pita, antónio da luz

Por todo o trabalho efetuado na área da medicina, o doutor António da Luz Pita foi um dos mais respeitados e competentes profissionais na, então, chamada arte de curar.

Nasceu na vila da Ponta do Sol a 2 de setembro de 1802. Estudou em França, onde alcançou os graus de bacharel em letras (1826), bacharel em ciências físicas (1827) e doutoramento em medicina (1830) pela faculdade de Montpellier. Recebeu ainda o grau de doutor em cirurgia na faculdade de Paris (1831).

A formação e a dedicação à medicina e à cirurgia permitiram que António da Luz Pita adquirisse elevada estima e consideração e quando decidiu voltar à sua terra, foi de uma mais-valia incontestável. Exerceu várias comissões de serviço público na ilha da Madeira: delegado do cirurgião-mor do reino, por provisão régia de 4 de junho de 1835, foi provedor da saúde, nomeado interinamente em 23 de fevereiro de 1846, e confirmado por decreto de 4 de março do mesmo ano, e foi delegado do Conselho de Saúde Pública do Reino desde 20 de junho de 1846.

No século XIX, devido à escassez de médicos habilitados, era prática corrente o uso de mezinhas e o recurso a curandeiros, que provocava um número crescente e preocupante de mortes, na tentativa frustrada de curar os doentes. Entre várias experiências para solucionar este problema, surgiu a Escola Médico-Cirúrgica do Funchal. António da Luz Pita, que já era médio principal do Hospital da Misericórdia do Funchal, foi indicado para o magistério e para a direção do novo instituto de ensino superior, que formou novos médicos no Funchal.

Pita possuía o grau de cavaleiro da ordem de Nossa Senhora da Conceição e a comenda da Ordem de Cristo concedida, segundo os registos, em remuneração de serviços importantes e arriscados, que prestou em 1856, quando a cólera-morbus invadiu pela primeira vez a ilha da Madeira: “Solicitando do governo central os mais imediatos e urgentes socorros, partiu sem demora para a Madeira, no vapor de guerra «Mindelo», a ocupar o seu lugar de delegado de saúde, acompanhado de alguns médicos e enfermeiros, sendo também o portador de uma grande copia de medicamentos, de muitas roupas, leitos, enxergas, etc., além do crédito extraordinário de seis contos de reis, destinado a ocorrer as primeiras despesas com a montagem dos serviços clínicos e hospitalares” (SILVA e MENESES, Elucidário, I, 148).

Foi um dos principais impulsionadores na fundação do Hospício da Princesa D. Maria Amélia e um dos primeiros médicos daquele hospital de tuberculosos, o primeiro estabelecimento português construído para a luta contra a tuberculose, com internamento de doentes.

Mas António da Luz Pita não se limitou à medicina. Representou a Madeira no parlamento em várias legislaturas, procurando defender com a maior dedicação os interesses do arquipélago e, na política, chegou também a presidente da Câmara do Funchal.

A dedicação ao ofício, sendo um dos mais respeitados docentes da Escola Médico-Cirúrgica do Funchal, e à ilha foi uma constante na vida do médico, que faleceu no Funchal em 1870.

Bibliog.: SILVA, Fernando Augusto, A Antiga Escola Médico Cirúrgica do Funchal, 1945; SILVA, Fernando Augusto e MENESES, Carlos Azevedo, Elucidário Madeirense, vol. III; Portugal, Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, vol. IV, p. 600.

Ana Rita Londral

 Cátia Teles

(atualizado a 22.07.2016)