bordado

O bordado é uma das marcas da identidade comercial madeirense a partir do séc. XIX. O produto afirmou-se como bordado da Madeira e adquiriu fama e importância pela qualidade do trabalho. De facto, há tendência para considerar a história do bordado da região quase só a partir do séc. XIX, ignorando a tradição que sempre existiu, desde os inícios do povoamento da Madeira. A valorização do papel de Ms. Phelps é pertinente apenas na afirmação do bordado da ilha e na criação de condições à sua exportação para Inglaterra. Felizmente, foram feitos diversos estudos que permitiram esclarecer a situação e dar conta do contributo de outras comunidades, como a alemã, para a evolução tecnológica do produto, ou a síria, no que diz respeito ao comércio do mesmo.

Os ingleses e a iniciativa dessa jovem britânica permitiram, realmente, abrir uma via de exportação e de valorização do bordado da Madeira no mercado inglês (Britânicos). Mas não podemos esquecer, depois, o aporte alemão, em termos de técnicas e de definição de outros mercados tão promissores como o inglês, a que apenas as guerras mundiais vieram pôr um travão (Alemanha). A Sr.ª Auguste Werlich, que esteve na Madeira entre 17 de novembro de 1854 e 4 de julho de 1855, deu especial relevo ao bordado, que considerava rico e magnífico. Estas fontes estrangeiras afirmam que as madeirenses são excelentes bordadeiras de branco. Em 1857, o Prof. Schacht referia-se à mulher madeirense das classes baixas como indolente mas exímia na arte de bordar, pois apresentava bordados finos de toda a espécie. Já em 1864, o médico Rodolfo Schultze ficou impressionado com o movimento de chegada de navios ao porto do Funchal, onde os estrangeiros compravam obras de vimes, bordados, trabalho de croché e flores artificiais para presentear familiares e amigos. Em 1909, Boedecker ficou maravilhado com os produtos da indústria caseira, destacando o bordado, especialmente exportado por firmas alemãs. E, no ano imediato, Meyer notou que as raparigas e mulheres se dedicavam ao bordado.

Na verdade, podemos afirmar que foi com o impulso destas duas comunidades que o bordado, considerado um produto para uso e consumo caseiro, passou a assumir uma dimensão relevante na economia familiar dos madeirenses e da ilha, por força da grande procura e valorização por parte dos estrangeiros, facto que obrigou a uma profunda transformação de hábitos, nomeadamente, com o aparecimento das casas de bordados e dos exportadores especializados no seu comércio.

Recorde-se que antes de o forasteiro oitocentista descobrir o bordado madeirense, ele já existia na ilha, mantendo-se reservado ao consumo familiar e à atividade caseira. Bordava-se para fruição própria ou para presentear familiares e amigos. Para a donzela, a tradição do enxoval de casamento era, muitas vezes, o motivo de tão paciente dedicação ao trabalho da agulha. Raras eram as peças que saíam do circuito familiar. Estávamos perante um bordado ancestral que seguia uma tradição familiar, adequando-se a novas formas e ao gosto do seu criador que era também o executor. A segunda metade do séc. XIX foi o momento de viragem desta realidade, com o estabelecimento de regras e padrões para a produção do produto.

A partir de meados de Oitocentos, o bordado da Madeira passou a ser uma referência assídua nos roteiros turísticos e diários de viagem. Mesmo assim, em 1901, Ellen M. Taylor refere a ignorância que existia sobre o superior trabalho realizado na ilha pelas bordadeiras. Todavia, isto não era impedimento para que as exportações fossem elevadas, chegando às 25 t. Ainda no mesmo ano, o norte-americano Anthony J. Drexel Biddle afirmava que a Madeira era famosa pelo bordado, ocupando esta indústria o sexo feminino, na cidade e no campo. O trabalho de Ms. Phelps na promoção desta atividade, a partir de 1856, é motivo de orgulho para os britânicos.

23-Bordados
Arquivo Rui Carita

A imagem de grandes toalhas de bordado, assoalhadas no porto pelos bomboteiros, foi uma referência do quotidiano do porto. Com efeito, os bomboteiros aparecem associados ao comércio no porto, fazendo um mostrador sobre o mar com as toalhas bordadas; de resto, a forma delicada da exposição destas mesmas toalhas nas casas de bordados era algo que impressionava qualquer um. De 1932 a 1933, Ferreira de Castro ficou cativo da beleza dos bordados e da imagem bucólica das bordadeiras, visível em toda a ilha. O romance Eternidade, publicado em 1933, é o testemunho disso. O mesmo aconteceu depois, noutro texto de viagens do autor, Pequenos Mundos e Velhas Civilizações, de 1937.

Para António Montês, em Terras de Portugal, obra publicada em 1939, o mais comovente da visita à ilha foram os ajuntamentos de mulheres a bordar. Também Luís Chaves faz uma exaltação do bordado madeirense no volume A Arte Popular em Portugal. Ilhas Adjacentes e Ultramar, de 1968. E Maria Lamas deixou-nos um verdadeiro poema à terra de exílios, em Arquipélago da Madeira. Maravilha Atlântica, de 1956, com breve referência histórica ao bordado. Em As Mulheres do meu País, de 1948, a escritora presta homenagem à bordadeira madeirense.

O madeirense Horácio Bento de Gouveia dedicou um dos seus romances do quotidiano madeirense à vida da bordadeira, trata-se de Lágrimas Correndo Mundo, de 1959, que pode ser considerado um livro de homenagem à bordadeira madeirense da primeira metade do séc. XX. O convívio com a vida difícil das bordadeiras de Ponta Delgada da freguesia do concelho de S. Vicente levou-o a concluir que as peças de bordado são:

“lágrimas que correm mundo, transformadas em regalo dos olhos por mãos pacientes de ignoradas artistas”.

Calvet de Magalhães, no magistral texto Bordados e Rendas de Portugal, de 1963, dedica espaço largo aos segredos do bordado da Madeira. Com efeito, a fama e importância desta tradição mantiveram-se na déc. de 60, tendo o bordado continuado a despertar a atenção dos visitantes. A exaltação da arte do bordado e do paciente labor das bordadeiras surgiu novamente num testemunho literário português em 1969, na obra de A. Lopes Oliveira, Arquipélago da Madeira, Epopeia Humana.

Na história do bordado não devemos esquecer a sua ligação direta ao vestuário e, por isso, desde o momento em que o homem sentiu a necessidade de cobrir o corpo, surgiram os tecidos elaborados com diversos produtos e com o recurso a técnicas de confeção com aplicações de bordado. Na Madeira, as formas de vestir obedeceram ao padrão dos locais de origem dos colonos e às disponibilidades do meio e mercado. Cultivou-se o linho e o pastoreio de ovelhas foi uma atividade significativa pelo fornecimento de lã para a indumentária local. De acordo com um relatório da indústria da Madeira, em 1862, existiam 559 teares de linho e lã. A maior incidência ocorria em Santana e Calheta, com 160 e 165 teares, respetivamente. No Funchal, a concentração de teares era menor, pois o porto abria-lhe a possibilidade de acesso aos panos de importação.

Desde o séc. XV que a coroa promoveu, sem sucesso, a cultura da seda. A animação comercial provocada pelo comércio do açúcar e do vinho atraiu os vendedores de tecidos da Flandres e da Inglaterra. A riqueza propiciada por ambos os produtos conduziu a que o luxo chegasse também à ilha, sendo as sedas, os brocados e as peças ricamente bordadas bens com presença regular na casa das principais famílias madeirenses. Temos, em 1566, um testemunho desta opulência, com o assalto francês à cidade. Segundo Gaspar Frutuoso, em relato de finais da centúria, o saque foi valioso, pois a cidade estava “mui rica de muitos açúcares e vinhos e os moradores prósperos, com muitas alfaias e ricos enxovais, muito pacífica e abastada, sem temor nem receio do mal que não cuidavam” (FRUTUOSO, 1919, 227). E nestes ricos enxovais estarão muitas peças bordadas.

A coroa interveio no sentido de travar a ostentação no vestuário. Em 1686, D. Pedro fez publicar uma pragmática contra tal ostentação; o principal alvo eram “todos os bordados que chamam de seda”, que não podiam levar prata ou ouro, e “todas as rendas que se chamam bordados” (VIEIRA, 2006, 86). Já em 1749, D. João V condescendeu com algumas peças de vestuário bordadas, nomeadamente roupa branca bordada de branco ou de cores, bordada no reino ou nos seus domínios, não de outra manufactura. Em 1780, as leis suntuárias no concelho de Machico determinavam que a nobreza e os homens da governança não podiam usar botões bordados. As leis suntuárias, ao atacarem as peças de vestuário bordadas, evidenciam que esta era uma tradição comum a todo o reino e que abrangia muitas das peças de vestuário masculino (camisas, calções, etc.) e feminino (saia, colete, manto, capa, etc.).

O séc. XIX iniciou uma mudança no modo de vestir marcada pela simplicidade e aspeto prático da indumentária, bem como de uma tendência para a uniformização do vestuário através da imposição da moda vinda de França, mas que apenas conquistou adeptos entre as classes abastadas, uma vez que o traje popular continuava a manter as mesmas cores e formas. E o bordado é uma presença constante nestas peças de vestuário, dando um toque de beleza, principalmente ao traje domingueiro.

A partir de meados de Oitocentos, o aparecimento das casas de bordados e o interesse cada vez maior, por parte dos estrangeiros (nomeadamente, ingleses, alemães, norte-americanos e sírios), pelas peças bordadas, conduziram à passagem do processo artesanal de fabrico do bordado para o industrial. A partir de então, foram os clientes a definir o tipo de encomendas, cabendo às casas a função de disciplinar o trabalho, as técnicas e os materiais. Assim, o bordado deixou de ser de livre criação da bordadeira, entrando num processo de laboração que começava com o traçado das linhas e os desenhos ajustados à solicitação do mercado ou da exigente clientela. A criação passou para a mão do desenhador, ficando a forma final dependente da maestria das mãos da bordadeira. Por ser um trabalho eminentemente feminino, a concretização ocorria em casa, de forma a poder conjugar-se a azáfama doméstica diária com o trabalho da agulha.

O bordado foi a tábua de salvação do madeirense em face da situação difícil da agricultura da ilha, desde meados do séc. XIX. A crise da viticultura obrigou à procura de formas de sobrevivência alternativas, de que o bordar será exemplo. O quotidiano da ilha transformou-se e a mulher prendeu-se cada vez mais à casa de habitação. O ato de bordar acontecia no ambiente familiar. Deste modo, no meio rural, o contacto entre a bordadeira e as casas fazia-se através dos agentes e caixeiros que percorriam todas as localidades à descoberta das ágeis mãos capazes de dar forma e relevo aos desenhos estampados nas peças de linho e cambraia.

Na cidade do Funchal, as casas de vinhos cederam lugar às dos bordados e a animação comercial transferiu-se para novos cenários e arruamentos. No porto, os passageiros dos navios, nomeadamente dos chamados “Vapores do Cabo”, passaram a ser assediados por minúsculas embarcações onde os bomboteiros exibiam as toalhas bordadas. O séc. XX anunciou-se como uma nova época de prosperidade, sob o signo do bordado. Mas depois adveio a dificuldade, com as guerras mundiais. Perderam-se mercados, encerraram-se muitas das casas, saíram as bordadeiras e aumentou a concorrência do bordado de outras regiões, nomeadamente a oriental. Mesmo assim, o bordado manteve-se na economia local, confirmando-se, juntamente com o vinho, como marca indelével da Madeira.

Do bordado caseiro e industrial

Tal como afirmámos, o bordado está presente na ilha desde os primitivos tempos da ocupação. A tradição de bordar do local de origem dos povoadores acompanhou-os na travessia atlântica e instalou-se no novo espaço. Assim, borda-se na ilha desde o início do povoamento. Bordava-se em linho, algodão, seda e organdi, para se fazer toalhas de mesa, peças decorativas, jogos de cama e peças de vestuário, nomeadamente feminino. A leitura de alguns testamentos revela que muitas daquelas peças de vestuário passavam de pais para filhos não apenas pelo valor sentimental, mas também pela raridade e riqueza do bordado.

O mais antigo testemunho sobre o bordado madeirense surge nos finais do séc. XVI, no volume das Saudades da Terra que Gaspar Frutuoso dedicou à Madeira. A propósito do casamento de Isabel de Abreu, da Calheta, com António Gonçalves, o autor refere que as mulheres da ilha eram extremadas na perfeição em pano com polidos lavores. Daqui resulta que o bordado da Madeira se manteve por muito tempo no segredo das arcas das criadoras. Era trabalho de inestimável valor, pelo que não podia ser vendido, era apenas de usufruto familiar, prenda de enxoval ou legado por morte. Durante muito tempo, o bordado foi considerado um produto não vendável, saindo raramente do circuito familiar.

Note-se que os estrangeiros que escreveram sobre a ilha até meados do séc. XIX não fizeram referência ao bordado. Aquilo que mais lhe chamava a atenção eram as flores artificiais feitas pelas freiras do convento de S.ta Clara. No relato das três viagens de James Cook (1768, 1772 e 1776) não surge qualquer indicação sobre o bordado, mas sim sobre as ditas flores. E sabemos que nos conventos femininos, como o de S.ta Clara, o bordado ocupava as freiras nos momentos de lazer; todavia, a maioria dos estrangeiros de então apenas se detinha nas flores artificiais e na doçaria.

Até meados do séc. XIX não existem referências à venda ou à exportação do bordado da Madeira. E, já o dissemos, nas diversas descrições das atividades artesanais não é mencionado o bordado, como se poderá constatar na memória de 1822 de João Pedro Drumond (GUERRA, 1993), ou no livro publicado por Paulo Perestrelo da Câmara em 1841.

A exposição das indústrias madeirenses que decorreu no Palácio de S. Lourenço, a partir de 1 de abril de 1850, revelou o bordado como mercadoria salvadora da economia familiar. Desde então, procedeu-se ao seu aproveitamento capitalista, assumindo-se as peças bordadas como um produto de grande rentabilidade económica. A exposição em causa foi organizada pelo governador civil José Silvestre Ribeiro, com o objetivo de promover junto dos madeirenses e visitantes as diversas indústrias e artesanato do arquipélago. A escolha do mês de abril deveu-se ao facto de ser o mês em que havia maior número de estrangeiros na ilha. O sucesso da iniciativa revelou-se, em parte, na valorização comercial das obras de artesanato expostas, nomeadamente o bordado.

Graças ao empenho pessoal do governador, a exposição foi um êxito e a mais completa amostra das potencialidades socioeconómicas do arquipélago. No caso dos bordados, o relatório sobre a exposição não podia ser mais elogioso: “bordados em seda a matiz com guarnições de froco, de mastro, e de ouro, em diferentes quadros, tudo feito com muito asseio e beleza. Bordados de passe em filó, bem acabados e de bom gosto” (MENEZES, 1850, 388). Referem-se também bordados brancos diversos de qualidade. Como forma de incentivo aos expositores, distribuíram-se medalhas e louvores; no setor dos bordados e lavores, foram atribuídas duas medalhas para premiar os bordados brancos de Luísa e Carolina Teives.

O interesse britânico por esta exposição foi enorme, recebendo a Madeira um convite para estar presente em Londres na exposição universal que decorreu no ano seguinte. Mais uma vez, sob o impulso do governador civil José Silvestre Ribeiro, a Madeira apresentou um “rico bordado feito pela senhora Breciano” (id., 366) com reprodução de flores da Madeira, flores de penas das freiras do convento de S.ta Clara.

Ambas as exposições foram um marco decisivo na afirmação do bordado no mercado local e londrino, abrindo uma nova via de comércio. O primeiro registo referenciado das exportações é de 1849 e dá conta do envio para Lisboa de “esguião de Linho bordado” (VIEIRA, 2006, 33), mas foi nas exportações para o mercado britânico, a partir de 1854, que começou a delinear-se o primeiro e promissor mercado para o bordado da Madeira.

Para o mercado londrino, as primeiras exportações aconteceram por iniciativa da já referida Ms. Elizabeth Phelps, filha de Joseph Phelps, um destacado mercador de vinhos que se havia instalado no Funchal nos finais do séc. XVIII. Ela foi responsável pela propaganda do bordado madeirense junto de algumas famílias e teve também uma ativa intervenção no ensino do trabalho da agulha. Em meados de Oitocentos, juntamente com outras senhoras funchalenses, Ms. Phelps criou uma escola lancasteriana feminina. Aqui, para além do ensino básico, sem recurso à palmatória, ensinava-se as jovens a trabalhar com a agulha. O ensino das técnicas do bordado inglês influenciou de forma decisiva o bordado da Madeira nos primeiros anos, de tal forma que Émile Bayard afirmava que este era conhecido como bordado inglês.

A afirmação do mercado britânico justificava-se pela sua ancestral ligação e influência na região. A presença e assiduidade dos ingleses resultava de diversas circunstâncias. Na segunda metade do séc. XVIII, a Madeira assumira um outro papel, com a revelação da ilha como estância para o turismo terapêutico, mercê das então consideradas qualidades profiláticas do clima na cura da tuberculose, o que cativou novos forasteiros.

A tísica propiciou, ao longo do séc. XIX, o convívio com poetas, escritores, políticos e aristocratas. Não obstante a polémica causada em torno das possibilidades deste sistema de cura, a ilha permaneceu, por muito tempo, como local de acolhimento de doentes, sendo considerada a primeira e principal estância de cura e convalescença do velho continente. A presença cada vez mais assídua de doentes provocou a necessidade de criação de infraestruturas de apoio, como sanatórios, hospedagens e agentes que serviam de intermediários entre os forasteiros e os proprietários de tais espaços de acolhimento. De facto, as modernas viagens de recreio davam os primeiros passos e foi como corolário desse facto que se estabeleceram as primeiras infraestruturas hoteleiras e que o turismo passou a ser uma atividade organizada com uma função relevante na economia da ilha.

A partir de meados do séc. XIX, os visitantes ingleses começaram a dar atenção ao bordado. Assim, entre 1853 e 1854, Isabella de França, no diário da visita que fez à ilha, dá conta, de forma clara, da presença do bordado na indumentária madeirense. Na romagem de Santo António da Serra, em outubro, observou um homem com casaca azul “recamada de magníficos bordados a ouro” (FRANÇA, 1970, 132). Do vestuário feminino, destacou um corpete “de fustão amarelo ou material semelhante muito bem bordado a ponto branco” (id., 120). E na inevitável visita a Maria Clementina, no convento de S.ta Clara, desperta-lhe de novo a atenção o bordado da camisa: “tinha um peitilho franzido em volta do pescoço, de cassa tão fina e clara que mostrava a extremidade bordada da camisa a despontar por baixo […]. Na mão sustinha um lenço bordado, da mesma casa (id., 70).

À medida que o produto foi ganhando importância e procura em Inglaterra, surgiram intermediários. Robert e Frank Wilkinson foram os primeiros estrangeiros envolvidos neste negócio. As relações comerciais com a Madeira eram assíduas desde o séc. XVII, fruto da ligação madeirense ao processo de afirmação colonial britânica, que teve no porto do Funchal um dos seus centros de apoio no Atlântico. A presença de ingleses era frequente no Funchal e a sua atividade alargava-se a todos os produtos com valor mercantil. Os britânicos, por força destas circunstâncias, foram os primeiros a interessar-se pelo comércio do bordado.

Esta valorização do bordado como mercadoria de exportação teve implicações diretas no processo de fabrico. Assinale-se a necessidade de recrutamento de cada vez mais mão-de-obra de forma a atender às solicitações. Assim, em 1862, temos mais de 1000 bordadeiras em toda a ilha.

Paulatinamente, o bordado conquistou novos mercados, fruto da divulgação que fizeram os britânicos, nomeadamente nos roteiros e na literatura de viagens. A fama ultrapassou as fronteiras e chegou à Alemanha. As primeiras peças de bordado foram para aí conduzidas em 1881, por iniciativa de Otto von Streit, que havia fixado morada no Funchal no ano anterior, na busca da cura para a tísica pulmonar. Foi o início da intervenção alemã no setor, realidade que perdurou até 1916, ano em que Portugal entrou na Primeira Guerra Mundial.

A intervenção dos industriais e comerciantes alemães foi um marco importante na história do bordado madeirense. A partir da déc. de 80, provocou uma verdadeira revolução no processo de fabrico do bordado. A primeira alteração ocorreu ao nível dos tecidos e linhas. A linha azul, usada até então, foi substituída pela branca. Ao mesmo tempo, introduziu-se uma nova técnica de aplicação direta dos desenhos sobre o tecido, acabando-se com os desenhos alinhavados por baixo. Assim, os desenhos, que até então eram criação das bordadeiras, passaram a ser feitos e estampados no tecido por outrem antes de serem entregues às mesmas. Para facilitar o processo, introduziram-se as máquinas de picotar. A técnica obrigou ao estabelecimento de casas comerciais no Funchal com a função de proceder ao trabalho de preparação e à distribuição do tecido e linhas pelas bordadeiras. Junto destas atuavam os caixeiros que procediam à distribuição dos panos pelas bordadeiras, recolhendo-os depois já bordados. A tarefa de acabamento, lavagem, engomar e embalar dos bordados estava reservada à casa, que tinha sede no Funchal.

A cada vez maior procura de bordado implicou as necessárias inovações técnicas devidas aos alemães, o aumento da mão-de-obra no bordado e o aperfeiçoamento da rede de agentes de distribuição e recolha. O facto de os panos a bordar serem apresentados às bordadeiras já estampados com os desenhos facilitou a adesão de muitas mulheres a esta atividade que podia ser partilhada com os afazeres da vida diária.

Como referimos, os alemães intervieram no comércio do bordado a partir da déc. de 80 do séc. XIX, fazendo-o entrar no circuito internacional através do porto franco de Hamburgo. A Casa Grande de Otto Von Streit começou por enviar os bordados em bruto para Hamburgo, onde eram depois preparados para a exportação, com destino aos EUA, facultando-lhes um fácil controlo dos ciclos produtivo e comercial. Assim, se por qualquer motivo o trabalho das bordadeiras não satisfizesse os seus interesses, procuravam mão-de obra em outros mercados, uma vez que eram detentores dos padrões usados.

Não obstante a animosidade britânica, os alemães conseguiram firmar uma posição de destaque no comércio do bordado entre 1890 e 1914. A sua hegemonia tornou-se notória a partir de 1895, altura em que a Alemanha recebeu 33.173 kg de bordados contra os 2751 kg da Inglaterra. Note-se que estes valores não refletem a realidade das exportações, uma vez que estavam excluídos os bordados enviados para o porto franco de Hamburgo, um dos principais destinos do produto.

A consolidação da presença da comunidade alemã neste comércio só foi possível com a presença de um influente grupo, diretamente implicado no fabrico e exportação do bordado. Em 1912, o negócio era assegurado por seis casas: Wilhelm Marum, Georg Wartenberg, R. Kretzschomar, Otto von Streit, Dutting & Gaa, Wolflenstein & Horwitz. A saída dos alemães, em 1916, foi compensada pela chegada dos sírios, que rapidamente e até 1925 dominaram o bordado madeirense. Depois, foi o mercado norte-americano, que desde 1910 vinha adquirindo importância, a dominar as exportações.

A declaração de guerra da Alemanha a Portugal em 1916 e a pronta resposta de Portugal, com a criação da Intendência do Inimigo, por decreto de 4 de maio do mesmo ano, levou ao arresto dos bens dos alemães e à sua deportação para os Açores, na Terceira. Esta situação foi duplamente prejudicial para a ilha, pois a fuga dos alemães não os impediu de prosseguir com o comércio de bordado, apenas desviando a atenção para novos mercados, de mão-de-obra barata. O afrontamento das comunidades britânica e alemã deverá ter pesado na pronta fuga dos alemães. Ainda em 1916, deu-se o primeiro bombardeamento alemão à cidade do Funchal, em dezembro, ocorrendo o segundo no ano seguinte e naquele mesmo mês. Tudo isto conduziu a um ambiente de hostilidade à comunidade alemã.

Álbum bordado, 1861
Álbum bordado, 1861. Arquivo Rui Carita

Os primeiros anos do séc. XX foram ainda marcados pela concorrência desenfreada. Internamente, ela envolveu os industriais relacionados com o fabrico e comércio do bordado, externamente, a Madeira teve que competir com os mercados produtores da Boémia, Alsácia, Irlanda e Suíça. No caso da Suíça, o processo de mecanização em curso desde a déc. de 60 do séc. XIX trazia vantagens acrescidas, uma vez que reduzia drasticamente os custos de produção. A única garantia para a Madeira continuavam a ser os custos baixos da sua mão-de-obra, aspeto que permitia manter a produção local competitiva. As inovações tecnológicas no sentido da mecanização do processo de fabrico do bordado, ocorridas a partir da segunda metade do séc. XIX, não impediram a Madeira de manter a procura do bordado, não só pela qualidade do trabalho mas, acima de tudo, pelo referido custo da mão-de-obra.

A crise do bordado

A situação da economia mundial durante a primeira metade do séc. XX, marcada pelas duas guerras mundiais, condicionou o comércio do mercado do bordado. A guerra isolou a Madeira, impedindo-a de contactar com os mercados fornecedores de matéria-prima e consumidores de bordado. Pior do que isso, foi a crise económica que lhe andou associada e que condicionou o poder de compra dos potenciais clientes. E, como o bordado era considerado um produto caro, não era fácil encontrar saída. Ao mesmo tempo, sucederam-se entraves em alguns mercados; p. ex., a Inglaterra estabeleceu, em 1917, a proibição de importação do bordado da Madeira, sendo secundada, no ano imediato, pelos EUA.

Com a Primeira Guerra Mundial, tivemos a saída dos alemães, como referimos, e a sua substituição pelos sírios, que vieram consolidar as exportações para o mercado americano, a principal esperança da indústria do bordado da Madeira à data. Porém, a partir de 1924, o peso das pautas aduaneiras levou à saída dos sírios, que entregaram as casas aos madeirenses, passando estes a controlar o setor. Nos anos seguintes, manteve-se o número elevado de empresas do ramo.

O movimento autonomista dos anos 20 manteve-se atento aos bordados e, nos seus planos, dedicava espaço ao debate e defesa desse produto regional, que continuava a ser considerado uma indústria fundamental, quanto mais não fosse para a preservação da identidade madeirense. O governo da ditadura, saído da revolta de 28 de maio de 1926, estabeleceu algumas medidas de apoio a esta atividade. A 9 de setembro de 1926, permitiu a importação de tecidos de seda e linho para o bordado, em regime de drawback. A mesma medida alargou-se, em 1928, aos fios de tecido.

Em 1929, o golpe fatal da economia norte-americana, com o crush da Bolsa de Nova Iorque a arrastar os EUA para uma das piores crises da história, riscou este destino do mapa das exportações. Entretanto, a crise do mercado norte-americano foi contrabalançada com a valorização do mercado brasileiro, que se manteve até 1956.

Mas os anos 30 foram muito complicados para a sociedade madeirense e para a sobrevivência do bordado. Deste modo, o governo saído da Revolta da Madeira, a 4 de abril de 1931, procurou intervir na salvaguarda do setor, abrindo uma linha de crédito de mil contos a favor da indústria, logo a 20 de abril. Em 1935, o bordado continuava a ser um setor sob a vigilância e especial proteção do governo, tal como refere Salazar, em carta que escreveu ao Dr. João Abel de Freitas, presidente da JGDAF. Assim, à criação do Grémio dos Industriais do Bordado da Madeira, em 1935, juntou-se, no ano imediato, a isenção de direitos de importação e das imposições locais sobre a matéria-prima necessária ao bordado.

Nos anos 40, de novo, a guerra provocou redobradas dificuldades ao setor e à economia familiar, uma vez que as mulheres estavam quase por completo entregues ao bordado e os homens ao vime. A emigração para o Brasil, Venezuela, África do Sul e Austrália, por esses anos, veio a dar o golpe mortal na indústria. Primeiro saíram os homens, deixando todos os afazeres do casal a cargo da mulher, que passou a dispor de menos tempo para bordar. Depois, a restante família, que se foi juntar àquele, fazendo diminuir drasticamente a mão-de-obra disponível. Orlando Ribeiro referiu ainda, a propósito do tema, a concorrência dos mercados e bordado das Canárias e das Filipinas. No período pós-guerra, tudo fazia indicar que o comércio do bordado da Madeira estava definitivamente perdido e que dificilmente retornaria aos tempos dourados do princípio da centúria.

Nos anos 60, surgiram novas dificuldades, provocadas pela instabilidade económica dos principais mercados à data: EUA, África do Sul e Rodésia. A tudo isto havia que juntar a concorrência dos bordados feitos à mão provenientes da China, Filipinas, Tailândia e Coreia, e daqueles feitos à máquina que eram oriundos da Suíça e de Hong Kong.

O 25 de Abril de 1974 aconteceu num dos momentos mais difíceis da história do bordado da Madeira, implicando a necessidade de uma redobrada atenção pelo executivo regional. Em 1977, foi criado o Instituto do Bordado e Tapeçarias e Artesanato da Madeira, com o objetivo de intervir no sentido da valorização, preservação e promoção do artesanato madeirense. Das atividades deste organismo destaca-se a criação da marca Bordado da Madeira, do Núcleo Museológico do Bordado e do Centro de Moda e Design.

As casas de bordados

O comércio do bordado da Madeira foi marcado, ao longo dos últimos cento e cinquenta anos, por uma elevada instabilidade que denuncia a fragilidade da indústria no mercado mundial. Para isso contribuiu não só a conjuntura internacional, mas também a precariedade das casas de bordados criadas por estrangeiros, designadamente ingleses, alemães e sírios. A cada grupo correspondeu uma forma de intervenção e mercados distintos, como referimos antes.

A partir de 1890 tivemos a afirmação das casas de bordados em detrimento dos exportadores. A diferença estava em que estes se limitavam a adquirir o bordado às bordadeiras, enquanto as casas passaram a intervir diretamente no processo produtivo, dando às bordadeiras o tecido já com os desenhos estampados. Para isso, montaram uma rede de agentes em toda a ilha que procedia à distribuição dos panos e depois os recolhia, já bordados.

A ideia das casas de bordados surgiu com os alemães. No primeiro quartel do séc. XX, são referenciadas as seguintes: A. J. Fróes, Casa Bradwil, Casa Grande, Casa Hougas, Casa Maru, Casa Suíça, Companhia Portuguesa de Bordados, H. C. Payne, Hamú, José Clemente da Silva, Mallouk Bros, M. R. Silva Diniz, Wagner, Schinitzer, União Madeirense de Bordados, Casa Americana. Na déc. de 40, Orlando Ribeiro refere a atividade de 91 casas empenhadas no comércio e exportação do produto. Em 1953, um relatório do grémio anota a existência de 103, mas sucede que 61 delas não ultrapassavam os 50 contos de exportações mensais, sendo estabelecimentos de pequena dimensão. Apenas 12 casas faturavam mensalmente mais de 7000 contos. Em 1969, são referenciadas 88 casas de bordados.

A política de associação e classe do Estado Novo também atingiu a indústria dos bordados. Assim, pelo DL n.º 25643, de 20 de julho de 1935, foi criado o referido Grémio dos Industriais de Bordados da Madeira, com a missão de orientar a indústria no campo da produção e comércio. Tal como enuncia um folheto publicitário deste organismo, em 1958, a defesa dos interesses do setor estava assegurada, pois o grémio não deixaria que se repetissem na sua vigência as crises periódicas que antes tanto afligiram a economia da indústria e os seus trabalhadores.

Em 1936, com a portaria n.º 8337, foi estabelecida uma taxa sobre o valor das exportações e das vendas locais para acudir às despesas da agremiação. Foi com os fundos resultantes desta taxa que se construiu a sede do grémio, o atual edifício do Instituto do Vinho e do Bordado da Madeira, inaugurado nos anos 50. O grémio dispunha de armazéns para a reserva de tecidos e linhas para abastecer o setor, situação ainda hoje garantida no mesmo edifício. Merece referência o trabalho do industrial Luís de Sousa (1895-1971) à frente da instituição pelas suas diversas iniciativas de defesa e promoção dos bordados.

O grémio, para além da função reguladora, atuava no sentido da defesa do bordado, promovendo o ensino do bordar às jovens, com as escolas criadas em Câmara de Lobos e Machico. Ao mesmo tempo, estabeleceu os preços mínimos da mão-de-obra, baseados numa unidade de medida conhecida como “pontos industriais”. Entre 1935 e 1958, houve uma valorização significativa do trabalho da bordadeira, passando-se dos 35 centavos por 100 pontos para 24$20. Esta melhoria atingiu também as 750 operárias das casas de bordados que, em 1935, recebiam entre 3$00 a 6$00 de salário e logo passaram a auferir entre 11$00 e 20$00.

A criação, a 1 de março de 1937, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Bordados da Madeira foi também favorável à valorização do trabalho da bordadeira; anos mais tarde, em 1974, a agremiação sindical passou a chamar-se Sindicato Livre da Indústria de Bordados da Madeira, integrando no seu seio também as bordadeiras domésticas.

A missão do Grémio dos Industriais de Bordados da Madeira estava definida no seu boletim de propaganda do seguinte modo: “À indústria de bordados cumpria, naturalmente, como atividade integrada na organização corporativa, ordenar a produção, valorizar o trabalho, conferir novos direitos aos trabalhadores, defender a qualidade dos produtos, possibilitar a criação de novos mercados de consumo, dignificar o comércio e promover a expansão das vendas”. Ainda na senda da ação do grémio, criou-se a obrigatoriedade do selo de garantia do bordado, por DL, a 8 de dezembro de 1938.

O 25 de Abril de 1974 destronou o regime e as estruturas económicas criadas pelo Estado Novo e consideradas como seu sustentáculo. Os grémios deram lugar às associações, surgindo, no caso do bordado da Madeira, a Associação dos Produtores do Bordado, Tapeçarias e Artesanato e Obra de Vimes da Madeira. Depois, o Instituto do Bordado e Tapeçaria do Artesanato da Madeira, por decreto regional, em 1977, veio a atribuir uma nova dinâmica e intervenção do GRM no setor. A defesa da qualidade do bordado continuou a ser uma aposta, definindo-se o uso do selo holográfico, a partir de 2000, para evitar falsificações.

A aposta na inovação levou o GRM a criar o Centro de Moda e Design, de cujos objetivos fazia parte a aposta na criação de novos produtos com recurso às tecnologias de ponta. A partir daqui, abriu-se uma nova oportunidade para o setor do bordado. E hoje é evidente que o bordado da Madeira conquistou um lugar na moda, tendo surgido vários estilistas da região que apostaram, com sucesso, na utilização do mesmo no vestuário, algo que não é novo e que está bem documentado na história do arquipélago, em alguns registos escritos e imagens.

As bordadeiras

Em todos os momentos da história do bordado, a referência mais comum é ao labor da bordadeira. É ela que, com mãos de fada, dá o toque de beleza aos pontos do bordado. A sua destreza, dedicação e sacrifício são motivo de constante panegírico e admiração por todos os que descobriram o bordado. Preservou-se, na ilha, a tradição ancestral de bordar e, antes que, em meados do séc. XIX, interviessem os estrangeiros a dominar o circuito de produção, foi ela que criou os desenhos e que tão graciosamente os esculpiu à linha sobre o pano.

O labor incansável da bordadeira, em longas noites, está testemunhado nas peças bordadas que encantam os naturais e os visitantes, embelezam quem as veste, engrandecem as receções e os repastos e enriquecem o aconchego dos lençóis e travesseiros. A marca indelével do seu trabalho está presente em todo o lado.

É já imagem de bilhete-postal o quadro típico da bordadeira sentada em frente do casebre que a abriga durante a noite. Foi um quadro frequentemente mantido na retina dos visitantes, desde finais do séc. XIX. A este trabalho isolado somou-se outra imagem, a dos grupos de mulheres que se juntavam à beira de caminhos e atalhos. Em toda a ilha, eram habituais estes ajuntamentos de mulheres casadas, donzelas, idosas e crianças, cujas mãos bordavam, mas o seu pensamento estava no quotidiano próprio e alheio. Bordava-se, mas também se conversava sobre a vida de um e de outro.

Podemos afirmar que o bordado é o testemunho da arte da mulher madeirense e também das suas dificuldades quotidianas. Bordavam não por prazer, mas por necessidade, de forma a garantir o magro sustento da casa. A sobrevivência do bordado continua, ainda hoje, a depender do seu paciente labor. A bordadeira tinha a liberdade de escolher os tecidos, linhas e padrões a bordar. Concluído o trabalho, calcorreava a cidade ou ia de porta em porta a oferecer o lavor por uns magros tostões, algo que garantisse a sua sobrevivência e a da família. Muitos estrangeiros que foram cativados por estas autênticas obras de arte testemunharam-no, referindo que era neste contexto que se encontrava o melhor bordado feito na ilha.

As exigências das exportações conduziram ao aparecimento de novos agentes no ramo, implicando uma mudança radical na confeção do produto. Como antes apontámos, a bordadeira perdeu o controlo do processo, passando a atuar como mera executante do bordado sobre tecidos já estampados por outrem. Em troca, recebia uma magra recompensa, contabilizada em pontos.

Note-se que, embora o trabalho da bordadeira seja ancestral, a primeira referência ao número de mulheres dedicadas à atividade surge só em 1863, no relatório de Francisco de Paula Campos e Oliveira sobre as indústrias do arquipélago durante o ano de 1862. Neste documento, já se considera o bordado como “uma indústria caseira muito importante” que ocupava 1029 mulheres em toda a ilha. Não obstante esta ser uma atividade doméstica usual, era na cidade e freguesias vizinhas do recinto urbano que se notava uma maior incidência de bordadeiras. Com efeito, o Funchal e Câmara de Lobos totalizavam mais de 97% do total. Isto resultava, certamente, da proximidade do local de venda e de ainda não estar montada a rede de distribuição e recolha organizada pelas casas comerciais. O norte da ilha não assumia ainda qualquer importância nesta atividade.

O período que decorre da segunda metade do séc. XIX até meados do seguinte foi marcado por um movimento ascendente de mão-de-obra feminina, indispensável para a afirmação do bordado. O relatório das indústrias feito por Vitorino Santos para o ano de 1906, em plena época de afirmação da indústria, evidencia esta realidade, apresentando um total de 32.000 bordadeiras, quando, em 1862, eram apenas 1029. O Funchal e Câmara de Lobos, com 58%, continuavam a dominar, mas as bordadeiras estavam presentes em todos os concelhos.

Para o resto do séc. XX, os dados que dispomos sobre o número de bordadeiras são avulsos. Diz-nos Orlando Ribeiro, em 1949, citando um relatório de 1940, que eram 50.000 as bordadeiras rurais; estas, junto com as da cidade e as empregadas das lojas, faziam elevar a mão-de-obra ligada ao bordado para 70.000. Note-se que o número mais alto se registou em 1950, com a presença de 60.000 mulheres dedicadas ao bordado, o que representava 21,2 % da população. A informação disponível diz-nos que o valor médio de bordadeiras era de cerca de 30.000. Os dados de 1983 apontavam para 33.000 e, no primeiro ano do novo milénio, o valor rondava apenas 6000.

A distribuição geográfica das bordadeiras, nas décs. de 70 e 80 do séc. XX, demonstra uma mudança na configuração geográfica dominante em épocas anteriores, com o Funchal e Câmara de Lobos a perderem em favor de concelhos como a Ribeira Brava e Machico.

Em plena euforia da indústria do bordado, que ocupava mais de 30.000 mulheres, o aparecimento de epidemias como a colera morbus, em 1911, teve reflexos evidentes na indústria. Em 1910, a despesa com a mão-de-obra fora de 760.000$00, descendo, no ano imediato, para 480.000$00, o que reflete uma diminuição acentuada da mão-de-obra disponível, uma vez que não se assinalou qualquer alteração no valor dos pontos pagos e tão pouco houve uma quebra da procura.

No primeiro registo da mão-de-obra relacionada com o bordado, em 1862, surgem apenas dados sobre as bordadeiras, mas, em 1906, elas são já diferenciadas dos demais trabalhadores das casas de bordados, que eram então 2000. Este número inclui todos os profissionais necessários para a última fase do processo de preparação do bordado a exportar e todos os que se ocupavam da preparação dos desenhos e tecidos a entregar às bordadeiras. Isto significa que a instalação e o pleno funcionamento das casas de bordados aconteceram apenas a partir da déc. de 60 do séc. XIX.

A técnica de produção de bordado que foi imposta pelos alemães, a partir da déc. de 80 do séc. XIX, retirou à bordadeira o domínio exclusivo do processo de fabrico. Entrou-se num ciclo de produção que passou a ter diversos atores, como os desenhadores, estampadores, agentes, verificadoras e engomadeiras. Ao lado da bordadeira caseira surgiu a profissional que trabalhava nas casas de bordados. A estas juntaram-se ainda outros trabalhadores intervenientes no processo. Todavia, este grupo era diminuto. Em 1922, eram 2500 que trabalhavam nas 70 casas, enquanto em 1968 as 88 casas empregavam apenas 450 e estavam servidas de 1500 agentes. De entre estes, devemos notar a figura do debuxador de bordados, aquele que criava o esboço para estampar os tecidos, destacando, p. ex., Cesário João Nunes, Carlos Henriques Menezes Cabral, Alírio Sequeira Nunes, Gastão Faria Dinis, Carlos Maximiliano de Menezes Cabral.

Um dos aspetos que chama a atenção de todos os que descrevem esta indústria e elogiam o trabalho primoroso das bordadeiras é o baixo preço da sua atividade. Já em 1863, a bordadeira era, de entre todas as ocupações femininas, a trabalhadora mais mal paga: 100 réis no Funchal, enquanto as demais recebiam salários médios superiores a 300 réis.

Nos anos 20, a concorrência feroz de novos mercados fez reverter o ónus da situação para a bordadeira. As autoridades, conscientes desta realidade, ordenaram o estabelecimento de uma comissão, em 1929, para estudar a possibilidade do aumento do preço do trabalho da bordadeira através da fixação de um preço mínimo. A tudo isto juntava-se a necessidade de as socorrer na doença e invalidez, cabendo destacar o pioneirismo das casas alemãs, que criaram, em 1907, uma caixa de socorros para o pessoal que trabalhava nos seus estabelecimentos.

A persistência de um pagamento baixo do trabalho da bordadeira de casa evidencia uma exploração do trabalho feminino. A razão da resignação da bordadeira resultava do facto de este ser um trabalho executado nos intervalos das lides caseiras ou nas longas noites, não sendo, em muitos casos, uma atividade que as ocupasse o dia inteiro. Os centavos dos pontos eram sempre bem-vindos. Em 1952, os 47.252 contos contemplavam mais de 50.000 famílias em toda a ilha, o que representava 18% do total da população.

A proteção e o apoio aos profissionais do setor aconteceram já em 1894, com a criação da Sociedade José Júlio Rodrigues de Proteção às Bordadeiras Madeirenses, associação de beneficência sobre a qual pouco se sabe. A partir de dezembro de 1907, como se disse, a iniciativa coube às casas alemãs. Nesta data, as casas Wilhelm Marum, R. Kretzchan, George Wartenberg criaram uma caixa de socorros para os cerca de dois mil trabalhadores que empregavam. Todos passaram a usufruir de assistência médica e de medicamentos gratuitos, sendo os fundos para a manutenção deste serviço resultantes do desconto mensal de 50 réis por trabalhador feito por cada casa. O alargamento deste sistema de proteção social só sucedeu a partir de 1946, com a criação da Caixa de Previdência.

O Grémio dos Industriais dos Bordados, que, como vimos, foi fundado em 1935, teve também uma ação de relevo no apoio ao setor e às bordadeiras. Em 1961, criaram-se escolas infantis em Câmara de Lobos e Machico que permitiram o ensino do trabalho da agulha a mais de 691 crianças. Atente-se a que, já em 1914, o Colégio Lisbonense ensinava as técnicas dos diversos pontos do bordado nos lavores femininos. E, mais tarde, em 1961, as bordadeiras foram apoiadas através da construção de um bairro residencial com 30 moradias.

O séc. XX foi marcado pela dispersão dos madeirenses por diversos destinos de acolhimento. A crise e as dificuldades provocadas pelas guerras mundiais e pela situação de abandono e subdesenvolvimento conduziram à forte pressão da emigração, nomeadamente nos anos 50 e 60. Muitos madeirenses saíram rumo ao Brasil, Venezuela e África do Sul, em busca de melhores condições de vida; primeiro os homens e depois os restantes elementos do núcleo familiar, como comentámos antes. A todo o lado onde chegou a mulher madeirense chegou também o bordado. A arte e tradição do bordado são-lhe inseparáveis. No caso do Brasil, é conhecido o facto de, nos anos 50, existir um apelo e promoção da imigração de bordadeiras madeirenses. No Rio de Janeiro, São Paulo, Santos e Ceará, é notória a presença do bordado madeirense. No morro de São Bento, em Santos, o bordado já não tem a qualidade dos anos 60 e está em vias de desaparecimento. Todavia, em Itapajé, no Ceará, em Fortaleza, mantém-se vivo. Aqui, a cidade é conhecida como a capital do bordado, que é uma das suas principais atividades económicas. Na Venezuela, os testemunhos de muitas das mulheres madeirenses que saíram da ilha nos anos 50 revelam que não se perdeu o hábito de bordar, havendo casos em que se enviaram as peças desde o Funchal devolvendo-as depois já bordadas.

A homenagem à atividade da bordadeira, insistentemente louvada por todos os que conheceram o seu trabalho, só aconteceu a 30 de junho de 1986, com a inauguração da estátua do escultor Anjos Teixeira nos jardins do então IVBAM.

As técnicas e os materiais

Tal como notámos antes, a segunda metade do séc. XIX foi marcada por profundas alterações nas técnicas usadas no bordado, bem como nos tecidos e nos padrões bordados, que foram ajustados aos padrões mais solicitados pelos mercados de destino do produto. Primeiro os ingleses, através de Ms. Phelps e, depois, os alemães deram o contributo mais significativo para a revolução do bordado e a afirmação deste no mercado externo.

Os tecidos mais comuns para bordar eram o algodão de cassa, a cambraia, o linho e a seda natural, sendo aplicada a linha branca baça e raramente a azul e vermelha. O bordado em algodão e seda foi promovido pelos alemães que também apostaram na linha branca. Mas a introdução do bordado em seda é considerado um contributo da Sr.ª Counis. Quanto ao tecido usado, temos algumas referências de 1849 a dar nota de que se terá enviado para Lisboa bordados em esguião de linho. E, no ano imediato, na exposição organizada pelo Governo Civil, há peças de bordado apresentadas em seda matiz e de “passe em filó”(uma espécie de renda) e brancos.

A maior parte dos tecidos para bordar era de importação. Da Inglaterra e da Holanda chegava o linho, enquanto da Alemanha vinha o algodão. A presença deste algodão foi promovida de forma clara, a partir de 1897, pelo governo alemão, através do sistema aduaneiro conhecido como drawback, isto é, os tecidos de algodão que saíam do país e retornavam valorizados com o bordado para depois serem reexportados estavam isentos de direitos. Esta situação persistiu até 1906, quando a generalização do uso do linho importado de Inglaterra levou as autoridades alemãs a aumentarem os direitos que oneravam os bordados de linho, a partir de 1 de março.

Nesta época, os direitos cobrados na Alfândega do Funchal sobre os bordados de algodão e linho eram motivo de polémica, apelando-se à intervenção do governo no sentido de uma redução dos direitos sobre os panos importados para bordar, apontando-se inclusive a necessidade de seguir o exemplo da Alemanha e o seu sistema de drawback.

A atitude do governo português foi sempre de agravamento, de modo que as dificuldades sentidas nos anos 60 resultam de medidas aduaneiras prejudiciais. Em 1967, o bordado da Madeira não beneficiava das regalias da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) se o tecido não fosse expedido de um Estado membro, sendo assim tributado com as taxas da pauta mínima dos tecidos sem obra, estabelecida em 1953.

No séc. XX, as mais significativas alterações resultaram da utilização da linha castanha e do uso do linho cru, operando-se uma simplificação na forma de bordar trazida pelos alemães. A partir do momento em que o bordado passou a ser feito por encomenda e o processo de fabrico comandado pelas casas, as mudanças foram evidentes em todos os sentidos. Ms. Phelps trouxe os motivos do bordado inglês, como os ilhós e as cavacas. Depois, nos anos 20 do séc. XX, a crise do setor levou os industriais a buscarem uma saída, o que resultou numa adequação ao bordado de outras regiões europeias. Deste modo, o bordado começou a apresentar-se como uma mistura do francês (com o richelieu), suíço e veneziano. Note-se que os italianos, nos anos 50, impuseram os seus desenhos. Aqui foi notória a aproximação dos diversos motivos bordados às tendências artísticas dominantes, como a art nouveau e déco. Desde então até começos do séc. XXI tem-se mantido este tipo, subordinado a uma criadora arte de imaginação. Neste processo de transformação do bordado madeirense ocorrido no séc. XX enquadra-se a policromia dos trabalhos feita por apelo dos mercados consumidores. O bordado exportado para Inglaterra começou por consistir apenas em tiras de pano bordadas que, já no destino, eram aplicadas sobre as peças de roupa de vestir ou de cama.

O bordado da Madeira, perante as dificuldades evidentes de um mercado limitado e exigente, não agonizou. Pelo contrário, soube vencer as dificuldades, diversificando as saídas económicas e ajustando-se às exigências dos clientes. A inovação esteve sempre presente na história do bordado, em especial, a partir dos anos 80 do séc. XX. Esta situação continuou até aos dias de hoje e as novas tecnologias e o design entraram no setor como uma tábua salvadora da tradição de bordar no novo milénio. Em todo este processo foi fundamental o trabalho e a paciência da bordadeira anónima, a peça fundamental do universo em questão, mas a que menos dele fruiu.

A história regista dois produtos que, ontem como hoje, são a imagem de marca do arquipélago: o vinho e o bordado. Eles correram mundo, foram, e continuam a ser, produtos de grande interesse económico que sempre deram aos estrangeiros a mais elevada maquia e ao madeirense uma magra esmola. O bordado pode muito bem ser entendido como uma obra de arte, mas aqui o artista é anónimo, tanto o desenhador, que traça de forma primorosa os motivos florais e a composição, como a bordadeira, que, dá forma e relevo ao traço dele.

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Alberto Vieira

(atualizado a 30.08.2016)

apca leva aprender madeira à cidade do empreendedor

De 30 de setembro a 4 de outubro, a Agência de Promoção da Cultura Atlântica estará presente na edição deste ano da Cidade do Empreendedor, certame promovido pela Associação de Jovens Empresários Madeirenses.

Estaremos no stand nº38 na Praça da Cultura e Indústrias Criativas para dar a conhecer o projeto Aprender Madeira, nomeadamente esta plataforma de conteúdos associada ao Novo Dicionário Enciclopédico da Madeira, cuja edição física está agendada para 2017.

Oportunidade também para levar para casa algumas das edições Aprender Madeira que têm sido já publicadas como parte integrante do projeto.

programa - Cidade do Empreendedor