pestana, luiz da câmara

Luiz da Câmara Pestana nasceu a 28 de outubro de 1863, no Funchal, e viveu apenas 36 anos. Mas o seu nome ficou perpetuado no tempo. Em diversas localidades do país, Funchal, Lisboa, Porto, Sintra, Barreiro, Amora e Odivelas existem topónimos a homenagear Câmara Pestana, médico, investigador e pioneiro da bacteriologia em Portugal.

O ingresso na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, em 1884, abriu-lhe caminho para uma notável carreira na medicina e desde cedo evidenciou a sua dedicação aos trabalhos de laboratório, que o distinguiram na área.

Em 1891, Pestana foi escolhido para ir a Paris, estudar os então apregoados resultados da tuberculina de Koch. Aproveitou a oportunidade para aprofundar os seus conhecimentos, passando, entre outros, pelo Instituto Pasteur (onde aprendeu os processos para a vacina antirrábica) e pelo laboratório de Strauss (onde iniciou os trabalhos sobre as toxinas do tétano). A dedicação e o engenho do médico madeirense foram reconhecidos no seio da sociedade médica parisiense.

Regressou a Portugal com o currículo e o prestígio enriquecidos, que o levaram a conquistar o cargo de preparador de bacteriologia na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, de que veio também a ser um dos mais admirados e distintos professores.

Atento ao mérito de Câmara Pestana, o Governo Português encarregou-o de proceder à análise das águas em Lisboa, quando apareceu em 1892 uma epidemia nesta cidade. As circunstâncias levaram à criação do Instituto de Bacteriologia de Lisboa, de que o médico madeirense foi nomeado diretor, e que após a República passou a chamar-se Instituto Bacteriológico Câmara Pestana.

A dedicação ao laboratório, aliada ao conhecimento que acumulou na viagem a Paris, permitiu que Pestana se destacasse na luta contra as epidemias que assolavam o país, nomeadamente através da aplicação da vacina anti-rábica e do método terapêutico a que chamou Soroterapia.

Por ironia do destino, foi na luta pela vida dos que padeciam que encontrou a sua morte. Uma deslocação ao Porto, para procurar soluções para a peste Bubónica, foi a causa identificada para explicar a morte de Câmara Pestana, a 15 de novembro de 1899, já no hospital de Arroios, onde fora isolado depois de a doença se manifestar. “Matara-o o seu amor pela ciência e a sua dedicação pela humanidade” (SILVA e MENESES, I, 1998, 421).

Bibliog.: impressa: SILVA, Fernando Augusto e MENESES, Carlos Azevedo, Elucidário Madeirense, vol. I, Funchal, Secretaria Regional de Turismo e Cultura, 1998; digital: “Vidas lusófonas – Luiz da Câmara Pestana http://www.vidaslusofonas.pt/cpestana.htm (acedido a 10/02/2015).

Cátia Teles

Ana Rita Londral

(atualizado a 25.01.2016)