sousa, arthur rodrigues de

Foi um distinto advogado, político e homem do desporto madeirense do século XX, descendente de uma família originária do Faial (concelho de Santana). Arthur Rodrigues de Sousa nasceu no Funchal, na freguesia de Santa Luzia, no dia 23 de novembro de 1905, filho do médico João Albino Rodrigues de Sousa, eminente clínico, abastado proprietário, influente político e industrial do concelho de Santana, onde montou inclusive fábricas de manteiga e de aguardente, posteriormente administradas por alguns dos filhos. O seu avô, Albino Rodrigues de Sousa, foi um importante político que militou no Partido Regenerador e foi graças à sua influência e à de seu filho João Albino que se construíram as pontes do Faial, por pedido efetuado ao então Primeiro-Ministro Hintze Ribeiro. Mesmo após a Implantação da República, a família Rodrigues de Sousa (os “Albinos”, como eram conhecidos) hasteava a bandeira monárquica, mantendo-se fiel aos seus princípios.

Arthur Rodrigues de Sousa fez parte de uma prole de cinco filhos (com Albino, Álvaro, Maria Olinda e Arnaldo) que se estabeleceram na Madeira e em Portugal Continental. Frequentou o Liceu Jaime Moniz, no Funchal, licenciando-se posteriormente em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Na capital portuguesa abriu banca de advocacia, exercendo as funções de advogado e consultor jurídico. Durante os tempos de estudante, envolvia-se com frequência em discussões de carácter político. Numa altercação que ocorreu junto do Diário de Notícias, no Rossio, foi agredido e levado, juntamente com os agressores, para o Governo Civil. Como consequência desse episódio perdeu uma vista, pelo que passou a usar monóculo.

Durante a juventude, integrou a redação do diário Acção Realista, que veiculava os ideais monárquicos da Ação Realista Portuguesa. Este movimento monárquico começou por transmitir os seus propósitos na revista quinzenal Acção Realista, dirigida pelo também madeirense Ernesto Gonçalves, da qual se publicaram 32 números (entre 22 de maio de 1924 e outubro de 1926) e nos quais também participou o Visconde do Porto da Cruz. No primeiro número da revista, o movimento definia-se como “a aspiração duma fação de monárquicos que estão fartos da inércia em que se tem vivido” (Acção Realista, 22 maio 1924, 2). Desejavam “uma monarquia isenta de vícios republicanos” (Acção Realista, 10 jun. 1924, 2). Entre 15 de abril e 18 de agosto de 1926, este movimento também publicou as suas convicções no diário Acção Realista, de Lisboa, dirigido por João Ameal, onde colaborou Arthur Rodrigues de Sousa.

Além desta participação na imprensa de cariz político-ideológico, e de regresso à Madeira, Rodrigues de Sousa destacou-se num cargo também desempenhado anteriormente por seu pai, o de presidente da Câmara Municipal de Santana, precisamente durante os anos 40 do século XX, em plena Segunda Guerra Mundial. Tomou posse na edilidade pelas mãos do Governador do Distrito, Gustavo Teixeira Dias, a 6 de janeiro de 1942, substituindo Manuel Prado de Almada, que passou a exercer as funções de Delegado Interino do Instituto Nacional do Trabalho no Funchal, cargo incompatível com a presidência da Câmara. Tanto o novo presidente como o vice-presidente, Porfírio Marques de Andrade, foram nomeados por alvará do Governador do Distrito Autónomo do Funchal. Os periódicos da época, em particular o Diário de Notícias, realçam que, quando o novo presidente chegou ao concelho, no dia 18 de janeiro de 1942, foi prontamente homenageado com a execução do hino nacional pela Banda Municipal de Santana, e foram-lhe erguidos entusiásticos vivas. De entre as obras em prol do município, salientam-se o melhoramento da rede viária com a construção de estradas, a tentativa de eliminação do jogo clandestino, o desenvolvimento das obras de assistência social e a organização do racionamento e da distribuição de bens alimentares aos mais carenciados. Chefiou ainda os serviços da Administração Municipal. Muita da documentação que continha as deliberações de Arthur Rodrigues de Sousa na presidência da Câmara de Santana acabou por perder-se, destruída por um incêndio no edifício da edilidade, no sítio do Caminho Chão, durante a madrugada de 14 de agosto de 1948. Os serviços foram provisoriamente transferidos para outra casa e, em maio de 1958, foi inaugurado o edifício dos Paços do Concelho. Arthur Rodrigues de Sousa foi substituído na presidência da Câmara pelo anterior vice-presidente, Porfírio Marques de Andrade, que já se encontrava em funções em 1948.

Para além da política, Arthur era um amante do desporto e, nessa condição, exerceu, entre 1941 e 1949, o cargo de presidente da Direção do Clube Sport Madeira, de que já era sócio. Foi o décimo quarto presidente desta instituição fundada em 1909, sucedendo a Augusto Branco Camacho (1940) e antecedendo Luís Pestana (1950-1956). Procedeu à remodelação da agremiação, à organização de campeonatos internacionais de ténis em colaboração com as Federações Portuguesa e Espanhola da modalidade e à realização de excursões com notáveis personalidades internacionais. O hipismo e o ténis eram os seus desportos de eleição. Durante a sua presidência, o voleibol também mereceu especial destaque, porquanto o Clube Sport Madeira venceu, em agosto de 1944, o primeiro torneio interclubes disputado na Quinta Vigia, residência oficial do Presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira. A disputa desta competição foi uma consequência da dinamização da modalidade junto de várias agremiações do Funchal. Muita informação sobre a presidência de Arthur Rodrigues de Sousa nesta instituição se perdeu, novamente devido a um incêndio que, a 2 de junho de 2007, destruiu a sede da coletividade na Avenida Arriaga, no Funchal, e todo o espólio e documentação existentes no seu interior, incluindo os livros de atas que muito auxiliariam na descrição biográfica mais detalhada desta personalidade .

A partir da década de 50, fixou definitivamente residência em Lisboa, abrindo um escritório de advogados na Rua António Maria Cardoso. Casou-se, por essa altura, com Maria Luísa Macedo Nogueira de Andrade, que foi também sua secretária no referido escritório. Anteriormente contraíra matrimónio na Madeira com uma senhora de nacionalidade sueca, mas conseguiu, pouco tempo depois, a separação e a anulação deste primeiro casamento. Depois de ter saído da Madeira, regressou poucas vezes ao arquipélago, mas numa das suas visitas, em 1986, foi homenageado em Santana e condecorado pelo Presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, pela sua ação na presidência da Câmara Municipal.

Arthur Rodrigues de Sousa faleceu a 14 de janeiro de 1989, sem deixar filhos.

Bibliog.: impressa: ALMEIDA, João Mendes de, História da Volta à Ilha – Madeira, s.l., s.n., 2012;CARITA, Rui, A Freguesia do Faial, Faial, Edição da Junta de Freguesia do Faial, 2000;CLODE, Luiz Peter, Registo bio-bibliográfico de madeirenses: sécs. XIX e XX, Funchal, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983; PIO, Manuel Ferreira, O Concelho de Santana, Funchal, Editorial Eco do Funchal, 1974; RIBEIRO, João Adriano, Santana – Homens e Assuntos que a Ilustram, Santana, Câmara Municipal de Santana, 2001; SANTOS, Francisco, História Lúdico-Desportiva da Madeira, Funchal, Secretaria Regional da Educação, Juventude e Emprego, 1989; digital: Diário de Notícias, Madeira, 8 jan. 1942; 21 jan. 194: http://armdigital.arquivo-madeira.org/armdigital/ (acedido a 23 jan 2015); Acção Realista, Lisboa, n.os 1-32, 1924-1926: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/AccaoRealista/Accaorealista.htm (acedido a 16 maio 2014).

João Carlos Costa

(atualizado a 10.02.2017)