römer, max (1878-1960)

31 Jan 2017 por "Carlos"

Natural de Hamburgo, o pintor alemão Max Römer chegou à Madeira em 1922, onde viveu durante trinta e oito anos. Desde cedo e ainda na Alemanha, dedicou-se à técnica da aguarela com grande sensibilidade e correção, tanto no desenho como no cromatismo. Na Região desenvolveu copiosa atividade enquanto retratista dos costumes e paisagens madeirenses, obras absorvidas tanto por encomendas locais como internacionais. Assim, influenciou e sustentou o gosto oitocentista dos compradores de arte na Ilha, prolongando no século XX um naturalismo idealizado e pitoresco.

Para além da pintura e de alguma incursão na escultura, o artista foi também pioneiro no campo das artes gráficas, na região, produzindo grande quantidade e diversidade de trabalhos. Disso são exemplo as ilustrações para capas de livros editados no Funchal, sobretudo nos anos 30 e 40, e para as capas das revistas “Ilustração Madeirense” e “Das Artes e da História da Madeira”; os famosos postais promocionais da Madeira, que hoje se encontram em coleções particulares um pouco por todo o mundo; os cartazes para sessões de cinema e os anúncios publicitários, de caráter comercial, na imprensa local. Neste domínio, Römer soube associar a iconografia insular de sabor romântico a um estilo decorativo com base na arte nova e arte deco, criando letterings para as mais diversas atividades, tais como a hotelaria, restauração, casas de bordados, armazéns de vinhos e empresas de transportes, nomeadamente o Caminho-de-ferro do Monte e algumas companhias de navegação.

A encomenda pública de pintura decorativa para o Palácio de São Lourenço, sede do Governo Civil da altura, ocuparia o pintor na 2ª metade da década de 30. Um conjunto de telas a óleo, recortadas e montadas em diversas paredes e tetos do edifício, com molduras de gosto rococó, estariam concluídos em 1939. O recurso a alegorias académicas foi combinado com a incorporação de elementos regionais, tais como personagens típicas e pormenores de paisagem. Um pouco antes, em 1933, tinha já executado trabalhos de pintura mural decorativa para o antigo Hotel Belmonte, obras que foram recentemente restauradas.

Ao longo dos anos 40, pintou o tema das vindimas para casas comerciais tais como os Armazéns de vinhos Borges, Madeira Wine e Luís Gomes da Conceição & Filhos, entre outras. Em 1945 executou o conjunto mural para a cantina do atual Liceu Jaime Moniz, constituído por um friso à volta da parte superior das paredes, também com motivos típicos madeirenses de recorte estilizado.

Römer viria a dedicar-se também à pintura religiosa, tendo trabalhado com o seu discípulo, o pintor António Gouveia, no restauro de painéis religiosos em várias igrejas da Ilha. Para além do restauro, o pintor fez também cópias e acrescentou elementos identitários da Madeira a algumas pinturas. Podem ser vistos alguns exemplos deste tipo de intervenção na Igreja da Fajã da Ovelha, Igreja de São Vicente e Igreja de Nossa Senhora da Piedade, no porto santo.

Para além da produção artística, Römer também contribui para o ensino das artes na Madeira através das aulas de desenho e pintura, quer no seu atelier quer mais tarde na Academia de música e Belas Artes da Madeira, e da qual que foram alunos, entre outros, Pedro Ferraz, António Marques da Silva, Jorge Marques da Silva, Ângela Aragão, Luiza Clode, e Patrícia Morris, entre outros. Neste contexto foi realizada, em 1955, na Academia de música e Belas Artes da Madeira, uma exposição escolar com trabalhos produzidos naquelas aulas. Outra exposição deste género voltaria a acontecer em julho de 1962.

Tendo falecido em 1960, a Sociedade de Concertos organizou, no ano seguinte, uma exposição póstuma em homenagem ao pintor. Contudo, foi apenas em 1984 que um considerável número de obras de Römer seria doado pela sua família ao Governo Regional, fazendo hoje parte da coleção do museu da Quinta das Cruzes.

Em Março 2103 foi inaugurada no Centro das Artes - Casa das Mudas, a sua maior exposição retrospetiva, com cerca de quatro centenas de obras, muitas das quais foram pela primeira vez mostradas ao público. Comissariada por António Rodrigues, e dela resultando um catálogo, esta retrospetiva esteve aberta até ao final desse ano.

Bibliog.: Património artístico de Max Römer doado à Região por seus filhos”, Diário de Notícias, Funchal, 27 de Abril de 1984, p. 1; Max Römer na Madeira - [Catálogo]: exposição, museu da Quinta das Cruzes, Funchal, (s/d); Max Römer, 1878-1960 - [Catálogo]: exposição, Centro das Artes - Casa das Mudas, Calheta, FEP Design, 2013. ISBN 978-989-98295-0-3; CAMACHO, Rui, PAULINO, Francisco Faria, ed. lit. - O Funchal na obra de Max Römer: 1922/1960. Funchal, Funchal 500 Anos, D.L. 2008; CLODE, Luís Peter Clode - Registo Bio-bibliográfico de Madeirenses, Sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983; VALENTE, António Carlos Jardim, As Artes Plásticas na Madeira (1910-1990). Conjunturas, factos e protagonistas do panorama artístico regional no século XX, Dissertação de Mestrado em História da Arte apresentada à Universidade da Madeira, Funchal, texto policopiado, 1999; WILHELM, Eberhard Axel, «Max Römer (postais madeirenses percorrem o mundo)», Atlântico, 1988, nº 14, pp. 113-122; WILHELM, Eberhard Axel, “Max Römer: um pintor alemão na Madeira”, História, Lisboa, Projornal, n.º 162, Março de 1993, pp. 28-35. digital: Max Romer: divulgação das obras do artista alemão – Blog [última consulta a 25 de fevereiro de 2015]. Disponível em: http://maxromer.blogspot.pt/; 

Carlos Valente

(atualizado a 16.08.2016)

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