de realizados, houve um encontro final para todos os jovens do arquipélago, a 17 de junho de 1976, dia do Corpo de Deus, no seminário maior do Funchal. Na parte da manhã, 1500 jovens reuniram-se para fazer a síntese dos trabalhos realizados pelos grupos ao longo daqueles dois meses, onde foram elaboradas as conclusões finais de cada tema abordado com o objetivo de serem lidas na Festa do Corpo de Deus.

Com modalidade idêntica, foram realizados os minicongressos sobre a doutrina social da igreja, um no Porto Santo e cinco na Madeira, entre 31 de março a 5 de junho de 1976. Estiveram presentes nestes minicongressos 2235 jovens de todas as paróquias da diocese, tendo sido trabalhados os seguintes temas: a dignidade da pessoa humana; a sociedade na visão cristã; a família, célula base da sociedade; os problemas do trabalho. Na parte da manhã do dia 9 de junho, Festa do Corpo de Deus, foi feito o encerramento dos minicongressos, com a presença do cardeal arcebispo da Bahia, D. Avelar Brandão Vilela. Reuniram-se 1700 jovens no seminário maior, para fazerem a síntese dos resultados dos grupos que participaram nas diversas sessões, sendo, novamente, elaboradas as conclusões finais de cada tema das sessões realizadas, a fim de serem lidas na oração dos fiéis da missa do Corpo de Deus, no estádio dos Barreiros. Depois, foi feita uma reunião com as equipas de movimentação no estádio, tendo D. Avelar Brandão presidido à celebração eucarística.

Advindos de problemáticas detetadas desde o início do Movimento e na sequência de inquéritos e temas de reflexão sobre a amizade, o namoro e o casamento, bem como dos cursos Amor e Casamento, foram realizados onze minicongressos em defesa da vida entre 6 de maio e 2 de julho: um no Porto Santo e dez na Madeira, por zonas pastorais, mas com um menor número de paróquias. Os temas tratados foram: a família, geradora da vida; como nasce a vida; o aborto, a morte de uma vida; e o crescimento da vida, reunindo cerca de 3000 jovens de todo o arquipélago. Seguiram a mesma organização dos anteriores, à exceção das conclusões finais, que foram lidas durante o 4.º aniversário do MJCM, no colégio de S.ta Teresinha, a 22 de outubro de 1978, com a participação de jovens de 53 paróquias.

No final dos 23 minicongressos, a EC recordou quão importante fora a colaboração dos que tinham trabalhado para a sua realização, e no boletim de agosto escreveu o seguinte: “Não podemos deixar de prestar uma justa homenagem de agradecimento ao Sr. bispo que nos acompanhou, orientou os trabalhos de preparação dos temas, como também nas saídas da EC, em que esteve sempre presente, apoiando e ajudando a esclarecer os jovens nas suas dúvidas. Um agradecimento também extensivo ao nosso assistente, P.e Angelino Barreto que nos ajudou também muito, P.e Messias, P.e Conceição, a todos os Srs. vigários e todos os jovens. Estamos todos, jovens cristãos da madeira de parabéns, e que destes minicongressos nasçam novas perspetivas para a nossa vida futura” (“Equipa Central”, JCM, 44, ago. 1977, 9).

Foram muitas as horas despendidas para tornar os minicongressos uma realidade. Após a morte de D. Francisco Santana, a EC recorda algumas passagens do trabalho realizado: “O Sr. bispo era o técnico de gravação. […] Quando as reuniões se prolongavam pela noite fora, o Sr. bispo repartia connosco o seu jantar. Era assim! De uma simplicidade extrema” (“Editorial”, JCM, 87, mar. 1982, 1-2).

O encontro geral no colégio de S.ta Teresinha a 1 de maio de 1977 com o P.e Zezinho foi outro acontecimento importante, tendo-se reunido cerca de 1000 jovens de toda a diocese. O padre afirmou que a pastoral juvenil da diocese do Funchal já estava bem encaminhada, comparando com a primeira vez que visitara o Funchal.

Em finais da década de 70 do séc. XX, o MJCM contava com 9301 participantes, sendo, portanto, o movimento com mais jovens e com maior expansão na diocese do Funchal.

Ao nível sociocultural, organizaram-se convívios, festas de Natal nas paróquias e nos hospitais, com representações para a população local e os doentes hospitalizados, passeios, caminhadas, espetáculos de angariação de fundos, excursões, visitas e apoio domiciliário aos idosos, acampamentos, colónias de férias para crianças e/ou pré-adolescentes, salas de leitura, festivais da canção jovem, animação de encontros, entre outros. Salienta-se o conjunto musical do MJCM que, fazendo a sua primeira atuação no encerramento do congresso diocesano da pastoral juvenil em julho de 1986, animou encontros do movimento, apoiou os festivais da canção e foi o suporte das canções concorrentes da Madeira a Fátima Jovem.

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Fig. 6 – Primeiro cortejo de Carnaval “juventude e alegria”, realizado em 1977. Fonte: Arquivo do MJCM.

O terceiro cortejo de Carnaval, realizado a 27 de fevereiro de 1979, foi dedicado às crianças por ser o Ano Internacional da Criança. Escrevia o Jornal da Madeira a 29 de fevereiro de 1979: “Os jovens cristãos da Madeira organizaram o cortejo de Carnaval que primou em vários aspetos e bastante divertiu a população”, graças ao “voluntariado e a colaboração de todos os jovens, e pela colaboração extraordinária de todos os que estavam ligados à juventude (F.A.O.J.), Governo Regional, Direção Regional do Turismo, Câmara Municipal do Funchal” (AJCM – Dossier 5). Contudo, a atividade que mais se destacou foi a organização de três cortejos de Carnaval Juventude e Alegria, nos quais se integraram jovens de todo o arquipélago. O primeiro foi realizado a 22 de fevereiro de 1977 e o segundo a 7 de fevereiro de 1978, desfilando pelas principais ruas da cidade, com várias atuações típicas e alusivas ao Carnaval, cerca de 1500 jovens provenientes dos grupos paroquiais do MJCM, do MECM, de colégios e das escolas da Madeira e Porto Santo. Sobre o primeiro, referia o Diário de Notícias do dia 24 que o cortejo surgiu no percurso pré-anunciado por uma multidão que o aguardava: “Para nós foi merecedor da nossa simpatia pelo que constituiu de válida iniciativa, que poderá vir a ter, no futuro, amplas e úteis repercussões entre nós” (“O que a imprensa diária disse”, JCM, 27, mar. 1977, 6-7).

No ano seguinte, a Direção Regional do Turismo, sensível ao esforço do Movimento, comprometeu-se a realizar o cortejo, cuja comissão organizadora incluiria representantes do MJCM, mas tal não veio a acontecer. No entanto, foi reclamado que o impulso carnavalesco a ele se deve: “O nosso objetivo tinha sido alcançado: alertar e sensibilizar as autoridades competentes a prosseguir este trabalho que tínhamos começado, pois o Carnaval antes de 1976 estava morto e bem morto. Quem pôs de pé o ‘corso de Carnaval’ foi o MJCM e não outras entidades. E não seria de mais ressalvar esta verdade, não por mera vaidade, mas por reconhecimento a algo que foi feito e foi nosso” (AJCM-Funchal, dossier 5). Esta iniciativa transformou-se depois num grande cartaz turístico.

Bibliog. manuscrita: AJCM-Funchal, Dossier 1; AJCM, Dossier 5 – Recortes de Jornais; impressa: “A actividade do senhor D. Francisco Santana”, Jornal da Madeira, 8 mar. 1982, p. 12; “Amizade, Amor e Casamento”, JCM, n.º 5, maio 1975, pp. 5-6; “Biografia de D. Francisco Santana», Jornal da Madeira, 6 mar. 1982, p. 13; CHÁ-CHÁ, Cecília Varela, “Testemunho dos Jovens – Vivo ainda a forte emoção de Castelo Gandolfo”, Ibid., 2 out. 1983, p. 12; Id., “Testemunho e partilha”, JCM, n.º 141, 1999, p. 9; “Conclusões finais dos Mini-congressos Vocacionais”, Ibid., n.º 20, ago. 1976, pp. 4-7; “Domingo 19 de Outubro…”, Ibid., n.º 11, nov. 1975, pp. 6-9; “Editorial – Uma realidade”, JCM, n.º 1, jan. 1975, p. 2; “Editorial – Movimento de Igreja”, Ibid., n.º 2, fev. 1975, p. 2; “Editorial – O Boletim”, Ibid., n.º 7, jul. 1975, p. 2; “Editorial – Aniversário”, Ibid., n.º 8, ago. 1975, p. 2; “Editorial – À consideração das Equipas Locais”, Ibid., n.º 14, fev. 1976, pp. 2-3; “Editorial – D. Francisco Santana e a Equipa Central”, Ibid., n.º 87, mar. 1982, pp. 1-2; “Encontro Final dos Mini-Congressos”, Ibid., n.º 18, jun. 1976, p. 3; “Equipa Central”, Ibid., n.º 44, Ago. 1978, pp. 8-9; GOUVEIA, D. Maurílio, “Homilia proferida nas exéquias solenes na Sé Catedral”, Jornal da Madeira, 9 mar. 1982, pp. 1 e 13; “Impressionante manifestação de pesar constituiu o funeral de D, Francisco Santana”, Ibid., 9 mar. 1982, pp. 1 e 3-4; “Jornada Eucarística Diocesana…”, JCM, n.º 6, jun. 1975, pp. 8-10; JOVENS CRISTÃOS DA MADEIRA, Estatutos dos Jovens Cristãos da Madeira, Funchal, s. n., 1999; “Jovens Cristãos da Madeira”, Ibid., n.º 28, abr. 1977, pp. 4-6; SANTANA, Francisco Antunes, “Ação cívica dos Jovens Cristãos da Madeira”, Ibid., n.º 7, jul. 1975, pp. 2-5; Id., “Editorial – Jovens Cristãos da Madeira”, Ibid., 10, out. 1975, p. 2; Id., “Mini-congressos das Vocações”, Ibid., n.º 15, mar. 1976, p. 2; Id., “Saudação nos dois anos do JCM”, Ibid., 22, out. 1976, p. 2; Id., “Os Católicos e a Evolução da Vida Madeirense”, Funchal, Conselho Diocesano dos Leigos da Diocese do Funchal, 1978; Id., “Nota Pastoral – O dinamismo dos Jovens Cristãos da Madeira no sétimo aniversário do seu movimento”, Jornal da Madeira, 18 out. 1981; Id., “Sempre que se trate da defesa do nosso povo, jamais nos calaremos – disse na sua primeira entrevista como bispo”, Ibid., 8 mar. 1982, pp. 4-5: Id., “O Adeus do vosso bispo”, Ibid., 6 mar. 1982, pp. 1 e 13; “Mini-Congressos Vocacionais”, JCM, n.º 16, abr. 1976, p. 6; “O Movimento dos Jovens Cristãos da Madeira: Nascimento e seus objetivos”, Ibid., n.º 10, out. 1975, pp. 3-5; “No Domingo 1.º de Maio”, Ibid., n.º 29, maio 1977, pp. 15-17; “Noticiário – O trabalho dos jovens”, Ibid., n.º 1, jan. 1975, pp. 3-4; “Noticiário – O trabalho dos Jovens”, Ibid., n.º 5, maio 1975, pp. 7-8; “Noticiário – O Trabalho dos Jovens”, Ibid., n.º 8, ago. 1975, pp. 4-6; “O pensamento e a ação pastoral de D. Francisco Santana, Bispo do Funchal”, Jornal da Madeira, 6 mar. 1982, pp. 7-13; “Programa de Trabalho – JCM /76”, JCM, n.º 12, dez. 1975, pp. 6-7; “O que a imprensa diária disse”, Ibid., 27, mar. 1977, pp. 6-7 SECRETARIADO DO CONSELHO DOS LEIGOS DA DIOCESE DO FUNCHAL, “Um Homem – Um Bispo”, Jornal da Madeira, 7 mar. 1982, p. 6; “2.º Aniversário dos Jovens Cristãos da Madeira”, Ibid., 24 out. 1976, pp. 8-9 e 12; VIEIRA, Alberto (coord.), História da Madeira, Funchal, Secretaria Regional de Educação, 2001.

Cecília Chá-Chá

(atualizado a 05.09.2016)