vasconcelos, joaquim ricardo da trindade e

Filho de João José Sedrinho, de Machico, e de Joana de Jesus Álvares da Costa, de Santa Cruz, Vasconcelos nasceu na freguesia de Machico, Funchal, em 1825. Casou-se na freguesia de São Pedro, a 23 de janeiro de 1864, com Maria do Monte Moniz de Vasconcelos, com quem teve dois filhos: Joaquim e Maria. Tornou-se bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra e foi, por largos anos, advogado na Comarca do Funchal. Foi também vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal. Escreveu e publicou, em 1867, um folheto de 40 páginas intitulado Projecto de Lei Regulamentar do Contrato de Colonia ou Parceria Agrícola na Ilha da Madeira (Gazeta da Madeira, n.º 99), trabalho que teve a colaboração de José António de Almada e que foi oferecido à apreciação do júri nomeado pela Junta Geral. Também escreveu Resposta aos Fundamentos do Recurso Interposto Perante o Conselho de Estado por Sua Majestade a Imperatriz D. Amélia…, publicado pela Revista Judicial, n.º 14, em 1867. Ainda podemos acrescentar aos seus trabalhos publicados o Regulamento do Theatro Municipal D. Maria Pia da Cidade do Funchal, de 1894.

Segundo Clode (1983), para além dos cargos políticos, Vasconcelos foi respeitado, no seu meio, como um dos advogados de mais nomeada do seu tempo, tanto no foro civil como no criminal. Chegou a ser considerado um dos mais importantes proprietários de Machico, mas teve a infelicidade de perder grande parte dos seus bens na fábrica denominada Companhia Fabril de Assúcar Madeirense, de que foi iniciador o Conde de Canavial. Contudo, nunca desanimou nem deixou de lutar nas fases mais críticas da sua vida.

Como militante no partido progressista, desempenhou, por muito tempo, a função de presidente da Assembleia Geral. Para além de vice-presidente da CMF, foi também auditor junto do Tribunal Administrativo do distrito.

Morreu no Funchal, em 1906.

Obras de Joaquim Ricardo da Trindade e Vasconcelos: Projecto de Lei Regulamentar do Contrato de Colonia ou Parceria Agrícola na Ilha da Madeira (1867); Resposta aos Fundamentos do Recurso Interposto Perante o Conselho de Estado por Sua Majestade a Imperatriz D. Amélia e outros do Despacho pelo qual o Governador Civil Concedeo Licença para a Fundação duma Fabrica de Assucar e de Distiliação d`aguardente na Cidade do Funchal (1867); Regulamento do Theatro Municipal D. Maria Pia da Cidade do Funchal (1894).

Bibliog.: impressa: CLODE, Luís Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses. Sécs XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal [1983], p. 485; FREITAS, António Aragão de e VIEIRA, Gilda França, Madeira: Investigação Bibliográfica, vol. I: Catálogo por Assuntos, Funchal, DRAC, 1984, p. 414; PORTO DA CRUZ, Visconde do, Notas & Comentários para a História Literária da Madeira, vol. II: 2.º período: 1820-1910, Funchal, CMF, 1951, p. 54; RIBEIRO, João Adriano, Machico, Subsídios para a História do seu Concelho, Machico, CMM, 2001, pp. 250-251; SILVA, Fernando Augusto da e MENESES, Carlos Azevedo, Elucidário Madeirense, vol. III, 4.ª ed., Funchal, DRAC, 1978, p. 664; digital:  História – Artes & Imagem: http://flama-unex.blogspot.pt/2013/06/i-historia-do-caminho-de-ferro-na.html (acedido a 14 maio 2015).

Lucinda Maria da Silva Moreira

(atualizado a 31.12.2016)