porto da cruz – pelo centro da vila

Este roteiro convida a um passeio a pé pelo centro da vila. Estes passos em volta guiam-nos entre o sagrado e o profano, no registo que é próprio do Porto da Cruz. Passamos pela Igreja Matriz, desenhada pelo arquitecto Chorão Ramalho, mostra-nos os quadros da Via-sacra, da autoria de João Gomes Lemos, natural da freguesia. No engenho, que ainda hoje labora, explica-nos a azáfama que marcava a vida da vila e de todo o Porto da Cruz nos meses da safra da cana-sacarina. Percorremos o Caminho do cais, e de curso subimos ao fortim, onde ficamos a conhecer a paisagem e a história da vila. Junto ao cais chama-nos a atenção para as rochas, as grutas, utilizadas como armazéns, e conta-nos a lenda da furna do negro. Passámos pelo centro histórico, onde nos esclarece sobre a epopeia do vinho, a produção, o armazenamento e o transporte para o Funchal. Segue-se o Solar do antigo engenho e, por último, a Associação Flores de Maio, para nos dar acesso à tradição, ao Charamba e muito mais.

 

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Associação Flores de Maio
Associação Flores de Maio

Associação Flores de Maio

A Associação Flores de Maio é a grande entidade cultural do Porto da Cruz. Na sua sede é possível ver alguns instrumentos tradicionais madeirenses, assistir a vídeos, ver fotografias sobre o património e mesmo assistir a alguns ensaios de música tradicional.

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Solar e ruínas do engenho
Solar e ruínas do engenho

Solar e ruínas do Engenho

O Solar do Engenho e as ruínas do antigo engenho de cana-de-açúcar, edificado no final do século XVIII. Pode observar-se a imponente chaminé que estoicamente subsiste. Esta é construída em alvenaria de pedra basáltica apresentando ainda vestígios de argamassa de cal. Ali foi filmada parte da célebre série televisiva dos anos 80, Manuel na ilha das Maravilhas, produzida por Raul Ruiz.

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Armazéns de vinho
Armazéns de vinho

Centro histórico do Porto da Cruz: armazéns de vinho

Se nos territórios do sul se produz o internacionalmente afamado vinho Madeira, as terras do norte são a origem da maior parte do vinho consumido pela população da ilha, conhecido localmente como “vinho seco”. Do Porto da Cruz é originário o vinho “americano”, um dos mais afamados vinhos deste tipo. Nestes armazéns armazenava-se o vinho antes de ser transportado de barco para a cidade do Funchal.

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Praça do Peixe
Praça do Peixe

Centro histórico do Porto da Cruz: praça do peixe

Construído no início do séc. XX, é constituído por dois corpos independentes, um de planta rectangular e outro de planta quadrangular. O principal, erguido em alvenaria rebocada a cal apresenta duas portas viradas a Sul e uma porta virada a Norte com molduras de cantaria rija, possuindo cobertura de quatro águas em telha de meia cana. O outro é constituído por quatro pilares de cantaria cinzenta, feitos num único bloco, que suportavam um telhado de quatro águas em telha de meia cana. A antiga praça é rodeada por um muro em alvenaria que na parte Oeste dá lugar a uma balaustrada. O chão é calcetado com o tradicional calhau rolado do mar.

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Furna do Negro
Furna do Negro

Furna do Negro

Ponto de interesse geológico, dado que é possível observar a estratigrafia da matéria vulcânica. Noutro sentido, as grutas presente em parte da encosta que ladeia o caminho, fornecem um exemplo do modo como o Homem usou o meio natural para as suas actividades na ilha. Para além de terem sido usadas como residência pela população mais pobre, ainda hoje são utilizadas para servirem de currais para os animais. Segundo tradição oral, foram utilizadas como cadeia.

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Fortim do Pico
Fortim do Pico

Fortim do Pico

Para se protegerem dos ataques de corsários, a população fortificou a costa com pontos de vigia e de defesa. Neste pico havia um forte mandado erguer pelo Governador do Arquipélago da Madeira Duarte Sodré Pereira, nos finais do Séc. XVIII. Estas bonitas ruínas são o que resta da casa da guarda e residência do Contestável do Forte. A subida do pico, até às ruínas, é compensada pela bonita vista da Vila do Porto da Cruz, donde podemos apreciar o casario e os campos de cultivo.

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Engenho do porto da Cruz
Engenho do porto da Cruz

Engenho do Porto da Cruz

Construído no ano de 1927, é propriedade da Companhia dos Engenhos do Norte. Constitui um belo exemplar da época em que o Porto da Cruz possuía vários engenhos ligados à produção da cana-de-açúcar. Em excelente estado de conservação, labora ainda nos dias de hoje com as máquinas a vapor originais. Encontra-se aberto para visitas entre a Segunda-feira e Sábados, das 8 às 17 horas.

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Igreja Paroquial
Igreja Paroquial

Igreja Paroquial

Sendo de construção recente (1958), a Igreja matriz alberga no seu interior alguns pormenores muito interessantes no que respeita ao património imaterial e móvel. No interior, observa-se um moderno lambril de azulejos com padrões do prestigiado artista Querubim Lapa. O templo guarda ainda alguns elementos decorativos barrocos provenientes da antiga igreja de Nossa Senhora de Guadalupe. Uma Nossa Senhora de Guadalupe (séc. XVI ou XVII, em madeira policromada) e um Santo António (em terracota). Os quadros da Via-sacra são de autoria de João Gomes Lemos, de pseudónimo “Melos”, médico natural da freguesia. É uma obra do Arquitecto Raul Chorão Ramalho.

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Textos © César Rodrigues

Fotos © Rui A. Camacho