vasconcelos, mário barbeito de

Oriundo de um ramo da família galega Barbeito Padrón, que se estendeu a Portugal continental e à ilha da Madeira no século XVII, Mário Barbeito de Vasconcelos nasceu no Funchal a 3 de julho de 1905, cidade onde faleceu em 1985. Foi filho de Manuel José de Vasconcelos e de Joana de Oliveira Barbeito de Vasconcelos e casado com Maria Vera Capelo e pai de uma única filha, Maria Manuela da Ressurreição Capelo de Vasconcelos Freitas. No Funchal, frequentou o Liceu de Jaime Moniz, a Escola Comercial e Industrial António Augusto de Aguiar e o Instituto Feliciano Soares. A sua formação, com domínio dos idiomas inglês, francês e alemão, permitiu-lhe desempenhar com sucesso atividades ligadas ao comércio e à indústria.

Fundou, em 1946, a firma Vinhos Barbeito (Madeira), Lda., cuja sede foi estabelecida, em 1948, nas instalações de um antigo engenho de aguardente, com vinhos de antigas casas comerciais ou de adegas particulares. Refira-se que, na primeira metade do século XX, se verificou uma reorganização do comércio vinícola, com o desaparecimento de sociedades familiares e o aparecimento de associações como a Madeira Wine Association (1925), que nos anos seguintes absorveu mais de 30 casas. A empresa Vinhos Barbeito dedicou-se à exportação de vinhos da Madeira e nela Mário Barbeito de Vasconcelos desempenhou as funções de sócio gerente. O início da atividade da firma, após a Segunda Guerra Mundial, coincidiu com uma época em que o mercado inglês foi ultrapassado pelo francês e, sobretudo, em que se verificou uma contração do comércio vinícola, só recuperado pela reposição dos mercados tradicionais e pela consolidação de novos clientes, nomeadamente o Japão, nas décadas de 60 e 70. Saliente-se que a empresa Vinhos Barbeito (Madeira), Lda. foi pioneira na rota japonesa, exportando especialmente vinhos da Madeira seco e meio seco, desde 1965, aliada a Kinoshita Shoji. Nessa altura, estes vinhos começaram a apresentar-se em garrafas com formato de cantil forradas a vime. Após a morte do fundador da empresa, o negócio ficou a cargo dos netos. Posteriormente a Vinhos Barbeito (Madeira), Lda. passou a comercializar os vinhos Veramar, Boal, Island Rich-Malmsey, de cindo anos, e Cristóvão Colombo, Verdelho, Boal e Malvasia, de dez anos.

Mário Barbeito de Vasconcelos foi considerado um grande bibliógrafo madeirense da história do arquipélago. A sua biblioteca era composta, em 1983, por cerca de 16.000 livros, mapas, estampas e documentos, incluindo obras em vários idiomas, publicadas desde o século XVI. Em 1989, o espólio – famoso pelas obras, incluindo algumas raras, que reuniu sobre Cristóvão Colombo – foi dado a conhecer ao público através da abertura do Museu Biblioteca Mário Barbeito de Vasconcelos, no Funchal.

Mário Barbeito de Vasconcelos desempenhou os seguintes cargos e funções: presidente substituto da Comissão Municipal de Assistência do Funchal (1947-1950); presidente efetivo da mesma Comissão (1951-1974); vogal nato do Albergue da Mendicidade do Distrito do Funchal e presidente da Comissão Administrativa do mesmo estabelecimento, até 1974. Foi ainda sócio do Rotary Club do Funchal e, em alguns anos, presidente do mesmo; e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Foi autor de artigos publicitários sobre os vinhos da Madeira.

Bibliog.: CLODE, Luiz Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses. Sécs XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983; JARDIM, Filipe Pestana, “Contributo ao Estudo Genealógico da Família Barbeito Padrão”, Islenha, n.º 41, 2007, pp. 148-165; VIEIRA, Alberto, A Vinha e o Vinho na História da Madeira. Sécs. XV a XX, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2003.

Isabel Drumond Braga

(atualizado a 24.08.2016)