periódicos literários ( sécs. xix e xx)

Entende-se por periódicos os jornais, diários, folhas e gazetas de frequência diária, bissemanal, semanal, quinzenal e mensal, contendo folhetins, páginas, colunas, secções ou folhas literárias ou de crónica. São poucos os periódicos exclusivamente literários na Madeira, sendo que a grande maioria se dedica, em determinado momento, a estudos científicos e a notícias de acontecimentos do quotidiano nacional ou estrangeiro.

Os periódicos madeirenses, do séc. XIX até à primeira metade do XX, que versam o campo literário dividem-se em cinco categorias: literários, políticos, religiosos, recreativos/instrução e noticiosos. Para além dos periódicos literários, em menor número, os periódicos recreativos e de instrução são, por motivos óbvios, os que mais exploram a literatura.

Importa ressaltar que os periódicos literários, para além da parte literária, constituída por folhetins contendo poesia, contos e romances, também têm na sua composição artigos sobre acontecimentos da história e crónicas sobre a instrução pública, religião e os progressos da ciência na época. Todavia, segundo João Augusto de Ornelas, os periódicos literários madeirenses padecem, fatalmente, de uma longevidade reduzida e de “dificuldades insuperáveis, a fim de empreender a publicação de uma folha exclusivamente literária” (ORNELAS, O Crepúsculo, 15 maio 1865, 52-53).

As dificuldades monetárias, o desinteresse público, o isolamento geográfico inerente à insularidade face aos grandes centros culturais como Lisboa, Porto e Coimbra, o desprezo, a impassibilidade e a ignorância pelas coisas do foro intelectual são as razões apontadas por diversos periódicos madeirenses para justificar o curto período da sua existência. Uma das críticas acérrimas a esta conjuntura encontra-se no texto introdutório do primeiro número do Archivo Litterario: “E nós, ainda que fora da ação do impulso literário […] afastados cá para longe sobre este precioso torrão esquecido no meio do oceano […] em quanto o espírito engradece e dilata os seus domínios além mar, aqui, nesta ilha da Madeira, a ação propriamente literária é quase nula […] por causa que todos deploram, a apatia, se não o retrocesso, é o planeta que domina no nosso horizonte literário” (Archivo Litterario, 15 abr. 1863, 1). O mesmo argumento é apresentado pelo periódico literário O Beija-Flor, que realça a indiferença com que as letras são tratadas na ilha da Madeira e, por esse motivo, apresenta-se a ele mesmo como um protesto contra o esquecimento e desprezo pela cultura e literatura.

Escrever folhetins com poesia, contos, romances ou crónicas sobre literatura (géneros literários ou o estado da literatura) aproximaria, pela leitura e reflexão, a ilha da Madeira aos grandes centros intelectuais de Portugal continental, para além de cultivar a mente e o espírito. No entanto, também o periódico O Crepúsculo destaca, de forma dicotómica, a fertilidade da terra e o desamor, a apatia face às letras e a falta do cultivo intelectual, pois, segundo José de Bettencourt da Câmara e Menezes, “nem um só jornal de literatura se encontra aqui: a política só ocupava os prelos!” (MENEZES, O Crepúsculo, 15 fev. 1865, 1).

Um dos pontos de complexidade no estudo, quer dos periódicos literários, quer dos não literários, é a identificação da autoria das composições. Alguns jornalistas, escritores e intelectuais da época utilizam o nome próprio e apelido, no entanto, muitos outros optam pelo uso de pseudónimos, pelo anonimato ou pela utilização de iniciais correspondentes ao seu nome completo ou outras impossíveis de deslindar. Nos periódicos literários, muitas das composições publicadas são dedicadas a personalidades madeirenses da época, que se correspondem através da publicação de poemas, sendo que, em determinado momento, entre um e outro poema dedicado, a identidade acaba por ser revelada.

No que diz respeito aos periódicos literários, é absolutamente relevante destacar alguns dos títulos que fizeram história na imprensa literária regional, nomeadamente O Beija-Flor; A Aurora do Domingo: Literatura, Poesia, Variedades, Photographias; Archivo Litterario; O Crepúsculo; O Monóculo: Semanário Litterario e Humorístico; Semana Illustrada; Revista Madeirense: para a Litteratura, Commercio, Agricultura e Industria – Vulgarisação de Conhecimentos Úteis e A Pátria: Hebdomadario Litterario.

O Beija-Flor foi um periódico literário de frequência semanal, publicado entre os meses de abril e setembro de 1842. Este periódico contou com 26 números e foi dirigido por Sérvulo de Paula Medina e Vasconcelos, filho do conhecido Francisco de Paula Medina e Vasconcelos, autor do poema épico Zargueida. O estabelecimento tipográfico, localizado na Rua das Pretas, no Funchal, do periódico O Defensor foi responsável pela sua impressão.

O periódico literário O Beija-Flor assume-se como um protesto contra a indiferença perante a cultura, dividindo-se em secções, “Conhecimentos Úteis” e “Variedades”, nas quais se publicam inúmeras notícias e transcrições de outros periódicos nacionais e internacionais, como é o exemplo da Revista Universal Lisbonense e do Correio das Damas, entre outros. Neste periódico estão publicados artigos sobre a vaidade e o amor fraternal e as composições “Carta de um Desembargador a um Seu Filho elevado á Béca”, “D. Filippa, Raynha de Portugal, mulher de D. João I”, “Raças de Homens”, “Bahia do Rio de Janeiro”, “Quadro Histórico da Economia Nacional”, “O Abuso da Religião”, “O Ateísmo”, “Os Correios no Japão”, um conjunto de textos intitulado “Deveres Civis dos Parochos”, “Descobrimento da Ilha da Madeira”, a crónica escocesa “O Castello de Dunstan”, “Divertimentos de Luíz XVIII”, “Breve Notícia do Império do Brasil, por um Emigrado”, da autoria do pseudónimo “C.”, “Methodo para Tornar Legíveis as Escripturas Antigas”, “Modo de Destruir as Hervas Parasitas”, “Uma Vingança”, texto da autoria do pseudónimo “V.”, “A Cabeça da Valida (fantasia turca)”, de Pitre Chevalier, e “Última Embaixada dos Portugueses à China”.

A Aurora do Domingo foi um periódico literário de frequência semanal, publicado entre os meses de janeiro e março de 1862. A sua existência na imprensa madeirense limitou-se apenas a 12 números. A sede da administração, redação e tipografia situou-se na Rua da Queimada, n.º 22, no Funchal. O seu objetivo primordial, segundo o seu diretor Diogo Berenguer Júnior, era “dar outra direção à literatura na nossa terra, abrir-lhe novas estradas, trilhos quase virgens até aqui […] dar aos nossos leitores romances, poesia, variedade e vistas fotográficas” (JÚNIOR, A Aurora do Domingo, 5 jan. 1862, 2-3).

A Aurora do Domingo reúne diversas produções de João Augusto de Ornelas (como os poemas “Que pensas?” e “Á Virgem”), de João de Lemos (os poemas “O Túmulo de Nero” e “O Festim de Balthazar”), de E. Lemoine (“Um bom filho” e “A Perola d’Héristal”), de Casimiro Abreu (“Lembras-te?”), de Alípio Augusto Ferreira (“Um Sacrilégio”), de H. de Kock (“Jeronymo”), de Frédéric Soulié (“Carolina”), de Tomás António Ribeiro (o poema “Remorso”), de Anaïs Ségalas (“Tia e Sobrinha”). Para além das composições literárias, n’ A Aurora do Domingo estão publicados também, em vários capítulos, estudos sobre literatura da autoria do diretor Diogo Berenguer Júnior.

O Archivo Litterario foi um periódico literário de frequência semanal, publicado entre os meses de abril e novembro de 1863. A sua existência na imprensa madeirense restringiu-se a 11 números, repletos de composições em prosa e poesia. Neste periódico, existem composições de personalidades ilustres do panorama cultural e literário português, nomeadamente o poema “Martyrio e Rosa”, de Mendes de Faria, e inúmeras composições poéticas de João de Nóbrega Soares, algumas delas recitadas no Teatro Esperança, em 1863, como “No Natalício de Sra. Majestade a Sra. Rainha Dnª Maria de Saboya” e “No Fausto Nascimento do Herdeiro de Portugal”.

João de Nóbrega Soares foi um dos principais redatores do Archivo Litterario, detentor de uma pena proficiente, tendo publicado diversos poemas, contos e romances no periódico, designadamente “No Fausto Natalício de Sua Majestade El-Rei o Sr. D. Fernando”, “No fausto Natalício de Sua Majestade El-Rei ó Sr. D. Luiz”, as comédias teatrais em um ato “Brites d’Almeida”, “Pedrinho” e “Perdeu-se a Patente”, as prosas “A Filha dos Trabalhos”, “A Harpa do Crente”, “Flores e Diamantes” e os contos “Os Piratas”, “Os Prophetas”, “Júbilos de Natal”, “Na Floresta” (conto fantástico) e “Simples Vaidade: a História de uma Toutinegra” (conto moral).

Para além de João de Nóbrega Soares, no Archivo Litterario encontram-se publicadas composições poéticas e crónicas do madeirense João Augusto de Ornelas (os poemas “A Arrependida” e “Deus” e crónicas sobre literatura), de Alípio Augusto Ferreira (o poema “Ao aniversário Natalício de Sua Majestade El-Rei Sr. D. Luiz” e “Romance em Seis Capítulos”), de Luciano Cordeiro (a prosa “O Marinheiro”, dedicada ao seu amigo e escritor Matias Figueira), de Matias Figueira (o poema “O Soldado” e as crónicas “A Oração”, “O Amor da Pátria”, “O Homem”, “As Crusadas” e “Pena de Morte”), crónicas sobre a mulher da autoria de Júlia Henriqueta de Freitas Esmeraldo, de Matilde de Santana e Vasconcelos, Viscondessa das Nogueiras (a crónica “Maio: Sôbre os Fastos de Ovidio”), de José de Bettencourt da Câmara e Menezes (as crónicas “Ilha da Madeira: Curiosidades Históricas” e “A Calúmnia”) e textos sobre a obra de José António Monteiro Teixeira, da pena de Jaime Constantino Moniz.

O Crepúsculo foi um periódico literário de frequência quinzenal, publicado entre os meses de fevereiro e julho de 1865. A sua existência na imprensa madeirense limitou-se apenas a 12 números. José de Bettencourt da Câmara e Menezes foi o diretor dessa publicação, também ele colaborador noutros periódicos literários como o Archivo Litterario. O estabelecimento tipográfico Noticioso foi responsável pela impressão deste periódico, localizado na Ponte do Cidrão, n.º 1, no Funchal.

N’ O Crepúsculo, encontram-se publicados inúmeros poemas e textos científicos de intelectuais incontornáveis que marcaram a cultura madeirense na segunda metade do séc. XIX. O poema “Os Sinos do Mosteiro”, da autoria do P.e Carlos Castelo Branco Acciaioli Ferraz de Noronha, encontra-se publicado na íntegra e remete o leitor para o período em que a corrente do romantismo vigorava em Portugal. De facto, a condenação do que é mundano e puramente físico está presente no poema, para além de este reenviar o leitor para a ideia de que o amor verdadeiro não é o terreno. A vida espiritual e a crença no divino são o único escape para as frustrações e ilusões da vida terrena da donzela do P.e Carlos Acciaioli, que se refugia num mosteiro: “Adeus, amigas, que me perdi na terra / o que ela encerra de ilusões, de amor, / E vou no claustro terminar os meus dias / com agonias, aflições e dor! / […] Fui condenada por amar somente!” (ACCIAIOLI, O Crepúsculo, 15 fev. 1865, 2). Da sua autoria, também se encontram publicados, neste periódico, os poemas “A uma flor”, dedicado à sua prima Josefina de Ornelas Castelo Branco, “Os Meus Amores” e a crónica informativa “O Pico Ruivo”.

N’ O Crepúsculo estão publicadas igualmente composições de Luciano Cordeiro (os poemas “Revezes da Vida”, dedicado ao seu irmão Francisco Cordeiro, “No Mar”, dedicado ao seu amigo Carlos de Afonseca, “Amor”, “Ouro! Muito Ouro!” e “Sonhos d’Infância”, dedicado a Cândida de Oliveira Amaral, e os apontamentos “Revezes da Vida: Estudos para a Introdução Provável de um Futuro Romance”, dedicado igualmente ao seu irmão Francisco Cordeiro de Sousa), de Maurício Castelo Branco Manoel (o poema “O Meu Anjo” e a narrativa “História de uma Poesia”, que combina a prosa e a poesia, introduzindo o poema “A Ceifeira no Rio”), de João Augusto de Ornelas (o poema romântico “Num Álbum”), de João José Vieira (o poema “No Album de Dª Cândida de Oliveira Amaral”), de José Leite Monteiro (o poema “Soneto à Saudosa Memória do meu Bom Irmão João Leite Monteiro”) e de João de Deus (o poema “Alma”).

Também com contribuições no periódico Archivo Litterario, Alípio Augusto Ferreira escreve, para O Crepúsculo, os poemas “Ella” e “Carta”. Para além dos escritos deste autor, também se encontram publicados, no periódico, um poema dedicado à benemérita Sociedade Humanitária do Funchal, intitulado “O Naufrágio”, escrito por Januário Justiniano de Nóbrega, diretor do Semanário Official, autor com obras publicadas e sobrinho de Francisco Álvares de Nóbrega, conhecido como “Camões Pequeno”.

Como periódico literário, O Crepúsculo não publicou exclusivamente poesia, tendo sido igualmente publicados artigos de opinião, crónicas e notícias sobre literatura. Exemplo disso foram os textos de José de Bettencourt da Câmara e Menezes, diretor do periódico, que escreveu sobre a possível criação de um Grémio Literário, considerando ser um projeto civilizador e um “seguro esteio das ciências e das artes” (MENEZES, O Crepúsculo, 28 fev. 1865, 9). Nas páginas deste periódico encontram-se outros textos que abordam temas como a Inquisição, a Escola Médico-Cirúrgica do Funchal, Gil Vicente, a importância da imprensa, a utilidade da instrução, a Santa Isabel, rainha de Portugal, a educação da mulher, a instrução pública na Madeira no ano letivo de 1864-1865, o infante D. Henrique, entre outros.

O Monóculo foi um periódico literário e humorístico de frequência semanal, publicado entre os meses de abril de 1889 e junho de 1890. A sua existência na imprensa madeirense restringiu-se a nove números. O estabelecimento tipográfico Esperança foi responsável pela impressão deste periódico literário, localizado na Rua dos Ferreiros, n.º 177, no Funchal.

A secção ou página literária d’O Monóculo intitula-se “Salão Nobre” e reúne diversas produções poéticas, nomeadamente de Guerra Junqueiro (os poemas “Ruínas”, “A Escola Portugueza”, “Divan”), de Alberto Pimentel (“Animaes e Vegetaes”), de Mateus Peres (o poema “Arias do Amor: Perguntas”), de Gonçalves Crespo (os poemas “Alguem”, “A Noiva”, “Dulce”, “Em Coimbra: no Theatro Academico”, “Transfiguração”), de Luciano Cordeiro (o ensaio literário da coluna “Perfis Literários” do periódico, intitulado “Camillo Castello Branco”), de Camilo Castelo Branco (“Do Cancioneiro Alegre”: Guilherme d’Azevedo e Francisco Moniz Barreto), de Cyrillo Machado (o poema “Bianco Vestita”), de Garcia Monteiro (o poema “A Viuva Boim”), de Lorjó Tavares (“Contos Pequeninos”), Josephe Benoliel (o poema “A João de Deus”), de João de Deus (o poema “Theatro de Lisboa”), de João Penha (o poema “Vão-se os Deuses”), de Fernando Caldeira (o poema “Uns Pesinhos”), de Augusto da Fonseca (o poema “Miragem”) e Augusto de Lacerda (o poema “Pela Bocca Morre o Peixe”).

A Semana Illustrada foi um periódico literário de frequência semanal, publicado entre os meses de abril de 1898 e fevereiro de 1900. Este periódico é composto por 85 números. A sede de administração e redação situou-se na Rua dos Ferreiros, no Funchal, sendo o seu editor João Rodrigues Figueira.

A capa dos números do periódico da Semana Illustrada exibe, tal como o periódico A Pátria, gravuras que ilustram locais ou personalidades madeirenses e nacionais ilustres, tais como o coronel Eduardo Castelo Branco, o conde do Canavial, o bispo do Funchal, D. Manuel Agostinho Barreto, o Dr. José António de Almada, a imperatriz de Áustria, Almeida Garrett e Carlos Maria Vasconcelos Sobral, diretor da Alfândega, a capela de S. Vicente, o farol de S. Lourenço, a igreja de Nossa Senhora do Monte, o túmulo da Rainha Santa Isabel, no velho Mosteiro de Santa Clara, e o Hospital da Princesa D. Maria Amélia.

Na Semana Illustrada, a secção dedicada às produções literárias intitula-se “Secção Literária” e reúne composições de Carlos Pinto de Almeida (o romance histórico A Filha do Emir, dividido em folhetins publicados ao longo da existência do periódico), de Augusta Negrão (o poema “Anjinho”), de Jaime de Sá (as prosas “Sarah”, dedicada a José Moreira do Valle, “O Mendigo”, dedicada a João Marinho de Nóbrega e o poema “N’um Album”), de João de Deus (os poemas “O Dinheiro”, “Amélia”, “Adeus”, “Adoração”, “Flores do Campo”, “Aos Annos de um Rapaz”, “Ego Dormio et Cor Meum Vigilat”, “Illusões”), de Filomena Serpa (o poema sobre a infância “Intima”), do brasileiro Luís José Junqueira Freire (o poema “Invocação”), de Manoel Ribeiro (o poema “Aspiração”), do brasileiro Gonçalves Dias (os poemas “A Infância”, “A Concha e a Virgem”), de Pedro Vidoeira (o poema “Olhos verdes!… Olhos verdes!…”), de Antero de Quental (os poemas “A tocadora de guitarra”, “Escrínio – A Senda do Calvario”), de Augusto Lima (o poema “O Barco”), de Eduardo de Aguiar (o poema “Porque canto?”), de Júlio Cesar Machado (o poema “Esperança”), de José Moreira do Vale (as prosas “A Mosca”, dedicado a Jaime de Sá, “A Ondina e o Filho da Terra”, “A Triste Viuvinha!”), de Fagundes Varela (o poema “A Serenata”), de Guerra Junqueiro (o poema “A Lagrima”), de Gil Braz (o poema em prosa “Isaura!”), de Alvares de Azevedo (o poema “A Virgem Adormecida”), de Casimiro de Abreu (o poema “Tres Cantos”), da brasileira Emília da Maia (o poema “Canção do Exilio”), de João Dantas de Sousa (o poema “A Pobre”), do Conde de Casal Ribeiro (o poema “No Jardim da Infância”), de Álvaro de Castelões (o poema “Canto da Manhã”), de Cristóvão Aires (“Ave, Regina!”), de Júlio da Silva Carvalho (o poema “Lyras”), de Raposo de Oliveira (o poema “Camponeza”), de Machado de Assis (o poema “O Verme”), de Arnaldo Damasceno Vieira (o poema “Luz e Sombra”, dedicado a Joaquim Pestana), de José Maria Adrião (o ensaio “As Pastorinhas”), de Luísa Amélia (o poema “A Rameira”), do P.e Manuel Nunes (o poema “A Esmola”), de Jorge Luis de Nóbrega (o poema “Recordação”) e de Celestino Soares (o poema “O Natal”).

Na Semana Illustrada também estão publicadas composições de Augusto Forjaz (os poemas “Salve!”, dedicado a Teresa de Carvalhal, condessa de Ribeiro Real, “No Ilheu”, dedicado a Filomena Bettencourt Atouguia Brandão de Noronha, condessa de Torre Bela, e “Adamastor”), de Guy de Maupassant (a narrativa traduzida “Uma História Verídica”), de Victor Hugo (a narrativa traduzida “A Consciência”), de Alphonse Daudet (a narrativa traduzida “O Turco: Episódio da Communa”), de Valentim Machado (o poema “Hymno da Madrugada”), de António Nobre (o poema “Para as Raparigas de Coimbra”), de Henrique Murger (o conto “O Colar de Lágrimas”), do P.e Serafim Gomes (o poema “Escrínio – Amar a Dor”), de Alfredo Gallis (os poemas “O dia de Ámanhà”, “Mar da Vida”, “Saudades”, “Rindo”, “Último desejo”, “Probresito!” e “Alma Angelica”), de Alexandre Herculano (o poema “Gloria Laus Et Honor”), de João Baptista de Almeida (o poema “O Redemptor”), de Gomes Leal (o poema “Trevas”), de Neves Barreto (o conto “O Telegrapho”), de Fernando Gomes de Amorim (o poema “Oração”), de Eugénio Muniz (o conto “Uma História Verdadeira”), de Bulhão Pato (os poemas “Psalmo”, “Ave-Maria”), de Raymundo Motta (o poema “As Nuvens”), de François Coppée (o conto “Escravo de sua Palavra”), de Amélia Janny (o poema “Um Sonho”), de Paul Féval (o conto “A Família”), de José Eduardo Abrantes Silva (o poema “Viuvez”), de Manuel de Almeida Henriques (o poema “A Orphã”), de António Mendes (o poema “Não me Acreditas?”), de Pereira Bravo (o poema “O Mar”), de Camilo Castelo Branco (o poema “S. João Baptista”), de Gonçalves Crespo (os poemas “Suas Mãos”, “Na Roça”), de Affonso Gayo (o poema “Aos Anos de uma Rapariga”), de Júlio Brandão (os poemas “Madrigaes”, “Retrato”, “Cantares”), de Júlio de Castilho (o poema “A Serra”), do P.e Senna Freitas (a narrativa “A Minha Ilha”), de Guilhermino de Barros (o poema “Consolação Mútua”), de Vidal Oudinot (o poema “O Teu Cabelo”), de Lucinda Guimarães (o poema “No Campo”), de Ana de Castro Osório (“Contos”), de Aires de Ornelas (o conto histórico “A Guerra na África do Sul”), de Júlia de Almeida Bahia (o poema “Prometter e Não Dar”), de Casimiro de Abreu (o poema “O Que é Sympatia?”), de Mendes Leal (o poema “Dae!”), entre outros.

A Revista Madeirense foi um periódico semanal que servia a diferentes sectores da sociedade, com o objetivo de difundir e trivializar o conhecimento, abarcando áreas como a literatura, comércio, agricultura e indústria. Este periódico foi publicado entre junho de 1901 e julho de 1902. A sede de redação e administração situou-se na Rua da Sé, sendo o seu diretor e proprietário Jaime de Campos Ramalho e o editor João Nunes Viveiros.

A Revista Madeirense é composta por 84 números e teve como colaboradores fixos António Pinto Correia, o regente florestal António Schiappa d’Azevedo, Augusto Coutinho Gorjão, o tenente Cândido Álvaro da Câmara, o professor Cândido Pereira, o Dr. Carlos Leite Monteiro, o Dr. João Câmara Leme Homem de Vasconcelos (conde do Canavial), o P.e Fernando Augusto da Silva, Guilherme Teles de Menezes, o Dr. Jardim d’Oliveira, o Eng.º João H. von Hafe, o P.e João Maurício Henriques, João dos Reis Gomes, o tenente-médico José Agostinho Rodrigues, o médico veterinário José Correia Mendes, o Eng.º José Maria Melo de Matos, o capitão Júlio Acciaioli, Azevedo Ramos, o Dr. Nuno Silvestre Teixeira e o Eng.º Victorino José dos Santos.

A secção ou página literária desta publicação denomina-se “Artes & Lettras” e reúne diversas produções de autores madeirenses e nacionais, nomeadamente de Alexandre Herculano (a narrativa “Um Dia Santo”), de Cândido Álvaro da Câmara (os poemas “Rustica: Quem?”, “Ruinas: O Moinho Velho”, “Santelmo”, “Joeiras”, “Retábulo”, “Espírito Gentil”, “A Morte do Clarim”), de Alice Lencastre (“Escolha de Maridos”), de João de Deus (o poma “Boas Noites”), de Emilio Castellar (“O Homem”), de Camilo Castelo Branco (“O Coração e as Lagrimas: Segundo a Sciencia”), de Alfredo de Morais Pinto (o poema “Proverbio”), de Alberto Bramão (o poema “A Raposa, a Mosca e o Ouriço”), de Gervásio Rosa (o poema “Deveneio e Supplica”), de Ricardo de Sousa (o poema “Versos à Lua”), de Ernesto Amaral (o poema “Devaneio”), de Matilde Sauvayre da Câmara (o poema “Homenagem a sua Majestade A Rainha Senhora D. Maria Amélia”, por ocasião da visita régia de D. Carlos I e D. Maria Amélia à Madeira, em 1901), de João Gouveia (os poemas “Ave-Marias”, “A meu Pae”, “Do outro Lado do Oceano”).

Na Revista Madeirense também estão publicadas composições de Gonçalves Crespo (o poema “A Sésta”), de Augusto Carlos Escórcio (o poema “O Boieiro Namorado”), de Curvo Semedo (o poema “O Corvo e a Raposa”), de João de Lemos (o poema “Ella por Ella”), de Silva Gonçalves (o poema “Balsamo”), de Augusto Barreto (o poema “A Vida”), de João Viana (o poema “Dantes e Agora”), de Luís Alexandre Ribeiro de Mendonça (Barão de Uzel), de Francisco Augusto da Silveira (o poema “A Madeira: Num Álbum”, que retrata a Madeira como um destino terapêutico e um belo jardim em flor, suspenso no oceano), de João José de Macedo Júnior (o poema “Canto Nocturno”), de Alfredo França (os poemas “O Exilado”, dedicado a Costa Dias, “Lágrima Ingénua” e “Bravo”), de Simões Dias (o poema “O Teu Lenço”), de Mário Florival (o poema “Rosas Brancas: Origem d’uma Flor”), de Júlio Brandão (o poema “Canção das Águas”), de Ruy Barbo (o poema “Hymno do Descanso”), de Albino Bastos (o poema “Amor Amor”), de Arnaldo Pereira (o poema “Ella!”), de Manoel Lopes Maia (o poema “O Beijo”), de Israel Ivope (o poema “As Moças da minha Terra”), de Modesto Sanzio (o poema “A Voz do Coração”) e de Luís de Ornelas Pinto Coelho (o poema “Dias de Maio”).

Na Revista Madeirense estão publicadas igualmente composições de Antero de Quental (o poema “Perdão!”), de Henrique Rosa (o poema “Liberdade”), de Latino Coelho (“A Gruta de Camões”), de Júlio Brandão, (o poema “Fonte dos Amores”), de Guerra Junqueiro (“A Alma” e “Os Três Véos de Maria”), de Luís de Ornelas Pinto Coelho (o poema “A Luz Crepuscular”), de Jorge de Lucena (o poema “Madrigal”, imitação de Belegner), de Alice Costa (o poema “Os Cinco Sentidos”), do Dr. Paulino de Brito (o poema “Enterro e Noivado”), do P.e António Vieira (“Apologia das Árvores”), de Luís Cebola (o poema “Pombas d’Arminho”), de Raul de Castro (o poema “Janeiro”), de João de Lemos (o poema “Missa do Gallo”), de Alda Rego (o poema “Primavera”), de Aníbal Amorim (o poema “Dama Regia”), de Guilheminio Sotto Mayor (o poema “A uns Olhos”), de Celestino Soares (o poema “Sol de Inverno”), de Ana de Castro Osório (a crónica “O Feminismo”), de Arnaldo Damasceno Vieira (o poema “Os Cinco Sentidos”), de Leite Brandão (o poema “Aos Vencedores d’Africa”), de António Nobre (o poema “Enterro de Ophelia”), de Ana de Assis (a prosa “Deus”) e de Ibrantina Cardona (o poema “Teus Olhos”), entre outros.

Para além da secção “Artes & Lettras”, a Revista Madeirense detém uma secção intitulada “Lyra Madeirense”, com trabalhos de Luís de Ornelas Pinto Coelho, de António Feliciano Rodrigues, conhecido por Castilho, de Luís Alexandre Ribeiro de Mendonça, barão de Uzel (o poema “O Sonho do Marinheiro”), de Francisco Vieira, de Arsénia de Bettencourt Miranda (o poema “Vida e Morte”), de Cândido Álvaro da Câmara (o poema “A Apanha da Canna”), de Júlio da Silva Carvalho (o poema “Um Beijo”), de João Fortunato de Oliveira (o poema “No Pico Ruivo”). Publicou-se, somente em alguns números, folhetins literários com produções de Alphonse Lamartine (“A Marselheza”, de Ruy Barbo (o poema “Para Sempre”), de Joaquim Dicento (“O Ninho de Pardaes”), de Lev Tolstói (“De Onde Vem o Mal”), de Emílio Ferrari (“À Folga dos Pecados”), de Dionísio Péres (“Bodas de Fomes”), de Guerra Junqueiro (sobre “Victor Hugo”), de Vicente Blasco Ibañez (“O Luxo”), de Fialho de Almeida (“A Dor”) e de Justino de Montalvão (“O Tio San-Pedro”).

Tal como outros periódicos, a Revista Madeirense não publicou exclusivamente poesia, tendo sido igualmente publicados artigos de opinião, crónicas e notícias. Nas páginas deste periódico existem textos ou notas históricas que abordam temas como a arquitetura, a estética, a viticultura, a carestia da vida, a climatologia, o comércio, as finanças, a horticultura, as cidades da Madeira, a visita régia de D. Carlos I e D. Maria Amélia à Madeira, em 1901, a instrução na ilha, os costumes madeirenses, igrejas e capelas e o analfabetismo.

A Pátria: Hebdomadario Litterario foi um periódico literário de frequência semanal, publicado entre abril de 1906 e maio de 1907. Este periódico é composto por 37 números publicados e a sua sede de redação e administração situou-se na Rua de São Francisco, no Funchal, tendo sido seu administrador João de Oliveira, editor Ernesto Wenceslau de Sousa e redator Oswaldo da Câmara Andrade.

As capas dos números do periódico A Pátria exibem biografias ou estudos sobre factos históricos e gravuras de ilustres personalidades madeirenses e nacionais, tais como do escritor Camilo Castelo Branco, da atriz Palmira Bastos, do conselheiro José Leite Monteiro, do comendador João Barbosa de Matos e Câmara, do Dr. Maurício Augusto Sequeira, de João de Deus, de Almeida Garrett, do conde da Calçada, da atriz Carolina Falco, do conselheiro Silvano de Freitas Branco, dos aniversários régios de D. Carlos I e D. Maria Amélia, dos escritores Eça de Queirós, Alexandre Herculano, Guerra Junqueiro, António Feliciano de Castilho e Luciano Cordeiro, do desenhador, pintor, entalhador e escultor Vicente Gomes da Silva, de Afonso XIII, o cônsul da Áustria e Hungria, do comendador Carlo de Bianchi, da atriz Maria Falcão e do Dr. João Augusto Teixeira, bem como artigos sobre a descoberta da Índia e o Convento de S. Bernardino, em Câmara de Lobos.

O periódico literário A Pátria reúne produções de Vellouso da Costa (o poema “Mendigo”), de Ricardo de Sousa (“Se eu Fosse o Luar”), de João de Deus (“Graça”, “Marina”), de Noé Lomelino (“Em Sonhos”), de Maria Amália Vaz de Carvalho (o poema “Peccadora”), de Joaquim Pestana (os poemas “Ao Luar”, dedicado ao poeta Ernesto Rebelo, “Conselho”, “Noite”, “No Campo”, “Nas Trindades”), de Albino Menezes (as prosas “Reminiscências”, dedicada a Palmira de Sousa, “Fatalidade”, dedicado a Cruz Baptista Santos, “Meditação”, “A Pastorinha”, “Discorrendo” e o conto “A Dor Suave”), de Palmira de Sousa (a prosa “Tristezas”), de Júlio Dinis (o poema “A Esmola do Pobre”), de Ernesto Rebelo (o poema “O Fio de Perolas”), de Domitilia de Carvalho (“Deus te Pague”), de Rosa da Soledade (a prosa “Santo António”, dedicada a Palmira de Sousa), de Sousa Cordeiro (o poema “Linda”), de Francis Coppée (“O Despertar de uma Consciência”, traduzido por Jorge de Mendonça), de José Raul Lopes Rodrigues (“A uma Rosa”), de Eduardo de Aguilar (“Amae, Amae que Amar é Sofrer”), de Gonçalves Crespo (o poema “Um Numero de Intermezzo”) e de José Edgardo (as prosas “A Viúva Inconsolável”, Surprehendidos no Alto Mar”, “O Anoitecer n’Aldeia”).

No que diz respeito aos periódicos de instrução e recreativos, destacamos a existência de alguns dos títulos que fizeram história na imprensa literária regional, por conterem secções, páginas ou colunas literárias em maior número e se dedicarem, largamente, a assuntos literários. Destacam-se: A Academia: Folha de Estudantes (1900-1901), A Aurora Liberal: Semanário Litterario, Órgão do Grémio Litterario Madeirense (1875-1876), A Grinalda Madeirense: Jornal Litterario, Noticioso e Recreativo (1880-1881), A Onda: Jornal de Instrução e Recreio (1871), A Penumbra Litteraria: Publicação Quinzenal dos Alumnos do Lyceu (1877), A Tribuna Académica: Órgão dos Estudantes (1897), A Vida Académica: Órgão Mensal da Academia Funchalense (1914), Alma Nova: Órgão da Caixa Escolar do Liceu do Funchal (1913-1914), Atlante / Os Novos: Quinzenário Académico (1920), Estrella Académica: Periódico de Instrução e Recreio (1875), Estrella Litteraria: Semanário do Recreio Académico (1874), Gente Nova: Número Único Comemorativo do Primeiro Aniversário da Caixa Escolar do Liceu do Funchal (1913), Gente Nova: Quinzenário Académico (1919-1920), O Académico: Órgão da Associação Académica Funchalense (1884-1887), O Estudante: Órgão dos Alumnos do Lyceu do Funchal (1890) e O Recreio: Periódico Litterario dos Alumnos do Lyceu do Funchal (1863-1864).

Realce para o periódico O Recreio, publicação quinzenal dos alunos do Liceu do Funchal, publicado entre os meses de maio de 1863 e julho de 1864, sendo composto por 25 números. Todos os periódicos de instrução e recreio afirmam que a criação de um periódico recreativo surge da necessidade de estudar a literatura, iniciando os alunos através de esboços, exercícios e ensaios literários. Por conseguinte, a criação de periódicos recreativos e de instrução “tem por fim incitar os talentos em gérmen, tímidos, a fazê-los desenvolver, acostumá-los a manifestarem-se em público” (A Grinalda Madeirense, 14 mar. 1880, 1).

O Recreio reúne produções literárias de José de Bettencourt da Câmara e Menezes (a crónica “O Rico”), do P.e Júlio César Pereira da Silva (as prosas “Um Bom Cristão”, “O Exílio”, “Fragmento”, “O Poeta” e a crónica “O Suicídio”), de Emília Acciaioly Rego (a crónica “A Edade”, os poemas “Meditação”, “Aos Anos de meu Irmão”), de João José Vieira (a crónica “A Ociosidade”, a narrativa “O Guarda-Floresta”), do P.e Carlos Acciaioli Ferraz de Noronha (a crónica “A Viagem do Berço para o Trono”, os poemas “Meditação”, “Salve, Ferias!”, “O Passado”, “Ao Fausto Natalício de S. M. El-Rei o sr. D. Luiz I”, “Illusão”, “O Árabe Errante”), de Damasceno Vieira (a narrativa “Lição de Grammatica”), de Maurício Castelo Branco (os poemas “Revivi”, “Saudade”, “A Minha Mãe”) e de Luciano Cordeiro (os poemas “Saudades”, “Cinismo”).

A Onda, periódico de instrução e recreio, de frequência semanal, foi publicado entre os meses de setembro e dezembro de 1871. O estabelecimento tipográfico responsável pela impressão d’ A Onda localizou-se na Ponte do Cidrão, n.º 3, no Funchal. A sua existência na imprensa madeirense restringiu-se a 12 números, sendo o seu administrador Eduardo Luís Viana e o seu redator principal João de Nóbrega Soares. Este periódico reúne inúmeras produções de João de Nóbrega Soares (os poemas “Deus”, dedicado a Platão de Waxel, “Recordação”, “Sim: a um Amor Perfeito Amarelo”, “Imagem Celeste”, “Voou!”, “A uma Madresilva”, “Tu”, “Linda de Chamounix”, “O Retrato”, “Não Creio”, “A uma Malta Encarnada”, “Noites Tristes”, “Saudade: no Tumulo de seu Irmão”, “Longe da Pátria”, o romance “Amor do Trabalho” e as crónicas “Da Magia do Amor”, “O Theatro”, “A Literatura e a Sociedade”), de Francisco Vieira (os poemas “A Ave do Cemitério”, “O Inverno”, “Adeus”) e de Luiz d’Ornellas Pinto Coelho (os poemas “A Morte duma Menina”, Impressões duma Doença”, “Orphan”, “Canção”, “Ouve!”, “Poesias”, “A Um Retrato Photographado”).

Destaque também para A Aurora Liberal, órgão do grémio literário madeirense da sociedade de estudantes do Liceu do Funchal, de frequência semanal, publicado entre os meses de fevereiro de 1875 e fevereiro de 1876. A sua existência na imprensa madeirense limitou-se a oito números. O estabelecimento tipográfico Funchalense foi responsável pela impressão deste periódico literário, sendo a sede da direção do periódico situada na Rua da Carreira, n.º 238, no Funchal.

A Aurora Liberal surge da necessidade de “desenvolver por meio de conferências literárias o gosto da leitura e do estudo” (A Aurora Liberal, 1 dez. 1875, 1). A sua secção ou página literária intitula-se “Secção Poética” e reúne produções literárias de Ciríaco de Brito Nóbrega (as crónicas “A Vida do Campo”, “A Pena de Morte”, “Á memória de José António d’Abreu”, “A Morte Prematura”, “O Mar”, “A Instrucção Popular”), autor que utilizou o pseudónimo de Alberto Didot nas composições literárias que publicou no Diário da Madeira, de Guimarães Fonseca (a crónica “O Amor da Família”), de António Fernandes de Figueiredo Ferrer Farol (a crónica “A liberdade e a Escravidão”) e de Luís de Ornelas Pinto Coelho (o poema “A uns Olhos”).

A Grinalda Madeirense, periódico literário, noticioso e recreativo de frequência semanal, foi publicado entre os meses de março de 1880 e março de 1881. A sua existência na imprensa madeirense foi de 46 números, sendo o seu diretor João Jovita dos Santos

O estabelecimento tipográfico Funchalense foi responsável pela impressão deste periódico, localizado na Rua de João Gago, n.º 12, no Funchal. A sua secção ou página literária intitula-se “Secção Poética” e reúne diversas produções, nomeadamente de Francisco Vieira (o poema “Saudades”, dedicado ao seu amigo Ângelo Hermenegildo dos Santos, “A Irmã da Caridade”, “Portugal”, “O Palácio dos Nobres”), de João Caires (“O Soldado”, dedicado ao seu amigo Henrique Luís Monteiro, “Insomnias”, dedicado ao seu amigo João Jovita dos Santos, “A Vista d’uma Mulher”), de José Maria do Casal Ribeiro (“o poema “Nunca Mais”) e de Tomás Ribeiro (o poema “Foge!”), entre outros.

O periódico O Académico foi o órgão da Associação Académica Funchalense, de frequência quinzenal, publicado entre os meses de dezembro 1884 e fevereiro de 1885, ressurgindo novamente entre os meses de maio de 1886 e dezembro de 1887. O estabelecimento tipográfico Funchalense foi responsável pela impressão deste periódico recreativo, localizado na Rua de João Gago, n.º 12 e na Rua da Sé, n.ºs 31 e 32, no Funchal.

O Académico defendia que a educação do Homem era contínua, na medida em que as ciências e as artes o cultivavam e animavam. O seu principal objetivo era a instrução, pelo que a existência deste órgão oficioso visava preencher a lacuna da indiferença pelo conhecimento, afastar o Homem das trevas da ignorância e promover a instrução como meio que revoluciona o intelecto (O Académico, 1 dez. 1884, 1-2). Este periódico é constituído por secções históricas, literárias e científicas, que reúnem textos sobre o aparecimento da imprensa, a história e o estudo das línguas, as invasões bárbaras, o feudalismo, botânica, os aluviões, reformas da instrução secundária, a vida académica e o estado do ensino. Esta publicação reúne composições de Francisco Vieira, de Gomes Leal, de João José de Macedo Júnior, de Nabucodonosor (pseud. do autor António Augusto Teixeira de Vasconcelos), de Cândido Gomes, de Casimiro de Abreu, de Luís Osório, de Alberto Pimentel, Li-li (pseud.) e Nemo (pseud.).

O periódico Gente Nova foi publicado em fevereiro de 1913, um número único comemorativo do Primeiro Aniversário da Caixa Escolar do Liceu do Funchal, sendo o seu diretor Nóbrega Quintal. Sendo propriedade da Caixa Escolar do Liceu do Funchal, esta publicação reúne produções de Nóbrega Quintal (“As Senhoras”, soneto recitado no Sarau, no dia 3 de fevereiro de 1913, pelo estudante e amigo Álvaro Ladislau de Freitas), de Eugénia Rego Pereira (“Recuerdos”), de Jaime Câmara (“Águias Feridas”), de Manuel Ribeiro (“Os Livros”, dedicado à Academia Funchalense) e de João Cabral do Nascimento (“Um Engano”).

O periódico Alma Nova, de frequência quinzenal, publicado entre os meses de dezembro de 1913 e fevereiro de 1914, sendo os seus diretores Damião António Peres e Alexandre da Cunha Teles, o administrador António Trigo e os redatores Luís Vieira de Castro e José de Ornelas Monteiro. A sua existência na imprensa madeirense limitou-se a seis números. As secções dedicadas à literatura intitulam-se “Secção Literária” e “Página Literária” e reúnem produções de Horácio Pinheiro (o poema “A Mocidade”), de João Cabral do Nascimento (o poema “Incógnita”, “Valências do Sim”, “O Consocio da Lua”, excerto de um poemeto, e “O Tango”), de João Soares da Cruz (“Idílio”, dedicado ao seu amigo João Barata), de Osório Fernandes (“Avé-Maria”, “À Noite”), de Osório Alves de Araújo (“Bertha”, “Rosa”) e de Nóbrega Quintal (“Excerto dum Poemeto”, do seu Livro do Sonho).

Gente Nova, periódico académico de frequência quinzenal, foi publicado entre os meses de outubro de 1919 e março de 1920, com uma segunda série em fevereiro de 1921. A sede de redação e administração deste periódico situou-se na Rua Dr. Vieira (Rua da Carreira), sendo redator e administrador Henrique José da Sousa Machado, editor José Lino e redator Jaime de Oliveira. Este periódico reúne composições de João Reis (o poema “Balada da Saudade”, “A Sonhar”, “Lembranças da Velha Aldeia”, “Rústico”, “Um Beijo”), de José Duro (o poema “Cego”), de Álvaro Manso (“Soneto”, “Rondas”, “O meu Palácio Branco”), de António Vaz (“Soneto”, “Quem te manda?”), de Daniel da Costa (“Soneto”, “Os teus Cabelos”, “Bom Pagamento”, “A Ilha dos Intrusos”, “Ao Novo Ano”, “O Fim do Mundo”), de António Nobre (“Soneto”), de Horácio Bento (“Impressões Coloridas”) e de Manuel F. Rosa (“História em Páginas Soltas”).

O periódico Atlante (antigo periódico Os Novos) foi uma publicação académica de frequência quinzenal, publicada em maio e dezembro de 1920, sendo seus diretores António Beirão, Horácio Bento, Álvaro Favila e Octávio Marialva, editor José Maria da Conceição Carvalho e redatores os professores Manuel F. Rosa e Carlos N. Lopes. O Atlante afirma-se como um periódico que luta pela liberdade intelectual e pela verdade contra a inferioridade moral, assumindo-se como um jornal combativo e apolítico. Neste sentido, impõe-se como “um grito formidável e vivificante de independência e de verdade, de sinceridade e de altivez, neste ambiente torpe, maléfico e hipócrita […] um caminho de crítica, de verdade e de honra” (Atlante, 1 maio 1920, 1).

O Atlante reúne composições de diversas personalidades que fazem parte do panorama cultural madeirense, desde Álvaro Manso (“Soneto”, “Milagre da Água”, “Halali da Loucura” e “Rondas”, dedicado a Albino de Menezes), Horácio Bento (“Aquela Brasileirita”, “Da minha Janela”, “Entardecer Agónico”, “Reminiscência: Inverno Trágico”, as crónicas “No Montado”, dedicada a António J. Barros de Freitas e “O Parque Encantado”), José Muralha, Daniel da Costa (“Métromania”, “Sonhando Verdades”, “Não tinha Nada”), Manuel F. Rosa (“Videntes da Beleza”, dedicado a Eduardo de Ascenção, e o soneto “A Azenha Abandonada”, a carta “À Morena dos meus Encantos”, “Sonho Romântico”, “Sonho Pagão”, “Bem-dição”, “O Jovem Rei-Senhor”), Antero de Quental (sonetos), Octávio Marialva (“Primavera Paga Veni Electa Mea”, “Depois da minha Morte”, “Em Louvor da Beleza: Virgo Fidelis”, “Perfume-Luz”, “Barcarola Estival da Beira-Mar”, dedicado a Horácio Bento), José Duro (“Neo-Mazeppa”), Gomes Leal (sonetos), Julieta B. de Mendonça (“Lygia”), Carlos Penalva (“Autos Profanos: Dulce”), Carlos Marinho Lopes (“Confidências”, “Antonieta”), Emília Costa Marques (a novela “Ilusões Perdidas”) e José Máximo (“Cavalgata dos Anões”).

Excluídos dos periódicos literários, estão os periódicos políticos, religiosos e noticiosos, por não tratarem com maior incidência a literatura. No entanto, é relevante salientar que a maioria dos periódicos madeirenses, do séc. XIX e primeira metade do séc. XX, têm na sua constituição alguns folhetins, pequenas secções ou colunas literárias.

Dos periódicos políticos destacam-se: A Flor do Oceano: Jornal Político, Litterario e Religioso (1860-1866), A Fusão: Jornal Político, Litterario e Commercial (1868), A Razão: Jornal Politico, Litterario e Religioso (1867-1874), O Amigo do Povo (1850-1853), O Debate: Liberal, Político, Manhoso, Religioso e Noticioso (1902), O Direito (1857-1911), O Fixe: Folha Mensal Literária, Humorística e Combativa (1928-1929), O Tempo: Órgão da União Republicana (1912-1913/1918), entre outros.

Dos periódicos religiosos destacam-se: A Cruz: Semanário Catholico (1901-1902), A Esperança: Órgão Catholico (1914), A Luz da Madrugada: Semanário Religioso, Noticioso e Litterario (1902), O Rebáte: Liberal Anti-Jesuítico, Religioso, Politico, Litterario, Scientifico, Noticioso, Commercial e Humorístico (1901-1902), Religião e Progresso: Jornal Religioso, Litterario, Político e Scientifico (1879-1880), entre outros.

Dos periódicos noticiosos e de anúncios destacam-se: A Atalaia: Folha Literária, Crítica, Económica, Artística e Política (1892-1893), A Aurora: Semanário Commercial, Agricola, Industrial, Scientifico e Litterario (1911), A Espora (1891-1892), A Imprensa (1862-1863), A Lucta (1896), Athenista: Órgão dos Empregados do Commercio (1913-1914), Brado d’Oeste (1909-1918), Diário da Madeira (1880-1940), Diário da Tarde: Folha Noticiosa, Commercial, Litteraria, Industrial e Agrícola (1881-1882), Diário de Notícias, Gazeta da Madeira: Publicação Política, Litteraria, Artística e Commercial (1866-1869), Heraldo da Madeira (1904-1915), O Funchalense (1859-1861/1886), O Paquete (1874-1876), O Réclame: Jornal de Anúncios (1889-1891), entre outros.

Bibliog.: A Grinalda Madeirense, 14 mar. 1880, p. 1; ACCIAIOLI, Carlos, “Os Sinos do Mosteiro”, O Crepúsculo, 15 fev. 1865, p. 2; Archivo Litterario, 15 abr. 1863, p. 1; Atlante, 1 maio 1920, p. 1; JÚNIOR, Diogo Berenguer, “Introdução”, A Aurora do Domingo, 5 jan. 1862, pp. 2-3; MENEZES, José de Bettencourt da Câmara e, “Introdução”, O Crepúsculo, 15 fev. 1865, p. 1; Id., “Um Grémio Litterario”, O Crepúsculo, 28 fev. 1865, p. 9; O Académico, 1 dez. 1884, pp. 1-2; O Recreio, 1 maio 1863, p. 1; ORNELAS, José Augusto, “Carta aos Directores do Crepúsculo”, O Crepúsculo, 15 maio 1865, pp. 52-53.

 Fernanda de Castro

(atualizado a 11.08.2016)