porto santo – visita pela ilha

Quando a ilha era assaltada por corsários a população sofria agruras lancinantes. Do conjunto destes episódios consta um particularmente penoso. No ano de 1617 os corsários assassinaram todos os homens que apanharam e raptaram a maioria das mulheres. Dessa vez não valeu à população o castelo construído no cimo pico mais alto, no século XVI. Nos dias felizes a vida era marcada pelo movimento das velas dos moinhos de vento, pelos campos de trigo e pela azáfama nas eiras. Se o vento era bem-vindo no caso dos moinhos para os campos de cultivo não era tão amistoso, tendo por isso surgido a solução única dos muros rendilhados. Já o perfil baixo da ilha mantinha-se constante, recortado pela cobertura de salão nas casas, também experimentado pelo arquitecto Chorão Ramalho na Escola Secundária portosantense. Mas claro que outro dos pontos obrigatórios de visita no Porto Santo é o museu do “Cardina”, bem como os miradouros e formações rochosas dos picos da ilha, como o Ana Ferreira.

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Pico Castelo
Pico Castelo

Pico Castelo

No topo de uma colina com 430 metros, o Pico Castelo foi o abrigo da população durante os ataques dos piratas. Aqui podemos encontrar as ruínas de uma fortaleza datada do século XVI, construída após o primeiro ataque, perpetrado por corsários espanhóis em 1470. O Pico Castelo continua a ser uma das visitas obrigatórias na ilha, não só pelo significado histórico do sítio, mas também pela fantástica vista do Porto Santo que proporciona. Encontramos ainda o busto de Schiappa de Azevedo, impulsionador da arborização da pequena montanha já no século XX.

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Fonte da Areia. Fonte: geodiversidade.madeira.gov.pt
Fonte da Areia. Fonte: geodiversidade.madeira.gov.pt

Fonte da Areia

O Porto Santo apresenta características únicas no que a formações geológicas diz respeito, algo facilmente observável dada a natureza árida dos seus terrenos. Na Fonte da Areia pode observar as fabulosas esculturas naturais elaboradas nas escarpas arenosas pelos ventos de tempestades sopradas do atlântico e um fontanário construído datado de 1843.

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José Cardina
José Cardina

Museu do Cardina

O museu é o resultado de uma paixão pessoal de José Cardina. Fascinado pelos artefactos do passado do Porto Santo, Cardina não só os coleccionou, como também fez bonitos modelos de ferramentas de artesãos à escala de 1:5. Também concebeu maquetes de muitos dos fontanários de água natural existentes na ilha – preservando a completa figura daqueles negligenciados e deixados cair na degradação. O próprio museu tem uma forma octogonal, construído num moinho de vento de tamanho real, do género dos que existiam por toda a ilha. Em nichos à volta das paredes irá encontrar ferramentas antigas e alfaias agrícolas e os modelos estão alinhados de forma similar num andar mezanino. Cardina, só ele próprio, preservou um aspecto do Porto Santo há muito tempo ignorado, no preciso momento, antes que muito se tivesse perdido para sempre. Aberto às Quartas-feiras das 10.30-18.30 horas, de Quinta-feira a Sábado das 10.30 às 12.30 horas e das 14.30 às 18.30 horas. Encerrado nos feriados. (Fonte: porto-santo.com).

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Moinho de Vento
Moinho de Vento

Moinho de Vento

O relevo baixo da paisagem do Porto Santo tornaram esta ilha muito propícia ao uso do vento como força motriz. Dado este facto, os moinhos tornaram-se uma marca da ilha, sendo utilizados para a moagem de cereais, cultura que teve importância fulcral na economia local. O primeiro moinho de vento data de 1794, a obra mais significativa construída no Porto Santo durante todo o século XVIII. Foi o primeiro de muitos, alguns dos quais ainda em funcionamento hoje em dia.

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Casas de Salão
Casas de Salão

Casas de Salão

Quase inexistentes, as designadas “Casas de Salão” são a prova da capacidade de adaptação da humanidade às condições dos locais habitados, bem como um exemplo perfeito do uso dos recursos naturais disponibilizados. As “Casas de Salão”, construídas com materiais da ilha, têm como característica singular o facto de no telhado ser utilizado uma cobertura de barro, de composição arenosa. Para além de absorver as raras chuvas da ilha no Inverno, transformando o material numa capa esponjosa e impenetrável, tornavam as casas frescas no Verão. É de realçar que Chorão Ramalho, um dos principais arquitectos portugueses a projectar na Madeira, terá recorrido a este material numa das suas obras.

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Formações rochosas no Pico de Ana Ferreira
Formações rochosas no Pico de Ana Ferreira

Pico de Ana Ferreira

Ponto mais alto da metade Ocidental do Porto Santo, situando-se 283 metros acima do nível do mar. Aqui podemos encontrar formações vulcânicas criadas há milhares de anos, conhecidas por colunas prismáticas. Os fósseis de caracóis, bem como as grutas aqui encontradas, são outras curiosidades que merecem referência.

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Zimbralinho
Zimbralinho

Zimbralinho

Este pequeno porto de abrigo com águas cristalinas está intimamente relacionado com a História do Porto Santo, uma vez que se supõe que terá sido aqui que, pela primeira vez, desembarcaram os descobridores do Porto Santo, Gonçalves Zarco juntamente com as suas tropas, no ano de 1418.

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Grupo Folclórico do Porto Santo
Grupo Folclórico do Porto Santo

Grupo Folclórico do Porto Santo

Fundado em 1963, pelo Padre Martins Júnior e alguns paroquianos, estreou-se nesse mesmo ano. Os seus trajes, que remontam aos séculos XVIII e XIX, caracterizam-se pelas cores sóbrias e pelo recurso aos materiais da ilha, como o linho da terra, estopa, lã e seriguilha. Como instrumentos usam, por exemplo, o violino, o rajão, e a viola de arame, instrumento característico da ilha. O Baile da Meia Volta, com propriedades únicas no folclore português, é uma das suas referências.

Textos: César Rodrigues

Fotos: Rui A. Camacho