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thomas-stanford, charles

Nasceu a 3 de abril de 1858. Britânico, originário de Brighton, foi membro da House of Commons de 1914 a 1922 pelo Partido Conservador. Antes da sua eleição, desempenhava já uma notável ação cívica em Brighton, nomeadamente como mayor entre 1910 e 1913. Foi o primeiro Baronet de Brighton. O apelido Stanford foi adquirido pelo casamento com Ellen Stanford, sob licença real, e de acordo com a vontade deixada expressa por William Stanford, pai de Ellen. Conheceu a mulher em 1896, na Madeira, tendo casado em maio de 1897. Em 1905, mudaram-se para Preston Manor, em Brighton, casa da família de Ellen que foi depois aberta ao público como museu. Os seus interesses eram amplos, desde a cultura clássica até à arqueologia e viagens. Viveu alguns anos na Madeira e apreciava sobretudo passar ali o inverno, tendo adquirido um conhecimento e um interesse profundos pela ilha, como testemunham as suas obras Leaves from a Madeira Garden (1909), um guia pessoal da cultura e geografia madeirenses, e The Ace of Hearts (1912), uma novela cuja ação se situa na Madeira. No entanto, a sua obra é vasta e os seus múltiplos títulos evidenciam os seus variados interesses e a sua curiosidade intelectual e cultural. A obra Leaves from a Madeira Garden constitui ainda hoje um curioso e interessante atlas da Madeira, comportando 16 gravuras sobre a ilha. Nela, o autor sublinha aspetos como a flora e a paisagem madeirenses na sua diversa geografia, o espaço urbano ou a montanha, descrevendo com pormenor e refletindo sobre as particularidades dos jardins madeirenses ou as tradições, como, por exemplo, as que se encontram na Semana Santa. Faleceu na Inglaterra a 7 de março de 1932. Obras de Charles Thomas-Stanford: Leaves from a Madeira Garden (1909); The Ace of Hearts (1912).   Carla Ferreira (atualizado a 23.01.2017)

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costa, antónio pereira da

Cónego e mestre de capela da sé do Funchal, António Pereira da Costa é uma figura algo misteriosa na Madeira, acabando por ser conhecido quase somente pelas obras de sua autoria que foram editadas em Londres, Concertos Grossos com Doys Violins, e Violão de Concertinho Obrigados, e Outros Doys Violins, Viola e Orgão e XII Serenata’s for the Guitar, de 1760, ambas dedicadas ao morgado João José de Vasconcelos Bettencourt (1703-1766), irmão mais velho da célebre empresária D. Guiomar Madalena de Sá Vilhena (1705-1789), com a agravante de se conhecerem, até ao momento, apenas os exemplares existentes na Biblioteca de Arte da FCG. Tudo leva a crer que António Pereira da Costa, que terá nascido por volta de 1717, foi para a ilha da Madeira como mestre de capela do bispo D. Gaspar Afonso da Costa Brandão (1703-1784), cuja entrada no Funchal aconteceu a 5 de agosto de 1757. O músico terá estabelecido estreitas relações com a família Sá Machado, que utilizava igualmente os sobrenomes Vasconcelos Bettencourt, entre outros, e provavelmente com o também Cón. João José de Sá, meio tio de João José de Vasconcelos Bettencourt, que estudou em Coimbra e faleceu em 1782. Sabemos que o morgado João José de Vasconcelos Bettencourt nunca gozou de muito boa saúde, tendo-se deslocado a Londres para consultas em 1760, ocasião em que terá sido acompanhado pelo mestre de capela da sé do Funchal, sendo aquele o local onde António Pereira da Costa editou os referidos Concertos Grossos e as 12 Serenatas para Guitarra, obras pomposamente dedicadas ao morgado, exibindo, inclusivamente, as suas armas. Esta importante família madeirense gozou de uma interessante vida cultural, devendo pertencer à mesma Francisco João de Vasconcelos Bettencourt, de quem também nos faltam informações. Em 1746, funcionaria no Funchal uma nova academia, a Assembleia dos Únicos do Funchal, para a qual entrou o dito morgado, a 15 de março. A sua “oração de sapiência”, em manuscrito, terá estado na posse do Dr. Álvaro Rodrigues de Azevedo, mas desconhece-se hoje o seu paradeiro (AZEVEDO, 1873, 787; SILVA e MENEZES, 1998, I, 9). Vinte anos depois, precisamente, a morgada e empresária D. Guiomar de Vilhena assumiria o lugar de juiz da confraria de S. José da sé do Funchal, a confraria dos pedreiros e carpinteiros da cidade, assinando as atas das eleições durante dez anos, situação perfeitamente ímpar e inusitada no seu tempo. O morgado João José de Vasconcelos Bettencourt faleceu no Funchal, em 1766; muito provavelmente, o mestre de capela António Pereira da Costa retirou-se para o continente com a morte do seu patrono, se já não o tinha feito antes. A diocese do Funchal conheceu, por esses anos, uma situação algo conturbada, com a extinção da Companhia de Jesus, muito especialmente, com a disputa pelos bens dos Jesuítas entre a diocese e a Provedoria da Fazenda, chegando o prelado e o governador a insultarem-se quase publicamente, não espantando que algumas pessoas se tenham tentado demarcar da situação. Os elementos sobre o mestre de capela da sé do Funchal António Pereira da Costa são, assim, muito limitados, mas a sua obra musical é importantíssima, não só por integrar as primeiras peças musicais madeirenses a serem editadas, para mais em Londres, mas também pelo pormenor de uma delas se apresentar em português e a outra em inglês, sendo publicadas por editores diferentes. Acresce que este conjunto avaliza uma cultura musical de certa forma importante para os meados do séc. XVIII na Madeira, pois as obras em causa foram editadas para serem vendidas em Inglaterra e nas mesmas o próprio autor aparece retratado com a idade de 43 anos.   Rui Carita (atualizado a 31.12.2016)

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castro, inácio joaquim de

O final do séc. XVIII anunciava grandes alterações no quadro europeu, com a aliança da França revolucionária com a Espanha e a declaração de guerra ao Reino Unido, o que levou a corte de Lisboa a sentir a necessidade de reforçar as forças militares no continente. Foi nesse quadro que foi enviando para a Madeira, em janeiro de 1797, o Maj. Inácio Joaquim de Castro, encarregado do recrutamento de pessoal para o exército continental e, depois, de rever o sistema defensivo da ilha da Madeira. A morte do governador e a nomeação de um governo interino complicaram a atuação do major na Ilha, acabando por ser transferido para a ilha de S. Miguel, nos Açores. Palavras-chave: defesa; fortificação; governo interino; guerras napoleónicas. Nascido por volta de 1750, Inácio Joaquim de Castro foi um major e engenheiro militar que teve um papel central na problemática da defesa da ilha da Madeira entre os finais do séc. XVIII e o séc. XIX, tornando-se, depois, governador militar da ilha de São Miguel, nos Açores, e acabando os seus dias como comandante da fortaleza de S. Julião da Barra, em Oeiras. Face à emergência da França como potência militar, os finais do séc. XVIII anunciavam grandes alterações no quadro europeu, com incidência no território continental e nos domínios ultramarinos portugueses. Portugal tinha mantido a neutralidade no decurso da Guerra da Independência americana, mas, quando a França declarou guerra à Grã-Bretanha e à Espanha, foi arrastado para o conflito na sequência do tratado de 1778 assinado com a Espanha, que obrigava as partes a ajudarem-se uma à outra em caso de ataque por uma terceira potência. A 29 de janeiro de 1793, o Governo espanhol solicitou essa ajuda a Portugal e obteve-a. A partir de então, a França deixou de reconhecer a Portugal o estatuto de neutralidade, afirmando que, ao combater contra a república, se tornara uma potência beligerante e, por isso, em guerra. A posição portuguesa agravou-se com a assinatura, em 1795, do Tratado de Basileia entre Espanha e França, pelo qual os dois países firmaram a paz, constituindo uma aliança ofensiva e defensiva que foi depois cimentada pelo Tratado de Santo Ildefonso de 18 de agosto de 1796, e com a declaração de guerra da Espanha ao Reino Unido, em outubro do mesmo ano. Foi nesse quadro que, em janeiro de 1797, o Maj. Inácio Joaquim de Castro foi enviando para a Madeira, acompanhado de dois ajudantes: o Sarg. artífice de fogo Faustino José Lopes e o cabo artilheiro Manuel Joaquim de Sá. Note-se que o major já tinha sido abonado com uma tença de 12$000 réis num dos almoxarifados do reino e com o hábito da Ordem de Cristo, com data de 4 de dezembro de 1778. O seu envio para a Ilha teria sido algo precipitado, pois somente no ano seguinte, mais concretamente a 11 de junho de 1797, se especificavam os abonos de vencimentos, como veio a escrever na cartografia por si levantada levantada, não se conhecendo registos no arquivo do Governo do Funchal que atestem ter-lhe sido dada ordem para os estudos de defesa da ilha da Madeira. O principal móbil do envio do Maj. Inácio Joaquim de Castro teria sido o recrutamento de pessoal para o exército continental, tendo sido apenas alguns meses depois, em junho de 1797, que se acrescentou a reforma do sistema defensivo da ilha da Madeira. Saliente-se que, permanecendo na Ilha bastante mais tempo do que o inicialmente previsto, o major se veio a bater, mesmo contra a opinião geral dos quadros superiores locais, incluindo a do governador, pela reformulação total de toda a estrutura defensiva, incluindo pessoal, material e instalações, ainda que não tenha tido qualquer êxito nesse escopo. Ao longo dos sécs. XVII e XVIII, a Ilha tornara-se uma importante fonte de recrutamento da Coroa, fornecendo diversos contingentes militares para as guarnições ultramarinas de Angola (África), da Índia e do Brasil. Estes contingentes destinavam-se geralmente a acompanhar governadores em trânsito pela Ilha e com destino àqueles domínios, embora por vezes tenham seguido isoladamente. Da mesma forma, a Madeira enviou levas de casais para povoamento, como foi o caso do povoamento do Estado de Santa Catarina, no sul do Brasil, em meados do séc. XVIII. A função de Inácio Joaquim de Castro era, assim, a de levantar um importante contingente insular para as forças continentais, que se estimava, em Lisboa, em cerca de 4000 homens. No entanto, como seria de esperar, o major encontrou os maiores entraves na Madeira, entre os quais se contou o próprio Gov. Diogo Pereira Forjaz Coutinho. Logo nos primeiros contactos, o governador levantou as maiores dúvidas relativamente ao facto de se poderem levantar 1000 homens na Madeira, na medida em que isso seria muito prejudicial à defesa da Ilha, assim como “à sua cultura, tanto de terras de pão, como de vinhas”. Com alguma ironia, acrescentou mesmo que o prejuízo também se estenderia “por consequência aos rendimentos de Sua Majestade” (AHU, Madeira e Porto Santo, docs. 961-962). A Ilha possuía então pouco mais de 20.000 homens capazes de pegar em armas, como se veio a apurar algum tempo depois, num cômputo geral populacional que não chegou aos 80.000 habitantes, pelo que uma tal sangria seria prejudicial, não só à sua segurança, como até à sua subsistência. No entanto, nos meses seguintes do ano de 1797, conseguiu-se recrutar algumas centenas de homens, recorrendo-se algumas vezes à violência, como estava aliás previsto na diretiva de Lisboa, mas não se chegou sequer ao milhar apontado pelo governador e muito menos ao pedido de Lisboa de 4000 homens. Na segunda metade do séc. XVIII, com a estadia em Portugal do conde de Lippe (1724-1777), procedera-se a uma reforma geral da organização militar continental europeia, que não se estendeu totalmente à Madeira (Defesa). Assim, a organização militar insular continuava a assentar na antiga organização dos terços “pouco disciplinados”, porque recrutados entre os lavradores, mesmo entre “homens com negação para pegar em armas”, como mais tarde referiria Paulo Dias de Almeida (c. 1778-1832) (CARITA, 1982, 26). A defesa do Funchal e das suas velhas fortificações assentava em duas companhias pagas, uma de artilharia e outra de infantaria, sendo o trabalho de artilharia ainda feito pelo velho quadro de bombardeiros, que somente por essa altura foi reconvertido no novo Corpo de Artilheiros Auxiliares. Desde 1566 que não se tinha consumado nenhuma ação ofensiva de envergadura contra o Funchal e, desde o saque ao Porto Santo em 1618, contra o arquipélago da Madeira, pelo que, com a supremacia do poder marítimo inglês durante o séc. XVIII, a defesa da Ilha acomodara-se à situação. Contudo, com os problemas surgidos neste final de século, tornava-se urgente proceder à reformulação de toda a defesa. É o próprio Sarg.-mor Inácio Joaquim de Castro que, a 22 de junho de 1797, em carta ao governador, informa estarem reunidas as circunstâncias para serem “atacados por qualquer força francesa”, reforçando essa ideia com a indicação “como Sua Majestade nos diz” (AHU, Madeira e Porto Santo, doc. 975, n.º 6). Foi neste contexto que, ao longo dos três anos seguintes, Inácio Joaquim de Castro procedeu à elaboração de um vasto plano geral de defesa da Ilha, no qual se incluía a extinção dos antigos terços e a reforma dos regimentos de milícias, no sentido de aproximar a organização insular das determinações gerais e da legislação aprovada em 1796 para as forças de primeira linha. O major propôs ainda a criação de um novo corpo de artilharia e a reformulação da vasta rede de fortificações existente na Ilha, que era, na sua opinião, inoperacional na sua quase totalidade. As alterações nos quadros diretivos da Ilha que ocorreram entretanto, com o falecimento do governador, a 30 de março de 1798, e a formação de um governo interino, não ajudaram. Nessa sequência, a 4 de julho, o corregedor ausentava-se, sendo substituído pelo juiz de fora do Funchal, o desembargador José Filipe Ferreira Cabral. Ao longo desse ano, ainda se alteraria a constituição do governo interino com a chegada do novo corregedor, o desembargador José Maria Cardoso Soeiro, a chegada do novo bispo D. Luís Rodrigues de Vilares (c. 1740-1810), e a morte, a 10 de novembro, do Cor. Luís Vicente de Carvalhal (c. 1752-1798), então substituído pelo coronel das milícias de São Vicente, Anastácio Henriques Pereira. Nesse quadro de guerra interna entre os principais quadros insulares, já tanto o governador Diogo Pereira Forjaz como, depois, o governo interino tinham levantado as mais diversas questões contra o projeto de defesa de Inácio Joaquim de Castro, para não se alterar o status quo da Ilha. Assim, se, a 22 de maio de 1798, o governo interino registava a carta de confirmação para os trabalhos de fortificação da Ilha, de que se encontrava encarregado Inácio Joaquim de Castro, a 19 de julho seguinte eram suspensos tais trabalhos, com base num aviso régio sobre as despesas da fortificação. Entretanto, a 28 de setembro voltava-se a confirmar a necessidade de os continuar e registavam-se então os vários abonos que o sargento-mor e os seus ajudantes deveriam vencer. A título de exemplo, o novo corregedor e juiz de fora José Filipe Ferreira Cabral considerava que empregar o dinheiro da Fazenda na fortificação da Ilha seria “sempre inútil, pois é a natureza que a faz defensável, por rochedos imensos e inacessíveis”, como escreve pessoalmente para o ministro Rodrigo de Sousa Coutinho (1745-1812), a 18 de agosto de 1798 (Ibid., doc. 1019). Nesse sentido, perto do final desse ano e, por certo, para se poderem opor às ideias de Inácio Joaquim de Castro, os membros do governo interino oficiavam ao Ten.-Cor. António Alberto de Andrade Perdigão, então no continente, ordenando-lhe que regressasse à Madeira no primeiro navio. Nos inícios do ano seguinte, seria a vez de Inácio Joaquim de Castro se queixar para Lisboa das intrigas que lhe movia o novo corregedor e juiz de fora, queixas que volta a referir em abril seguinte. António Alberto de Andrade Perdigão, ajudante de ordens do Governo, assim como o sargento-mor de milícias do Funchal, Francisco João Barreto, regressariam ao Funchal em 15 de setembro desse ano. A situação mudou, pelo menos aparentemente, com a chegada do novo prelado D. Luís Rodrigues de Vilares, figura de certo relevo oriunda dos quadros da Universidade de Coimbra, que a breve trecho se impôs e opôs decididamente aos restantes membros do Governo interino, passando inclusivamente a despachar os assuntos de Governo no paço episcopal, e não em São Lourenço. As posições do prelado tiveram, no início, o apoio de Inácio Joaquim de Castro, que não deixou de aplaudir a sua ação. Mas, em breve, movimentar-se-iam as forças vivas da Madeira contra o avanço das obras de fortificação e contra a reformulação e o aumento das forças militares. Em causa estava a cobrança da antiga contribuição, ou finto, de 9000 cruzados anuais para as obras da fortificação, que, “caída em desuso”, se não cobrava há 18 anos (Ibid., doc. 1100). Face à situação geral do país e da Ilha, teria havido ordem régia para a Junta da Fazenda proceder à sua cobrança, o que, devido aos 18 anos em falta, somaria uma quantia exorbitante de 162.000 cruzados. Em agosto de 1799, o bispo do Funchal enviava para Lisboa uma série de representações, dos membros da Casa dos 24 e do corpo de nobreza da cidade, solicitando que a contribuição não fosse cobrada na totalidade, pois arruinaria a maior parte dos contribuintes (Ibid., docs. 1100-1102). Com as várias opiniões nem sempre favoráveis em relação ao trabalho de Inácio Joaquim de Castro, o quadro geral da fortificação da Ilha não sofreu especiais melhorias. Em causa estavam, como sempre, os aspetos económicos que a ação requeria, assim como o desvio de braços dos trabalhos agrícolas. Mesmo o movimento contínuo de corsários franceses pelos mares da Madeira, em resposta ao comportamento idêntico da armada inglesa, não despertou na Madeira a consciência da necessidade de se alterar o caminho das coisas. Nos finais de 1799, Inácio Joaquim de Castro era transferido para os Açores, com o cargo de governador e capitão-general da ilha de São Miguel, o que por certo era abonatório do trabalho que desenvolvera na Madeira. Na altura da sua saída e nos inícios do ano seguinte, escrevia para Lisboa, ao ministro Rodrigo de Sousa Coutinho, recordando mais uma vez que um “governo a 3 é de todo incompatível com o sistema que se deve seguir sobre a defensiva de uma ilha nas atuais circunstâncias”, porque a “segurança depende de um bom governo”, e acrescentando: “se os franceses aqui vierem” – como se temia – “nós não estamos na ordem governativa para os recebermos” (Ibid., docs. 1126, 1128, 1148). Forte do Gorgulho Do plano levantado, somente conhecemos seis elementos: um esquisso da planta da Ilha e outro da planta do Funchal, dois esquissos respeitantes aos arredores do Funchal, do Gorgulho e da Praia Formosa (Fortes da Praia Formosa) e outras duas plantas das vilas de Santa Cruz (Fortes de Santa Cruz) e de Machico (Fortes de Machico), as mais antigas representações planimétricas que se conhecem dessas vilas, posteriores cidades. Para além do interesse destas duas últimas plantas, parece que o único trabalho do plano de defesa posto em prática foi a reformulação do forte do Gorgulho. O major contou com o apoio de António Rodrigues de Sá, ajudante de milícias do regimento do Funchal. No entanto, a dispersão destes documentos pelos arquivos nacionais são demostrativos da profunda crise vivida nos anos seguintes. Inácio Joaquim de Castro desenvolveu idêntico trabalho em Ponta Delgada, levantando toda a parte baixa da cidade, da fortificação e dos molhes do porto e chegando a defender a baía com o fogo das baterias de São Brás perante o assédio de um corsário inglês, em 1803. Machico. 1799   O major acabaria os seus dias a comandar a guarnição da torre de São Julião da Barra, conhecendo-se correspondência sua até 1818. Deverá ter falecido pouco tempo depois, por volta de 1820.           Santa Cruz. 1799     Rui Carita (atualizado a 29.12.2016)

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vasconcelos, agostinho ornelas de

Agostinho de Ornelas de Vasconcelos Esmeraldo Rolim de Moura nasceu no Funchal, a 14 de março de 1836 e distinguiu-se na cultura, nas letras, na diplomacia, na política e na ciência. Membro da antiga nobreza portuguesa, embora cioso dos pergaminhos nobiliárquicos de que era herdeiro e que honrava, desprezava os títulos e as honrarias. Foi um espírito liberal e aberto ao progresso e às letras e um eminente cultor das ciências. Filho do morgado Aires de Ornelas de Vasconcelos, que foi governador civil do Funchal, e de Augusta Correia Vasques de Olival, frequentou o Liceu Nacional do Funchal e, tendo concluído com distinção o curso secundário, tirou o curso de Direito em Coimbra. No ano em que concluiu a licenciatura, 1857, foi nomeado, por decreto de 18 de novembro, segundo adido à legação de Washington, de que tomou posse em junho do ano seguinte, permanecendo no posto até fevereiro de 1859. Em 1884, foi publicado no Porto, por iniciativa do seu autor – seu irmão, bispo do Funchal e arcebispo de Goa –, um volume intitulado Obras de D. Ayres de Ornelas Vasconcelos, que incluía uma extensa biografia do bispo, com sabor clássico e da autoria e lavra de Agostinho de Ornelas. O volume continha os diversos escritos do prelado, nomeadamente a sua dissertação de doutoramento, intitulada Reforma das cadeias em Portugal. Aproveitando o ensejo, Agostinho de Ornelas Vasconcelos incluiu na mesma publicação um documento memorialístico sobre a penitenciária de Filadélfia, escrito durante o período em que exerceu o cargo na capital americana, tendo então percorrido longamente aquele país e visitado as suas instituições mais célebres. Prosseguiu a sua carreira diplomática em Berlim, onde exerceu intermitentemente a função de encarregado de negócios na ausência do respetivo embaixador; em 1863 ascendeu a primeiro adido e foi colocado sucessivamente no Rio de Janeiro e em São Petersburgo, cargos que não exerceu por motivos de doença. Seguiu-se a nomeação, a 26 de abril de 1865, para secretário de legação em Viena de Áustria, sendo logo de seguida transferido para Londres, onde permaneceu até dezembro de 1867. Por decreto de 27 de setembro de 1886, após alguns anos de interregno da carreira diplomática, é nomeado ministro plenipotenciário em Madrid. Não chega a exercer este cargo, pois, por decreto de 30 do mesmo mês, é nomeado para a direção política do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Por decreto de 17 de novembro de 1891, ascende a diretor geral dos negócios políticos e diplomáticos do mesmo ministério. A 6 de setembro de 1894 é nomeado ministro plenipotenciário para a Rússia, cargo de que toma posse a 10 de novembro daquele ano e que conserva quase até a data do seu falecimento 6 de setembro de 1901 (em Niedervalluf, na Alemanha). Desempenhou com honra e mérito várias missões diplomáticas espinhosas, como a participação nos trabalhos da convenção relativa à contenda de Moura, que lhe mereceu a Grã-Cruz de Carlos III de Espanha, e foi um dos representantes de Portugal na célebre conferência da Haia de 1899, em que se estabeleceram os primeiros tratados sobre leis e crimes de guerra e sobre a resolução pacífica de controvérsias internacionais. Na política, destaca-se a eleição de deputado pela Madeira nas legislaturas, geralmente curtas, de 1869, 1870, e 1871 a 1874. Nas Cortes, destacou-se nas suas intervenções, por serem corretas na forma e na urbanidade de trato. Não sendo um daqueles tribunos de arrebatamento era, contudo, um orador fluente e conhecedor dos assuntos que tratava, o que lhe merecia a atenção e o respeito da câmara, também quanto ao conteúdo, especialmente quando tratava perante as duas câmaras de assuntos do padroado da Índia e das missões ultramarinas. Versado em várias línguas, incluindo a língua do Lácio, pôde versar-se em diversas ciências e nas letras, o que, aliado a uma prodigiosa memória, fez dele um dos espíritos mais cultos do seu tempo. Dedicou-se à tradução em verso do Fausto de Goethe, trabalho em que o seu escrúpulo de fidelidade ao original terá provocado imperfeições na forma. Em 1892 publica Memória sobre a residência de Christovam Colombo na Ilha da Madeira, a qual foi incluída no volume Memórias que a Academia Real das Ciências de Lisboa publicou por ocasião do centenário de Colombo; este trabalho literário foi uma das causas que determinaram a sua eleição para membro daquela Academia. Representou Portugal nas festas do centenário de Colombo em Madrid. Pela sua imensa carreira diplomática e pelo seu lavor literário, possuía imensas condecorações, de que se destacam as Grã-cruzes de Carlos III, de Espanha; de S. Gregório Magno, de Roma; da Coroa e de S.to Estanislau, da Prússia; grande oficial da Legião de Honra; comendador e cavaleiro de S. Tiago; comendador da ordem de Alberto o Valoroso, da Saxónia; da Águia Vermelha, da Prússia; da Imperial rosa, do Brasil, além de outras. Obra de Agostinho de Ornelas de Vasconcelos: Memória sobre a residência de Christovam Colombo na Ilha da Madeira (1892).   Miguel Fonseca (atualizado a 04.01.2016)

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cem – construindo o êxito em matemática

No final da déc. de 90 do séc. XX, a Associação de Professores de Matemática (APM) realizou um estudo, Matemática 2001 – Diagnóstico e Recomendações sobre o Ensino e Aprendizagem da Matemática, “com o propósito de elaborar um diagnóstico e um conjunto de recomendações sobre o ensino e a aprendizagem da Matemática no nosso país” (ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA, 1998, 1). Este estudo tinha a preocupação de contribuir para a melhoria do ensino da matemática no início do séc. XXI. Dele emergiram recomendações específicas para uma reorganização curricular, repensando as finalidades do ensino da disciplina para as práticas pedagógicas dos professores em sala de aula e para a formação de professores, entre outras. Em 2001, seguindo as recomendações advindas do estudo supracitado, o Ministério da Educação lançou o Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais, definindo as aptidões fundamentais que um aluno deveria ter desenvolvido no final de cada ciclo (1.º, 2.º e 3.º ciclos). Esta finalidade do ensino da matemática implicava mudanças nas práticas dos professores. Visando ir ao encontro das necessidades de formação para implementar tais mudanças, realizou-se na Madeira uma formação para professores de matemática. Em 2005, no âmbito do Plano de Ação para a Matemática, iniciou-se em todo o país uma formação de professores que teve como propósito melhorar a preparação para uma mais profícua implementação do novo programa da disciplina, então em experimentação, e que veio a ser homologado em 2007. Esta formação decorreu entre 2005 e 2011 e alcançou milhares de professores. O projeto CEM O CEM – Construindo o Êxito em Matemática é um projeto de formação contínua de professores de matemática do ensino básico que teve início no ano letivo 2006-2007, no âmbito do Plano Regional de Ação para a Matemática, e que conta com o apoio da referida Direção Regional e da Universidade da Madeira (UMa). Com uma visão ampla do que é a aprendizagem no geral e a aprendizagem da matemática em especial, foram adotadas três teorias sociais de aprendizagem que seriam o suporte teórico de toda a conceção e implementação do projeto. A teoria da aprendizagem situada, que vê a aprendizagem como participação, defende que, para aprender, as pessoas têm de se empenhar conjuntamente, sendo igualmente necessário que participem nas práticas e tenham uma meta a alcançar. Outra das teorias que sustentam o projeto é a teoria da atividade, que entende a aprendizagem como transformação, seja das práticas em que as pessoas (professores e alunos) se envolvem, seja das pessoas que aprendem (professores e alunos). O terceiro pilar teórico do projeto é a educação matemática crítica, que discute a aprendizagem como ação dialógica, defendendo que para aprender é preciso existir intencionalidade por parte de quem aprende, o que envolve ação e reflexão sobre essa ação. A partir destas três ferramentas teóricas, idealizou-se um projeto com cenários de aprendizagem para os professores e para os alunos. O projeto criado visou melhorar as aprendizagens e desenvolver as competências matemáticas nos alunos, trabalhando com os professores do ensino básico da Região Autónoma da Madeira (RAM) com os seguintes objetivos: a) promover um aprofundamento dos conhecimentos matemáticos e didáticos dos professores; b) favorecer a realização de experiências de desenvolvimento curricular que contemplem a planificação e a implementação de aulas, e posterior reflexão; c) promover o trabalho cooperativo entre docentes (intra e inter escolas). Com estes objetivos, foi promovida uma formação que teve em conta os conhecimentos matemático, didático e curricular, de acordo com os conteúdos matemáticos a abordar, e procurando atender às necessidades e solicitações dos professores. A realização de experiências de desenvolvimento curricular contemplou a planificação de aulas, a sua condução e posterior reflexão por parte dos professores envolvidos, apoiados pelos pares e pelas formadoras que integravam a equipa do projeto. No ano letivo de 2006-2007, iniciou-se o projeto CEM para professores do 3.º ano do 1.º ciclo. Cada equipa de formação era constituída por uma professora do 1º ciclo e por uma professora de matemática do 3.º ciclo e do secundário. Esta exigência prendeu-se com a procura de assegurar que tanto o conhecimento matemático quanto o didático e curricular estavam salvaguardados. Metodologia de trabalho do projeto CEM As equipas de professores destacados pela DRE prepararam a formação construindo propostas de trabalho adequadas ao tipo pretendido e criaram materiais visando o trabalho dos alunos na sala de aula e considerando a sua adequação a uma metodologia de atuação onde o discente é o elemento central do seu processo de aprendizagem. Quinzenalmente, as equipas de formação reuniam com os docentes, organizados em pequenos grupos (de não mais de 12), apresentavam e discutiam com os professores em formação as propostas de trabalho e os materiais construídos, refletindo sobre as metodologias de trabalho e as consequências das mesmas para a implementação das propostas. Finalmente, prestavam apoio aos professores, em contexto de sala de aula, na execução das propostas de trabalho construídas e amplamente discutidas nas reuniões. Cada professor envolvido na formação tinha a liberdade de adaptar à(s) sua(s) turma(s) a proposta construída pelo CEM, sendo essa adaptação apresentada e discutida com as equipas de formação. Os cenários de aprendizagem dos professores também tinham momentos de discussão e reflexão conjunta (professor, equipa formadora, restantes professores em formação) acerca da prática pedagógica resultante da implementação das propostas de trabalho na sala de aula. Os formandos tinham ainda de refletir sobre o processo e apresentar ao grupo de trabalho, com base em artigos científicos fornecidos pela equipa de formadores, diversas temáticas, como sejam, a avaliação das aprendizagens matemáticas e a comunicação matemática. Como estratégia complementar, os professores envolvidos no projeto dinamizavam, com o apoio da respetiva equipa formadora, seminários trimestrais nos estabelecimentos de ensino a que pertenciam, como meio de troca e partilha de experiências com os restantes colegas da escola. Dos cenários de aprendizagem criados para os docentes faziam também parte a análise e interpretação (por parte dos professores, apoiados pelas equipas de formação) dos documentos curriculares que foram emergindo ao longo de todos os anos de projeto. Este aspeto do trabalho é bastante apreciado pelos professores. A evolução do CEM Em 2006-2007, 57 professores do 3.º ano de escolaridade aderiram voluntariamente ao projeto. Em 2007-2008, entraram 119 novos professores, também do 3.º ano, e deu-se continuidade ao trabalho realizado com 49 dos docentes que integraram o projeto no ano anterior, na altura lecionando 4.º ano de escolaridade. Em 2008-2009, o projeto funcionou com 106 professores do 4.º ano (dos que tinham entrado para o projeto no ano antecedente) e entraram cerca de 100 novos professores do 3.º ano. Ainda em 2008-2009, foram preparadas propostas para o 1.º ano de escolaridade, disponibilizadas numa plataforma Moodle, introduzida nesse ano letivo como mais um meio de comunicação entre a equipa de formação e os professores em formação. A preparação das propostas para o 1.º ano foi a forma de garantir o elo de ligação aos professores que tinham terminado a formação presencial. No mesmo ano letivo, chegaram ao 2.º ciclo os primeiros alunos do projeto CEM. O CEM, para o 2.º ciclo do ensino básico (CEM2), surgiu como a continuidade natural e desejável a dar ao trabalho realizado por esses alunos no 1.º ciclo do ensino básico (CEB). Aderiram ao projeto 65 professores de matemática que estavam a lecionar ao 5.º ano de escolaridade e entraram para o projeto mais duas equipas de formação, cada uma delas constituída por duas professoras de matemática (uma do 2.º e outra do 3.º ciclo). Em 2009-2010, o projeto CEM (1.º ciclo) funcionou com cerca de 70 professores do 4.º ano. Foram preparadas propostas para o 2.º ano de escolaridade, disponibilizadas na plataforma Moodle. No CEM2, deu-se continuidade ao trabalho realizado no ano anterior com os professores de matemática do 5.º ano que se encontravam já a lecionar ao 6.º ano. Em 2010-2011, chegaram os primeiros alunos do projeto CEM (1.º e 2.º ciclos) ao 3.º ciclo. Assim, como forma de dar continuidade ao trabalho realizado nos ciclos anteriores, o projeto CEM estendeu-se ao 3.º ciclo do ensino básico (CEM3). Os objetivos do CEM3 são, basicamente, semelhantes aos que tínhamos para o 1.º e 2.º ciclos. Neste ano letivo, foi feita a generalização dos novos programas de matemática do ensino básico. Todo o trabalho desenvolvido teve em conta as orientações do novo programa, até então em experimentação. Iniciou-se o CEM3 com 56 professores do 7.º ano de escolaridade e com três formadoras licenciadas em matemática destacadas pela DRE. Entretanto, nesse ano letivo (2010-2011), a DRE quis alargar o projeto a um maior número de professores. Estreou-se assim uma nova modalidade do CEM para o 1.º CEB (CEM1): formação de formadores. As equipas do CEM1 prepararam 30 professores para fazerem formação a outros docentes por toda a RAM. Cada um destes formadores seria responsável por dinamizar a formação de um grupo de 12 professores. Esta modalidade perdeu a componente de trabalho conjunto na sala de aula. Seguiu-se um esquema semelhante para os professores do 5.º ano. 40 docentes das diferentes escolas da RAM receberam formação com a equipa do CEM2 e depois deram-na aos colegas da sua escola que lecionavam ao 5.º ano. Em 2011-2012, foram 48 os professores do 8.º ano que estiveram envolvidos na formação na sua modalidade original, sendo que muitos deles já tinham tido formação no âmbito do projeto CEM3 no ano anterior, quando lecionavam ao 7.º ano. Ao longo deste ano letivo, 19 professores do 1.º CEB receberam formação e replicaram-na a grupos de 12 professores. Também 33 professores do 6.º ano receberam formação e dinamizaram-na nas suas escolas para os colegas que lecionavam no mesmo ano de escolaridade. Em 2012-2013, o projeto CEM3 atingiu o último ano de escolaridade do 3.º ciclo, trabalhando na sua modalidade original (com acompanhamento na sala de aula). Foram 60 os professores do 9.º ano que frequentaram a formação. Para esse ano letivo (2012-2013), a DRE propôs que se adotasse uma metodologia semelhante à dos 1.º e 2.º ciclos para os 7.º e 8.º anos. Ou seja, professores dos 7.º e 8.º anos indicados pelas próprias escolas fariam formação com as equipas do CEM3 e depois dinamizariam a mesma formação nos seus estabelecimentos de ensino para os colegas que lecionavam ao 7.º ou 8.º ano, respetivamente. Mas esta formação para os 7.º e 8.º anos não teve o sucesso esperado, nomeadamente, devido à obrigatoriedade da mesma e à falta de critérios adequados para a seleção dos professores que iriam receber a formação com as equipas do CEM3 e replicá-la nas escolas. Em relação ao 1.º CEB, nesse ano, fez-se formação para todos professores da RAM que se encontravam a lecionar ao 4.º ano de escolaridade: 153 frequentaram essa formação. Note-se que muitos destes docentes já tinham frequentado o projeto CEM na sua modalidade original e, portanto, conheciam muito bem as metodologias de trabalho em questão. Este aspeto foi uma mais-valia para a formação e refletiu-se na profundidade das reflexões elaboradas pelos professores, quer sobre as propostas apresentadas, quer sobre a implementação das mesmas na sala de aula, e também no aproveitamento dos alunos. No que concerne ao 2.º CEB, no mesmo ano letivo, 26 professores do 5.º ano e 27 do 6.º ano participaram na formação. Muitos já tinham frequentado o CEM2 na sua modalidade original. Em 2013-2014, estando a DRE muito agradada com os resultados dos exames nacionais de matemática do ano anterior, solicitou novamente formação para todos os professores do 4.º ano da RAM e para os professores do 1.º e do 3.º (anos em que o novo programa de matemática, definido em 2013, estava a ser implementado). Iniciou-se com os professores destes 1.º e 3.º anos uma nova modalidade do CEM e apostou-se no b-learning, uma vez que muitos destes professores já tinham participado no projeto, numa das outras modalidades. No 2.º e 3.º ciclo, a formação foi para os professores que lecionavam aos 5.º e 7.º anos, respetivamente, uma vez que eram anos de implementação do novo programa de matemática (2013), como se disse. No 7.º ano, na modalidade original e no 5.º, sem acompanhamento na sala de aula. Os números do CEM  Ao longo destas linhas foi indicado o número de professores que participaram na formação do CEM nos três níveis de ensino. Quanto aos discentes, cada professor que participou no CEM tinha mais do que uma turma e terá trabalhado com uma metodologia semelhante nas várias turmas que tinha e pelas quais foi passando ao longo dos anos pós-projeto CEM. Não se consideram esses valores no quadro da fig. 1, mas somente o número de alunos no ano e turma com que o professor participou no projeto. Muitos destes discentes foram “alunos do CEM” durante diversos anos e ciclos de escolaridade. Também vários professores dos diferentes ciclos participaram no CEM durante vários anos. Ano letivo N.º de professores por ciclo N.º de alunos por ciclo 1.º  2.º 3.º 1.º 2.º 3.º 2006-2007 57 - - 1140 - - 2007-2008 168 - - 3360 - - 2008-2009 206 65 - 4012 1625 - 2009-2010 70 31 - 140 775 - 2010-2011 15 40 56 1920 1000 1046 2011-2012 19 33 48 2400 825 772 2012-2013 153 53 113 3060 1300 2418 2013-2014 235 36 29 4700 900 658 Fig. 1 – Quadro com o número de docentes e discentes que participaram no projeto CEM entre os anos letivos de 2006-2007 e 2013-2014. Os resultados do projeto CEM Os resultados obtidos são, em termos gerais, semelhantes para o CEM1 e para os CEM2 e CEM3. Podemos avaliar o projeto tendo em conta: as aprendizagens matemáticas dos alunos e as transformações nas práticas dos professores. Para avaliar as aprendizagens matemáticas dos alunos, temos disponíveis os seguintes elementos: resultados das provas de aferição e dos exames nacionais; observação do trabalho dos alunos aquando da participação das equipas de formação nas aulas dos professores em formação; partilha feita pelos professores nas reuniões quinzenais sobre o desempenho dos alunos nas aulas; inquéritos realizados aos alunos; portefólios elaborados pelos professores; múltiplas teses de mestrado realizadas na UMa. No que diz respeito aos resultados das provas de aferição dos alunos do projeto CEM1, CEM2 e CEM3, podemos constatar, ao longo dos anos, que estes são ligeiramente melhores do que os resultados globais dos alunos da RAM. A grande diferença está na ausência da classificação mais baixa (nível E) nos alunos do projeto e de uma percentagem maior de alunos com classificação superior (nível C). No ano 2012-2013, a média dos resultados dos exames nacionais dos alunos da RAM foi superior à média dos resultados dos exames nacionais dos alunos de Portugal continental. Da observação direta do trabalho dos alunos, denota-se aprendizagens significativas ao nível dos conteúdos matemáticos, maior interesse e empenho para com a aprendizagem da matemática, mudança de atitude em relação a esta disciplina, mais competência na resolução de problemas matemáticos e utilização da matemática de forma crítica. Os professores que recebem “os alunos do CEM” referem que estes aprenderam a discutir ideias matemáticas e a comunicar matematicamente, quer por escrito, quer oralmente; têm um forte poder de argumentação; sabem trabalhar cooperativamente, com materiais manipulativos e com software informático, mantendo uma postura crítica face à aprendizagem da matemática; têm muita facilidade em discutir estratégias e procedimentos, bem como em fundamentar as suas opiniões. Estes resultados são também corroborados pelos autores das várias teses e relatórios de mestrado em ensino da matemática no 3.º CEB e no secundário elaboradas na UMa, por professores que frequentaram o CEM. Para avaliar as transformações nas práticas dos professores, dispomos dos seguintes meios: reuniões quinzenais, idas às escolas, reflexões; planificação e execução das aulas, escolha dos materiais e seleção de estratégias; portefólios elaborados pelos docentes; inquéritos realizados aos mesmos; e a dissertação de doutoramento da Eva Gouveia. Da análise de todos estes instrumentos de avaliação podemos afirmar que houve mudanças ao nível dos conhecimentos científicos e didáticos dos professores envolvidos no projeto, visíveis através de um maior rigor científico-matemático e de uma maior necessidade de aprofundamento dos conhecimentos matemáticos. Houve também mudanças no que diz respeito à planificação e condução das aulas, bem como à reflexão que passaram a fazer sobre as aulas participadas. As planificações tornaram-se mais sistematizadas e fundamentadas; as aulas, menos expositivas e mais centradas no aluno; os conteúdos matemáticos, tratados com maior rigor científico; os professores, mais críticos em relação ao seu desempenho. No geral, ao final de um ano de projeto, a prática pedagógica dos professores envolvidos no mesmo sofreu transformações, quer na diversificação de estratégias, quer na crescente inclusão de materiais manipulativos nas suas planificações e nas suas práticas, bem como na segurança com que passaram a trabalhar a matemática. No que diz respeito ao trabalho cooperativo entre os docentes, houve alguns casos de sucesso, mas, de um modo geral, os professores ainda resistem ao trabalho cooperativo intra e inter escolas. As formadoras do projeto As formadoras do CEM são uma parte fundamental do projeto. Para que tudo decorra da melhor forma possível, quando em contacto direto com os professores em formação, é necessário um forte trabalho de bastidores que também merece ser destacado. Semanalmente, houve reuniões de trabalho entre as formadoras do projeto e a sua coordenadora. Foi nessas reuniões que se definiram ou redefiniram estratégias de trabalho, se discutiram as propostas apresentadas e debatidas com e pelos professores, e se consideraram artigos científicos sobre a aprendizagem da matemática, a avaliação das aprendizagens matemáticas, a utilização de materiais manipuláveis e softwares educativos e applets na aula de matemática, entre outros.   Elsa Fernandes (atualizado a 29.12.2016) 

Educação História da Educação

trigo, aníbal augusto

Aníbal Augusto Trigo nasceu em Torre de Moncorvo, em 1865. Fez os seus estudos na escola do Exército, em Lisboa, após o que foi para o Funchal como chefe de secção de Obras Públicas. Foi Diretor de Repartição Técnica da Câmara Municipal do Funchal durante 34 anos, tendo chegado a acumular este cargo com o de diretor das Obras Públicas, aquando da ida de seu irmão, Adriano Augusto Trigo, para Macau. Foi Diretor dos Serviços Hidráulicos, sendo promovido a Inspetor Superior das Obras Públicas em 1932. Em 1912, foi nomeado para integrar a Comissão Técnica de Inspeções, Provas e Exames de Automóveis e Condutores da Circunscrição da Madeira. Era irmão do Engenheiro Adriano Augusto Trigo. Foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem de S. Tiago da Espada. Morreu no Funchal, em 1944.   Ana Londral (atualizado a 05.01.2017)

Personalidades