silva, antónio alves da

António Alves da Silva nasceu na Madeira, em Santa Maria Maior, a 13 de setembro de 1822. Cedo mostrou vocação e talento para a medicina e para as letras.

Frequentou o curso de Medicina da Universidade de Coimbra, mas foi obrigado a interrompê-lo no quarto ano, em 1846, devido aos acontecimentos políticos que então se deram no país (Revolta da Maria da Fonte e a Patuleia). Alves da Silva foi, então, concluir o seu doutoramento em Paris. Tanto em Coimbra, onde obteve prémios todos os anos, como em França, deu provas da sua inteligência e de capacidades notáveis de trabalho, que lhe valeram a admiração e a estima de todos os professores e alunos com quem trabalhou.

A 29 de dezembro de 1848, tornou-se Doutor na Faculdade de Medicina de Paris, com uma tese sobre a febre tifoide. Recebeu uma bolsa de mérito da universidade para a conclusão do grau de Doutor, devido ao reconhecimento do seu talento manifestado durante o curso.

Logo depois voltou para a Madeira e iniciou uma carreira como docente. Concorreu à vaga do falecido Dr. Luís Henrique, na Escola Médico-Cirúrgica do Funchal. Prestou provas públicas, perante todo o corpo docente da escola, e impressionou a assistência, pelas capacidades clínicas que possuía. Foi nomeado professor, por decreto de 11 de março de 1850. Lecionou a cadeira de demonstrador de Anatomia.

Naquela altura, eram usuais as conferências públicas, por parte das personalidades mais distintas da ilha, para instrução do povo. O Dr. António Alves da Silva destacou-se pelas leituras que fez sobre medicina e higiene, classificadas como “(…) notabilissimas, tanto pelo modo como tratou o assunto como pela beleza da linguagem.” (SILVA e MENESES, p. 122).

O médico madeirense era correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e escrevia também artigos para a Revista Académica de Coimbra e para outras associações literárias e científicas.

Conciliava a dedicação ao ensino, com a aptidão para as letras, demonstrando evidente talento para a medicina, mas teve de diminuir esforços, quando começou a dar sinais da doença: “Era homem de invulgar talento, que uma morte prematura não permitiu manifestar toda a pujança dos grandes dotes de espírito com que a natureza amplamente o dotara.” (SILVA, 1945, p. 27).

António Alves da Silva morreu, vítima de tuberculose, a 19 de janeiro de 1854, com apenas 31 anos.

Bibliog.: SILVA, Fernando Augusto, Biografias de Madeirenses Ilustres (1871/1929); SILVA, Fernando Augusto, A Antiga Escola Médico Cirúrgica do Funchal, 1945; SILVA, Fernando Augusto e MENESES, Carlos Azevedo, Elucidário Madeirense, vol. I, pp. 121-122.

Ana Rita Londral e Cátia Teles

(atualizado a 22.07.2016)