porto da cruz – passeio pela freguesia

Ao percorrer os casais circunvizinhos da vila do Porto da Cruz fazemo-nos acompanhar pelo verde dos campos, pelas atividades relacionadas com a agricultura e pelo imaculado branco dos solares e das capelas. Na Referta, o Solar erigido por Manuel Telo Moniz de Menezes e no Lombo dos Leais, o que foi propriedade de Alfredo Vasconcelos de Freitas Branco, Visconde do Porto da Cruz e incontornável personagem madeirense, como o Borracheiro, monumentalizado por Jacinto Basílio, um artista e um género de novo artesão, por onde também passamos. Ainda na Cruz da Guarda, recebe-nos na sua pequena oficina o Srº José de Freitas Vieira rodeado de colheres de pau, rapadores de porcos e pelos mexelhotes (“caralhinhos”) com que se faz a poncha. A caminho da imponente Penha d’Águia, onde cruzamo-nos com a lenda de D. Sebastião, paramos no Aqueduto do Serrado e já na Terra Baptista, vamos conhecer a Levada do Castelejo, mote para descobrir a grandiosidade dos canais de rega da ilha.

 

 

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Solar da Referta
Solar da Referta

Solar da Referta

Erigido em 1770 por Manuel Telo Moniz de Menezes, membro pertencente a uma das famílias aristocráticas do Porto da Cruz, oferece soberba panorâmica sobre a vila. Destaque para a capela contígua, inicialmente dedicada a S. Brás, depois a Nº Sr.ª de Belém, e actualmente a Nª Sr.ª do Socorro.

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Aqueduto
Aqueduto

Aqueduto

Das serranias recolhia-se a água necessária aos campos de cultivo e à subsistência. O seu transporte até aos agregados populacionais era realizado através de levadas, mandadas construir por privados, portugueses e ingleses, e pelo sector público. Esta marca na paisagem, com os seus canais em territórios abertos, os túneis e os aquedutos, deixou-nos aqui um exemplo neste belo aqueduto em que o emprego de cantaria vermelha lhe confere nobreza e dignidade.

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Levada do Castelejo
Levada do Castelejo

Levada do Castelejo

Com origem no Ribeiro Frio e com passagem pelo sítio da Terra Baptista (onde se deve iniciar o seu percurso). Atravessando serras e vales, é um exemplo das estruturas construídas pelo Homem na ilha para suprir a escassez de água nas zonas habitadas. O seu percurso proporciona vistas soberbas sobre o território humanizado, como os campos cultivados com o famoso vinho “americano”, e a paisagem natural, onde se pode observar as espécies de flora indígena. A entrada faz-se pelo Caminho da Terra Baptista, seguindo depois pelo Caminho do Moinho.

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Penha d'Águia
Penha d’Águia

Penha d’Aguia (percurso pedestre)

Com início no Sítio da Cruz (Caminho da Cruz), este percurso pedestre (duração aproximada de 2 horas), que requer alguma atenção em termos de segurança, leva-nos ao cimo da Penha d’ Águia, de onde dos seus 590 m nos deliciamos com a vista sobre o Porto da Cruz e povoações vizinhas. Sobre a Penha d’ Águia reza a lenda que a espada de D. Sebastião, aqui cravada por um “génio”, aguarda por um homem forte para se desprender da terra.

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Solar do Lombo dos Leais
Solar do Lombo dos Leais

Solar do Lombo dos Leais

Este edifício senhorial, construído no início do século XVII, é constituído por um corpo principal de dois pisos e uma construção anexa, actualmente em ruínas. O edifício principal é construído em alvenaria de pedra rebocada e tem uma cobertura de quatro águas em telha de meia-cana com duplo beiral. A sua importância histórica é reforçada pelo facto de ter sido residência dos viscondes do Porto da Cruz. Um dos seus titulares, de seu nome Alfredo António de Castro Teles de Meneses de Vasconcelos de Bettencourt de Freitas Branco (1890 – 1962), foi uma importante figura do estudo etnográfico e das letras da Madeira.

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"O Borracheiro"
“O Borracheiro”

“O Borracheiro”

Escultura de Jacinto Rodrigues alusiva ao Borracheiro, uma das principais figuras da etnografia do Porto da Cruz. Através de veredas e levadas, transportavam o vinho produzido na freguesia até à costa Sul, numa distância de 20 Km. O néctar era acondicionado em sacos de 70 litros feitos de pele de Cabra, conhecido como Borrachos, do qual deriva o nome que se deu ao transportador. Estes utilizavam o Búzio, com o qual produziam os sons com que se faziam anunciar.

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Peças de Jacinto Rodrigues
Peças de Jacinto Rodrigues

Artesão Jacinto Rodrigues

Jacinto Rodrigues é o exemplo da possibilidade de reinvenção da tradição e adequação à contemporaneidade. Para além de esculturas, as quais se encontram presentes um pouco por todos os concelhos da Madeira, Jacinto Rodrigues constrói diversas peças em Madeira, motivos decorativos e mobiliário. Neste espaço pode vê-lo trabalhar e pode inteirar-se das peças produzidas. Por outro lado, pode verificar a conjugação efectiva entre duas práticas do trabalho manual, e que caracterizam o meio rural: o trabalho artesanal e a agricultura, ambas praticadas por Jacinto. Segundo ele, a agricultura proporciona-lhe momentos de descontracção intelectual.

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Artesão José de Freitas Vieira
Artesão José de Freitas Vieira

Artesão José de Freitas Vieira

Artesão há mais de 20 anos, José de Freitas Vieira é uma das figuras mais conhecidas na ilha no que concerne aos trabalhos realizados em madeira. Na sua pequena loja é possível observá-lo a trabalhar, enquanto bebericamos um vinho americano ou uma aguardente de cana produzidos pelo próprio, e podemos constatar as peças produzidas, como o tão conhecido mexelhote (peça em Madeira utilizada para misturar os ingredientes com que se faz a “Poncha”), colheres de pau, arcos de rapar porcos, cabos de enxada, artefactos de decoração ou “o jogador” (utensílio utilizado para dar o primeiro golpe na matança das vacas. Cada peça é acompanhada por uma história.

 

 

Textos © César Rodrigues

Fotos © Rui A. Camacho