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Daniel Telo Simões Soares é natural da freguesia de Nossa Senhora da Piedade, ilha do Porto Santo, onde nasceu a 23 de maio de 1864. É o segundo filho do alferes de igual nome, destacado no distrito do Funchal, no Batalhão de Caçadores n.º 1, e de Tomásia Maria Telo Soares, residentes durante alguns anos naquela ilha, onde também nasceu o seu segundo filho. No ano de 1875, iniciou a sua formação militar no Colégio do Exército, em Lisboa, transitando daí para o Liceu do Funchal, onde concluiu os estudos preparatórios, antes de entrar na Escola do Exército. Casou-se com Cândida Carvalhal, natural da cidade da Praia, Cabo Verde, de quem teve duas filhas, nascidas em 1891 e 1892. A sua carreira militar teve início em 1885, como alferes e desenvolveu-se em África. No Exército colonial, prestou serviço em Cabo Verde; entre outras comissões de serviço, foi comandante militar na ilha de Santo Antão. Em 1892, é tenente do Exército na África Ocidental. Comandou várias operações militares, integradas nas guerras de pacificação da Guiné, onde as guerras tribais eram um obstáculo ao desenvolvimento da atividade agrícola e do comércio, e onde os Portugueses lutavam contra as populações autóctones pelo domínio do território. A 20 de janeiro de 1898, foi promovido a capitão. Ainda em África, e após a sua aposentação, à qual passou graduado no posto de general de Brigada, presidiu à Câmara Municipal do concelho de Santa Catarina, na ilha de São Tiago. Em reconhecimento dos serviços prestados ao país, foi agraciado com as medalhas de comportamento exemplar; classe de assiduidade de serviço do ultramar, de ouro; cavaleiro, oficial e comendador da Ordem militar de São Bento de Avis. Com a instauração da República, este militar aposentado integrou-se no Partido Republicano, alinhando com o primeiro ministério de Afonso Costa, em que os democráticos governam sozinhos, apoiados pelos unionistas e com a oposição dos evolucionistas de António José de Almeida, e protestos de norte a sul do país, com a demissão ou substituição de várias comissões nomeadas pelo governo, em que se incluem as das Câmaras Municipais e Juntas Gerais, como ocorre no Funchal. O decreto de 8 de fevereiro de 1913 do ministro do Interior dissolve a comissão administrativa da Junta Geral presidida por António Augusto Coelho da Silva Pereira e nomeia outra que, entre 12 de fevereiro e o fim de 1913, é presidida por Daniel Telo Simões Soares. As primeiras eleições diretas para os organismos da administração local após a proclamação da República realizaram-se a 30 de novembro de 1913 e deram a vitória ao Partido Democrático. Este militar de carreira, apresentado pelo concelho de São Vicente, estava entre os procuradores eleitos à Junta Geral, que o elegeram para presidente, cargo que ocupou entre 2 de janeiro de 1914 e 17 de junho de 1915. Nas eleições gerais de deputados e senadores realizadas a 13 de junho de 1915, Daniel Telo Simões Soares foi eleito senador pelo mesmo partido, na companhia de outros dois correligionários, Vasco Gonçalves Marques e Remígio António Gil Spínola Barreto, pelo que, na última reunião da primeira sessão desse ano, comunicou à Junta Geral que se iria ausentar da Madeira por ter de participar no Congresso da República. A 27 de novembro, apresentou, por ofício, a sua demissão de vogal substituto da Junta Agrícola da Madeira, cargo que assumira na reunião de 5 de julho de 1913, por se encontrar indisponível para desempenhar estas funções. Em março de 1920, teve início uma divisão entre democráticos, conduzida por Álvaro de Castro com o apoio de muitos políticos, entre os quais deputados e senadores. A 2 de abril foi apresentado ao país um manifesto explicando as razões da fundação do Partido Republicano de Reconstituição Nacional (PRRN), ao qual se juntaram muitos cidadãos sem envolvimento anterior nas lides políticas. Este partido também ganhou adeptos na Madeira, realizando-se a reunião em que se constituem os seus órgãos sociais na Qt. do Jasmineiro (onde depois se instalou o Seminário Diocesano) no dia 30 de maio e, conforme noticia o Diário de Notícias de 1 de junho de 1920, Daniel Telo Simões Soares assumiu a vice-presidência da comissão distrital deste novo órgão partidário. Este partido, apesar de ter uma vida curta (existiu apenas entre 1920 e 1923), adquiriu uma força muito expressiva, fazendo parte de vários governos nos anos de 1920 e 1921. O PRRN esteve presente nas legislativas de julho de 1921 e de janeiro de 1922, bem como nas municipais deste último ano, e, depois do Partido Democrático e do Liberal, que em 1919 juntou evolucionistas e unionistas, foi o terceiro mais votado no país. Ao longo da sua vida, este madeirense ocupou outros cargos públicos de responsabilidade, como o de comissário da polícia cívica, de 13 de outubro de 1915 a setembro de 1917, e, interinamente, o de administrador do concelho do Funchal, para que foi nomeado pelo governador civil substituto a 12 de novembro de 1915. Foi também governador civil do distrito em três períodos distintos: de 28 de setembro a 13 de dezembro de 1917, do qual se afastou com o início do Governo de Sidónio Pais, a 12 deste mesmo mês; de 21 de junho de 1919 a 8 de abril de 1920; e de 17 de novembro de 1923 a 3 de janeiro de 1924. Após a implantação da ditadura, em maio de 1926, fixou residência em Lisboa onde viveu os últimos anos da sua vida. Já afastado da política, não esqueceu a sua terra natal e, em janeiro de 1935, integrou os órgãos sociais da nova direção da Casa da Madeira naquela cidade, sediada no palácio Marquês de Pombal, organismo que, segundo o Diário de Notícias, defendeu, no grande centro da ação política e económica do país, os interesses dos madeirenses (“A Casa da Madeira…”, DN, 11 jan 1935, 1). Aí faleceu a 15 de fevereiro de 1938.   Maria de Fátima Vieira de Abreu (atualizado a 11.02.2017)

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