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preto, alberto gonçalves

Pedro Alberto Gonçalves Preto nasceu na freguesia da Sé, Funchal, a 7 de setembro de 1907, filho de Francisco M. de Freitas Gonçalves Preto, advogado e jornalista, e de Sofia Amélia Gonçalves Preto. Casou-se com Maria Aurora de Sousa Gonçalves Preto, com quem teve um filho, Edgar Reinaldo de Sousa Gonçalves Preto, cineasta. No dia 12 de dezembro de 1917, com apenas 10 anos, foi atingido por estilhaços de uma granada num ataque de submarinos alemães, que despejaram sobre o Funchal 50 obuses de grosso calibre em plena Primeira Guerra Mundial, ficando com uma permanente, mas ligeira, deformação no braço direito. Morador na R. da Carreira, no Funchal, Gonçalves Preto tirou o curso no Liceu Jaime Moniz e frequentou a Universidade em Lisboa, cidade que “de lés-a-lés calcorreou de velhusca capa e batina” (Re-nhau-nhau, 25 maio 1971, 4) e onde contactava frequentemente com o conterrâneo e amigo Teixeira Cabral e o caricaturista Reinaldo Ferreira, conhecido como Repórter X. Desde o tempo do liceu começou a firmar qualidades enquanto jornalista. Fundou e dirigiu, em conjunto com Arnaldo Barão, a Piada Académica, cuja realização foi para Preto uma espécie de alvorada no jornalismo. Trabalhou no jornal O Fixe, sob a direção de Jaime de Macedo, de onde sai em consequência de uma cisão. Ao lado de João Miguel, amigo de longa data, Gonçalves Preto funda o Re-nhau-nhau, um jornal satírico. Sob a direção de Gonçalves Preto e tendo como editor João Miguel, o primeiro número, especial, sai no dia 16 de dezembro de 1929. Trimensário humorístico cuja redação foi montada no n.º 42 da travessa das Violetas, dirigia-se, na primeira página, “Aos briosos da briosa academia” do liceu do Funchal, título acompanhado de duas caricaturas, uma de Teixeira Jardim, presidente da academia, e outra de Liberato Ribeiro, presidente da executiva. Na capa deste número especial, o Re-nhau-nhau dá os primeiros ares da sua graça ao ser dedicado aos “‘miaus’ futuros pais da pátria em geral e às noivas em particular”. No dia 20 de dezembro de 1929, saía para as bancas, já com cariz mais político, o n.º 1, intitulado “Donde irradia a ordem e o progresso!...”. Gonçalves Preto dirigiu o trimensário durante 42 anos, ininterruptamente, até ao final da sua vida. A edição de 25 de maio de 1971 ainda o refere como diretor. Ao mesmo tempo que dirigiu esta publicação, Gonçalves Preto foi chefe da secção de serviços administrativos da Caixa de Previdência e Abono de Família do distrito de Funchal. Ou assinando com o seu nome, ou com o pseudónimo Gonçalves Cor Ausente, Gonçalves Preto escreveu tanto prosa como poesia, sendo neste género literário que publica, em 1955, Versos de Gonçalves Preto – Perfis de donzelas várias: “Tão linda que em pequenina/Havia um rapaz, por graça/Que ao vê-la passar, ladina/Dizia em voz cristalina:/– “É a minha noiva que passa”.//Cresceu, tornou-se mais linda,/E agora, o mesmo rapaz/Cheio de saudade infinda/Ao vê-la, suspira ainda,/E já não sabe o que faz,//Seus doces olhos castanhos/Duma suave ternura,/Têm qualquer coisa de estranho,/E a qualquer criatura/No coração fazem lenhos” (PRETO, 1955, 2). Nos palcos do teatro amador e nos salões privados, Gonçalves Preto declamava poesia. Em 24 de agosto de 1933, com João Santana Borges e Filipe Correia, chegou a estrear, no Teatro Municipal do Funchal, uma revista teatral com o título O fim do mundo. Pedro Gonçalves Preto morreu no hospital dos Marmeleiros, no Funchal, no dia 15 de maio de 1971. Foi sepultado no cemitério Nossa Senhora das Angústias, em São Martinho.   Obras de Pedro Gonçalves Preto: Versos de Gonçalves Preto – Perfis de Donzelas Várias (1955).       António José Macedo Ferreira (atualizado a 03.02.2017)

Literatura Sociedade e Comunicação Social Personalidades

sousa, josé de barros e

Fig. 1 – Dr. José de Barros e Sousa. Fonte: Dicionário Corográfico de Câmara de Lobos: http://www.concelhodecamaradelobos.com/dicionario/sousa_jose_barros.html (acedido a 23 set. 2015). Nasceu no sítio da Torre, freguesia de Câmara de Lobos, a 1 de março de 1859. Era filho de José Barros da Silva, sapateiro e trabalhador agrícola, e de Valentina Luísa de Sousa. Concluído o ensino secundário, no Liceu Nacional do Funchal, licenciou-se em Direito, na Universidade de Coimbra, a 23 de junho de 1884, enveredando pela carreira da Magistratura. Dois anos depois, casou, na freguesia de Santa Maria Maior, com Maria Alexandra Lomelino, filha de Justiniano José Lomelino de Serpa e de Fortunata Augusta de Castro. Foi delegado do Procurador Régio na comarca da Ponta do Sol, de 1887 a 1900, juiz de Direito na Comarca de Santa Cruz, a partir desta última data, e depois em várias comarcas do território continental, nomeadamente Resende, Oliveira do Hospital (1909) e Vila da Feira (1914). Era desembargador da Relação do Porto quando se aposentou, em 1929, falecendo em dezembro do ano seguinte nesta mesma cidade. A 24 de fevereiro de 1917, assumiu-se como um dos fundadores da Associação de Assistência aos Pobres de Espinho, que distribuía refeições e prestava assistência médico-social aos pobres e doentes, acabando por transformar-se, por portaria de 24 de julho de 1937, na Misericórdia de Espinho. Foi também, no Porto, um dos fundadores e primeiro presidente do ramo “Fraternidade” da Sociedade Teosófica de Portugal (1925-27). Publicou, em 1921, Preceitos de Moral da Infância e traduziu e editou, em 1926, Salvação para Todos, de Emile Catzeflis. Faleceu em 1930. Obras de José Barros e Sousa: Preceitos de Moral da Infância (1921).   Gabriel Pita (atualizado a 10.02.2017)

Personalidades

sousa, jacinto antónio de

Fig. 1 – Jacinto de Sousa.   Meteorologista, Comendador e Lente na Universidade de Coimbra, nasceu no Funchal, a 3 de janeiro de 1818, e morreu em Coimbra, a 15 de agosto de 1880. Doutorou-se em Filosofia, a 6 de janeiro de 1858, na Universidade de Coimbra. Destacou-se desde cedo por possuir não só os graus de bacharel (10/06/1848) e Licenciado (18/12/1857) em Filosofia, mas também o grau de Bacharel em Matemática (26/07/1850) e em Direito (10/06/1854). Durante a sua formação, encarregou-se da educação científica e literária dos filhos do Duque de Palmela. O contributo relevante de Jacinto António de Sousa está, indelevelmente, associado à Física, em especial à Meteorologia e ao Magnetismo Terrestre. Ao serviço da Universidade de Coimbra, ministrou as seguintes cadeiras: Mineralogia (1857-1858), Física (1858-1859) e Química Inorgânica (1858-1859), como substituto extraordinário; Física (1859-1860), Química Inorgânica (1859- l 864), Química Física (1860-1861) e Física Experimental (1861-1864), como substituto; e Física Experimental (1864-1880), enquanto lente. É nomeado (13/06/1860) para participar na comissão enviada pelo Governo português a Espanha para observar o eclipse total do Sol de 18 de Julho desse mesmo ano (no Cabo de Oropesa). Cumprida esta tarefa, seguiu viagem para a Europa, tendo visitado os mais notáveis estabelecimentos científicos de Espanha, França, Bélgica e Inglaterra, sobretudo os observatórios magnéticos e meteorológicos. Desta viagem resultou a seguinte publicação: Relatório duma visita aos estabelecimentos científicos de Madrid, Paris, Bruxelas, Londres, Greenwich e Kew. Este texto é um contributo fundamental para a empresa de dotar a Universidade de Coimbra de um Observatório Meteorológico e Magnético. A existência deste laboratório ficara dependente do claro empenho de Jacinto de Sousa, dos contributos recolhidos na viagem científica que empreendeu e do apoio e compreensão de El-Rei. Dadas as circunstâncias, adversas à criação, em Coimbra, de um Observatório que permitisse resultados confiáveis e úteis à ciência, a Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra recorre ao auxílio do Governo de Sua Majestade, El-Rei D. Pedro V (1837-1861). Este pedido teve a melhor recetividade por parte de Sua Majestade, pois apenas três meses depois Jacinto de Sousa (então diretor do Gabinete de Física) foi autorizado a empreender aquela viagem aos estabelecimentos científicos europeus a fim de encontrar um modelo adequado para a construção do futuro Observatório. Encontrou em Kew o modelo para o novo Observatório por ele tão desejado e contou com o entusiasmo dos ilustres geofísicos: Edward Sabine (1788-1883) e Balfour Stewart (1828-1887). Jacinto de Sousa acompanhou a construção do Observatório desde a encomenda dos instrumentos, em Inglaterra, aos demais aspetos técnicos que esta empresa exigiu. Dirigiu aquela instituição desde 1862, aquando da sua construção, e nesse cargo se manteve até 1880. Tornou possíveis as primeiras observações meteorológicas diárias em Coimbra (desde 1864) e determinações do Magnetismo Terrestre (desde 1866). A ausência de pessoal competente para executar as observações impôs-lhe um esforço hercúleo, pois apenas ele e um observador asseguravam todo o serviço, que incluía observações em três horários, entre as seis da manhã e a meia-noite. A sua dedicação conduziu-o à edificação de uma casa junto do Observatório (na Cumeada) para assegurar eficazmente os trabalhos. Em 1874, aquando da celebração do tricentenário da Universidade de Leida (Holanda), Jacinto de Sousa é nomeado para fazer parte da representação da Universidade de Coimbra naquela instituição. Desta viagem resultou uma publicação, em conjunto com Augusto Filipe Simões: O Tricentenário da Universidade de Leida. Relatório Dirigido ao Ilmo. e Exmo. Sr. Visconde de Vila Maior, Reitor da Universidade de Coimbra. Publicou ainda: Observações Meteorológicas Feitas no Observatório Meteorológico e Magnético da Universidade de Coimbra, 1870-1871. Seguiram-se-lhe Observações Meteorológicas 1871-1872 e Aditamento à Memória Histórica da Faculdade de Filosofia. Colaborou na revista Instituto, entre outras publicações nacionais e estrangeiras. Comendador da Ordem de Cristo e da Ordem do Império do Brasil, morreu na casa que edificou junto do projecto que o inspirou a superar-se, pois dedicou a toda a sua inteligência e agilidade ao Observatório de Coimbra. Obras de Jacinto António de Sousa: Relatório duma visita aos estabelecimentos científicos de Madrid, Paris, Bruxelas, Londres, Greenwich e Kew (1862); O Tricentenário da Universidade de Leida. Relatório Dirigido ao Ilmo. e Exmo. Sr. Visconde de Vila Maior, Reitor da Universidade de Coimbra. Publicou ainda: Observações Meteorológicas Feitas no Observatório Meteorológico e Magnético da Universidade de Coimbra, 1870-1871 (1872); Observações Meteorológicas 1871-1872 (1873); Aditamento à Memória Histórica da Faculdade de Filosofia (1873).   Rui Gonçalo Maia Rego (atualizado a 10.02.2017)

Física, Química e Engenharia Personalidades

sousa, arthur rodrigues de

Foi um distinto advogado, político e homem do desporto madeirense do século XX, descendente de uma família originária do Faial (concelho de Santana). Arthur Rodrigues de Sousa nasceu no Funchal, na freguesia de Santa Luzia, no dia 23 de novembro de 1905, filho do médico João Albino Rodrigues de Sousa, eminente clínico, abastado proprietário, influente político e industrial do concelho de Santana, onde montou inclusive fábricas de manteiga e de aguardente, posteriormente administradas por alguns dos filhos. O seu avô, Albino Rodrigues de Sousa, foi um importante político que militou no Partido Regenerador e foi graças à sua influência e à de seu filho João Albino que se construíram as pontes do Faial, por pedido efetuado ao então Primeiro-Ministro Hintze Ribeiro. Mesmo após a Implantação da República, a família Rodrigues de Sousa (os “Albinos”, como eram conhecidos) hasteava a bandeira monárquica, mantendo-se fiel aos seus princípios. Arthur Rodrigues de Sousa fez parte de uma prole de cinco filhos (com Albino, Álvaro, Maria Olinda e Arnaldo) que se estabeleceram na Madeira e em Portugal Continental. Frequentou o Liceu Jaime Moniz, no Funchal, licenciando-se posteriormente em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Na capital portuguesa abriu banca de advocacia, exercendo as funções de advogado e consultor jurídico. Durante os tempos de estudante, envolvia-se com frequência em discussões de carácter político. Numa altercação que ocorreu junto do Diário de Notícias, no Rossio, foi agredido e levado, juntamente com os agressores, para o Governo Civil. Como consequência desse episódio perdeu uma vista, pelo que passou a usar monóculo. Durante a juventude, integrou a redação do diário Acção Realista, que veiculava os ideais monárquicos da Ação Realista Portuguesa. Este movimento monárquico começou por transmitir os seus propósitos na revista quinzenal Acção Realista, dirigida pelo também madeirense Ernesto Gonçalves, da qual se publicaram 32 números (entre 22 de maio de 1924 e outubro de 1926) e nos quais também participou o Visconde do Porto da Cruz. No primeiro número da revista, o movimento definia-se como “a aspiração duma fação de monárquicos que estão fartos da inércia em que se tem vivido” (Acção Realista, 22 maio 1924, 2). Desejavam “uma monarquia isenta de vícios republicanos” (Acção Realista, 10 jun. 1924, 2). Entre 15 de abril e 18 de agosto de 1926, este movimento também publicou as suas convicções no diário Acção Realista, de Lisboa, dirigido por João Ameal, onde colaborou Arthur Rodrigues de Sousa. Além desta participação na imprensa de cariz político-ideológico, e de regresso à Madeira, Rodrigues de Sousa destacou-se num cargo também desempenhado anteriormente por seu pai, o de presidente da Câmara Municipal de Santana, precisamente durante os anos 40 do século XX, em plena Segunda Guerra Mundial. Tomou posse na edilidade pelas mãos do Governador do Distrito, Gustavo Teixeira Dias, a 6 de janeiro de 1942, substituindo Manuel Prado de Almada, que passou a exercer as funções de Delegado Interino do Instituto Nacional do Trabalho no Funchal, cargo incompatível com a presidência da Câmara. Tanto o novo presidente como o vice-presidente, Porfírio Marques de Andrade, foram nomeados por alvará do Governador do Distrito Autónomo do Funchal. Os periódicos da época, em particular o Diário de Notícias, realçam que, quando o novo presidente chegou ao concelho, no dia 18 de janeiro de 1942, foi prontamente homenageado com a execução do hino nacional pela Banda Municipal de Santana, e foram-lhe erguidos entusiásticos vivas. De entre as obras em prol do município, salientam-se o melhoramento da rede viária com a construção de estradas, a tentativa de eliminação do jogo clandestino, o desenvolvimento das obras de assistência social e a organização do racionamento e da distribuição de bens alimentares aos mais carenciados. Chefiou ainda os serviços da Administração Municipal. Muita da documentação que continha as deliberações de Arthur Rodrigues de Sousa na presidência da Câmara de Santana acabou por perder-se, destruída por um incêndio no edifício da edilidade, no sítio do Caminho Chão, durante a madrugada de 14 de agosto de 1948. Os serviços foram provisoriamente transferidos para outra casa e, em maio de 1958, foi inaugurado o edifício dos Paços do Concelho. Arthur Rodrigues de Sousa foi substituído na presidência da Câmara pelo anterior vice-presidente, Porfírio Marques de Andrade, que já se encontrava em funções em 1948. Para além da política, Arthur era um amante do desporto e, nessa condição, exerceu, entre 1941 e 1949, o cargo de presidente da Direção do Clube Sport Madeira, de que já era sócio. Foi o décimo quarto presidente desta instituição fundada em 1909, sucedendo a Augusto Branco Camacho (1940) e antecedendo Luís Pestana (1950-1956). Procedeu à remodelação da agremiação, à organização de campeonatos internacionais de ténis em colaboração com as Federações Portuguesa e Espanhola da modalidade e à realização de excursões com notáveis personalidades internacionais. O hipismo e o ténis eram os seus desportos de eleição. Durante a sua presidência, o voleibol também mereceu especial destaque, porquanto o Clube Sport Madeira venceu, em agosto de 1944, o primeiro torneio interclubes disputado na Quinta Vigia, residência oficial do Presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira. A disputa desta competição foi uma consequência da dinamização da modalidade junto de várias agremiações do Funchal. Muita informação sobre a presidência de Arthur Rodrigues de Sousa nesta instituição se perdeu, novamente devido a um incêndio que, a 2 de junho de 2007, destruiu a sede da coletividade na Avenida Arriaga, no Funchal, e todo o espólio e documentação existentes no seu interior, incluindo os livros de atas que muito auxiliariam na descrição biográfica mais detalhada desta personalidade . A partir da década de 50, fixou definitivamente residência em Lisboa, abrindo um escritório de advogados na Rua António Maria Cardoso. Casou-se, por essa altura, com Maria Luísa Macedo Nogueira de Andrade, que foi também sua secretária no referido escritório. Anteriormente contraíra matrimónio na Madeira com uma senhora de nacionalidade sueca, mas conseguiu, pouco tempo depois, a separação e a anulação deste primeiro casamento. Depois de ter saído da Madeira, regressou poucas vezes ao arquipélago, mas numa das suas visitas, em 1986, foi homenageado em Santana e condecorado pelo Presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, pela sua ação na presidência da Câmara Municipal. Arthur Rodrigues de Sousa faleceu a 14 de janeiro de 1989, sem deixar filhos.     João Carlos Costa (atualizado a 10.02.2017)

Personalidades

sousa, antónio policarpo dos passos

Médico e poeta, Passos Sousa nasceu na freguesia da Madalena do Mar, Funchal, no dia 26 de janeiro de 1836 e faleceu a 26 de maio de 1875, com 29 anos, na freguesia da Ponta do Sol, também no Funchal. Era filho de Francisco Gomes de Sousa e de Francisca dos Passos e Sousa. Diplomado médico-cirurgião pela antiga Escola Médico-Cirúrgica do Funchal, em 1859, foi secretário da administração do concelho da Ponta do Sol. Pertencendo a uma família da qual tinha emanado uma série de talentos, cedo mostrou uma enorme habilidade para a escrita literária, ainda que a falta de saúde e a morte prematura não lhe tivessem permitido cumprir a vocação com que nascera. Porém, apesar do seu curto tempo de vida, colaborou em vários jornais da Madeira, como O Direito, com os folhetins “O Mendigo”, “A Noite do Trovador”, “Vozes da Natureza”, “A Minha Aldeia”, “Morreu”, “O Homem e o Pecado”, “Arpejos Religiosos” e “O Sepulcro do Senhor na Ponta do Sol”, entre outros, e foi considerado no seu tempo um inspirado poeta, cujos poemas eram bastante apreciados. Pode ler-se uma composição sua no primeiro volume da coletânea Flores da Madeira e outras na Selecta de Poesias Infantis e no Álbum Madeirense. O seu longo poema “Lamento” surge na Musa Insular de Luís Marino. Este texto tem uma composição formal que confirma o cuidado estético do seu autor, dividindo-se em nove estrofes, sendo as duas primeiras irregulares (12 versos cada), as seis seguintes oitavas e a última uma quadra. O número de versos é equilibrado e coerente em ordem decrescente.   Obras de António Policarpo dos Passos Sousa: “O Mendigo”; “A Noite do Trovador”; “Vozes da Natureza”; “A Minha Aldeia”; “Morreu”; “O Homem e o Pecado”; “Arpejos Religiosos”; “O Sepulcro do Senhor na Ponta do Sol”; “Lamento”.     António José Borges (atualizado a 10.02.2017)

Ciências da Saúde Literatura Personalidades

soares, daniel telo simões

Daniel Telo Simões Soares é natural da freguesia de Nossa Senhora da Piedade, ilha do Porto Santo, onde nasceu a 23 de maio de 1864. É o segundo filho do alferes de igual nome, destacado no distrito do Funchal, no Batalhão de Caçadores n.º 1, e de Tomásia Maria Telo Soares, residentes durante alguns anos naquela ilha, onde também nasceu o seu segundo filho. No ano de 1875, iniciou a sua formação militar no Colégio do Exército, em Lisboa, transitando daí para o Liceu do Funchal, onde concluiu os estudos preparatórios, antes de entrar na Escola do Exército. Casou-se com Cândida Carvalhal, natural da cidade da Praia, Cabo Verde, de quem teve duas filhas, nascidas em 1891 e 1892. A sua carreira militar teve início em 1885, como alferes e desenvolveu-se em África. No Exército colonial, prestou serviço em Cabo Verde; entre outras comissões de serviço, foi comandante militar na ilha de Santo Antão. Em 1892, é tenente do Exército na África Ocidental. Comandou várias operações militares, integradas nas guerras de pacificação da Guiné, onde as guerras tribais eram um obstáculo ao desenvolvimento da atividade agrícola e do comércio, e onde os Portugueses lutavam contra as populações autóctones pelo domínio do território. A 20 de janeiro de 1898, foi promovido a capitão. Ainda em África, e após a sua aposentação, à qual passou graduado no posto de general de Brigada, presidiu à Câmara Municipal do concelho de Santa Catarina, na ilha de São Tiago. Em reconhecimento dos serviços prestados ao país, foi agraciado com as medalhas de comportamento exemplar; classe de assiduidade de serviço do ultramar, de ouro; cavaleiro, oficial e comendador da Ordem militar de São Bento de Avis. Com a instauração da República, este militar aposentado integrou-se no Partido Republicano, alinhando com o primeiro ministério de Afonso Costa, em que os democráticos governam sozinhos, apoiados pelos unionistas e com a oposição dos evolucionistas de António José de Almeida, e protestos de norte a sul do país, com a demissão ou substituição de várias comissões nomeadas pelo governo, em que se incluem as das Câmaras Municipais e Juntas Gerais, como ocorre no Funchal. O decreto de 8 de fevereiro de 1913 do ministro do Interior dissolve a comissão administrativa da Junta Geral presidida por António Augusto Coelho da Silva Pereira e nomeia outra que, entre 12 de fevereiro e o fim de 1913, é presidida por Daniel Telo Simões Soares. As primeiras eleições diretas para os organismos da administração local após a proclamação da República realizaram-se a 30 de novembro de 1913 e deram a vitória ao Partido Democrático. Este militar de carreira, apresentado pelo concelho de São Vicente, estava entre os procuradores eleitos à Junta Geral, que o elegeram para presidente, cargo que ocupou entre 2 de janeiro de 1914 e 17 de junho de 1915. Nas eleições gerais de deputados e senadores realizadas a 13 de junho de 1915, Daniel Telo Simões Soares foi eleito senador pelo mesmo partido, na companhia de outros dois correligionários, Vasco Gonçalves Marques e Remígio António Gil Spínola Barreto, pelo que, na última reunião da primeira sessão desse ano, comunicou à Junta Geral que se iria ausentar da Madeira por ter de participar no Congresso da República. A 27 de novembro, apresentou, por ofício, a sua demissão de vogal substituto da Junta Agrícola da Madeira, cargo que assumira na reunião de 5 de julho de 1913, por se encontrar indisponível para desempenhar estas funções. Em março de 1920, teve início uma divisão entre democráticos, conduzida por Álvaro de Castro com o apoio de muitos políticos, entre os quais deputados e senadores. A 2 de abril foi apresentado ao país um manifesto explicando as razões da fundação do Partido Republicano de Reconstituição Nacional (PRRN), ao qual se juntaram muitos cidadãos sem envolvimento anterior nas lides políticas. Este partido também ganhou adeptos na Madeira, realizando-se a reunião em que se constituem os seus órgãos sociais na Qt. do Jasmineiro (onde depois se instalou o Seminário Diocesano) no dia 30 de maio e, conforme noticia o Diário de Notícias de 1 de junho de 1920, Daniel Telo Simões Soares assumiu a vice-presidência da comissão distrital deste novo órgão partidário. Este partido, apesar de ter uma vida curta (existiu apenas entre 1920 e 1923), adquiriu uma força muito expressiva, fazendo parte de vários governos nos anos de 1920 e 1921. O PRRN esteve presente nas legislativas de julho de 1921 e de janeiro de 1922, bem como nas municipais deste último ano, e, depois do Partido Democrático e do Liberal, que em 1919 juntou evolucionistas e unionistas, foi o terceiro mais votado no país. Ao longo da sua vida, este madeirense ocupou outros cargos públicos de responsabilidade, como o de comissário da polícia cívica, de 13 de outubro de 1915 a setembro de 1917, e, interinamente, o de administrador do concelho do Funchal, para que foi nomeado pelo governador civil substituto a 12 de novembro de 1915. Foi também governador civil do distrito em três períodos distintos: de 28 de setembro a 13 de dezembro de 1917, do qual se afastou com o início do Governo de Sidónio Pais, a 12 deste mesmo mês; de 21 de junho de 1919 a 8 de abril de 1920; e de 17 de novembro de 1923 a 3 de janeiro de 1924. Após a implantação da ditadura, em maio de 1926, fixou residência em Lisboa onde viveu os últimos anos da sua vida. Já afastado da política, não esqueceu a sua terra natal e, em janeiro de 1935, integrou os órgãos sociais da nova direção da Casa da Madeira naquela cidade, sediada no palácio Marquês de Pombal, organismo que, segundo o Diário de Notícias, defendeu, no grande centro da ação política e económica do país, os interesses dos madeirenses (“A Casa da Madeira…”, DN, 11 jan 1935, 1). Aí faleceu a 15 de fevereiro de 1938.   Maria de Fátima Vieira de Abreu (atualizado a 11.02.2017)

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