psicologia (na universidade da madeira)

A 26 de março de 2004, por deliberação do Conselho da Universidade da Madeira (UMa), foi criado o Departamento de Psicologia e Estudos Humanísticos (DPEH), decisão mais tarde ratificada em Senado Universitário a 7 de maio de 2004. Este Departamento, tal como o seu nome indica, compreendia duas áreas disciplinares: os Estudos Humanísticos e a Psicologia. No que diz respeito à área da Psicologia, a criação do Departamento teve como objetivo, entre outros, capitalizar e rentabilizar a área da Psicologia, tornando-a uma área mais estruturante e de investigação fundamental, com vista à sua aplicação nas áreas política, social, organizacional, artística e de apoio individual. Até esta data os docentes da área da Psicologia da UMa estavam integrados no Departamento de Ciências da Educação, a lecionar as disciplinas dos cursos da área da Educação.

Na senda do projeto de criação do DPEH e dadas as necessidades detetadas nas instituições da RAM, a 28 de janeiro de 2004, por deliberação do Senado Universitário da UMa, foi criado o curso de Psicologia (Deliberação n.º 892/2004). Este estava estruturado em cinco anos letivos, sendo os três primeiros anos um tronco comum e os dois últimos de especialização numa das seguintes áreas de intervenção: Psicologia de Desenvolvimento Social e Comunitário, Psicologia Clínica, Psicologia de Orientação Escolar e Vocacional.

Os três primeiros anos, seis semestres curriculares, eram compostos por um total de 30 disciplinas de diferentes áreas disciplinares: Psicologia, Estatística, Biologia, Cultura, Expressão e Comunicação e Informática. Estas disciplinas davam um suporte teórico que servia de base para a compreensão e reflexão da intervenção em Psicologia. Os dois últimos anos, quatro semestres curriculares, eram de especialização e as 18 unidades curriculares (UCs) que o compunham eram quase na totalidade da área da Psicologia, existindo, no último ano, um estágio curricular que decorria durante todo o ano letivo. Os estágios eram realizados em instituições da RAM em estreita articulação com a UMa, como foram o caso de diferentes Centros e Casas de Saúde (Câmara Pestana e S. João de Deus) e do Centro de Reabilitação da Sagrada Família.

Este plano curricular da licenciatura entrou em funcionamento no ano letivo de 2004-2005 e teve três edições. Por decisão da comissão científica do DPEH, a 11 de maio de 2006, abre apenas o ramo de especialidade de Psicologia Clínica, que funcionou numa única edição (dois anos letivos: 2007-2008 e 2008-2009), terminando em junho de 2009.

Em 2004, para além do curso de Psicologia, foram também aprovadas, a 24 de março de 2004, pelo Senado Universitário da UMa (Deliberação n.º 909/2004), as diversas áreas de Doutoramento no ramo de Psicologia com as seguintes especialidades: Psicologia Geral, Psicologia Social, Orientação Vocacional e Profissional, Psicologia da Educação, Psicologia Clínica, Psicoterapias, Avaliação Psicológica.

O grupo de docentes de Psicologia, para além de lecionar na licenciatura da sua área, continuou a prestar apoio às licenciaturas da área da Educação: Educação de Infância, Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, Ciências da Educação, Educação Sénior, Licenciaturas via ensino de diferentes áreas (Educação Física e Desporto, Matemática, Química, etc.) e Profissionalização em Serviço. Da mesma forma, apoiaram as das áreas da saúde (Medicina e Enfermagem) e de Serviço Social.

Em 2007, a UMa procede à reorganização da sua oferta educativa de acordo com o Processo de Bolonha, legislado em Portugal no Decreto-Lei n.º 49/2005, de 30 de agosto, que estrutura o ensino superior em três ciclos. Na área da Psicologia, foram igualmente propostos três ciclos: um 1.º ciclo, designado por licenciatura em Psicologia, com seis semestres curriculares de trabalho; um 2.º ciclo, designado por mestrado, na área de Psicologia da Educação, que compreende quatro semestres curriculares; e um 3.º ciclo em Psicologia, sem parte curricular.

O 1.º ciclo (Retificação n.º 1509/2008) englobava um total de 24 UCs, com um peso de 7,5 ECTS cada, das quais 18 eram da área da Psicologia. Este ciclo de estudos, de caráter generalista, tinha como objetivo desenvolver competências de conhecimento dos processos psicológicos básicos, dos processos de investigação, dos processos de avaliação e de intervenção psicológica. Com ele, não se pretendia preparar os estudantes para o exercício da profissão, mas sim capacitá-los para a frequência de outro ciclo de estudos aprofundado em qualquer uma das áreas da Psicologia: Clínica, Educacional ou Social e das Organizações.

O 2.º ciclo em Psicologia da Educação pretendia preparar os indivíduos para a inserção na prática profissional, através do desenvolvimento de competências na área da criação de Produtos e Serviços Psicológicos, em dois eixos essenciais: a avaliação psicológica – diagnóstico e peritagem – e a intervenção psicológica – prevenção, tratamento e reabilitação. Era composto por 10 UCs, maioritariamente da área da psicologia, distribuídas ao longo de 4 semestres. Os dois primeiros semestres, ou seja, o 1.º ano, contava com 8 unidades curriculares dedicadas à aquisição de um corpo de conhecimentos específico da área, a nível da metodologia da investigação, da conceptualização teórica, da avaliação e da intervenção na área da Psicologia da Educação. Os dois últimos semestres, o 2.º ano, eram de aproximação ao exercício da profissão, com um estágio curricular anual, e de desenvolvimento de competências de investigação, com a elaboração e defesa pública de uma dissertação de Mestrado na área da Psicologia da Educação.

Os estágios, com a duração de 580 h, realizaram-se em diversas instituições da RAM, abrangendo vários contextos educativos e diferentes fases do desenvolvimento, como sejam as instituições ligadas ao Ensino Formal (Escolas do 2.º e 3.º ciclos da RAM), ao Ensino Especializado (Centros de Apoio Psicopedagógico – onde se realiza o apoio dos psicólogos da Secretaria Regional da Educação às Escolas do 1.º Ciclo com Pré da RAM e a Intervenção Precoce – e Centros de Atividades Ocupacionais), ao Ensino Profissional (como a Escola Cristóvão Colombo e a Escola Francisco Fernandes), as instituições de Reinserção Social (como o Centro Educativo da Madeira ou o Estabelecimento Prisional do Funchal) e os Lares de Idosos. No âmbito do Mestrado em Psicologia da Educação, foram apresentadas e defendidas, até ao início de 2015, 62 dissertações, abrangendo diversas áreas e diferentes temáticas.

O 3.º ciclo em Psicologia (DR, 23 fev. 2010) teve como objetivos desenvolver competências de aprofundamento teórico e de investigação. O curso de Doutoramento era organizado em 180 ECTS da área de Psicologia, correspondentes à realização de uma tese original nessa área, e estava estruturado nas seguintes especialidades: Psicologia Geral, Psicologia Social, Orientação Vocacional e Profissional, Psicologia da Educação, Psicologia Clínica, Psicoterapias e Avaliação Psicológica. Até 2015, foram apresentadas e defendidas cinco dissertações de Doutoramento, abrangendo diversas áreas e diferentes temáticas: Psicologia Clínica, Psicologia da Educação e Psicologia Geral.

Na área da Psicologia foram também promovidas algumas pós-graduações: entre 2009 e 2011, funcionou o curso de Arte-Terapia, em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia. Entre 2009 e 2011, decorreu a pós-graduação em Intervenção Sistémica e Terapia Familiar e, entre 2011 e 2013, o curso de especialização em Terapia Familiar e Intervenção Sistémica, tendo estas duas últimas resultado de uma parceria com a Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar.

A pós-graduação em Arte-Terapia era uma formação de nível I de Arte-Tepareutas Institucionais, sob Supervisão, e tinha como objetivo o desenvolvimento pessoal através da Arte-Terapia, fornecendo o aporte teórico e prático para este tipo de intervenção. Assim, pretendia, através das ações de formação, estimular o desenvolvimento do autoconhecimento, do imaginário e da criatividade através das Artes. Esta pós-graduação tinha a duração de cerca de 500 h e o 1.º ano, 1.º nível, compreendeu diversas atividades: Grupos de Reflexão, Grupos de Arte-Terapia Psico-Educacional ou Experimentais, Ateliês de Arte-Terapia Vivencial, Ateliês de Artes Plásticas e Workshops Temáticos. No 2.º ano, 1.º nível, as atividades centraram-se à volta de: Dinâmicas de Grupos de Arte-Terapia, Facilitação de um Grupo Institucional de Arte-Terapia e Grupos de Supervisão.

A pós-graduação em Intervenção Sistémica e Terapia Familiar tinha a duração de 360 h, 60 h correspondentes a um curso de sensibilização à intervenção sistémica e familiar e 300 h a uma formação em intervenção sistémica e familiar. Esta pós-graduação procurou desenvolver uma postura epistemológica consonante com os princípios da Sistémica, a promoção de competências teóricas no domínio das diferentes escolas ou modelos de terapia familiar e de intervenção sistémica, a formação pessoal e a potenciação de trabalho sistémico (clínico ou outro) no quadro profissional ou extraprofissional dos formandos. A formação era dividida em três módulos: Escolas e Modelos de Terapia Familiar e de Intervenção Sistémica, Formação Pessoal e Prática do Trabalho Sistémico, Formação Clínica.

O curso de Especialização em Terapia Familiar e Intervenção Sistémica teve como objetivo a especialização de profissionais na intervenção sistémica e familiar através da supervisão de casos. Pretendia-se que os formandos, através da prática supervisionada de intervenção sistémica com famílias e redes e de uma análise e reflexão sistemáticas desta mesma prática, desenvolvessem competências específicas de terapia familiar e intervenção sistémica, adquirissem maior capacidade de reflexão e questionamento sobre a sua prática de intervenção com famílias, redes e grupos sociais e construíssem a sua própria identidade enquanto terapeutas familiares e sistémicos.

Integrado no DPEH, existiu também um serviço de prestação de serviços à comunidade, o Gabinete de Psicologia Aplicada, cuja finalidade era o desenvolvimento de projetos de prestação de serviços à comunidade.

Em novembro de 2009, e por despacho reitoral, foi criado o Serviço de Consulta Psicológica da UMa (SCP-UMa), na dependência da reitoria. Este serviço tem como propósito promover o desenvolvimento pessoal e o bem-estar psicológico dos estudantes e funcionários da Academia, bem como da restante comunidade da RAM. Em 2014-2015, este serviço realizava por ano, em média, 700 atendimentos, sendo que 50% deles se destinava a estudantes universitários.

No âmbito da intervenção com os estudantes universitários, a sua principal população alvo, destacam-se: a implementação do Programa de Tutoria de Pares, no ano letivo 2012-2013, que visa a adaptação do estudante à Universidade e sua inserção na mesma; a realização de grupos de treino de competências de estudo, o Grupo Eficaz no Estudo; a dinamização de atividades de promoção da integração/adaptação otimizada de estudantes em programas de mobilidade; a dinamização de iniciativas de promoção de Saúde Mental e Bem-Estar Psicológico, como Mensagens pela UMA; a realização de dias abertos, a par de disponibilização de material de autoajuda e de uma newsletter digital.

Este serviço desenvolve ainda outros projetos: a) ao nível da biblioterapia, com vários grupos alvo, tida também como um adjuvante importante da prática clínica; b) de promoção do capital psicológico junto dos funcionários da Academia, no sentido da promoção do bem-estar e gestão de stress; c) de desenvolvimento de competências pessoais e sociais destinados a utentes do Centro de Porta Amiga.

Integrado nas atividades da Associação de Estudantes da UMa, foi constituído, em 2008, o Núcleo de Estudantes de Psicologia da UMa (NEPUMa). Este núcleo permite aos estudantes partilharem entre si informações sobre os cursos, bem como artigos (científicos e outros), divulgarem sítios na internet de interesse na área da Psicologia e organizarem convívios e encontros científicos (workshops, seminários, conferências, etc.).

Bibliog.: Decreto-lei n.º 49/2005, de 30 de agosto; Decreto-lei n.º 74/2006, de 24 de março; Deliberação n.º 909/2004, de 24 de março; Deliberação n.º 892/2004, de 26 de junho; Despacho n.º 22030-N/2007, de 19 de setembro; Despacho n.º 22030-N/2007, de 26 de setembro; Despacho n.º 752/2008, de 7 de janeiro; Despacho n.º 3377/2010, de 23 de fevereiro; Regulamento n.º 23/2004, de 14 de junho; Retificação n.º 1509/2008, de 4 de julho.

Glória Franco

(atualizado a 18.02.2016)