fernandes, maurício

18 Jan 2017 por "Leocadia"

Maurício Fernandes nasceu no Funchal, onde fez formação no ensino secundário e onde viria também, em 1968, a iniciar os estudos superiores de escultura, na então Academia de música e Belas Artes da Madeira (AMBAM). Durante os seus tempos de estudante participou em exposições coletivas, tais como a 1.ª Exposição Colectiva de professores e Alunos da AMBAM em 1970; a exposição do Cine Forum Juvenil, em 1971; e ainda a 2.ª Exposição Colectiva de Artes Plásticas, organizada pelo Complexo Turístico MATUR em 1973. Diplomou-se com o título de escultor em 1975, ingressando posteriormente na AMBAM já como docente de disciplinas do foro da escultura.

Ao longo dos anos 70, desenvolveu uma copiosa atividade artística e gráfica, produzindo no campo da banda desenhada e colaborando com o Cine-Forum do Funchal, através da criação de catálogos e cartazes para diversos eventos daquele cineclube. Em 1975, ganhou o 1.º prémio num concurso de ilustração para a primeira página do periódico local Diário de Notícias, o que lhe valeu uma colaboração com este jornal durante cinco anos. Ao longo deste período, foram continuamente publicadas tiras de banda desenhada e cartoons da sua autoria, de traço moderno e conteúdo satírico e crítico. Também para este diário, num âmbito mais próximo do design, criou cabeçalhos e outros elementos gráficos que contribuíram para renovar e modernizar a imagem deste jornal.

A partir de 1984, integrou o grupo de professores assistentes do recém-criado Instituto de Artes Plásticas da Madeira (ISAPM); enquanto docente desta instituição, Maurício Fernandes foi, juntamente com Celso Caires, o grande impulsionador do novo curso de Design. Foi também responsável, com António Gorjão, pela criação e publicação da revista-boletim Espaço-Arte, na qual colaborou com textos e desenhos, e ainda no arranjo gráfico, que incluiu a autoria de várias capas.

Na déc. de 80, destaca-se a sua produção constante e diversificada em vários domínios das artes visuais, da qual resultou a participação nas seguintes exposições coletivas: 50 Imagens, exposição de fotografia que esteve patente na sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa em 1980; Art’ilha, no Teatro Municipal do Funchal em 1980; coletiva de pintura e escultura, no Restaurante Pátio em 1981; Fragmentos, no Salão Nobre do Teatro Municipal do Funchal em 1982; 24 Artistas Madeirenses nos Açores, em Ponta Delgada, e Fotografia, no Teatro Municipal do Funchal em 1983. Em 1986, participou em várias coletivas, a saber: Dezassete Graus Oeste, na Galeria Altamira, em Lisboa e na Galeria Secretaria Regional de turismo e Cultura (SRTC), no Funchal; Sinais Convencionais, na Galeria ISAPM, Funchal; Colecção de Inverno, também na Galeria da SRTC.

Para além do seu trabalho enquanto designer para o Festival de Arte Contemporânea MARCA Madeira 87, participou como artista expositor na mostra da Galeria Quetzal e na 1.ª Mostra de Artes Plásticas da Circul'Arte/Associação de Artistas Plásticos da Madeira, no Teatro Municipal do Funchal. No mesmo ano expôs também na coletiva Cenas e Objectos, patente na Galeria da SRTC.

No final da década, Maurício Fernandes manteve o ritmo criativo e acompanhou o particular dinamismo que caracterizou a cena artística regional nesses anos. Em 1988, participou na coletiva Situações, na Galeria SRTC, e em 1989 na 3.ª Exposição de poesia Ilustrada, no Teatro Municipal do Funchal. No ano seguinte, foi a vez de Ideias e Argumentos, no Teatro antes mencionado, e Ideias Soltas, na Galeria da RTP, Funchal. Fora da Região, esteve representado na coletiva de artistas madeirenses intitulada Olhares Atlânticos, patente na biblioteca Nacional, em Lisboa.

Destaca-se ainda, nesta década, a sua participação em duas exposições internacionais de medalha, uma na Suécia em 1984 (Modern Medalijkonst, Garisonen, em Estocolmo) e outra nos Estados Unidos em 1987; assim como a numerosa produção de cartazes para organismos como a Câmara Municipal do Funchal, a Associação Comercial e Industrial do Funchal, a Secretaria Regional do turismo e Cultura e o museu quinta das cruzes, entre outros. Maurício Fernandes foi desenvolvendo um estilo gráfico de forte dinamismo geométrico, com fragmentos figurativos, conteúdo bem-humorado, e uma certa influência da pop art. É disto exemplo a imagem gráfica que criou para a Feira de Arte MARCA Madeira 87, e que é visível no cartaz do evento.

A partir de 1989, comissariou exposições na galeria Funchália, criada nesta data, onde, para além de dar a ver artistas locais e nacionais, também expôs numa individual intitulada Paisagens Sem Fim, em 1990. Colaborou na RTP Madeira com Maria Aurora Homem, no programa cultural “Letra Dura e Arte Fina”

Para além da importante obra gráfica, o seu legado inclui vários artigos publicados em revistas de Cultura como Atlântico e Islenha, versando sobre temas como a condição cultural e turística do Funchal enquanto porto de mar, a escultura de Francisco Franco, o Teatro Municipal Baltazar Dias, e a iluminação pública no Funchal. Interessante e inédita é a leitura iconográfica dos letreiros pintados da cidade, num artigo que publicou em 1987. Maurício Fernandes também foi pioneiro na publicação de manuais de estudo na área do design, nomeadamente Textos para a História e Teorias do Design, Elementos de Ergonomia e Antropometria, e Da Metodologia à Ergonomia. Aquando do processo de integração do antigo ISAPM na universidade da madeira (UMa), assumiu o cargo de Diretor da Secção de Arte e Design da UMa, cargo que desempenhou de 1996 até finais de 2000. Faleceu a 1 de janeiro do ano seguinte.

Obras de Maurício Fernandes: Textos para a História e Teorias do Design; Elementos de Ergonomia e Antropometria; “Notícias do Teatro Grande” (1985) (coautoria); “Para uma leitura iconográfica do Funchal: letreiros pintados (1850-1925)” (1987); “Funchal: Porto de Mar” (1991); “A Iluminação Pública no Funchal” (1993); Da Metodologia à Ergonomia (1994); “Inaugura-se Uma Estátua” (1995); “A Madeira e os Barcos Voadores” (1997); “Cenas do turismo Marítimo: o Porto Que nunca Existiu” (1998); “João Gonçalves e as Mitologias Locais” (1998).

Bibliog.: FERNANDES, Mafalda Sofia, “Vida e Obra do Escultor Maurício Fernandes – Subsídios para o Seu Estudo”, ensaio apresentado na disciplina de Arte e Cultura Regionais do curso de Design/Projetação da universidade da madeira, Funchal, texto policopiado, 2006; VALENTE, António Carlos Jardim, As Artes Plásticas na Madeira (1910-1990). Conjunturas, Factos e Protagonistas do Panorama Artístico Regional no Século XX, Dissertação de Mestrado em História da Arte apresentada à universidade da madeira, Funchal, texto policopiado, 1999.

Carlos Valente

(atualizado a 06.01.2017)