pestana, alberto da veiga

O apelido “Pestana” provém de João Anes Pestana. Este viveu em Évora e era descendente de D. João Pestana, fidalgo que participou no cerco de Coimbra com D. Fernando, o Magno, onde foi armado cavaleiro juntamente com Rui Dias de Bivar, “El Cid”; também é descendente dos conquistadores e povoadores de Évora. O apelido teve continuidade por intermédio dos filhos que teve com Joana Anes.

Alberto da Veiga Pestana nasceu na freguesia da Sé, no Funchal, a 28 de novembro de 1890 e faleceu no Funchal, com 71 anos, a 11 de março de 1962. Era filho de João Pestana Santos e Carlota Amália Drummond da Veiga Pestana. Do seu segundo casamento com Maria da Graça Gonçalves Eiras de Veiga Pestana, teve um filho: João Carlos Eiras de Veiga Pestana.

Frequentou e concluiu o Curso Complementar de Letras dos liceus e o curso da Escola Industrial e Comercial de António Augusto de Aguiar no Funchal. Frequentou, sem concluir o curso, a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O comendador Alberto da Veiga Pestana foi oficial da Ordem de Benemerência pela Casa da Madeira em Lisboa, pelos serviços prestados àquela casa e junto dos madeirenses mais carenciados; e foi condecorado pelo governo do Brasil com o grau de cavaleiro da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

Alberto da Veiga Pestana desempenhou relevantes cargos políticos e culturais e esteve sempre envolvido em ações de solidariedade nos locais e instituições por onde passou e ocupou funções de destaque. Apaixonado pela música e vendo que o nível musical no Arquipélago da Madeira deveria e merecia ser desenvolvido, trabalhou dedicadamente com Luiz Peter Clode, William Edward Clode e o Visconde do Porto da Cruz para a realização da Sociedade de Concertos da Madeira, que viria a dar origem à Academia de Música da Madeira, elevando, como era desejado, o gosto pela muito apreciada arte da música e orientando os valores dispersos e desaproveitados até então.

Jornalista, publicista, tradutor público das línguas inglesa e francesa – por alvará de 6 de julho de 1932, emitido pela Câmara Municipal do Funchal –, comerciante e industrial, tem uma obra variada e de apreciado valor, quer no aspeto literário, quer como artista e especialmente como músico.

Durante cerca de 20 anos, desde 1 de julho de 1932, foi redator do Diário de Notícias do Funchal e representante deste mesmo órgão em Lisboa e S. Miguel, Açores. Dirigiu e foi proprietário do semanário Comércio do Funchal e colaborou, como redator correspondente, no Jornal de Notícias do Porto e no Lisbon Courrier de Lisboa.

Obras de Alberto da Veiga Pestana: “Uma Lenda Inconsistente. Alguns Episódios Ligados à História da Madeira” (1944); “Palestra Proferida pelo Diretor do Comércio do Funchal, Sr. Alberto da Veiga Pestana” (1945); “Marie Duplessis. Apontamentos Históricos Sobre o Afamado Romance A Dama das Camélias de A. Dumas” (1947); “Esforço Histórico Madeirense. Séculos XV, XVI, XVII, XVIII, XIX e XX. A Summary of Madeira´s History” (1949); “A César o que é de César: Legítima Defesa” (1954); “Aproximação Luso-Brasileira” (1957); Recordações e Confidências (1958).

Bibliog.: CLODE, Luiz Peter, Registo bio-bibliográfico de madeirenses: sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983; CRUZ, Visconde do Porto da, Notas e Comentários para a História Literária da Madeira, vol. III, Funchal, Câmara Municipal do Funchal, 1949; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Lda., s. d.; VIEIRA, Gilda França, FREITAS, António Aragão de, Madeira – investigação bibliográfica (catálogo onomástico), vol. I, Funchal, Centro de Apoio de Ciências Históricas, 1981.

António José Borges

(atualizado a 07.09.2016)