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III encontro de história regional e local na escola gonçalves zarco

  Nos dias 27 e 28 de janeiro ocorrerá o III Encontro de História Regional e Local, organizado pelo grupo de História da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, dedicado às Abordagens Multidisciplinares da História Regional e Local. Uma iniciativa que foi apoiada pela APCA no ano transato, no âmbito do projeto Aprender Madeira e no que concerne à sua actividade de promoção cultural na/da RAM. Na sessão de abertura estará presente o Secretário Regional da Educação, Dr. Jorge Carvalho e após uma visita guiada à exposição “Feiticeiro da Calheta – a 1ª festa da vindima de 1938 e a origem do bailinho da Madeira”, orientada pelo investigador Paulo Ladeira, o grande destaque do primeiro dia do Encontro vai para a intervenção do ex-presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Alberto João Jardim que versará sob o tema “O Porquê da Autonomia”. Esta pretende ser uma abordagem multidisciplinar em várias áreas do saber, pelo que diversos temas serão focados sempre no intuito da disseminação do interesse e conhecimento no âmbito da História Regional e Local no seio da população escolar da RAM. Assim, a programação inclui comunicações relacionadas com os temas da saúde pública e ciências naturais e no segundo dia, a preceder o encerramento deste encontro realizar-se-ão visitas de estudo a cargo dos History Tellers, projeto cultural da responsabilidade da Associação Académica da Universidade da Madeira. Com participação validada para docentes, o custo da inscrição é de 5€ sendo que é ainda possível fazê-lo através da seguinte ligação: https://goo.gl/hUnHHO. [gallery order="DESC" size="full" ids="13783,13786,13789"] O programa do III Encontro de História Regional e Local na Escola pode ser baixado aqui.

jardim da serra

A quinta construída no século XIX pelo cônsul Inglês Henry Veitch, tem importância fulcral na história da freguesia, dado que foi ela que deu origem à denominação da freguesia. Henry Veitch, de resto, teve uma vida capaz de concorrer com as mais interessantes personagens literárias. Menos sumptuosa, a Quinta da Furneira, desenhada pelo arquitecto português Raul Lino e mandada construir pelo Dr. Alberto Araújo, outra figura importante ligada à freguesia. Relevante é também a lenda da Moura, no sítio da Furneira e as Cerejeiras, monumentalizadas pela estátua de Jacinto Rodrigues. Nos pontos mais altos do Jardim da Serra situam-se os miradouros da Boca dos Namorados e da Boca da Corrida. No primeiro deles, Pêro terá clamado pela amada Ignez, que se encontrava do outro lado da montanha. No segundo, para além da fantástica vista sobre o Curral das Freiras, constatamos que os fenómenos religiosos estão em contínua criação, como as novas igreja desenhadas pelo arquiteto Paredes. [map style="width: auto; height:400px; margin:20px 0px 20px 0px; border: 1px solid black;" maptype="OSM" gpx="http://aprenderamadeira.net/wp-content/uploads/JardimDaSerra.gpx" elevation="no" download="no"] Descarregue aqui esta rota! [caption id="attachment_15949" align="alignleft" width="300"] Igreja paroquial de São Tiago[/caption] Igreja paroquial de São Tiago A antiga Sede da paróquia do Jardim da Serra, data de 1967, quando após sucessivos adiamentos da construção da nova sede paroquial, dois filhos da terra emigrados na Venezuela, ofereceram os terrenos para a sua edificação. Do ponto de vista arquitectónico tem reduzido interesse, uma vez que foi construído à medida das posses dos paroquianos, sendo o seu valor social significativo, dado que reflecte o carácter religioso dos seus habitantes e a sua abnegação a favor da fé professada. A actual sede paroquial reflecte a melhoria relativa das condições de vida da localidade. Impõe-se no alto de uma colina sobre o centro da vila. . [caption id="attachment_15953" align="alignleft" width="200"] Vista do miradouro da Boca dos Namorados[/caption] Boca dos Namorados Embora sem confirmação histórica, o local, segundo a lenda divulgada pelo poeta câmara-lobense Joaquim Pestana, num escrito de 1879, deve o seu nome a dois apaixonados que, separados pelo abismo, comunicavam sonoramente chamando-se de cada lado do vale pelo nome: “Como Pêro não lhe pudesse falar a cada momento, em razão de viver separada por aquele abismo, fazia, qual outro Leandro, acordar aqueles vales com o doce nome de - Ignez! que sempre lhe era correspondido com o nome de - Pêro!” (Joaquim Pestana). Este miradouro proporciona impressionante vista sobre a parte Sul do Curral das Freiras e sobre a cidade do Funchal, que dista 15 Km. . . . . [caption id="attachment_15957" align="alignleft" width="300"] Vista do miradouro da Boca da Corrida[/caption] Boca da Corrida Situado aos 1200 metros, este é um miradouro a partir do qual se avista no fundo escarpado o magnífico vale Curral das Freiras. A exígua capela de São Cristóvão, que lá se encontra, foi mandada construir pelo Sr. Horácio, motorista de profissão, em homenagem ao padroeiro do seu ofício. Na primeira semana de Agosto ocorre a festa de São Cristóvão, que incluiu uma procissão, na qual a imagem, transportada num automóvel enfeitado com milhares de flores, desce até ao Estreito de Câmara de Lobos. No Outono, o manto de tons acastanhados é procurado para recolha das Castanhas. . [caption id="attachment_15961" align="alignleft" width="300"] Montado dos Aviceiros. Fonte: cpjardimdaserra.com[/caption] Montado dos Aviceiros Situado à altitude de 1300 metros, o Montado dos Aviceiros permite a comunhão com a natureza em diversas dimensões, tais como práticas agrícolas que procuram promover o equilíbrio entre as necessidades humanas e as da natureza, casos da Permacultura, passeios nas extraordinárias veredas que percorrem as montanhas da ilha, observação de aves endémicas e da flora de altitude endémica da Madeira, casos do Massaroco, Uveira da Serra e Loureiros. Recorde-se que a Madeira possui a maior extensão da Laurisilva (a floresta que existia na Europa antes da última glaciação) no conjunto de ilhas conhecidas como Macaronésia (Açores, Canárias e Cabo Verde). O acesso faz-se pela Boca da Corrida. . [caption id="attachment_15965" align="alignleft" width="300"] Quinta do Jardim da Serra[/caption] Quinta do Jardim da Serra Esta Quinta, construída no século XIX pelo Cônsul Inglês Henry Veitch, tem importância fulcral na História da própria freguesia. Foi o nome desta propriedade que deu origem à denominação da freguesia: Jardim da Serra. Adaptada em 2010 numa excelente unidade hoteleira, preserva um edifício com arquitectura tradicional. É ainda possível contactar com as práticas de agricultura biológica e alguns exemplares de flores madeirenses nos amplos jardins da propriedade. Realce para o facto da quinta ter sido fonte de inspiração para Max Römer, e estar representada numa gravura do século XIX, patente na reitoria da Universidade da Madeira, no Funchal. . [caption id="attachment_15969" align="alignleft" width="200"] Sítio da Furneira[/caption] Furneira Sítio com interesse histórico e antropológico, uma vez que as furnas que aí aqui se encontram, as quais deram origem ao nome do sítio, teriam segundo a tradição servido de habitação a uma comunidade de mouros. Embora a veracidade da história não seja atestada por documentos, supõe-se que a comunidade se terá constituído com escravos foragidos dos povoados. Apesar de tudo a existência de pequenas infra-estruturas destinadas à conservação de mantimentos comprova o uso destas formações geológicas como habitação, prática que de resto era usual na ilha entre a população mais carenciada. É ainda um sítio de produção do pêro Domingos e de cerejeira. O acesso faz-se pela vereda da Fonte de Cima. . . . . [caption id="attachment_15973" align="alignleft" width="200"] "Cerejeira", de Jacinto Rodrigues[/caption] Laurisilva e Cerejeiras Escultura de Jacinto Rodrigues. A cerejeira é uma das plantas indissociáveis da freguesia, pois é aqui que se produz a maior parte das cerejas na ilha e porque dão cor à paisagem: o branco da floração e vermelho do fruto maduro. Mas é também local onde se encontra uma importante área de Laurisilva, nome dado à floresta endémica das ilhas atlânticas da Macaronesia. Floresta húmida e sub-tropical, a sua origem data do período Terciário. As lauráceas, o vinhático, o til e o barbusano são as plantas mais comuns. É na Madeira que a Laurisilva apresenta maior expressão, ocupando cerca de 15 000 hectares e o Jardim da Serra apresenta uma mancha desta floresta. . . . . [caption id="attachment_15977" align="alignleft" width="300"] Capela da Consolação[/caption] Capela da Consolação Também conhecida como capela do Foro. foi mandada erguer em 1684 por Mónica Ferreira d’ Aguiar, segunda mulher de Gonçalo de Faria Leal, dando cumprimento à vontade de seu marido, falecido em 1683, foi a primeira sede paroquial do Jardim da Serra. O seu primeiro orago foi a Nossa Senhora do Socorro, mudando posteriormente para o actual orago de Nossa Senhora da Consolação. A propriedade da mesma caiu no desconhecimento, pelo que a população tomou o edifício. No ano de 1950, encontrava-se em estado de ruína, sendo as obras iniciadas em 1960 e terminadas um ano depois. Dado que os materiais utilizados nas paredes não ofereciam segurança foi construído novo edifício no local do anterior, mantendo-se do primitivo as cantarias da porta principal e a cruz da cumeeira. . [caption id="attachment_15980" align="alignleft" width="300"] Quinta das Romeiras[/caption] Quinta das Romeiras Esta quinta foi desenhada pelo conhecido arquitecto português Raul Lino e foi mandada construir pelo Dr. Alberto Araújo, como residência de férias. Foi construída no ano de 1933. Os seus jardins caracterizavam-se pela multiplicidade de flores e de árvores de frutos, casos das cerejeiras e dos Pereiros. Nos campos havia ainda lugar à pastorícia. . . Textos: César Rodrigues Fotos: Rui A. Camacho

camacha - pela natureza

Embora não se tenha até hoje comprovado a veracidade da informação, diz-se que foi no Sítio dos Salgados que terá sido edificada a primeira capela da freguesia, mandada construir por Francisco Gonçalves Salgado, daí o nome do lugar, e que esta terá sido a primeira sede paroquial da freguesia da Camacha, quando esta se separou do Caniço. A Camacha subiu ainda mais até à alta montanha. De caminho, entre os Salgados e o Poiso foram crescendo belas quintas, construídas pelos britânicos enamorados pelo clima relativamente parecido ao da sua terra de origem, os quais tiveram papel relevante na construção de algumas levadas. Para além das quintas com jardins faustosos encontramos unidades agrícolas de pequena dimensão, com as suas casas fielmente representadas no presépio natalício madeirense, os espaços pitorescos do Montado do Pereiro, onde acorrem os madeirenses para os seus piqueniques, e no Rochão um dos principais grupos folclóricos madeirenses. [map style="width: auto; height:400px; margin:20px 0px 20px 0px; border: 1px solid black;" maptype="OSM" gpx="http://aprenderamadeira.net/wp-content/uploads/CamachaPelaNatureza.gpx" elevation="no" download="no"] Descarregue aqui esta rota! [caption id="attachment_15869" align="alignleft" width="300"] Sítio dos Salgados[/caption] Núcleo arquitetónico dos Salgados Pela homogeneidade da arquitectura das habitações, o sítio dos Salgados é um testemunho da construção tradicional da freguesia. Segundo uma interpretação histórica terá sido aqui que surgiu a freguesia e o nome da mesma é indissociável deste espaço. A casa senhorial existente, actualmente em ruínas, terá sido propriedade da família Camacho, tendo sido a partir que surgiu o nome da freguesia. Embora seja possível visitá-lo de carro, o acesso sugerido é pelo Caminho Municipal dos Salgados (tomado pelo Largo Conselheiro Aires Ornelas, sendo uma via empedrada e em bom estado de conservação), o qual era a única via para ligar o actual centro da freguesia ao Sítio dos Salgados e à freguesia do Caniço. . [caption id="attachment_15873" align="alignleft" width="300"] Casas Vale Paraíso[/caption] Quinta Vale Paraíso Constituída por um edifício principal, construído em meados do século XIX, e por outros 9 de dimensões mais reduzidas, transformadas em pequenas residências de férias, as quais mantêm de um modo geral o nome da sua função original. Este espaço oferece ainda amplos jardins compostos por plantas endémicas e exóticas pertencentes a cerca de 220 espécies. A partir desta quinta acedemos, através de uma vereda, à Levada da Serra do Faial. . . . [caption id="attachment_15877" align="alignleft" width="300"] Levada da Serra do Faial[/caption] Levada da Serra do Faial Esta infra-estrutura de transporte de água é um excelente exemplo do engenho humano na Madeira para suprir as necessidades de abastecimento de água à costa Sul da ilha, escassa neste recurso essencial. Esta levada foi a segunda a ser construída na ilha com dinheiros públicos e a totalidade dos seus 54 Km parte da serra do Faial. A partir da Camacha podemos partir em direcções opostas (Funchal ou Portela). Em ambos os percursos deparamo-nos com paisagens, sons, flora e fauna de características diversas. (8.5Km) . . [caption id="attachment_15881" align="alignleft" width="300"] Levada dos Tornos[/caption] Levada dos Tornos A Levada dos Tornos faz parte do sistema de aproveitamento e de gestão da água na ilha da Madeira, infra-estruturas grandiosas que transportam a água do Norte da ilha até ao Sul. Esta levada, por exemplo, é das mais importantes e mais longas da ilha, recolhendo a água na longínqua vila de São Vicente, na costa Norte, atravessando o maciço central, na maior parte do percurso sob as montanhas através de túneis, desemboca na costa Sul próximo do Monte, de onde se divide em dois ramais, um que abastece a cidade do Funchal e outro a costa Sudeste da ilha. . [caption id="attachment_15885" align="alignleft" width="200"] Poiso[/caption] Poiso Situado a 1400 metros o Poiso tem especial interesse pela paisagem e vegetação, em que predomina a Urze, e com a qual se fabricam as tradicionais vassouras, e Uveira, cujos pequenos frutos são comestíveis - os amurfos – proporcionam para além do sabor agradável uma rica fonte em vitaminas, espécies arbustivas indígenas da ilha da Madeira. Antes da construção das novas infra-estruturas rodoviárias este era um dos pontos de passagem na ligação entre a costa Sul e Norte. . . . . . [caption id="attachment_15888" align="alignleft" width="200"] Montado do Pereiro[/caption] Montado do Pereiro O Parque Florestal do Montado do Pereiro é um excelente espaço onde pode aliar lazer, desporto, caminhadas em percursos florestais, através dos quais poderá ficar a conhecer algumas das mais belas espécies arbóreas, casos do Cedro da Madeira, espécie endémica exclusiva da Madeira e Canárias, Castanheiros, e outras espécies exóticas, que faz do local um espaço bucólico de grande beleza. No Outono, a presença de muitos Castanheiros empresta-lhe uma tonalidade castanha. É um espaço muito procurado pela população, para piqueniques, especialmente ao fim-de-semana e outras festividades, como o 1º de Maio (celebrado nas serras em piquenique). . . . [caption id="attachment_15893" align="alignleft" width="300"] Casas tradicionais. Camacha.[/caption] Unidade agrícola tipicamente madeirense Constituída por dois corpos, construídos em pedra aparelhada, sendo a casa principal coberta com cal, ambos com os tão conhecidos telhados de colmo. Estas pequenas casas além de se inscreverem na paisagem dão motivos de decoração dos tão característicos presépios madeirenses, popularmente conhecidos como “Lapinhas”. . . . . [caption id="attachment_15896" align="alignleft" width="300"] Grupo Folclórico do Rochão[/caption] Grupo Folclórico do Rochão Fundado em 1986, esta instituição de utilidade pública vem desenvolvendo um meritório trabalho em prol da preservação das tradições culturais ancestrais. Destaque para as canções e bailes tipicamente interpretados no Natal. A indumentária do grupo reflecte a vivência na alta montanha, dedicada à pastorícia, nomeadamente o trajo de seriguilha e camisa de estopa, a camisola e o conhecidíssimo barrete de lã de ovelha. Completam o traje os instrumentos de trabalho (bordão, cordas e chocalhos). . . [caption id="attachment_15901" align="alignleft" width="300"] Água de Pena[/caption] Água de pena A água de pena é um sistema tradicional de repartição de água das levadas. Para além da relevância histórica no sistema de regadio da ilha é um símbolo da importância da burguesia inglesa no desenvolvimento da ilha e na exploração comercial dos recursos madeirenses. É o exemplo da família Blandy que, para além dos interesses empresarias no Vinho, nos bordados e noutros sectores económicos, foi um dos principais impulsionadores particulares do desenvolvimento da rede e dos sistemas hídricos da ilha. Não tendo hoje a importância social e económica de outrora, esta tecnologia rudimentar mas precisa é ainda hoje utilizado em alguns casos, nomeadamente na distribuição de água de rega. Textos: César Rodrigues Fotos: Rui A. Camacho

camacha - centro da vila

Motivos não faltam para pelo menos suspeitarmos da veracidade de que a Camacha é o centro da tradição da Madeira. Destes, alguns se concentram no Largo Conselheiro Aires de Ornelas Vasconcelos, personalidade nascida na freguesia e que se tornou conhecida no país. Segundo se afirma terá sido ali que se jogou pela primeira vez futebol em Portugal. No edifício onde se encontra o relógio trazido por Michael Graham de uma igreja de Liverpool fica a oficina de vimes, onde apreciamos a arte e os artesãos a laborar, situado ao lado da Capela de São José, erigida por Alfredo Ferreira Nóbrega Júnior e que guarda uma obra de Martin Canan. E ali se encontra igualmente a Casa do Povo, com o Grupo de Folclore da Camacha e a tradição viva, como os barretes de vilão ou de orelhas e os presépios. Próximo daqui deparamo-nos com a Igreja Matriz, datada do século XVII e a Banda Paroquial de São Lourenço. [map style="width: auto; height:400px; margin:20px 0px 20px 0px; border: 1px solid black;" maptype="OSM" gpx="http://aprenderamadeira.net/wp-content/uploads/CamachaCentroDaVila.gpx" elevation="no" download="no"] Descarregue aqui esta rota! [caption id="attachment_15833" align="alignleft" width="300"] Largo da Achada[/caption] Largo Conselheiro Aires de Ornelas Vasconcelos ou Largo da Achada Porta de entrada da freguesia ostenta o nome de uma das principais figuras da localidade. Neste largo, que é também o centro da Camacha, encontramos algumas das principais instituições e locais obrigatórios de paragem, como o caso da Casa do Povo da Camacha, instituição de cuja actividade faz parte a preservação das tradições camachenses, e num outro edifício podem ser apreciadas e adquiridas peças do famoso artesanato em vimes, artesanato emblemático da Camacha. . . [caption id="attachment_15836" align="alignleft" width="200"] Torre do Café Relógio[/caption] Torre do Café Relógio Inaugurado em 1896. Ladeado por um edifício contemporâneo comercial, a Torre do Café Relógio, como é hoje conhecida entre os locais, testemunha a ligação próxima entre a freguesia e a comunidade inglesa residente na ilha. Foi mandada construir pelo Dr. Michael Graham e foi instalado no que era, na época, a Quinta da Camacha, sua propriedade. De resto, como prova da ligação entre a Madeira e Inglaterra, note-se que o relógio e o sino são originários da Igreja Paroquial de Walton, em Liverpool. . . . . . . [caption id="attachment_15843" align="alignleft" width="300"] Oficina de Vimes[/caption] Oficina de Vimes (Café Relógio) A obra em Vimes terá tido o seu início em 1812, mas apenas por volta de 1870 terá conhecido enorme expansão. Com este recurso natural produz-se imobiliário e outras peças utilitárias. Embora atravessando um período de alguma dificuldade económica mantém-se como património cultural incontornável da freguesia e ainda hoje emprega quantidade assinalável de artesãos. Colhido entre Março e Abril, o vime é depois cozido e disponibilizado para ser trabalhado. Neste espaço pode-se assistir à produção, experimentar a arte e adquirir peças várias na pequena fábrica, entre as 9 e 18 horas (entre Segunda e Sábado) e das 9 às 15 horas (ao Domingo). . [caption id="attachment_15847" align="alignleft" width="200"] Capela de São José[/caption] Capela de São José Foi mandada erigir por Alfredo Ferreira Nóbrega Júnior em 1924 e concluída em 1928, que pretendeu desde o início criar um espaço educativo de cariz religioso. Possui um altar-mor rico em ornamentação e bem conservado bem como uma obra de Martin Canan. O livro “Ao Redor de um Ideal”, de Eutíquio Fusciano, publicado com a chancela da Câmara Municipal de Santa Cruz, é um dos documentos que podem ser consultados. Encontra-se aberta às Quintas-feiras, por volta das 18 horas. . . . . . . [caption id="attachment_15851" align="alignleft" width="300"] Grupo Folclórico da Camacha[/caption] Casa do Povo da Camacha Fundada em 1937, esta instituição de utilidade pública continua a ser uma das principais ferramentas de divulgação e preservação da cultura tradicional camachense. Acolhe 15 grupos dedicados às áreas culturais, de lazer e desportivas. Para além de ser responsável pela organização de vários eventos de cariz diverso, promove exposições, palestras e seminários. Das instituições que acolhe destaque para os Encontros da Eira (grupo de música tradicional), o Teatro Experimental da Camacha, o Grupo Folclórico da Camacha e o Grupo Coral. A diversidade e pujança cultural da freguesia justificam em grande medida o epíteto de capital da cultura tradicional da Madeira, comummente associado à Camacha. . [caption id="attachment_15854" align="alignleft" width="300"] Igreja Nova da Camacha[/caption] Igreja Nova da Camacha Inaugurada em 1997, esta igreja, dedicada a São Lourenço, de construção moderna impõe-se pela disposição radial dos assentos e pelos majestosos pilares, em número de sete, os quais representam os sete Sacramentos instituídos por Jesus Cristo. O seu interior guarda a primeira pedra, benzida pelo Santíssimo Papa João Paulo II, em 1991, aquando da sua visita à Madeira. . . . [caption id="attachment_15858" align="alignleft" width="300"] Igreja Matriz da CamachaFoto_Rui Marote. 2007[/caption] Igreja Matriz da Camacha A construção deste imóvel dedicado ao culto católico data do século XVII. Trata-se de uma estrutura arquitectónica com planta longitudinal de nave única e capela-mor. Completam o conjunto, uma torre sineira e duas capelas laterais. Como elemento decorativo destaca-se a tela do retábulo da capela-mor, ali colocado no ano de 1914 e com provável autoria dos Irmãos Bernes. Aquando da sua recuperação descobriu-se que a mesma tapava outra tela, a original, provavelmente da autoria de Nicolau Ferreira. . . [caption id="attachment_15862" align="alignleft" width="300"] Banda Paroquial de São Lourenço. Fonte: www.paroquiadacamacha.com[/caption] Banda Paroquial de São Lourenço Fundada em 1973, pelo pároco António Joaquim Figueira Pestana Martinho. Ao seu lado esteve o primeiro ensaiador e maestro, o professor Raul Gomes Serrão, seguido pelo maestro José da Costa Miranda. Por ter sido fundada sob a égide da Igreja Paroquial da Camacha a banda recebeu o nome do padroeiro da freguesia (São Lourenço). Registe-se ainda o facto de ter sido das primeiras bandas em solo português a adoptar elementos do sexo feminino na sua formação. O estandarte ostenta as cores vermelhas (o sangue derramado por São Lourenço) e o branco (evocativo da sua santidade) e no centro a lira musical bordada a ouro, ladeada pela grelha e pela palma. . . Textos: César Rodrigues Fotos: Rui Camacho

água de pena

Lançarote Teixeira mandou construir a capela chamada de Santa Beatriz, o mesmo nome de sua esposa, tendo em seu lugar sido erguida, em 1745, a igreja que adoptou a mesma denominação. Quase na outra extremidade da freguesia, ergue-se no arvoredo do sítio dos Cardais a Capela do Sagrado Coração de Jesus. Aqui apanhamos a Levada Nova do Poiso, que passa por campos de cultivo, paredes-meias com os Fontanários e o Lavadouro Público desenhado por Chorão Ramalho. Desemboca bem perto do Miradouro Francisco Álvares de Nóbrega, considerado por Horácio de Bento Gouveia como o maior poeta madeirense do século XVIII. Sobranceira ao mar, perto do aeroporto, a Fonte do Seixo, que segundo se julga é a mesma fonte narrada por Gaspar Frutuoso onde os descobriram se deliciaram com uma água límpida e fresca, tão leve que chamaram ao sítio Água de Pena. [map style="width: auto; height:400px; margin:20px 0px 20px 0px; border: 1px solid black;" maptype="OSM" gpx="http://aprenderamadeira.net/wp-content/uploads/ÁguaDePena.gpx" elevation="no" download="no"] Descarregue aqui esta rota! [caption id="attachment_15799" align="alignleft" width="200"] Igreja de Santa Beatriz[/caption] Igreja de Santa Beatriz Construída no ano de 1745, no local onde antes existia a Capela de Santa Beatriz, e onde segundo as crónicas, daqui cresceu a freguesia. Foi mandada construir por Lançarote Teixeira, que lhe deu o nome da Santa Beatriz, por ser o mesmo da sua esposa. A fachada principal ostenta a cantaria regional, de basalto, e no cimo da mesma, uma Cruz de Cristo. No último domingo de julho realiza-se uma festa popular em honra de Santa Beatriz e que tem nesta igreja o seu epicentro. . . . . . . [caption id="attachment_15803" align="alignleft" width="300"] Capela Sagrado Coração de Jesus[/caption] Capela do Sagrado Coração de Jesus Situada no centro de uma frondosa vegetação é atualmente um local de meditação procurado pela população e onde inúmeros romeiros veneram Nossa Senhora de Fátima. Comprovando a importância do culto diga-se que atual Capela foi recuperada a custos da população. No entanto, a fundação da Capela data de 1907, por iniciativa do cónego Henrique de Bettencourt. A partir deste ponto temos acesso à Levada Nova do Poiso, a qual atravessa a freguesia, até ao complexo turístico da Matur, atualmente espaço de residências. . . [caption id="attachment_15808" align="alignleft" width="300"] Caminho da Fonte d Seixo[/caption] Fonte do Seixo A origem do nome da freguesia supostamente encontra-se associada ao episódio da descoberta da mesma, narrado pelo cronista Gaspar Frutuoso e provavelmente com ligação a esta fonte natural. Na sua busca inicial, os descobridores encontram uma fonte de águas límpidas e frescas, com a qual mataram a sede. Supõe-se que a origem do nome deriva da corruptela de “Água de Penha”, ou seja a água a brotar de uma rocha. O frontispício data de 1903. . . . [caption id="attachment_15811" align="alignleft" width="300"] Fontanário e Lavadouro Público[/caption] Fontanários Testemunho de uma época em que água potável era disponibilizada apenas nestes espaços públicos, os quais revestiam-se também de importância social, dado que as idas à fonte se constituíam como momento de reforço da identidade da comunidade. Ficava-se a par das novidades e descobriam-se amores, como narrado pela canção popular “Canção da Fonte do Seixo”. Perderam a sua relevância com o desenvolvimento da rede de água potável em meados do Séc. XX, a qual passou a fazer a distribuição em cada casa. . . [caption id="attachment_15815" align="alignleft" width="300"] Lavadouro Público[/caption] Lavadouro Público Este imóvel, cuja traça aponta para a autoria de Chorão Ramalho, importante arquitecto modernista português, caracteriza-se pelo minimalismo modernista. Para além do valor arquitetónico, este imóvel é um testemunho da vivência comunitária do passado. Além do valor utilitário, enquanto se lavavam as roupas trocavam-se as novidades e debatiam-se diversos assuntos de interesse comum. . . . [caption id="attachment_15819" align="alignleft" width="300"] Miradouro Francisco Álvares de Nóbrega[/caption] Miradouro Francisco Álvares de Nóbrega Para além da vista soberba sobre o vale de Machico, que faz com que seja uma paragem obrigatória, celebra igualmente o poeta nascido na cidade de Machico, em 1772, o qual foi considerado pelo escritor madeirense Horácio Bento de Gouveia como o maior poeta ilhéu do Séc. XVIII. A sua obra, constituída principalmente por Sonetos e Glosas, é considerada um dos maiores exemplos da Literatura de cordel madeirense. Gravado na eterna pedra encontra-se o poema dedicado à sua terra. . . [caption id="attachment_15823" align="alignleft" width="200"] Posto de Transformação Chorão Ramalho[/caption] Posto de transformação Chorão Ramalho Construído entre 1946 e 1970, da autoria do célebre arquitecto Chorão Ramalho, estes postos de reforço de electricidade, com a mesma arquitectura pontuam a ilha, tornando-se um registo típico da paisagem humanizada da Madeira criada no século XX. A forma paralelepipédica com as fachadas cegas, à excepção do alçado principal, tem a aplicação da sempre presente pedra basáltica, revelando a preocupação do arquitecto em integrá-lo na tradição arquitectónica do arquipélago. . . . . . . [caption id="attachment_15827" align="alignleft" width="300"] Canavial[/caption] Levada Nova do Poiso O percurso inicia-se na Quinta do Serrado das Ameixieiras, passa pela Capela dos Cardais, pela Igreja Matriz de Água de Pena e termina no complexo habitacional da Matur. Atravessando toda a freguesia num terreno em bom estado e sem abismos, proporciona um agradável passeio com o mar como fundo. Um percurso que permite descobrir o luxuriante património natural da localidade. . . . Textos: César Rodrigues Fotos: Rui Camacho

porto da cruz - pelo centro da vila

Este roteiro convida a um passeio a pé pelo centro da vila. Estes passos em volta guiam-nos entre o sagrado e o profano, no registo que é próprio do Porto da Cruz. Passamos pela Igreja Matriz, desenhada pelo arquitecto Chorão Ramalho, mostra-nos os quadros da Via-sacra, da autoria de João Gomes Lemos, natural da freguesia. No engenho, que ainda hoje labora, explica-nos a azáfama que marcava a vida da vila e de todo o Porto da Cruz nos meses da safra da cana-sacarina. Percorremos o Caminho do cais, e de curso subimos ao fortim, onde ficamos a conhecer a paisagem e a história da vila. Junto ao cais chama-nos a atenção para as rochas, as grutas, utilizadas como armazéns, e conta-nos a lenda da furna do negro. Passámos pelo centro histórico, onde nos esclarece sobre a epopeia do vinho, a produção, o armazenamento e o transporte para o Funchal. Segue-se o Solar do antigo engenho e, por último, a Associação Flores de Maio, para nos dar acesso à tradição, ao Charamba e muito mais. [map style="width: auto; height:400px; margin:20px 0px 20px 0px; border: 1px solid black;" maptype="OSM" gpx="http://aprenderamadeira.net/wp-content/uploads/PortoDaCruzCentroDaVila.gpx" elevation="no" download="no"]   Descarregue aqui esta rota! [caption id="attachment_15719" align="alignleft" width="300"] Associação Flores de Maio[/caption] Associação Flores de Maio A Associação Flores de Maio é a grande entidade cultural do Porto da Cruz. Na sua sede é possível ver alguns instrumentos tradicionais madeirenses, assistir a vídeos, ver fotografias sobre o património e mesmo assistir a alguns ensaios de música tradicional. . . . . [caption id="attachment_15723" align="alignleft" width="300"] Solar e ruínas do engenho[/caption] Solar e ruínas do Engenho O Solar do Engenho e as ruínas do antigo engenho de cana-de-açúcar, edificado no final do século XVIII. Pode observar-se a imponente chaminé que estoicamente subsiste. Esta é construída em alvenaria de pedra basáltica apresentando ainda vestígios de argamassa de cal. Ali foi filmada parte da célebre série televisiva dos anos 80, Manuel na ilha das Maravilhas, produzida por Raul Ruiz. . . . [caption id="attachment_15727" align="alignleft" width="300"] Armazéns de vinho[/caption] Centro histórico do Porto da Cruz: armazéns de vinho Se nos territórios do sul se produz o internacionalmente afamado vinho Madeira, as terras do norte são a origem da maior parte do vinho consumido pela população da ilha, conhecido localmente como “vinho seco”. Do Porto da Cruz é originário o vinho “americano”, um dos mais afamados vinhos deste tipo. Nestes armazéns armazenava-se o vinho antes de ser transportado de barco para a cidade do Funchal. . . . [caption id="attachment_15731" align="alignleft" width="300"] Praça do Peixe[/caption] Centro histórico do Porto da Cruz: praça do peixe Construído no início do séc. XX, é constituído por dois corpos independentes, um de planta rectangular e outro de planta quadrangular. O principal, erguido em alvenaria rebocada a cal apresenta duas portas viradas a Sul e uma porta virada a Norte com molduras de cantaria rija, possuindo cobertura de quatro águas em telha de meia cana. O outro é constituído por quatro pilares de cantaria cinzenta, feitos num único bloco, que suportavam um telhado de quatro águas em telha de meia cana. A antiga praça é rodeada por um muro em alvenaria que na parte Oeste dá lugar a uma balaustrada. O chão é calcetado com o tradicional calhau rolado do mar. . . [caption id="attachment_15746" align="alignleft" width="200"] Furna do Negro[/caption] Furna do Negro Ponto de interesse geológico, dado que é possível observar a estratigrafia da matéria vulcânica. Noutro sentido, as grutas presente em parte da encosta que ladeia o caminho, fornecem um exemplo do modo como o Homem usou o meio natural para as suas actividades na ilha. Para além de terem sido usadas como residência pela população mais pobre, ainda hoje são utilizadas para servirem de currais para os animais. Segundo tradição oral, foram utilizadas como cadeia. . . . . . . [caption id="attachment_15740" align="alignleft" width="300"] Fortim do Pico[/caption] Fortim do Pico Para se protegerem dos ataques de corsários, a população fortificou a costa com pontos de vigia e de defesa. Neste pico havia um forte mandado erguer pelo Governador do Arquipélago da Madeira Duarte Sodré Pereira, nos finais do Séc. XVIII. Estas bonitas ruínas são o que resta da casa da guarda e residência do Contestável do Forte. A subida do pico, até às ruínas, é compensada pela bonita vista da Vila do Porto da Cruz, donde podemos apreciar o casario e os campos de cultivo. . . . [caption id="attachment_15743" align="alignleft" width="300"] Engenho do porto da Cruz[/caption] Engenho do Porto da Cruz Construído no ano de 1927, é propriedade da Companhia dos Engenhos do Norte. Constitui um belo exemplar da época em que o Porto da Cruz possuía vários engenhos ligados à produção da cana-de-açúcar. Em excelente estado de conservação, labora ainda nos dias de hoje com as máquinas a vapor originais. Encontra-se aberto para visitas entre a Segunda-feira e Sábados, das 8 às 17 horas. . . . [caption id="attachment_15751" align="alignleft" width="300"] Igreja Paroquial[/caption] Igreja Paroquial Sendo de construção recente (1958), a Igreja matriz alberga no seu interior alguns pormenores muito interessantes no que respeita ao património imaterial e móvel. No interior, observa-se um moderno lambril de azulejos com padrões do prestigiado artista Querubim Lapa. O templo guarda ainda alguns elementos decorativos barrocos provenientes da antiga igreja de Nossa Senhora de Guadalupe. Uma Nossa Senhora de Guadalupe (séc. XVI ou XVII, em madeira policromada) e um Santo António (em terracota). Os quadros da Via-sacra são de autoria de João Gomes Lemos, de pseudónimo "Melos", médico natural da freguesia. É uma obra do Arquitecto Raul Chorão Ramalho. . . Textos © César Rodrigues Fotos © Rui A. Camacho